Aluguel de bicicletas em Porto Alegre deve começar no Dia Mundial Sem Carro

Rachel Duarte

Atualizado às 15h56

Anúncio da empresa para aluguel de bicicletas em Porto Alegre ocorreu nesta terça (4) | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Está prevista a entrega das cinco primeiras estações de aluguel de bicicletas em Porto Alegre para o dia 22 de setembro, Dia Mundial Sem Carro. A data foi estipulada pela empresa Sertel, vencedora do edital de manifestação de interesse aberto pela Prefeitura Municipal em 21 de agosto. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (4) pelo prefeito José Fortunati e pelo diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Capellari. O compromisso da empresa é entregar 40 estações até dia 30 de abril de 2013, atingindo a meta de 400 bicicletas na cidade. O valor do aluguel sugerido pela Sertel foi de R$ 5,00 para o passe diário e R$ 10,00 o passe mensal.

Ao todo, cinco empresas apresentaram propostas de interesse para operação do serviço. Foram elas a FGTV, Serttel, Trunfo, MobiBike e Compartibike. A escolha, segundo Capellari, seguiu critérios técnicos exigidos pela equipe que desenvolve as ciclovias na cidade. “Não foi uma escolha aleatória. A Sertel atendeu todos os requisitos para entregar as estações, bicicletas e fazer a manutenção dentro do estudo técnico repassado pela EPTC às empresas participantes da seleção. Levamos em conta também o preço mais barato”, explicou.

O gerente comercial da Compartibike, Eduardo Fernandez acompanhou a divulgação do resultado e questionou a Prefeitura sobre a publicação da ata com o relatório da escolha. Segundo ele, o projeto vencedor foi mais caro e não prevê patrocínio para manutenção do serviço. “Os custos para transporte das bicicletas nas estações, para que nenhuma fique sem os veículos ou com bicicletas demais, além da manutenção delas e toda a instalação das estações… Essas coisas estão com valores caros. O investimento não se paga sem patrocínio. Nossa proposta previa 60 estações por um preço relativo ao TRI (Transporte Integrado de Porto Alegre)”, disse.

O diretor da EPTC esclareceu que algumas empresas tiveram problemas com documentação ou não apresentaram as condições necessárias para execução do serviço. Capellari informou também que não foi estipulada exigência de patrocínio e a empresa vencedora terá que arcar, com patrocínio ou não, os compromissos assumidos com a administração municipal. “A empresa vencedora apresentou um cronograma e terá que cumprir, de acordo com as exigências que estipulamos. Se não cumprir essas exigências, estará fora. Ela administrará o serviço por um ano, podendo ser prorrogado por mais 36 meses ou não”, salientou.

A empresa Sertel é mesma que realizou o serviço de aluguel de bicicletas no Rio de Janeiro. Além da capital carioca, inspiram o modelo a ser implantado em Porto Alegre os utilizados em Paris e Londres. “Observamos um aumento no número de ciclistas na cidade, o que demonstra uma mudança cultural. Com a diferença que, em Londres há poucas ciclovias e aqui estamos com uma série delas em andamento. Todas as obras da Copa do Mundo prevêem construção de ciclovias”, salientou José Fortunati.

Dentro do Plano Diretor Cicloviário, aprovado na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, a Prefeitura de Porto Alegre informa que já estão em funcionamento as ciclovias da Restinga (4,6 quilômetros); Ipanema (1,25 quilômetros); Diário de Notícias (2,1 quilômetros) e Icaraí (1,7 quilômetros). Estão em construção também, segundo a EPTC, a Ciclovia da Avenida Ipiranga (9,4 quilômetros) e a da Edvaldo Pereira Paiva (6,35 quilômetros). Estão projetadas ainda, ciclovias para as obras da Copa do Mundo na Avenida Tronco (5,6km); Severo Dullius (1,6 quilômetros); Sertório (12 quilômetros) e Voluntários da Pátria (3,5 quilômetros).

Fortunati: “Se ocorrerá a integração, só o tempo dirá”

Cada estação terá de seis a 12 bicicletas disponíveis para uso. A intenção é colocar ao menos uma estação em cada terminal de ônibus dos pontos escolhidos para instalação do aluguel das bicicletas. O mapa das estações foi sugerido pela empresa, mas ainda será analisado pela EPTC e poderá sofrer ajustes conforme o impacto na mobilidade. “Vamos estudar a possibilidade de futuramente integrar o aluguel ao TRI para o usuário pagar a bicicleta com o cartão do sistema integrado de transporte da cidade”, falou Vanderlei Capellari.

A integração com os demais modais da cidade, como o futuro projeto do Metrô de Porto Alegre as ciclovias que estão sendo construídas em Porto Alegre será ajustado depois de o aluguel começar a funcionar. “Se ocorrerá a integração, só o tempo dirá. O importante é começarmos a fazer as coisas acontecerem. Todos os ajustes poderão ser feitos conforme a demanda for surgindo, bem como a ampliação do serviço”, disse Fortunati.

Os interessados em alugar as bicicletas deverão realizar credenciamento prévio no sistema, por meio do site da Sertel, telefone ou aplicativo de celular. A gestão do sistema acontecerá de forma totalmente eletrônica, de modo a contabilizar os deslocamentos de forma automática. O passe diário custará R$ 5,00 e o passe mensal R$ 10 reais. O tempo máximo de utilização será de 60 minutos. Cada hora excedente custará R$ 5,00.

Segundo o diretor da EPTC, o valor para o usuário faz parte da proposta da empresa vencedora e poderá ser alterado futuramente. “Se entenderemos que não está sendo compensatório para o usuário, poderemos alterar”, disse. Com o valor diário do aluguel de bicicleta equivalente ao custo do deslocamento de ida e volta com ônibus em Porto Alegre, hoje R$ 2,85, Capellari explica que a intenção é incentivar o aluguel mensal. “Queremos que as pessoas utilizem a bicicleta como meio de transporte. Deixe a sua em casa ou quem não tem, possa começar a usar. O aluguel diário acabará sendo para o turista ou para lazer”, avaliou.

Será constituído um serviço de Call Center para informar o tempo de percurso entre as estações, o mapa geográfico da localização dos pontos do aluguel, valores, monitoramento do serviço e apuração de defeitos ou outras demandas dos usuários. As estações também terão paineis com identificação nominal da estações, mapa de localização e instruções sobre o aluguel, em português e inglês.

O aluguel de bicicletas começará pelo Centro da Cidade a partir de 22 de setembro, com estações no Mercado Público, Casa de Cultura Mário Quintana, Usina do Gasômetro, Praça da Matriz e Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Até 30 de outubro serão entregues mais 10 e em 20 de dezembro mais 20 estações. As demais estão previstas para março e abril de 2013. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS) estão contempladas com estações.

.o0o.

ATUALIZAÇÃO: Em contato com o Sul21, a assessoria de imprensa da EPTC corrigiu informação prestada anteriormente sobre a cobrança de R$ 5,00 pela hora excedente no aluguel das bicicletas. Segundo a nova informação, a cobrança não será efetuada.

SUL 21



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14 respostas

  1. ESSES SENHORES A FAVOR DAS BICICLETAS, AVALIARAM SE O NOSSO JA CAÓTICO TRANSITO PERMITE MAIS UM ELEMENTO A DISPUTAR ESPAÇO EM NOSSAS, PRINCIPALMENTE, AVENIDAS ??? SEM DUVIDA É UM VEÍCULO SAUDAVEL , MAS TEM SEUS LOCAIS, DIAS E HORAS PARA USO. NÃO SE CONCEBE, EM HORA DE “PICO” NAS PRINCIPAIS AVENIDAS O USO DAS MESMAS. NÃO BASTAM AS CARROÇAS ? SÃO VITIMAS EM POTENCIAIS DE ACIDENTES, OU NÃO ? EX: AV. SERTORIO, PERIMETRAL, BORGES DE MEDEIROS, EDEVALDO PEREIRA PAIVA E TANTAS OUTRAS …

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  2. NÃO TINHA POST SOBRE ASSUNTO, ENTÃO VOU ANUNCIAR AQUI, COM GRANDE FELICIDADE, QUE HOJE VI UMA PLACA DE “ALUGA-SE” NO EDIFÍCIO HERRMANN!

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  3. Queria saber se o blog vai ter alguma coisa sobre as eleições?

    Talvez algumas entrevistas com os candidatos ou sei la, mas aproveitar este espaço para termos uma ideia melhor das intenções de cada candidato.

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  4. sem comentários

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  5. Todo ano deveria ser ano eleitoral!

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  6. Tu não pode deixar o cara pegr a bicicleta e ficar quanto tempo quiser! Tem que existir uma cobrança progressiva! A idéia desse tipo de projeto é que a pessoa use a bicicleta como meio de transporte do ponto A ao ponto B, se a cobrança extra o vivente pode pegar a bicicleta ir no supermercado, ficar 2h lá, dai ele pega a bicicleta via no cinema, depois vai visitar a namorada e por todo esse tempo uma bicicleta que deveria ter sido devolvida para a estação para que mais pessoas à utlizassme vai ficar amarrada à um poste na frente do cinema! Está errado, o consumidor deve ser incentivado à devolver as bicicletas às estações pela cidade o mais breve possível. Se não ouver cobrança extra por tempo adicional a chance das estações ficarem vazias desnecessariamente aumenta considerávelmente. A idéia dessa modalidade não é para que o sujeito pegue a bicicleta às 8h da manhã, vá trabalhar e só retorne a bicicleta às 20h deixando-a indisponível durante todo esse tempo, a idéia é que a pessoa deixe a bicicleta indisponível para o sistema somente enquanto estiver efetivamente USANDO o treco. Por favor, alguem me diga que eu interpretei errada a nota da reportagem que fala que a EPTC não vai cobrar o tempo adicional!

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    • Ppois é, já não basta que são poucas bicicletas por estação. Faça a conta.

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    • Felipe, além disso, esses sistemas são complexos, algumas estações ficam abarrotadas de bicicletas enquanto outras ficam completamente vazias e ambas são um problema: as lotadas não podem servir como ponto de “descarte” e as vazias obviamente não podem servir como ponto de coleta e ambos os casos desencorajam o uso do sistema. A pessoa tem que estar confiante de que vai poder pegar a bicicleta perto de casa ou perto da parada de ônibus dele e vai poder descartá-la com sucesso perto do destino desejado, se ele desconfiar que isso não acontecerá ele pode acabar desistindo de usar o sistema futuramente. Não é só comprar uma dúzia de bicicletas e colocar umas na Redenção e outras no Praia de Belas. É algo complexo. Espero que a empresa tenha noção disso tudo.

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    • Em Londres a empresa fica com pickups andando pela cidade balanceando estações adicionando e retirando bicicletas de estações de acordo com a demanda.

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    • Tá escrito ali em cima que “O tempo máximo de utilização será de 60 minutos. Cada hora excedente custará R$ 5,00”.

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      • No rodapé da página se lê “ATUALIZAÇÃO: Em contato com o Sul21, a assessoria de imprensa da EPTC corrigiu informação prestada anteriormente sobre a cobrança de R$ 5,00 pela hora excedente no aluguel das bicicletas. Segundo a nova informação, a cobrança não será efetuada.”

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    • Isso pode acontecer, mas acho que a grande maioria do pessoal que usa bicicleta vai valorizar e não vai ficar de sacanagem.

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  7. Ótima notícia, mas juro que quando comecei a ler pensei “aposto que vão botar as estações sem pensar onde há ciclovia ou sequer trânsito fácil para bicicleta”.

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