Proposta de plano cicloviário na Cidade Baixa começa a ser discutida

Nícolas Pasinato

A proposta prevê uma ciclovia na avenida Loureiro da Silva e outra na rua José do Patrocínio | Foto: Divulgação

Enquanto o prefeito José Fortunati anuncia que a partir deste mês bicicletas poderão ser alugadas em Porto Alegre, uma proposta para implementação de um plano cicloviário na Cidade Baixa, bairro tradicional de ciclistas da cidade, começou a ser debatida nesta semana. Na segunda-feira (3), a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) se reuniu com a comunidade do bairro para discutir a proposta da prefeitura, que prevê uma ciclovia na avenida Loureiro da Silva e outra na rua José do Patrocínio.

O objetivo é interligar essas novas ciclovias com as da Edvaldo Pereira Paiva e Ipiranga, que estão em obras. De acordo com as propostas iniciais, na José da Patrocínio, o espaço exclusivo para os ciclistas terá 880 metros de extensão, ligando as avenidas Loureiro da Silva e Venâncio Aires. Na Loureiro da Silva, a ciclovia terá 1,2 mil metros, interligando a José do Patrocínio e Vasco Alves.

“A proposta inicial foi apresentada sem dar maiores detalhes. Queremos receber da comunidade um feedback para que o projeto não seja realizado de maneira imposta”, explica o arquiteto e gerente de projetos e mobildiade da EPTC, Antônio Vigna.

Conforme a proposta, as ciclovias serão bidirecionais e implantadas na via, mas segregada da faixa. Modelo esse que gerou controvérsia entre os ciclistas, uma vez que parte deles manifestou preferência por ciclofaixas unidirecionais.

Outro questionamento feito no encontro, que contou com a presença de cerca de 70 pessoas, foi em relação as adaptações que teriam que ser realizadas na José do Patrocínio, rua de intenso fluxo. Segundo o arquiteto da EPTC, o número de faixas da rua teria de ser reduzido de três para dois, tendo então de diminuir também o número de estacionamentos na via. O comércio que fica do lado esquerdo, onde deve ser implantada a ciclovia e que utiliza transportes para carga e descarga de produtos também passaria obrigatoriamente por negociações e ajustes.

A boa notícia para quem costuma transitar pela rua é que, com as mudanças e reorganização da via, o fluxo de veículos deve diminuir. “A José do Patrocínio é uma rua de grande tráfego de passagem, as pessoas dificilmente param no local. Organizando esse tráfego, o fluxo deve ser amenizado”, prevê Vigna. Agora, a EPTC irá analisar as revindicações e sugestões da comunidade e pode marcar uma nova reunião para a conclusão do projeto.

Proposta demonstra maior planejamento, diz ciclista

Silvia Pont é estudante de design gráfico e utiliza diariamente a bicicleta como transporte para se locomover de sua residência, na rua João Alfredo, situada na Cidade Baixa, até a Fundação Iberê Camargo, onde trabalha. Como moradora do bairro e ciclista, Silvia vê de forma positiva a iniciativa de consultar os ciclistas e moradores, antes da implantação do plano cicloviário na Cidade Baixa.

Segundo ela, a ação é importante para que não ocorra problemas já apresentados em outras ciclovias. “Parece que agora o projeto está sendo melhor projetado. A ciclovia na Ipiranga foi feita sem muito planejamento, pois não interliga com outras ciclovias”, relembra. Para Silvia, as ciclovias devem ser pensadas como um espaço de mobilidade urbana e não um meio de lazer, que é caracterizado quando a ciclovia não é projetada de forma a interligar uma ciclovia com outra.

Moradores e ciclistas alertam para falta de respeito de transportes públicos

Conforme moradores que estiveram presentes no encontro com a EPTC, houve uma forte critica por parte dos ciclistas em relação ao comportamento dos motoristas de transportes públicos. A observação vem da advogada Shirley Nunes, moradora há cerca de 50 anos da Cidade Baixa e membro da associação de moradores do bairro.

Silvia Pont corrobora a reclamação. “Ônibus, lotação e também táxi não estão nem ai, passam e não olham. Tiram fininho”, reclama ela. Roberta Corrêa, outra moradora que esteve presente na reunião e usuária do meio do transporte aos finais de semana, destaca que tanto o bairro como toda a cidade terão que passar por uma reeducação em seu comportamento no trânsito. “Tudo que é novo precisa de adaptação. Não estamos acostumados com bicicletas sendo usadas como meio de transporte. É uma nova cultura que cresce e que implica em aprendizado por todas as partes envolvidas e de um respeito entre eles que não vem acontecendo”, avalia.

Ao final da tarde de terça-feira (4), a Associação de Ciclistas de Porto Alegre (ACPA) publicou em seu site um relato sobre a reunião que discutiu o plano cicloviário para a Cidade Baixa. A íntegra do relato pode ser conferida neste link.

SUL 21



Categorias:Bicicleta, ciclovias

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24 respostas

  1. Porque a escolha destas movimentadas avenidas? Só para piorar o já caótico trânsito ali em horários de pico? Porque não fazer por dentro do bairro Cidade Baixa, com ruas 1000x menos movimentadas?

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    • exemplo?

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      • Exemplo? Qualquer rua da CB. Eu quando ando de bicicleta vou da redenção à beira do rio sempre por dentro (rua do Quartel por exemplo), e não por avenidas. Não tem porque.

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        • Ou seja, tu anda na transversal destas ruas. Uma contra-proposta teria que ser no mesmo sentido.

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        • Já tentou ir da redenção-gasometro pela venancio + corredor da Erico ? Não tem tanto cruzamento. Teoricamente o teu caminho é mais seguro (pois tem menos fluxo de carros e tb da velocidade que teoricamente é bem menor). Mas o problema que vejo são justamente os benditos cruzamentos da Lima e Silva e Jose do Patrocioni. Se nao tiver sinaleira para atravessar vai ser muito inseguro.

          Mas o fluxo da Jose do Patrocinio é o fluxo do centro-bairro. Entao nao tem jeito, ou vai ser pela João Alfredo (que tem problema de conexao a outras vias), Jose do Patrocinio e a Lima e Silva. Ate mesmo vai pegar o pessoal que vai pela joao pessoa (que creio eu vao preferir pedalar um pouco mais mas ir numa ciclovia).

          POA não tem muitas ruas paralelas pra serem utilizadas.

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    • Talvez, Adriano, porque limitar o fluxo de carros nessas ruas irá revitalizá-las. O estreitamento da José do Patrocínio, por exemplo, vai reduzir a velocidade dos automóveis que ali circulam, e tornar mais fácil para os pedestres circularem pela região, o que valoriza a região toda que está desvalorizada desde que comelou a ter um trânsito tão agressivo.

      Já a Érico Veríssimo e a Loureiro da Silva, possuem espaço sobrando, que não é aproveitado pelos carros. Veja a foto abaixo, por exemplo:

      Por outro lado, em ruas onde o trânsito é mais tranqüilo, as ciclovias são menos necessárias, pois já é mais seguro para o ciclista pedalar nelas. Onde as ciclovias são mais necessárias, é justamente nas vias onde o trânsito é mais intenso e agressivo, para garantir ao usuário de bicicleta o direito de usar aquela via com segurança.

      Abraço.

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    • Jose do Patrocinio está na lei do plano cicloviario de POA.

      Ela liga o centro (quem vem da perimetral e tb pela demetrio) ate a venancio, ligando esta a ipiranga pela erico e ate mesmo ate a redencao utilizando a venancio.

      Eu acho que a melhor solucao e´fazer ciclofaixa na Jose Patrocinio (sentido centro-bairro) e outra na Lima e Silva (bairro-centro). O tecnico falou da opcao de fazer pela João Alfredo, mas esta tem problema de interconexão.

      Aquela região é a parte que mais tem pedestres. Mais vida na rua (comercio, bares) e não existe shopping. Com parques (redenção e gasometro). Então é o ideal para a ciclovia pq o pessoal usa. Não adianta colocar ciclovia afastado de onde se utiliza.

      O transito de passagem os moradores odeiam. Ciclista pior ainda. Os técnicos falaram que não vai ter grande problema pois so com a reorganização do espaco vai comportar o mesmo. E sempre tem a opcao de pegar outras vias (ou vem de bus pro centro). Os moradores até estão favoraveis a retirada dos estacionamentos ( o que me supreendi muito).

      Mas quero ver sair da promessa pre eleitoral. Vamos ver.

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      • “Eu acho que a melhor solucao e´fazer ciclofaixa na Jose Patrocinio (sentido centro-bairro) e outra na Lima e Silva (bairro-centro). O tecnico falou da opcao de fazer pela João Alfredo, mas esta tem problema de interconexão. ”

        Também acho, mas teria o problema que as ruas que ligam essas duas maiores têm sentidos totalmente aleatórios. Quem quiser da José pra Lima (ou fazer o retorno), por exemplo, vai ter que pedalar no mínimo umas duas quadras.

        Não digo que o problema são as ciclovias, mas a mão única das ruas que ligam a José e a Lima.

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        • Pra quem já anda de bicicleta seguindo a forma segura já sabe que não é tão complicado fazer o retorno pela outra rua (do que andar na contramão). Não se perde tanto tempo assim. Claro, um morador que more no local que queira ir perto pela ciclovia, terá que fazer um balão maior para voltar. Mas neste caso irá a pé mesmo pq sempre vai ser mais rápido.

          O grande problema da ciclofaixa que o pessoal tem que saber pedalar integrado ao transito. Aquela ideia de deixar o filho de 12 anos sozinho “seguro” dentro de um ciclovia totalmente segregada não vai acontecer com a ciclofaixa. Alias, qualquer ciclovia que tem cruzamento (vide Ipiranga) não são feitos para quem não sabe pedalar. Pq são estes que terão mais chance de se acidentar nos cruzamentos.

          E ciclovia e ciclofaixa em ruas laterais onde tem pequeno fluxo de carros e velocidade pequena nem precisa existir. Mas o pessoal que não pedala por medo so vai tentar pedalar quando tiver ciclovia a disposição. Isso já se sabe tb.

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  2. Essa questão da falta de respeito de transportes públicos é grave. Um amigo meu teve um acidente sério porque um ônibus prensou ele contra o cordão da calçada.

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  3. A principal novidade é a proposta da EPTC em retirar 1 das faixas de trânsito da Av José do Patrocínio.

    Os técnicos sabem que só retirar faixa e diminuir a velocidade (reorganizado o fluxo) que vai melhorar para população atingida.

    Vários comentários dos moradores relatando a dificuldade em atravessar a avenida. Ninguém gosta do trânsito de passagem.

    Agora se EPTC vai mudar, isto só saberemos depois da eleição. O problema são os políticos, não vai ser facil se eleger se retirar espaço dos carros. Os técnicos sabem que esta é a única solução para a segurança da população atingida pelo exceço e alta velocidade dos carros.

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    • Verdade. A Jose do Patrocínio é muito larga pro fluxo, me parece. Carros passam a 60km/h numa via que devia ser bem mais lenta.

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  4. Não gostei da participação da ACPA. Ficaram se queixando da cor da pista e nem mencionaram o fato que a ciclovia da José do Patrocínio vai ter bicicletas na contramão dos veículos, o que é um risco de segurança.

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    • Felipe,

      Não foi nenhum associado da ACPA que falou isso da cor da faixa.

      Cor vermelha está no CTB e tem que ser utilizada.

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      • Tu és da ACPA? Pergunto por que conversei com eles no FB e não me disseram isso que falaste.

        Honestamente não me importo com a cor, mas sim com a mão dupla da ciclovia.

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        • Felipe,

          Sou associado na ACPA. Já se associou ? Estamos com o projeto da Ipiranga e tb da Sertorio para discutir para saber a posição da ACPA. Tb ainda nao temos posição do minino de largura pro exemplo a ciclovia tem que ter. Quanto mais pessoas é melhor… Qualquer coisa me fala leandroleite @ gmail.com .

          Uma das perguntas que fizemos la fora pro arquiteto foi justamente se é ciclovia ou ciclofaixa. Pq na apresentacao tava ciclofaixa. E todos sabem que ciclofaixa nao pode ser bidirecional. Ciclovia como é segregada do transito nao tem tanto problema em ser mao dupla. O problema é a propria segregacao. O arquiteto disse que é ciclovia. Então vai ter que ter separador fisico (nao somente tachão). Possivelmente vao ser os proprios carros estacionados do lado. Mas isso é so uma proposta pre eleitoral.

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        • Leandro, ciclovias bidirecionais junto ao fluxo de carros podem ser até quatro vezes mais perigosas para o ciclista:
          http://www.wright.edu/~jeffrey.hiles/essays/listening/ch7.html

          Ciclovias direcionais só são seguras em locais onde não há cruzamentos, como na orla de um rio/lago/mar, dentro de parques, neste tipo de situação.

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        • Marcelo,

          Concordo contigo. Ciclovia em POA somente na região do gasômetro que não tem cruzamento. Onde tem não serve, melhor ciclofaixa.

          Mas essa vai ser uma luta somente se os ciclistas estiverem unidos. Pq se a EPTC quiser eles farão. É só falar que é melhor uma ciclovia na calçada que pedalar na rua que qualquer pessoa que nao pedala vai achar que fez certo.

          Tem tb o lado esquerdo, que na minha opiniao sempre se coloca no lado direito.

          Mas isso ainda é uma proposta feita para comunidade a 1 mes antes da eleição.

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        • Se concordas comigo, então não digas que “ciclovia por ser segregada do trânsito não tem problema em ser mão dupla”.

          Só não tem problema se não houver cruzamentos.

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      • Quem falou sobre a cor então? Pra mim também me parece uma das questões mais inúteis a ser discutida.

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        • Teve umas duas pessoas pelo menos que em momentos separados falaram da cor.

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        • A EPTC fez a reunião para comunicar a proposta de um projeto. E ouviu alguns gatos pingados que falaram pq colocaram o nome na lista. Claro que o que entrou por um ouvido logo saiu pelo outro. Não vai ser agora a 1 mes da eleição que o pessoal vai querer mudar o pensamento atual de mais carros na rua.

          A própria falação da cor, mostra que não foi tão produtivo. Foi mais para dar um alo pra comunidade. Não foi voltada pro publico alvo de quem vai usar a ciclovia.

          Por isso a importancia da EPTC projetar junto com as comunidade representada por associações. Para sair da discução da cor (que nem pode ser discutido pq ta no CTB cor vermelha). E tb das entidades garantirem que a EPTC não vai fazer algo contra as normas. Melhor não fazer ciclovia do que qualquer coisa (vide vários exemplos de POA).

          A EPTC ainda está engatinhando. Sempre tentando projetar as escondidas pra implantar qualquer coisa. Pra ACPA conseguir o projeto da ciclovia da Ipiranga foi um parto.

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    • O ilustríssimo presidente da EPTC nem quis ouvir a palavra da ACPA. Só no final foi obrigado a ouvir algumas cobranças relativas as mais de 5 reuniões anteriores que não saiu nada de útil. O projeto ta completamente diferente do que foi debatido nas reuniões anteriores.

      Na saída ficamos falando um bom tempo com o arquiteto, que mostrou supreso em saber que tinha outro projeto já discutido muito (quadra a quadra) pela outra tecnica da EPTC relativo a ciclivia da Loureiro da Silva no qual é ciclofaixa em cada lado da avenida (e não no canteiro central – como foi proposto agora). O arquiteto ficou de ver com a colega o projeto.

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