Com tecnologia mais barata, aeromóvel ganha força no Brasil

O aeromóvel rompe com a tradição rodoviária, especialmente no Brasil Foto: Ado Azevedo e Luis Paulo Molina/Divulgação

Com um motor elétrico acoplado a um ventilador, o aeromóvel apresenta vantagens importantes em relação a outros transportes sobre trilhos. Cinco vezes mais leve – são cerca de 12 toneladas em veículos para 300 pessoas) e três vezes mais econômico se comparado ao metrô, o veículo ganha aos poucos mais espaço no Brasil.

Clique aqui para ver o INFOGRÁFICO:  Aeromovel, a alternativa de transporte do Brasil

Atualmente, dois projetos estão em andamento em cidades brasileiras, Porto Alegre (RS) e Nova Iguaçu (RJ). Com o primeiro em fase final, e o segundo, no início, as iniciativas são um exemplo de como a tecnologia rompe com a cultura rodoviária do país e surge como uma alternativa para driblar o caos do trânsito nas grandes cidades – seu custo é cerca de R$ 30 milhões por quilômetro construído, enquanto o do metrô pode custar até dez vezes mais, em cidades como São Paulo (SP). “A ideia foi associar o sistema de roda trilho à tecnologia aeronáutica, construindo um veículo extremamente leve e resistente”, afirma o fundador da empresa responsável pela tecnologia do veículo, a Aeromóvel Brasil S.A. (ABSA), Oskar Coester.

Desenvolvido em projetos conceituais desde a década de 1970, só agora o aeromóvel se torna popular. “Toda a inovação de ruptura leva tempo para ser assimilada pela sociedade, e o aeromóvel está completando agora esse período, de mais de 30 anos¿, afirma o diretor de engenharia da ABSA, Diego Abs. Coester completa: “as pessoas demoram a entender que existem projetos novos, outras maneiras de fazer as coisas. Foi assim com a aviação a jato, por exemplo”.

Segundo o arquiteto Ado Azevedo, envolvido nos projetos dos aeromóveis da capital gaúcha e de Nova Iguaçu, a demora nacional e mundial para se investir nessa tecnologia se deve a uma tradição de investimento em transportes rodoviários, especialmente no Brasil. “O metrô é a solução para linhas com muita demanda, mas o aeromóvel é mais eficiente e econômico do que as linhas de ônibus. Com a conclusão da linha de Porto Alegre, as pessoas vão se dar conta de que ele é uma possibilidade, que o nosso investimento em transporte rodoviário foi um erro histórico. Agora é uma questão de tempo até superarmos o paradigma rodoviário”, acredita.

Projeto em Nova Iguaçu será mais extenso

Apesar de utilizarem a mesma tecnologia, as iniciativas desenvolvidas em Nova Iguaçu e Porto Alegre apresentam diferenças estruturais. A construção gaúcha já está em sua fase final, e conta com uma linha de 1.100 metros, duas paradas e ligação direta para o Aeroporto Internacional Salgado Filho. A de Nova Iguaçu está em fase de licitação e terá duas linhas, com sete e oito quilômetros de extensão inicialmente. Projetada dentro do PAC da Mobilidade Urbana, com verbas do governo federal, a primeira linha passará por diversos bairros, com seis estações, a um custo estimado de R$ 250 milhões.

A segunda linha ligará o centro da cidade ao antigo aeroclube – que será reativado – e foi desenvolvida dentro do sistema de concessão à iniciativa privada por um período de 25 anos. Com custo estimado de R$ 450 milhões, a linha contará com nove estações ao longo de seus oito quilômetros em sua primeira fase. O projeto do aeromóvel de Nova Iguaçu será desenvolvido pelo engenheiro Fernando MacDowell, especialista em transportes. “Diferentemente de Porto Alegre, serão dois sistemas extensos”, compara Ado Azevedo.

“O projeto de Porto Alegre conta com dois veículos com capacidade para 300 e 360 pessoas, que não operam ao mesmo tempo, enquanto os de Nova Iguaçu serão maiores, com capacidade para até 600 pessoas. Será um sistema de transporte de massa, uma espécie de metrô em via elevada”, compara o diretor de engenharia da ABSA. As operações em Porto Alegre estão previstas para iniciar em 2013, a um custo estimado de R$ 33 milhões. Ambas construções contarão com tecnologia 100 por cento nacional.

“É uma fonte de energia limpa e de baixo consumo, justamente por ter uma grande eficiência energética. Também é uma tecnologia simples, que demanda pouca manutenção, por utilizar peças de prateleira em série, e não específicas. Em Jacarta, por exemplo, a manutenção beira o zero”, ressalta Abs, mencionando o projeto de aeromóvel da capital indonésia, finalizado em 1989 e que conta com seis estações em 3,2 quilômetros de extensão, com três veículos que levam 300 passageiros cada.

Ado Azevedo também destaca as qualidades do meio de transporte, que tem grandes diferenças em relação ao metrô e ao ônibus. “O metrô tem alta capacidade de transporte de passageiros (cerca de 80 mil por sentido), enquanto o aeromóvel tem uma capacidade intermediária entre o sistema de metrô e o de ônibus, sendo muito mais eficiente que o último, com uma capacidade 25 mil passageiros por sentido. Além disso, é mais flexível, resistente, leve e de execução mais simples do que o metrô”, ressalta.

PORTAL TERRA



Categorias:Aeromóvel, Meios de Transporte / Trânsito

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24 respostas

  1. O Aeromovel parece mais atrativo porque eh aereo e ´nao atrapalha´o transito. Preferia muito mais ver projetos de VLTs por ai, mas se estamos conquistando pelo menos o aeromovel, ja eh uma vitoria!

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  2. Tomara que saia do papel esse de Canoas. Seria um tapa na cara de Porto Alegre. A cidade do lado evoluir mais que a capital.

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  3. Posso tentar fazer um resumo, mas meu português não é dos melhores….

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  4. Desejava que este projeto fosse implantado em todos lugares possíveis, não num futuro distante, mas num futuro que eu poderia desfrutar de tal avanço tecnológico.

    Tem um porém, o que nos falta é ação, pois os políticos que são os responsáveis em não coloca-los do projeto para a prática, os interessem deles, se ganhariam algo com isto.

    Como notaram que não, engavetaram como outros que extinguiram.

    Por causa desta questão este projeto está há mais de trinta anos parado, agora estão implantado num percurso que estão fazendo do aeroporto ao Trensurb, por causa da Copa, pois o negócio deles são os ônibus mesmo, infelizmente para a população, é claro!

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    • O Blog não pode postar matérias da ZH. Quando sair esta matéria em outro veículo, posto aqui.

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      • Nossa, por que não, se a pergunta não for indiscreta?

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        • Nem um pouco indiscreta Fernando. A editora chefe do jornal em contato comigo há mais ou menos 1 ano atrás, nos proibiu de copiar matérias da ZH. Possivelmente tenha se assustado com a nossa popularidade e número de acessos… pois foi logo em seguida que divulguei o primeiro milhão de acessos do Blog. Estamos quase em 4 milhões agora e com sólidos 300 mil por mês! E sempre crescendo.

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      • Simon

        Deixa de ser preguiçoso e escreve um resumo, se não copiares uma frase por completo não é plágio!

        Ou melhor, pede a alguém do Blog que elabore uma pequena matéria sobre isto, tem gente bem esperta e não semi anarfa como eu, que poderia escrever melhor que a Zero Hora.

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        • No momento estou trabalhando. A minha profissão não é o Blog. Mais tarde eu consigo fazer o resumo. Mas se alguém se disponibilizar a fazer, agradeço. Aliás, o Blog está sempre aberto pra colaborações. Tem duas pessoas que são exemplares colaboradores: o Felipe X e o Rafael Rigon.

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        • Simon

          Comecei a fazer um texto, só não sei para onde enviar?
          A noite também tenho tempo, não é só tu que trabalhas!!!
          Se indicares posso fazer algo.

          O bom seria colocar umas imagens do Google Earth (estava vendo isto, mas tenho que parar).

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        • Gilberto,

          Não entendi. Da Bíblia do Rio Grande não pode .. Mas do Diário Gaúcho da mesma camorra empresarial pode ?

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        • A RBS esta a cobrar ate para as noticias que ha pouco tempo eram for free.
          Tudo por dinheiro.

          se o jornalismo deles fosse bom como o da folha, eu ate entenderia… mas né.

          Nao importa, estamos servidos de outros sites para as notícias daqui. este blog é um exemplo.

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      • Esqueci deste detalhe, mas ao menos ja fica a informação pro pessoal.

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    • pois assim ngn entraria no site ruim deles

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  5. Isso mostra bem o ditado que “siri gaúcho não sai do balde porque os demais o puxam para baixo”.

    Veja como enquanto aqui constrói-se BRT-corredor de ônibus no RJ já haverá uma linha bem mais longa que em PoA.

    Veja também o caso de Canos, onde foram feitos ESTUDOS DE DEMANDA e verificou-se a viabilidade do Aeromóvel.

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    • A base do aeromóvel é que diferentemente de todos outros modais em terra, quanto menor o atrito entre o veículo e o trilho melhor. Um carro tem um peso morto quando carrega um só passageiro de 1000% o peso do que ele transporta, já o aeromóvel quanto menor o seu peso melhor o seu desempenho.

      Falo isto porque o aeromóvel ainda tem muito a evoluir, se hoje ele já é econômico daqui a dez anos com materiais mais leves, rodado melhor e controle automatizado ele ficará ainda mais competitivo.

      Quando o aeromóvel estiver sendo operado economicamente e com sucesso em outras cidades temos que dar o prêmio das maiores Antas dos últimos 30 anos, para a longo linhagem de prefeitos de nossa cidade, que por ignorância, estupidez e escolha errado de assessores deixaram de investir neste modal.

      O pior que o Fortunati agora com todas as suas obras mal planejadas vai comprometer os recursos da prefeitura nos próximos 20 anos e, perdendo a capacidade de investimento, vamos ficar remando com seu pseudo-BRTs, com alguns viadutos inúteis e mais outras asneirisses que ele está fazendo (e o pior de tudo, quando ele fala ele transmite a impressão que está fazendo correto, ou seja, não se dá conta que está fazendo besteira).

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      • Fico imaginando a eficiência de um Aeromóvel utilizando os compósitos aeronáuticos, ventiladores altamente eficientes, dutos altamente precisos e um belo controle de pressão e fluxo nas pás.

        Isso não é só sonho, isso é pesquisa, ciência e tecnologia que podem trazer crescimento econômico para o estado.

        Expointer é legal, mas precisamos também de feira de ciência e tecnologia.

        Veja que enquanto os governos estadual e municipal deixaram a Aeromot falir, Santa Catarina receberá uma fábrica de aviões.

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