Fase decisiva para o metrô

A partir de hoje, empresas terão 60 dias para complementar o projeto técnico. As obras devem começar em 2013

Com o lançamento da proposta de manifestação de interesse, marcada para ocorrer às 14h de hoje, no Paço Municipal, o metrô de Porto Alegre entra em uma fase decisiva. Empresas atuantes no mercado terão 60 dias para complementar o projeto técnico com as novas tecnologias disponíveis para o transporte coletivo, conforme diretrizes já estabelecidas pela prefeitura. As propostas deverão apresentar diferentes métodos construtivos, tipo de trem, sinalização, controle e informação ao usuário, bem como concepção dos terminais e estações. A melhor delas deverá ser escolhida até o primeiro trimestre do próximo ano. Em seguida, terá início o processo licitatório.

“Esse é o grande passo da definição do metrô, na medida em que publicamos a manifestação de interesse que contém as principais diretrizes”, explicou o secretário municipal de Gestão, Urbano Schmitt. “A partir delas, as empresas apresentarão suas propostas, que depois serão incorporadas ao projeto”, completou.

Entre as diretrizes que devem ser obedecidas estão o número mínimo de 13 estações, trajeto estimado em 14,8 quilômetros, por via subterrânea – do Centro de Porto Alegre até a Fiergs, na avenida Assis Brasil -, e integração com o sistema BRT (Bus Rapid Transit), com emprego do sistema chamado Metro Leve – apontado como o mais adequado à demanda da capital gaúcha.

Após a seleção, o projeto final será apresentado em audiência pública antes da publicação do edital para contratação da obra e da operação do serviço. A previsão é de que as obras se iniciem já no primeiro trimestre de 2013, com tempo de duração estimado em quatro anos.

Orçado em R$ 2,4 bilhões, o metrô de Porto Alegre prevê investimento de R$ 600 milhões da prefeitura, R$ 300 milhões do governo do Estado e R$ 1 bilhão da União (conforme a medida provisória 575, publicada em agosto pelo Diário Oficial, que autoriza a liberação de recursos federais para a execução da obra). O montante inclui ainda R$ 265 milhões em isenções de tributos municipais e estaduais e R$ 323 milhões originários de financiamento privado. A primeira fase compreende as avenidas Assis Brasil, Brasiliano de Moraes, Benjamin Constant, Cairu, Farrapos, rua Voluntários da Pátria, Largo Glênio Peres e avenida Borges de Medeiros. O metrô visa atender diariamente um público médio de 310 mil passageiros. Serão 25 composições (trens), formadas cada uma por quatro carros, que transportam em média 270 pessoas cada um.

Correio do Povo



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21 respostas

  1. Não sei tu, Gilberto, mas essa thread me dá orgulho desse blog 😛

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  2. Não entendo uma coisa, para colocar uma trincheira em avenidas em Porto Alegre, fazem pressão e todo o processo é adiado para ouvir a comunidade.

    Para fazer uma linha de metrô que é algo muito mais definitivo, que não aceita modificações viárias posteriores para corrigir erros de origem, não se faz uma consulta pública. Talvez tenhamos que formar uma associação pelo Metrô Correto e obrigar a prefeitura dialogar com a sociedade.

    O Mobus conseguiu em poucas linhas traçar uma série de erros graves que existem na linha, e destaco a estação na Esquina Democrática, que devido ao gabarito do centro e a quantidade de imóveis que tem em sua proximidade não permite que esta estação se torne uma estação de ligação entre diferentes linhas.

    Também chamo a atenção que talvez sobre as próprias pistas de concreto que estão sendo colocadas para os pseudo-BRTs poder-se-ia com um pouco de engenharia se fixar diretamente os trilhos dos VLTs, o que permitiria a instalação em menos de dois anos de linhas completas de VLTs transportando muito mais passageiros.

    Chamo a atenção dos seguintes números de capacidade de transporte por hora:

    Metro 80.000 passageiros
    VLT 40.000 passageiros
    BRT (via dupla) 30.000 passageiros
    BRT de Porto Alegre (via simples) talvez 25.000 passageiros

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  3. Fmobus, pelas críticas que faz ao projeto do metrô estou sinceramente curioso para saber como tu achas que deveria ser. Porque a mim, me parece que, pelo menos, o destino final é perfeito: zona norte. Agora o fato de ser paralelo e muito próximo ao trensurb no trecho inicial, é bizarro.

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    • Walter, enquanto eu concorde plenamente que seja correto servir a Zona Norte com o metrô, eu tenho problemas com algumas decisões já tomadas e praticamente sacramentadas neste projeto:

      O primeiro grande erro, como tu mesmo disseste, foi o traçado da linha 2 ser definido como paralelo e “colado” ao da linha 1, conectando-se com esta somente no centro. Isso é um erro pois dois motivos:

      1) Funcionalmente, força os passageiros a fazer conexão entre as duas linhas no Centro, o que certamente prejudicará a adoção da conexão por parte dos usuários. Imagine o indivíduo vindo de Canoas com destino a região do hospital Cristo Redentor: no projeto oficial, ele terá que ir com a linha 1 até o Centro, e depois voltar pela linha dois até a Assis Brasil. Não duvido que baldear prum ônibus lhe seja mais negócio.

      2) Esteticamente, é um desperdício de uma oportunidade de ouro de “enterrar” a linha 1 no centro, uma vez que o custo seria meramente a construção do trecho entre a futura Estação Cairú e a atual Estação Farrapos. Com isso, todas estações ao Sul da Cairú atenderiam as duas linhas, e os usuários fariam a troca de linha onde mais lhes conviesse.


      O segundo grande erro, ao meu ver, é o tratamento dispensado ao Centro Histórico no projeto. Com um requisito estranho de “apontar para uma extensão futura”, optou-se por fazer uma “esquina” para o Sul sob a Borges de Medeiros, uma vez que a segunda fase por esta avenida seguiria. A priori, isto parece um bom planejamento e tudo mais, mas eu acredito que é uma decisão muito prejudicial hoje para algo que vai demorar tanto para sair. Eu digo prejudicial por vários motivos:

      1) A área designada para estação terminal-integradora é a Esquina Democrática, que notavelmente é rodeada por prédios e estruturas críticas, dispondo de pouco espaço para a intervenção necessária, principalmente se considerarmos que, em qualquer sistema metroviário, a estação terminal é sempre a de requisitos de layout mais complicados, especialmente se considerarmos que ela será integrada a outros modais, que também demandam espaço. Faria muito mais sentido construir sob o Largo Glênio Peres, que dispõe de MUITO mais espaço.

      2) Se vocês forem observar os padrões de ocupação do centro, verão que existe uma enormidade de destinos de viagens diárias na região ao Oeste do Mercado; esta região seguirá, como hoje, sem cobertura adequada de transporte público – o que talvez explique a quantidade de garagens da região. A minha visão é que, em se optando por uma estação principal no Largo Glênio Peres, seria trivial seguir o túnel em linha reta sob a Av. Sete de Setembro, e colocar provavelmente umas duas outras estações: uma na Alfândega e outra no Gasômetro (com possibilidades de integração ao Aeromóvel)

      3) A área considerada “ruim” do Centro foi mais uma vez escanteada, relegada a ser um lugar que ninguém quer muito ir; falo da região entre o Camelódromo e a Rodoviária. Em algum ponto no passado se previa uma estação sob o Camelódromo, mas aparentemente desistiu-se em função do custo. Considero uma abjeta tolice, pois o custo mais do que compensaria quanto fatorássemos as possibilidades de integração com o terminal de ônibus ali existente.

      O incremento de passageiros atendidos com essas alterações seria o suficiente para justificar o custo extra e desbancar a vantagem de estar preparado para um futuro um tanto incerto. Além disso, nada diz que devemos obrigatoriamente usar o mesmo modal para seguir sob a Borges ao Sul. Uma solução que eu julgo elegante para esta avenida seria um bonde moderno, estendendo-se até o Cristal. Não sairia caro, e portanto poderia ser realizado muito mais rápido.


      Um terceiro erro, talvez não tão grande, mas igualmente difícil de remediar é a completa ausência de conexão com a Terceira Perimetral. Claro, existe a previsão de tal conexão na segunda fase mas, aí já seria na Bento Gonçalves, e não serviria como opção de integração para quem vem da Zona Norte. Sem contar que, se sair, vai ser lá por 2030.

      Em vez disso, optou-se por uma estação junto ao Bourbon Shopping. Longe de mim criticar a famiglia Zaffari mas, por mais que o shopping seja um destino razoável de viagens, ele não supera o incremento de qualidade de uma conexão intermodal bem realizada. Aqui, o certo seria ou fazer uma estação no “meio do caminho”, ou fazer duas estações distintas, com a do shopping um pouquinho mais a Leste, servindo o bairro IAPI.


      Um quarto erro, este sim GIGANTESCO, é a visão TRESLOUCADA de construir uma linha CIRCULAR de metrô, sob a desculpa de que outras cidades também construíram tais linhas. A análise mais rápida nos diz que estas linhas circulares sempre vieram depois, e serviram para aumentar as opções de conexão fora do centro, descarregando este. O círculo visado é imenso de grande, fechando a volta próximo numa região muito menos povoada próxima ao morro Santana. Este traçado passará ao largo de regiões que geram uma grande quantidade de viagens (e.g. Carlos Gomes), e para as quais o metrô teria um ótimo potencial de diminuir a demanda por veículos particulares.

      Ao meu ver, o certo seria “acabar” a linha 2 (e a linha 1) no Gasômetro mesmo, e fazer todos os outros eixos com soluções mais baratas de capacidade média como o Bonde Moderno, substituindo os atuais corredores. A terceira perimetral, por já contar com um bom nível de segregação, seria dotada de uma linha de superfície mais “pesada” que um bonde, e interligaria todos os eixos, descarregando as trocas do Centro.

      Adicionalmente, poderíamos largar de frescura e fazer o que até Canoas já tá pensando em fazer: adotar o aeromóvel como solução, partindo uma linha do Gasômetro, atravessando o centro administrativo (muitos destinos de viagens ali) e seguindo pela Av. Ipiranga, servindo a PUC e num futuro de médio prazo, o Campus do Vale. O grande “plus a mais” dessa proposta é que, em se desistindo do metrô sob a Bento (em favor de Bonde), a demanda da região seria complementada razoavelmente por esta linha paralela do aeromóvel. E o custo seria BEM menor. E a implementação BEM mais rápida.

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      • Muito boa a análise Mobus. Sugiro enviá-la para vereadores/técnicos da prefeitura para ouvir a resposta deles.

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  4. Ganhar licitação ? Aqui já tem pistas de outra licitação armada : http://www.mafiadolixo.com.br

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    • Não vou postar sobre isso André. Na última vez que falei a palavra máfia, respondi um processo interno aqui na PMPA…

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      • Concordo contigo Gilberto.

        Tens que te preservar, o último que começou a publicar as coisas sem ter muito cuidado está respondendo por um processo de estupro na Suécia (estupro na Suécia é quando a camisinha rompe e o sujeito não para na metade para substituí-la).

        Como diz o ditado: Quem tem .., tem medo.

        Eu me cuido!

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    • André

      Pois vou defender a prefeitura neste caso (ar de surpresa em todos 🙂 )

      Não acredito que o que esteja ocorrendo no Metro seja produto de algum tipo de corrupção.

      Acredito, isto sim, que isto é mais incompetência e falta de profissionalismo do que dolo. Poderíamos dizer que isto é mais algo culposo do que doloso. O prefeito e seus assessores ficaram tão preocupados com a tal modelagem financeira que esqueceram do objeto. Ou seja, partiram do seguinte raciocínio, primeiro conseguimos o dinheiro depois fazemos o projeto.

      Poderiam dizer que a minha defesa é meio capenga, pois não tiro a responsabilidade de erros que vão surgir após. Certamente sim, porém ainda temos a possibilidade de passado a campanha um surto de responsabilidade reveja estes prazos malucos adiando um pouco o início das obras, mas as fazendo de forma correta.

      Eu sou um otimista, e espero que passada as eleições seja prorrogado ou mesmo não assinado este contrato, dando mais tempo para os estudos.

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      • Talvez os técnicos e o prefeito estejam tão “afobados” porque finalmente vai sair dinheiro pra essa obra que eles “não tiveram tempo a perder”. Se demorasse mais tempo fazendo a coisa corretamente era capaz de os recursos serem negados…

        Todo mundo sabe que as coisas acontecem por interesse político, não porque querem que a cidade e a vida das pessoas melhore….

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        • Alex, concordo com a tua interpretação, e acho que isto que está ocorrendo,

          Agora vou fazer uma pergunta para ti, se fostes construir uma casa, irias até um arquiteto e diria para ele:

          -Preciso uma casa de dois andares de 200m², três quartos (todos com suítes) e mais uma sala integrada a cozinha.

          O arquiteto te perguntaria:

          – Tens a planta topográfica da área e as sondagens do terreno, para que eu possa escolher o tipo de fundação e colocar a casa no tereno?

          Responderias o seguinte:

          – Não tenho nada disto, e tu tens duas semanas para entregar tudo pronto com todos os projetos complementares (elétrico, hidráulico e estrutural).

          Se o arquiteto aceitasse eu diria que ele é um picareta. Guardada as devidas proporções 60 dias para entregar um projeto técnico de 2,4 bilhões de reais, é bem menos tempo do que estás dando para teu arquiteto projetar uma casa em duas semanas.

          Tu e outros já pensaram o que é fazer um projeto de metrô? Em São Paulo, quando eles querem alongar uma linha (já está definido o tipo de metrô, a sinalização e outros detalhes) eles demoram DOIS ANOS, aqui em Porto Alegre faremos tudo e mais um tanto em DOIS MESES.

          Isto é um falta total de responsabilidade.

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        • Sim, concordo contigo. É muito pouco tempo!

          Mas como falei, aqui as coisas andam assim….. ou se muda a forma de pensar ou continuaremos com obras que atrasam, então vem as medidas emergenciais para que seja entregue “no prazo” e que acabam triplicando o valor da obra.

          Trabalhei em uma construtora e o negócio lá era mais ou menos assim, por pura falta de planejamento. O cliente vinha pressionando que o orçamento/cotação tinha que ser entregue em X dias, daí não dava tempo hábil pra equipe de engenheiros fazer tudo que deveria ser feito. Depois estourava o orçamento, daí ou o cliente arcava com os custos extras ou a empresa arcava com o prejuízo (como diversas vezes aconteceu).

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        • Alex.

          São os famosos extras, em que o decorador entra no fim da obra e diz assim:

          – Este CD não pode ficar nesta parede, tem que ser na outra!

          Lá vai extra, e o orçamento estoura, e no fim ficam todos achando que a firma está roubando.

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  5. Esta licitação deveria ser uma licitação internacional, para que viessem grandes escritórios de engenharia para uma concepção correta do metro, porém com 60 dias não dá tempo nem para traduzirem os editais e reservarem voo de avião para Porto Alegre, e muito menos para a divulgação.

    Sugiro que se faça aqui um bookmaker adivinhando quem vai ganhar a licitação para o projeto e depois para a construção, alguém aceita o desafio?

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  6. Cada vez mais perto de escrever na pedra um projeto repleto de más escolhas.

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  7. Fantástico

    “Empresas atuantes no mercado terão 60 dias para complementar o projeto técnico com as novas tecnologias disponíveis para o transporte coletivo, conforme diretrizes já estabelecidas pela prefeitura. As propostas deverão apresentar diferentes métodos construtivos, tipo de trem, sinalização, controle e informação ao usuário, bem como concepção dos terminais e estações.”

    60 dias para definir tudo isto a partir das completíssimas concepções da prefeitura, tão gozando da nossa cara….

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    • Pois é…

      Quase um ano para definirem o modelo financeiro sem saber quanto custa +
      Dois meses para definição do projeto técnico +
      =
      Faça o projeto técnico servir nos recursos que eu acho que deva dar.

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    • “Dez meses após a presidente Dilma Rousseff anunciar em Porto Alegre a construção de um metrô na Capital, o governo ainda não sabe como será feita a modelagem financeira da obra. ”

      Zero Hora 08/08/2012 | 04h11

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    • Vi uma notícia na bandnews, acerca do trem expresso que será implantado em SP ligando a capital a Judiaí, e haverá um prazo de 24 meses para apresentação de projetos técnicos, etc … Tá muito fora da realidade esses dois meses, será que ninguém alertou o prefeito qto a isso? e Pq será que nao será uma concorrência internacional, como no caso se SP?

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      • Agora imagine o seguinte. São Paulo tem uma estatal que funciona bem (eles alertaram sobre o perigo do desmoronamento que ocorreu e matou três pessoas, a empresa que não levou em conta está respondendo processo) e tem já vários quilômetros de metrô implantados, e mesmo assim eles pedem um projeto em dois anos.

        A prefeitura de POA não tem a mínima experiência no assunto e só pediu dois meses. Acho que os assessores do Fortunati estão tirando o tapete debaixo dele, um prefeito necessariamente não precisa entender disto, mas os assessores sim.

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        • Sim, Rogério, essa possibilidade qto aos assessores do Fortunati pode ser real, assim como muitas outras situações podem estar ocorrendo … tenho muito medo desse projeto do metrô em Poa ficar muito ruim, feito de qquer jeito, e desse modo das duas umas, ou será alterado o prazo ou nao haverá metrô … muito medo!!!

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