Público de 3 mil vozes reinaugura Araújo Vianna em Porto Alegre

Espetáculo reuniu grandes nomes da música gaúcha e nacional

Espetáculo reuniu grandes nomes da música gaúcha e nacional Crédito: André Ávila

Um coro de mais de 3 mil vozes participou da reinauguração do auditório Araújo Vianna na noite desta quinta-feira em Porto Alegre. O grupo de samba Bom Partido foi o primeiro a se apresentar com a canção Madureira. Foram mais de duas horas de show e 24 músicas. No palco, estavam “Todas as Gerações do Araújo Vianna”, conforme sugeria o nome do espetáculo.

Um dos pontos altos do show foi quando Nei Van Soria, antigo vocalista dos Cascaveletes, cantou “Sob um céu de blues” e parte do público correu para frente do palco. Os seguranças contiveram as pessoas, o que causou certos protestos. No meio da música, Van Soria disse que a culpa do Araújo Vianna ficar tanto tempo fechado era dos políticos que hoje estavam fazendo campanha na porta do auditório.

A correria voltou a se repetir quando Wander Wildner entoou “Bebendo vinho”. Novamente os seguranças afastaram o público da frente do palco. Algumas pessoas protestaram com gritos de ordem quando Nico Nicolaiewsk cantava “Feito um picolé ao sol”. Ele pediu respeito e disse que as pessoas precisavam aprender a conviver. “Agora é minha vez de cantar,” falou.

Elaine Geissler encerrou o espetáculo com “Horizonte”. Todos os músicos novamente subiram ao palco para se despedir da multidão que, novamente, cantou em coro.

O secretário municipal de Cultura, Sergius Gonzaga, ressaltou que o show de reabertura do Araújo Vianna traz de volta a ideia do coletivo para a música gaúcha. “Este será o desafio: trazer de volta a ideia de que os grupos e músicos possam se unir em shows coletivos neste que é indicustivelmente um dos espaços mais populares da música no Estado”, explicou. O músico Raul Ellwanger lembrou que tocou no local pela primeira vez em 1968, que participou do show “Explode 80” e lançou dois discos em 1983 e 1986.

“Este show me fez sentir saudade daquela época, de resistência, de contestação, de um grande cenário de encontros”, comentou Ellwanger. O músico Carlinhos Carneiro, da banda Bidê ou Balde, afirmou que o “Araújo voltou a ser o que era, com a juventude cantando e protestando”. Ele se disse feliz por poder cantar “Canção da Meia-Noite”, dos Almôndegas, ele que se declara um fã confesso de Kleiton & Kledir Ramil.

Todas as gerações do Araújo Vianna

O espetáculo ocorreu após dois anos e cinco meses de reforma no auditório e depois do Araújo Vianna ficar sete anos fechado. O evento reuniu diversas figuras marcantes da cena musical gaúcha ligadas ao auditório desde os anos 70. A apresentação foi gratuita, com dois ingressos sendo disponibilizados na troca por um livro. Cerca de 1,6 mil entradas se esgotaram rapidamente antes da abertura dos portões na tarde desta quinta-feira.

O show reuniu nomes como Antônio Villeroy, Bebeto Alves, Carlinhos Carneiro, Charles Master, Grupo Bom Partido, Hermes Aquino, Hique Gomez, Júlio Reny, King Jim, Nei Van Soria, Nelson Coelho de Castro, Nico Nicolaiewsky, Pas-de-Deux do Samba, Raul Ellwanger, Tonho Crocco e Wander Wildner.

Os músicos representam a explosão da música popular feita no Rio Grande do Sul. Também o sucesso do rock brasileiro dos anos 80 foi lembrado no espetáculo, assim como a comunidade do samba.

Com a reforma concluída, a Opus Promoções ficará com 75% das datas no calendário anual, enquanto a prefeitura terá 25% – um total de 91 dias por ano. O primeiro show realizado pela produtora será no sábado, de Maria Rita. Já a prefeitura apresenta o cantor Tom Zé em 3 de outubro.

Desde abril de 2010, o auditório passou por um processo de restauração. Em dezembro, a antiga lona foi retirada para dar espaço à estrutura de aço, que dá sustentação ao novo teto fixo do espaço. Já a revitalização da cobertura foi projetada em madeira, poliuretano expandido, lã de vidro e resina impermeável. O material foi importado da Argentina. Pesando 300 toneladas, a colocação e montagem foram realizadas de forma artesanal e o processo foi completamente concluído em maio de 2012. Orçado em mais de R$ 18 milhões, o local será administrado pela Secretaria da Cultura e pela Opus Promoções.

Correio do Povo



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5 respostas

  1. O show e o auditório deveriam estar legais, MAS O ENTORNO DO AUDITÓRIO CONTINUA UMA VERGONHA: sem paisagismo decente, sujo e encardido, pisos quebrados, uma floreira de tijolinhos e cimento à mostra: coisa de primeiro mundo!!! Serviço da OI? Ganância da Opus? Desleixo da prefeitura? Não sei… mas continua feio!

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  2. Realmente o show de inauguração merecia um DVD.
    Alguém pode me explicar o protesto durante a música do Nicolaiewsk ?

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    • Pelo que entendi foi porque não deixaram o pessoal ir pra frente do palco pular nas demais músicas. Aí o Nicolaiewski deve ter sido o músico seguinte depois dessa confusão. Suposições, contanto.

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  3. Assisti pela tv.Queria ter estado lá.

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  4. Bem que podiam lançar um cd/dvd deste show. Uma pena estar longe justamente nesta semana. E que venham ótimos shows para este novo velho conhecido palco.

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