Faltam técnicos para a indústria no RS

Rio Grande do Sul terá que formar mais de 550 mil trabalhadores de média qualificação para atender à demanda do setor

O Rio Grande do Sul terá de formar 554,3 mil trabalhadores em nível técnico e em áreas de média qualificação para atuarem em profissões industriais até 2015. O número corresponde a 7,7% de todo o país, cuja demanda será de 7,2 milhões de profissionais. Os dados fazem parte do Mapa do Trabalho Industrial 2012, elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A pesquisa, inédita, também pode apoiar os jovens brasileiros na escolha da profissão e com isso aumentar suas chances de ingresso no mercado de trabalho.

O Mapa do Trabalho Industrial foi apresentado dia 20, durante o lançamento da Olimpíada do Conhecimento, em São Paulo. Do total da demanda, 1,1 milhão será por trabalhadores para ingressarem em novas oportunidades no mercado. O restante já está trabalhando e precisa manter-se qualificado para acompanhar os avanços tecnológicos da indústria. Só 6,6% dos brasileiros de 15 a 19 anos estão em cursos de educação profissional. Na Alemanha, o índice é de 53%.

Entre as ocupações que precisam de cursos profissionalizantes com mais de 200 horas, a maior demanda está no setor de alimentos. Segundo a pesquisa, serão necessários no país 174,6 mil trabalhadores para a indústria alimentícia (cozinheiros industriais) entre 2012 e 2015. No mesmo período, o Brasil precisará de 88,6 mil operadores de máquinas para costurar peças do vestuário e 81,7 mil preparadores e operadores de máquinas pesadas para a construção civil. Já entre ocupações técnicas, o técnico de controle da produção lidera o ranking, com demanda de 88.766 profissionais. São necessários também técnicos em eletrônica (39.919) e técnicos de eletricidade e eletrotécnica (27.972).

A análise da demanda mostra ainda que profissionais das ocupações operacionais precisam ser polivalentes, com capacidade para desempenhar várias funções. Vem aumentando também a importância de características, como visão sistêmica do fluxo produtivo e capacidade de gerenciamento. Apesar de não figurarem no topo da lista da demanda, profissões como agentes de meio ambiente e trabalhadores do campo da logística (desde operadores até técnicos) têm ganhado espaço no mercado de trabalho industrial. A maior necessidade por profissionais capacitados nesses dois grupos se concentra nas regiões Sul e Sudeste.

Correio do Povo



Categorias:Economia, Economia Estadual

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6 respostas

  1. Pois é… Não vivem usando a Coréia do Sul e o seu alto investimento no nível técnico como exemplo de crescimento? Talvez esteja no momento de valorizar esses cursos no Brasil.
    Dos meus amigos de colégio, aqueles que fizeram cursos profissionalizantes estão todos empregados, enquanto os que cursaram uma faculdade estão em sua maioria desempregados ou inseridos em programas de pós-graduação (o que inclui este que vos fala). Qual grupo está movimentando a economia do país? A resposta é óbvia.
    Criou-se uma distorção no mercado de trabalho para quem tem graduação. Exige-se mestrado e/ou doutorado para cargos bastante simples (que podem ser preenchidos por bacharéis), ao mesmo tempo em que se oferecem salários consideravelmente baixos. Estamos estudando cada vez mais e ganhando cada vez menos, enquanto o trabalho a ser realizado continua no mesmo nível.
    Enquanto isso, no mercado de trabalho para nível técnico, existe uma alta demanda por mão de obra em vários setores. Eu estou a um passo de me inscrever num curso de técnico em informática, pois os salário estão bem razoáveis.

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    • Gabriel.

      E o mais grave de tudo é que o sistema Senai-Senac que é vinculado a iniciativa privada (mesmo atuando com dinheiro de impostos), retira a importância dos cursos técnicos (tecnólogos também), dando ênfase ao bacharelismo que permeia na nossa sociedade.
      São os mesmos que reclamam a falta de mão de obra qualificada que desviam recursos para setores que são atendidos pelas faculdades e universidades públicas e privadas. Inclusive poderíamos dizer que estão fazendo concorrência com o setor privado que atualmente luta com dificuldades (algumas boas faculdades e universidades privadas) por conta da concorrência predatória de outras instituições não tão boas.

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      • Falou tudo Rogério, fui aluno do Senai por muitos anos na década de 80, hoje tenho dificuldade em fazer um curso de aprimoramento na área técnica, pois o Senai parece que está priorizando os cursos de nível superior em detrimento de cursos técnicos na ex: “área de usinagem” era mais fácil fazer um curso destes antigamente, hoje estão raros e caros.

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        • E no fim o que acontece! No polo naval de Rio Grande está trazendo soldadores do nordeste porque não tem profissionais por aqui. E estes profissionais vão ganhar muito mais do que dezenas de pessoas com nível superior.

          Mas dá mais status para o presidente da Fiergs apadrinhar uma formatura de pós graduação em artes do que uma turma de torneiros mecânicos. Agora se vão ter emprego depois, ou se serve a população em geral, isto já é outro problema.

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  2. Há uma distorção muito séria no ensino profissionalizante no Brasil. O Senai e o Senac que deveriam estar criando cursos profissionalizantes em áreas técnicas, se dispersam em atividades como pós-graduação, que são cobertos pelas universidades públicas e privadas e escolas isoladas e deixam de lado a sua atividade fim.

    É interessante notar que tanto um como o outro, dirigidos pelas federações de indústria e comércio, simplesmente para ficar mais pomposo e ganhar mais status, gastam uma boa quantidade de seus orçamentos advindos de IMPOSTOS para cursos de graduação e pós-graduação PAGOS em lugar de centralizar seus recursos em cursos técnicos ou tecnólogos.

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  3. Para formar toda esta mão de obra, é necessário que alguns cursos profissionalizantes de nível médio custem mais barato, sejam mais acessíveis aos adolescentes.

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