Cercamento do Araújo Vianna gera polêmica em Porto Alegre

Rachel Duarte

O recém inaugurado Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, foi cercado fisicamente e os motivos ainda não são claros. Setores culturais e patrimoniais do município afirmam que aprovaram o cercamento do local, tombado como patrimônio histórico, pelas necessidades apresentadas pelo novo projeto arquitetônico que colocaria em risco a segurança de equipamentos e artistas. Já o arquiteto responsável, Moacyr Moojen Marques fala que foi uma exigência do edital estabelecido pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre e que a medida compromete visualmente a arquitetura do auditório pensado por ele.

Os taludes do entorno do Araújo Vianna, que serviam de espaço de convivência entre os frequentadores do Parque Farroupilha, a Redenção, agora tem um gradil verde que separa todo o memorial restaurado. “Adotamos as grades para ter o menor impacto visual possível. O projeto inicial era utilizar chapas expandidas, o que fecharia totalmente a visão do objeto histórico”, disse o coordenador de Memória Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Luiz Antônio Custódio.

Segundo ele, outra sugestão seria utilizar a própria vegetação para fazer uma espécie de cercamento natural. “Como já teve no passado, que era utilizando espinhos. Mas, também criava obstáculos de acesso ao monumento”, disse Custódio.

Depois de sete anos e meio fechado, o Araújo Vianna reabriu as portas sobre uma nova perspectiva de utilização, o que, na explicação da diretora municipal da Equipe de Patrimônio Histórico e Cultural, Débora Regina Magalhães da Costa, justifica o cercamento. “Estamos em outro momento. As coisas evoluem. A cobertura branca poderia ser alvo fácil de vandalismo, assim como a estrutura da casa de máquinas construída atrás do auditório”, disse.

Araújo Vianna atrás das grades gerou críticas de usuários nas redes sociais | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

A preservação do investimento de R$ 18 milhões feitos na reforma promovida em parceria com Opus Promoções foi levado em conta. A produtora está responsável por 75% do calendário anual do Araújo Vianna por dez anos. “É uma nova proposta de shows que estamos oferecendo lá e queremos garantir o acesso exclusivo aos fãs”, disse a diretora. Entre as consequências esperadas a partir do cercamento estaria evitar que pessoas subissem nos taludes, o que permitiria assistir de graça shows onde ocorrerá cobrança de ingresso.

“O auditório antigo não tinha cercamento porque tinha um funcionamento distinto do que existe hoje. Na medida em que há recursos de acústica e cobertura, ar condicionado, então é possível desenvolver outros espetáculos que não tínhamos antes. Foi um investimento muito alto, todos vão querer preservá-lo”, falou o coordenador Custódio.

Ainda que em caráter reversível, admitem os gestores, o cercamento deve se manter devido a política municipal de segurança pública prever o cercamento de outros espaços físicos. A Praça da Alfândega, a própria Redenção e o Parque Marinha deverão receber um conjunto de câmeras de vídeo. “Tivemos orientação da Brigada Militar e da Guarda Municipal para delimitar o espaço que era do parque e o do auditório. Os artistas estariam vulneráveis nas entradas e saídas até os carros. Acabamos tendo que compreender estas necessidades. É proteção do patrimônio também”, falou o coordenador de Memória.

“Nunca deveria ter sido cercado”, diz arquiteto responsável pelo Araújo

Auditório vive outro momento e ficaria vulnerável a vandalismo, defende diretora Débora Costa | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Criador do projeto original do Araújo Vianna, de 1964, o arquiteto Moacyr Moojen Marques acredita que melhor seria não ter adotado esta medida. “Minha opinião é que nunca deveria ser cercado. Mas não por razões ideológicas. O cercamento não contribui com o projeto arquitetônico. Comprometeu o projeto que fizemos, que sempre compôs com a própria paisagem do parque”, explicou.

O arquiteto disse que “determinadas interpretações definem o cercamento como a privatização do espaço público”. No caso do Araújo Vianna, ele disse que não poderia ser considerado como tal. “Mas que fosse cercado então o parque, e não o auditório”, complementou.

Na opinião do Coordenador de Memória Cultura de Porto Alegre, Luiz Custódio, outros países já utilizam o cercamento de parques e praças. “São abertos durante o dia e fechados à noite. Isto não significa reduzir a utilização dos espaços. Algumas pessoas podem pensar diferente, é um direito”, falou.

 

Cercamento poderá ser retirado com a chegada do cercamento eletrônico da Redenção | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Para a diretora da Equipe de Patrimônio Histórico e Cultural, Débora Regina Magalhães da Costa, se a sociedade fosse mais educada no Brasil, poderia se conviver de forma civilizada com mais liberdade. “Isso leva mais tempo. Eu sempre fui contra cercar a Redenção. Defendi o mesmo quando surgiu a ideia de cercar os monumentos históricos. Mas, hoje percebo que o momento em que vivemos é outro. Passei a ser favorável”, disse.

O Conselho Municipal de Cultura não se posicionou sobre o tema. Perguntado, o presidente Paulo Guimarães disse que “o colegiado irá discutir o cercamento do Araújo Vianna em reunião no dia 11 de outubro”.

SUL 21

 



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39 respostas

  1. O problema é que a lei protege os criminosos de forma que os libera logo que são detidos e voltam as ruas. É uma penar ter de tomar uma medida como essa para o Araujo Vianna, mas é o jeito… e como já comentaram, essa cerca certamente não será suficiente para evitar algo indesejável. É possivel até que sirva como provocação aos delinquentes.

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  2. Sou totalmente a favor, não só do cerceamento, mas a colocação de policiamento com cães, polícia montada, monitorado por câmeras, não só no auditório, mas em todo Parque da Redenção, ou como é chamado Parque Farroupilha. Comentarei algo que está relacionado com um fato que ocorreu neste local. O desabafo do Major da Brigada Militar no Face book demonstra que este instrumento de relacionamento social tem muita força e vai além das fronteiras da imprensa tradicional. O quê o Major postou demonstra a decepção e a falta de comprometimento de quem julga com o quê a sociedade espera nesta rede social, tanto que virou manchete nos veículos de notícias. Só soube do assunto após ler a manchete, já que não resido em Porto Alegre. No momento estou ouvindo uma rádio de Porto Alegre que está abordando este assunto, o comentarista está entrevistando outro juiz que está informando que o juiz locado no Bairro da Restinga libera cerca de 90% (Noventa por cento) dos criminosos que lhe são destinados. O mesmo informou também que dois promotores foram designados para verificar as ações deste magistrado. O mesmo estaria agindo assim há tempos, e seus colegas estão comentando que ele deveria ser retirado desta função, e que a corregedoria estaria a investigar suas ações etc. Aproveito para deixar meu pensamento sobre esta falta de sensibilidade não somente do referido juiz que nem vou mencionar o nome, A que ponto chegou nossa justiça! Adianta prender estes vagabundos se um juiz qualquer soltá-los logo em seguida? Será que ele faria isto se a médica fosse irmã, filha ou mulher dele? Com certeza que não! Enquanto a situação fica nos bastidores, os bandidos são liberados, um deboche à população! Não raro esta classe só age rapidamente quando familiares ou pessoas da mesma classe sofrem o quê esta médica sofreu. Se ela fosse juíza, nesta hora esta dupla estaria de duas, uma; presa, ou quem sabe optimistamente lendo numa notícia de última hora:”Os bandidos foram mortos por reagirem à prisão etc., como a maioria da população realmente deseja que esta história tivesse seu final, sem a hipocrisia, dos tais direitos humanos que vivem a rondar e encher a paciência da polícia, pois onde estão os direitos humanos desta pobre mulher? Para mim, bandido bom é bandido morto! Pena de morte e prisão perpétua, são coisas que faltam em nosso país! Talvez não resolvessem, mas fariam com que os criminosos pensassem muito antes de aprontar, com certeza pensariam muito mesmo! Sentimento de indignação para este assunto é pouco! Assim sendo, com a presença de seres humanos piores que animais, cercas são realmente muito pouco para inibir vândalos e criminosos!

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  3. Qual o problema? Houve um grande investimento e o permissionário tem todo direito de proteger tal patrimônio. O parque é grande e restringir a área do entorno do auditório não gera perda de espaço significativa para os visitantes, enfim não há lesão e sim ganho para a coletividade.

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  4. O povo mal educado + o poder publico incompetente do Brasil tem o que merecem….tem que cercar sim…infelizmente !

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    • Deveriam botar cerca elétrica ainda!

      A pessoa que é pega pixando, deveriam pixar a cara dela (e a genitália também) para passar vergonha na rua. Senão essas escórias da sociedade não têm medo da justiça.

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  5. Pra constar que depois do show do Tom Zé houve manifestacao contra a ‘privatizacao dos espacos publicos’

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  6. Tem é mesmo que cercar!

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  7. Só para concluir bandidos soltos e nós cidadãos de bem atraz de grades.

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  8. Se vivemos numa cidade onde um Juiz liberta homens suspeitos de assaltar uma cidadã as 17hrs em frente ao parque mais movimentado da cidade e atirar nela.Alguem acha que vão prender vandalos por uma simples pixação?estamos vivendo quase um regime de Anarquia total infelizmente .

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  9. Infelizmente, vivemos em uma cidade onde a solução pra coisas é essa. Enquanto vandalismo for tratado como uma mera infração desimportante, prefiro ver as coisas gradeadas do que depredadas.

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  10. Já que a Guarda MUnicipal não faz o seu serviço, o jeito é cercar mesmo, senão em um mês já está tudo pixado.

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    • Um pouco antes do fechamento do Araújo, após um show de um estilo musical que é melhor não comentar aqui, conseguiram pichar exatamente todos os azulejos do banheiro, picharam também os tijolos e escreveram com pincel atômico nas cadeiras e em tudo que era visível!

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    • Pura ilusão que essa grade vai parar pichadores, ou qualquer outro tipo de contraventor. Ela só vai servir mesmo para impedir que cidadãos honestos aproveitem o gramado.

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