Caos em Porto Alegre: lojas no Centro fecham com medo de violência

Megaoperação bloqueou prédio do Camelódromo em Porto Alegre

Megaoperação fechou prédio do Camelódromo em Porto Alegre – Todas as fotos: Arthur Puls

Descontentes com a Operação Brinquedo Perigoso deflagrada nesta terça-feira, manifestantes gritavam “Queremos trabalhar”, derrubando contêineres da coleta seletiva nas avenidas Júlio de Castilhos, Otávio Rocha e rua Voluntários da Pátria, espalhando lixo e medo pelas ruas do Centro de Porto Alegre.

Munidos de pedaços de pau, pedras e barras de ferro, vândalos obrigaram comerciantes e lojistas estabelecidos na Voluntários da Pátria e Júlio de Castilhos a fechar os estabelecimentos, sob pena de promoverem uma quebradeira generalizada. Uma vitrine foi quebrada no tumulto e o vidro de um táxi atingido. Um motociclista que tentou furar o bloqueio foi derrubado do veículo.

O protesto afetou o trânsito na área central, bloqueando o tráfego nas avenidas Júlio de Castilhos, Mauá e Castelo Branco, além das ruas Voluntários da Pátria, Siqueira Campos, Sete de Setembro, Doutor Flores, Alberto Bins e Otávio Rocha.

Devido à confusão e as bloqueios de vias, houve registro de congestionamentos nas avenidas Borges de Medeiros, Loureiro da Silva, João Pessoa, Osvaldo Aranha e Salgado Filho e nas ruas dos Andradas, Duque de Caxias, Riachuelo, Caldas Júnior e Vigário José Inácio.

Os ônibus com embarque e desembarque nas imediações da Voluntários da Pátria foram impedidos de circular. Alguns motoristas, temendo represálias, tinham receio de se deslocar para o Centro. Os lotações também circularam precariamente. Muitos permaneceram por mais de uma hora parados nos pontos de embarque, enquanto outros não conseguiam acessar a área central. Apesar do esforço da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), o trânsito ficou caótico. A situação se agravou a partir do final da manhã, quando voltou a chover em Porto Alegre.

Correio do Povo

Título original do Correio: Lojas no Centro da Capital fecham com medo de violência



Categorias:Outros assuntos, vandalismo, violência

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74 respostas

  1. Esses dias voltei de viagem do exterior e paguei o excedente da minha cota. Por que os Camelôs não querem pagar impostos de importação como todo cidadão correto ? Eles bateram na policia civil e depois na receita federal e agora querem ser tratados com docinho? Eles ainda vão se coçar muito com a “sarna” que arranjaram! Tomara que a Polícia e a Receita dêem uma lição nesses vagabundos( com algumas exceções claro) disfarçados de trabalhadores. Quer vender produto importado? Tudo bem, mas sejam regulares como muitos camelôs honestos que trabalham lá dentro.

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  2. Vocês perceberam que o povo luta para ficar fora da lei? Antes por causa de bares irregulares agora por causa de mercadorias irregulares e ainda tem gente pra defender.

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  3. Que luta de classes essa cidade hehehehe

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  4. Além de não pagarem impostos, destroem aquilo que foi investido com os impostos alheios. Depredam, espalham o caos com um sorriso no rosto. Desrespeitam direitos autorais, desrespeitam polícia e Estado.

    Vendem lixo importado, prejudicando empresas nacionais oneradas com a legalidade; prejudicam o comprador final com produtos de última categoria, produtos que fogem do crivo de qualquer controle de qualidade ou segurança.

    São uns oportunistas; se dizem à margem da sociedade por necessidade quando têm cobrados seus deveres de cidadão e, ao mesmo tempo, enchem a boca para cobrar seus direitos como usuários do serviço público; o mesmo serviço que depredam e vandalizam sem hesitar. O mesmo serviço que a classe média depende e mantém, servil, com seus impostos.

    Penalizando a BM e cobrando dela maior conivência com vândalos e marginais, estamos criando um monstro. Monstro sustentado pela classe média e impune em suas contravenções devido a um remorso pós-ditadura da classe política.

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  5. fmobus – há pequenos comerciantes nas imediações da Voluntários, nisso concordo contigo, não têm culpa, etc. Só o seguinte: a ação da Receita foi desproporcional. Para pegar meia dúzia de brinquedos falsificados, fizeram uma megaoperação que manchou permanentemente a imagem do CPC. Um auditor e um policial federal – à paisana até, poderiam fazer intimações localizadas com logistas. Aliás, provavelmente eles tem esse cuidado quando fiscalizam um shopping center mais chique. Mas não, quiseram dar show.

    Na semana passada, a mesma coisa. O camelódromo estava sendo reinaugurado e a RFB vai lá fazer o seu show novamente. O pior nem é o show, o pior é que estão fazendo isso com gente que mesmo contrabandeando a rodo, talvez ainda caiam na faixa de isenção do IRPF. Esse é o problema.

    Tá cheio de empresário que não emite cupom fiscal (restaurantes, bares, lojas de óculos de sol e joalherias). Sem falar em empresas que contratam para atividades-fim por fora da CLT, deixando o trabalhador à própria sorte caso fique doente ou precise se aposentar por invalidez. Há uma insegurança jurídica imensa na nossa sociedade, mas ao que parece, só o pequeno, só o comerciante marginal – que vive à margem dos protegidos – sofre com as garras da lei.

    Existe um princípio da Constituição, nossa lei maior, que é o da proporcionalidade. Bazuca para matar formiga é uma atitude inconstitucional.

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  6. Se de um lado está uma polícia que desrespeita as leis e a Consituição do país e do outro pessoas querendo ganhar o seu sustento, óbvio que fico do lado das pessoas.

    Gilberto, mostra que tu te importa com a liberdade de expressão e publica este ótimo artigo do Felipe Prestes:
    http://felipeprestes.wordpress.com/2012/10/09/imprensa-gaucha-uma-vez-capacho-dos-militares-sempre-capacho/

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    • Quem negativou acha legal a BM bater em repórter também?

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    • E pela tua visão de mundo vale tudo para um pessoa “ganhar o seu sustento”?

      Vivemos numa selva?

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    • Ah tá, vamos ficar do lado das pessoas que descumprem a lei agora, afinal que que é um contrabandinho, um comércio ilegal, coitados só estão querendo sobreviver. Brasileiro sempre tem essa mentalidade de dar um ‘jeitinho’, uma ‘justificativa’ para contornar as regras e o pior é que há gente que fica do lado dessas pessoas. De fato, como dito acima, não há esse tipo de fiscalização em lojas de grande porte, o que configura um tratamento desigual para os camelos, e a contínua omissão pública para, no dia seguinte, puxar o tapete, realmente não é a forma mais adequada e justa pra eles. Porém, eu duvido que algum dono de loja grande se fosse fiscalizado e tivesse os bens apreendidos sairia enfrentando a policia e comentendo atos de vandalismo público. NADA justifica afrontar as autoridades e, consequentemente, descumprir a lei, mesmo que a lei seja injusta ou aplicada apenas contra alguns. Não é porque os outros não cumprem que eu me legitimo a descumprir também. Quando esses ignorantes agem com violência contra a policia e a ordem pública se deslegitimam nas suas reivindicações e, pior, além de não agir de forma construtiva, incitam e influenciam outros a agirem da mesma forma. É por isso que há pessoas que acabam ‘apoiando’ esse tipo de manifestação violenta. Ora, é injusto, logo vamos quebrar tudo. Me desculpe, mas, pra mim (talvez possa ter um pensamento de direita, ok, mas é minha opinião) isso não é liberdade de expressão em lugar algum e não traz benefício NENHUM a sociedade, só servindo pra enraizar ainda mais na cabeça dos brasileiros que, mesmo que o Código Penal diga o contrário, podemos contrabandear pois ninguém nunca fiscaliza e quando o fazem, eles estão errados e devemos efrentá-los para podermos continuar a exercer o nosso ‘direito’ de contrabandear. Ora, se não gostem da lei, sejam mais políticos, criem sindicatos, usem meios legais, se interessem pelos rumos politicos do pais e contribuam para a eleição de políticos que editem leis mais justas. Mas ninguém se interessa por política no Brasil mesmo. Agora na hora de sair na rua quebrando tudo todos estão lá dispostos. Espero que chegue um dia onde as pessoas tenham consciencia, onde todos cumpram a lei, independente da existência de fiscalização, sendo a favor ou contra, beneficiado ou prejudicado por ela.

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      • Essa sua visão sobre legalidade parece meio estreita, amigo. É só assistir à TV Justiça, ler as notícias nos jornais, na TV e você verá que a lei tem uma flexibilidade imensa quando há interesses políticos e bons advogados. A lei é uma provocadora da linguagem e da retórica. Com um bom advogado – e se ele tiver boas conexões políticas, um réu sanguinário pode ser absolvido – ou pelo menos ter uma pena bem mais suave.

        As autoridades podem ser, devem ser e foram afrontadas em momentos decisivos de diversas sociedades desenvolvidas. Se não houvesse confronto algum, viveríamos em ditaduras atrozes. Viveríamos no tempo em que as greves eram suprimidas a bala.

        Viveríamos no tempo em que a família da empregada ficaria imóvel, numa espécie de sociedade em castas disfarçada – opa, isso nós ainda estamos vivendo.

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        • Nunca defendi a inflexibilidade da lei e a sua aplicação ipsis litteris, mesmo porque é impossível, por isso existe o judiciário, pra interpretar a lei no caso concreto. É lógico que devido aos interesses econômicos e políticos que estão envolvidos, o tratamento é diferenciado, isso é evidente. Mas a insatisfação em relação a isso não me legitima a descumprir a lei (depredar, causar dano, roubar, assassinar, seja o que for) e as ordens de uma autoridade pública, seja o policia que fiscaliza ou o juiz que aplica no caso concreto. Partindo desse teu pressuposto, a sociedade seria um caos e as pessoas fariam justiça com as próprias mãos quando se achassem contrariadas. É lógico que as autoridades foram afrontadas em momentos decisivos, mas quando a vontade do povo LEGITIMOU esse confronto. Quando a própria sociedade, na sua maioria se encontrou insatisfeita com algum regime. É EVIDENTE que não é o caso aqui, de a sociedade ser a favor da descriminalização do contrabando. O governo representa o povo, isso é certo, mas não é um grupo específico da sociedade que tem legitimidade pra descumprir as leis e exigir mudanças em nome do povo. Ai está a falha no teu raciocínio. Quando a representatividade popular é ampla, as revoluções dão certo, a exemplo da primavera árabe. Pode denominar a sociedade como quiser, enquanto a maioria ainda a legitima, voce deve cumprir as regras, sob pena de ser punido.

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    • Ou seja, então tu fica do lado de sonegadores, marginais e bandidos? É isso?

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      • Como vamos policiar “criminosos” se a própria polícia é criminosa?

        Quando a própria prefeitura da cidade descumpre as leis?

        Tem muita coisa para ser feita antes de cobrar impostos daqueles que mal conseguem ganhar seu dinheiro para subsistência.

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        • Eu não nasci rico. Iniciei meu negócio trabalhando duro e honestamente. Mesmo no começo, com pouco dinheiro, não emitia nota fria, não faço hoje, e nunca farei. A questão em si é caráter. O famoso ‘jeitinho brasileiro’ é a falta dele. Não importa se a pessoa é rica ou pobre – sabemos que uma grande parte (a maioria?) sonega e vive de falcatruagem. O fato de ser rico ou pobre não tem nada a ver. Como disse o bom e velho Dumbledore em Harry Potter, ‘haverá um momento em que teremos que escolher entre o que é certo e o que é fácil’. Infelizmente muita gente vai pelo que é fácil.

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        • O problema é que só os pobres pagam.

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          • Os comerciantes do centro pagam com certeza. Não tem cabimento depredá-los ou ameaçá-los só porque eles também vão ter que pagar agora.

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