Episódios com mascotes dominam pauta em ato sobre segurança na Copa

Rachel Duarte

As autoridades gaúchas iniciaram nesta quarta-feira (10) o Seminário da Fifa sobre Segurança na Copa de 2014. O evento segue até quinta-feira (11), na Sogipa, em Porto Alegre e discute o plano de segurança do mundial no Rio Grande do Sul. Uma vez que ocorre um dia depois do segundo mascote da Copa do Mundo, o tatu-bola gigante inflável, ter sido atingido por manifestantes no país, o tema não deixou de ser pautado no encontro entre organizadores do mundial e agentes de segurança do estado. Todos trataram os episódios ocorridos em Brasília e Porto Alegre como “casos isolados” e que não ameaçam os demais aspectos da competição.

O esquema de policiamento no entorno do evento foi reforçado pela manhã, devido ao roubo do carro a serviço do chefe de segurança da Copa do Mundo, no mesmo dia da abertura do seminário. Ao longo do dia, os trabalhos seguiram de portas fechadas, por se tratar de reunião para discutir aspectos técnicos e táticos do futuro esquema de segurança.

Estarão reunidos até quinta representantes das Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, agentes de Defesa Civil e homens de empresas de segurança privada. O efetivo total que atuará na Copa do Mundo não foi estimado, mas, contratados da iniciativa privada serão mais de 50 mil homens, disse o secretário estadual de Esporte e Lazer, Kalil Sehbe.

O Centro de Comando e Controle que será construído no segundo andar da Secretaria Estadual de Segurança Pública ainda aguarda recursos da União, mas já começará a ser desocupado e deverá abrigar os primeiros equipamentos até o final da Copa das Confederações (junho de 2013). “Vamos ter uma gestão integrada das forças policiais e agentes de defesa civil e serviços de atendimento de ocorrências, como unidades móveis de saúde. Já trabalhamos com integração atualmente e fazemos reuniões rotineiras para compartilhar nossa prática”, disse o comandante geral da BM, Sérgio Abreu.

Segundo ele, a Brigada Militar terá atuação múltipla durante o mundial na sede da capital gaúcha. “Desde o policiamento ostensivo em áreas de treinamento, como na serra gaúcha e na Região Metropolitana, até a atuação em dias de jogos nos estádios. Vamos organizar uma atuação tática para atuar junto às multidões e atender ocorrências de alto risco, como em caso de termos reféns ou ameaça de bombas”, explicou. Para isso, o treinamento de 2,5 mil novos policiais está sendo realizado e três licitações para compra de cerca de 400 veículos estão em andamento.

O Corpo de Bombeiros estará treinado para possíveis incêndios, sinistros ou calamidades e a Polícia Rodoviária Federal para a escolta das delegações. A atuação da Força Nacional no estado ainda está sendo estudada, mas reuniões ordinárias com as polícias da Argentina e Uruguaia estão ocorrendo desde o ano passado. “Temos reuniões para combinar a segurança nas fronteiras, devido ao grande fluxo de turistas”, disse Abreu. Além dos países da América do Sul, o Brasil estará integrado com 185 países, por meio da Interpol.

A reunião de trabalho interna é promovida pelo Comitê Organizador Local (COL) da Fifa e das 12 sedes, e reuniu também os membros dos governos federal, estadual e municipal. O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati avaliou que os Centros Integrados de Segurança, tanto o municipal quanto o estadual serão importante legados para o estado. “Segurança é dos temas mais importantes para a população e com a Copa nossos agentes serão qualificados e aumentaremos a sensação de segurança”, disse. Segundo o prefeito, o cercamento eletrônico de parques e praças, assim como a ampliação da Guarda Municipal irão contribuir com o esquema de segurança da Copa. “Estamos debatendo com o governador para aumentar também o efetivo da Brigada Militar na cidade”, falou.

“Os vândalos não acabarão com a Copa”, diz Fortunati

O esforço aparente de todas as autoridades era de não entrar na pauta do confronto da Brigada Militar com manifestantes em Porto Alegre, na última semana, que foi qualificado com suposto ataque ao mascote da Copa do Mundo. “Foi um caso isolado. Nós temos que dar importância para o evento que estamos fazendo para integrar as polícias e preparar a segurança da Copa, que nos dará condições de legado de equipamentos e preparação de inteligência policial. Um fato isolado como este do tatu-bola, nós lamentamos, principalmente por causa das crianças que vivem a Copa do Mundo”, disse o secretário estadual Kalil Sehbe.

Fortunati afirma que Porto Alegre não terá novo tatu-bola | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Já o prefeito José Fortunati demonstrou mais irritação ao falar do assunto e disse taxativamente que “Porto Alegre ficará sem o mascote símbolo da Copa”. Ele afirmou que a empresa responsável pela ação de marketing da Coca-Cola no Largo Glênio Peres não tem disponibilidade de recolocar o mascote. “Infelizmente para Porto Alegre e a imagem da cidade, devido a alguns vândalos, ficará sem o símbolo maior da Copa. Não serão atitudes de vandalismo que acabarão com a Copa do Mundo”, salientou. Perguntado sobre o tempo de quase dois anos até o mundial para poder repor o mascote em Porto Alegre, ele foi enfático: “Não tem tatu-bola”.

Desinformados sobre a informação de que o mascote não foi destruído por manifestantes e sim que o motor que o mantinha inflado tinha sido desligado, as autoridades foram unidas no discurso de que a ação se tratou de vandalismo contra a Copa. “Eu venho do movimento social e compreendo as manifestações democráticas. O que acontece é que há uma minoria barulhenta que comete atos de vandalismo. Isto Porto Alegre não aceita. Este grupo ficará isolado da população e perderá força com o tempo”, acredita.

O prefeito José Fortunati disse que o povo de Porto Alegre é “ordeiro e crítico” e irá compreender que novos protestos relacionados à Copa “podem afastar turistas e oportunidades de negócios de geração de emprego e renda para a cidade.”

“A conduta foi correta. Não esperávamos tamanha agressividade”, diz comandante geral da BM

O comandante da Brigada Militar Sérgio Abreu disse que “não serão permitidas durante o mundial este tipo de reunião que pode resultar em episódios como os da última quinta-feira”. Ele considera legitima a crítica contra as privatizações ocorridas nos espaços públicos relacionadas a patrocinadora da Copa, mas atitudes agressivas não serão admitidas. “O episódio serviu de laboratório para nós. Vamos reciclar os policiais para atuar nestas situações e conversar com estes grupos organizados, assim como fazemos com as torcidas do Inter e do Grêmio para diminuir a violência nos estádios”, garantiu.

Apesar do reconhecimento do Comando de Policiamento da Capital no começo desta semana de que excessos foram cometidos contra os manifestantes, o comandante Abreu defendeu a postura dos policiais como “correta”. “Não se tinha a dimensão de que as pessoas chegariam aquele nível de agressividade de querer depredar. Começaram a retirar os gradis e a BM não conseguiu conter. Era um grupo grande. Eles não vieram caminhando para que a polícia pudesse orientar sem repressão. Não obedeceram e arremessaram pedras, isso levou a reação da BM. Isso acabou gerando outras agressões. Quem estava ali estava sujeito. Não era a intenção da BM, mas também não se imaginava tamanha agressividade daquele grupo”, falou.

A manifestação foi a primeira nos últimos dois anos, segundo o comandante, em que o desfecho foi sangue e inúmeros feridos. “Tivemos mais de 300 manifestações em 2012, de todos os tipos e até as mais reivindicatórias não gerou atos de agressão”, disse.

“Foi um fato isolado e eleitoral”, diz presidente da CBF

Em menos de uma semana após o conflito em Porto Alegre, o tatu-bola que estava na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi destruído a facadas. Porém, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin afirma que “não existe a mínima preocupação” de que novos mascotes serão atingidos nas demais sedes da Copa. “Foi um fato totalmente isolado e em clima eleitoral. Não modificará em nada tudo o que está sendo realizado a partir da Copa. Foi um fato totalmente isolado”, defendeu.

Segundo Marin, a Fifa não pediu informações diante da repercussão dos casos. Sobre a preparação de Porto Alegre para o mundial, ele elogiou as autoridades gaúchas, em especial ao governador Tarso Genro. “Os núcleos esportivo e governamental estão integrados em Porto Alegre. Os presidentes dos clubes gaúchos, o governo e a prefeitura trabalham em prol do mesmo objetivo. Estão dando exemplo para todo Brasil. Eu fico satisfeito quando vejo um governo como o do RS que criou uma Secretaria Estadual de Esportes, valorizar o esporte”, falou.

SUL 21



Categorias:COPA 2014, Eventos, segurança

Tags:,

22 respostas

  1. Existe um pré-conceito muito grande contra aqueles que questionam as práticas atuais: muitos dos que acreditam em mudanças são imediatamente taxados de comunistas ou esquerdistas, enquanto suas ideias não passam nem perto de qualquer princípio encontrado no século 20.

    Abomino qualquer tipo de violência ou provocação mas, sim, estamos no início de um mundo auto-organizado de responsabilidade compartilhada, onde “podemos alcançar uma nova era de promessas cumpridas se todos nós nos envolvermos”. Basta cada um de nós se engajar, como nos exemplos que apresento nesse texto:

    Nem direita, nem esquerda: você mesmo – http://trilhos.maodupla.org/2012/10/23/nem-direita-nem-esquerda-voce-mesmo/

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: