Mascote da Copa não voltará para Porto Alegre, garante Fortunati (atualizado)

Boneco inflável do tatu-bola foi alvo de manifestantes durenta protesto na última quinta

Confronto entre manifestantes e polícia ocorreu na quinta-feira Crédito: André Ávila

O mascote da Copa do Mundo de 2014 não voltará ao Largo Glênio Peres no Centro de Porto Alegre. O prefeito recém-reeleito da Capital, José Fortunati, garantiu em entrevista a Rádio Guaíba nesta quarta-feira que o boneco inflável do tatu-bola não será substituído. Conforme Fortunati, são apenas 12 em todo o País e a empresa fabricante não quis fornecer um novo exemplar. “Infelizmente para a população, para a imagem da nossa cidade, devido a alguns vândalos vamos ficar sem o símbolo maior da Copa, que é o tatu-bola”, afirmou.

Durante a entrevista, concedida em razão da visita do presidente da CBF a Porto Alegre, José Maria Marin, o prefeito disse que o mascote era um símbolo que alegrava as pessoas, que iam até o local para bater fotos com ele. “Não será com atos de vandalismo que nós vamos terminar com a Copa do Mundo”, ressaltou. O mascote inflável foi retirado após ser alvo de manifestantes na quinta-feira. Sobre as manifestações, Fortunati não viu grandes problemas, alegando que vem do movimento social e compreende os protestos. Segundo ele, no entanto, há uma “minoria barulhenta” que não se manifesta apenas democraticamente, mas também via atos de vandalismo.

O prefeito acredita que não haverá aumento da violência, mas que o grupo ficará isolado e com o tempo perderá força. Ele destacou que ações como as da semana passada só contribuem para espantar turistas e oportunidades de negócio que proporcionariam geração de emprego e renda. “Eu sou absurdamente a favor de ações democráticas, de manifestações, fiz isso durante toda a minha vida. Agora, extrapolar com atos de vandalismo…isso não pode ser aceito por ninguém e tenho certeza que a população de Porto Alegre não aceita”, enfatizou.

Anteriormente, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) havia informado que iria pedir a recuperação ou a colocação de um novo tatu-bola no Glênio Peres.

Delegado acredita que boneco possa ter sido apenas desinflado e não danificado

A Polícia Civil ainda avalia os danos causados no tatu-bola inflável. Conforme o titular da 17ª Delegacia de Polícia, delegado Hilton Müller, informações repassadas pela empresa proprietária do boneco dão conta de que ele teria apenas sido esvaziado. “Ele tem um ventilador interno que o mantém inflado. Quando foi desconectado da tomada de energia elétrica, o motor parou de funcionar e ele começou naturalmente a desinflar. É bem provável que tenha acontecido só isso”, afirmou. O delegado aguarda um documento oficial da empresa sobre o ocorrido.

Conflito no Centro

Na noite de quinta-feira, manifestantes que faziam protesto contra a privatização de espaços públicos na Capital e soldados do Batalhão de Operações Especiais (BOE), entraram em confronto no Largo Glênio Peres, no Centro da cidade.

Integrantes do grupo derrubaram as grades que protegiam o tatu-bola e esvaziaram o boneco, além de atacar viaturas e veículos da imprensa e destruir a porta de um agência bancária. Ao tentar conter os manifestantes, a Brigada Militar (BM) usou bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogênio. Policiais, um guarda municipal e manifestantes se feriram.

No domingo, o governador Tarso Genro emitiu uma nota onde informa que pediu à Secretaria de Segurança Pública que localize os envolvidos e os encaminhe à Ouvidoria do setor para informar suas denúncias.

Na segunda-feira, após analisar imagens obtidas pelo BM, o comandante do policiamento da Capital, coronel Alfeu Freitas, disse que fica clara a adoção, por alguns policiais, de procedimentos que não correspondem com treinamentos em locais de tumulto. “Não é preciso ver muitas imagens para perceber que, por parte de um ou outro PM, houve algum excesso. Nós vamos identificar e responsabilizar. Agora, a Brigada não é autoritária”, destacou.

Internamente, todos os batalhões vão passar por uma reciclagem a fim de que episódios de violência sejam evitados em manifestações públicas futuras.

Correio do Povo

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Do Jornal do Comércio:  

O vandalismo contra o Tatu-bola também foi tema de uma matéria no site do principal jornal do Reino Unido, o The Guardian. A nota citou o mais recente caso de ataque ao mascote, registrado ontem em Brasília, e citou a manifestação ocorrida em Porto Alegre.

Leia aqui:

http://www.guardian.co.uk/football/2012/oct/10/brazil-2014-inflatable-armadillo-mascot-stabbed

 

Clique para ampliar

 



Categorias:COPA 2014, vandalismo

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77 respostas

  1. Existe um pré-conceito muito grande contra aqueles que questionam as práticas atuais: muitos dos que acreditam em mudanças são imediatamente taxados de comunistas ou esquerdistas, enquanto suas ideias não passam nem perto de qualquer princípio encontrado no século 20.

    Abomino qualquer tipo de violência ou provocação mas, sim, estamos no início de um mundo auto-organizado de responsabilidade compartilhada, onde “podemos alcançar uma nova era de promessas cumpridas se todos nós nos envolvermos”. Basta cada um de nós se engajar, como nos exemplos que apresento nesse texto:

    Nem direita, nem esquerda: você mesmo – http://trilhos.maodupla.org/2012/10/23/nem-direita-nem-esquerda-voce-mesmo/

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  2. Pergunta para Nalin (que escreveu o primeiro comentario)

    – Quais são os espacos públicos que estão sendo privatizados ?

    (estou perguntando na boa, não estou criticando)

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  3. E continua a manobra diversionista da BADERNÁLIA para desviar a atenção da opinião pública.

    Decerto perceberam que fizeram uma tremenda porcaria e querem amenizar.

    Primeiro tentaram justificar o ato ridículo com o enfoque da truculência policial, agora…ufa, o boneco pode nem ter sido furado.

    Mais um pouco e me convenço que ninguém avançou e pulou sobre as grades, e sim estas que rastejaram sorrateiramente sob os pés dos inocentes.

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  4. O Largo Glenio Peres é tão privatizado pela Coca quanto é o calçadão do Gasômetro privatizado pela Pepsi, entre o Gasometro e a av Ipiranga.

    É tão privatizado quanto o Parcão é pelo Zaffari.

    Ou seja: não é privatizado. Está sendo cuidado, somente. Do mesmo jeito que o Zaffari cuida do Parcão, fato anunciado em várias placas lá.

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    • É, mas engraçado que logo após a “adoção” do Largo Glênio Peres pela Coca-cola, a prefeitura criou uma lei restringindo o uso deste espaço pela população:
      http://sul21.com.br/jornal/2011/12/prefeitura-restringe-atividades-no-largo-glenio-peres/

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      • Seria interessante se alguém enviasse ao Simon um texto para a discussão do uso do Largo Glênio Peres. Eu por exemplo no início não entendia o porquê da manifestação que deu origem a tudo. E acho que esta tentativa de “pasteurização” ou “limpeza étnica” do centro, que inclusive faz o gosto de muitas pessoas, tem que ser analisada.

        Chamo a atenção que aqueles, preocupados com atividades de turismo em Porto Alegre, tenham noção que um turista europeu, por exemplo, jamais virá à cidade para olhar grandes edifícios, quem gosta disto terá inúmeras cidades no mundo antes de visitar uma Porto Alegre com uma meia dúzia de torres que poderiam ser construídas.

        O que turistas querem é exatamente o que diferencia uma cidade de outra, um Largo Glênio Peres pasteurizado, com espaços perfeitamente definidos para alguns apaniguados da prefeitura que consigam licença para trabalhar ali, não é exatamente uma atração turística que atraia muita gente.

        Cidades de uma construção própria, e a parte mais importante desta construção estão nas pessoas que as habitam. Não vai ser uma comissão burocrática que vai definir quem tem ou não direito de se manifestar no Largo, isto gerará mais conflitos do que outra coisa.

        Parece que há um verdadeiro desconhecimento do que é turismo, turismo na Serra Gaúcha é um turismo construído e que está inclusive beirando ao mau gosto por excesso. Não podemos demolir o centro de Porto Alegre e criar uma grande Gramado, Porto Alegre é o que é, e se não aceitarmos isto ficaremos andando em círculos.

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  5. Pergunta a Nalin (do primeiro comentario)

    – Quais sao os espacos publicos que estao sendo privatizados?

    (To perguntando na boa, nao to criticando)

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    • Araújo Viana e gramado cercado ao redor, Largo Glênio Peres adotado pela Coca-cola e em seguida transformado em estacionamento e com restrição de atividades e por aí vai.

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