RS pode se tornar referência nacional em produção de semicondutores

Felipe Prestes

A HT Micron começa ainda no mês de outubro o encapsulamento e teste de chips para placas de memória RAM em solo gaúcho. A empresa é uma joint venture entre a sul-coreana Hana Micron e a brasileira Parit Participações e está localizada no Parque Tecnológico de São Leopoldo, o Tecnosinos. “O Brasil importa US$ 17 bilhões em semicondutores anualmente. A HT Micron vai preencher um importante elo da cadeia de semicondutores no Brasil. São empregos que hoje estão lá fora e vão ficar aqui”, afirma Susana Kakuta, gestora executiva do Tecnosinos, explicando a importância do empreendimento para o país.

Também ressaltando a subsituição de importações que o empreendimento proporciona, Rosana Casais, integrante da diretoria da HT Micron, ressalta que o setor de eletrônicos apresenta uma balança comercial bastante desfavorável para o Brasil. “E todos os produtos eletrônicos possuem semicondutores. Deixando de ter apenas montadoras aqui e produzindo pelo menos parte destes produtos este déficit se reduz”, diz.

Estrutura definitiva da HT Micron deve estar concluída até meados de 2013 | Foto: Divulgação

Além dos chips para placas de memória RAM, a HT Micron já realiza, desde o ano passado, o encapsulamento de semicondutores para smart chips, que são utilizados, por exemplo, em cartões de crédito. O encapsulamento é a ligação de circuitos internos do chip com lâminas (wafers) de silício. No caso das placas de memória, a joint venture repassará os chips à Teikon, empresa que também faz parte da holding brasileira Parit Participações e que já montava placas de memória RAM — tendo com um de seus principais clientes a Dell — mas precisava usar chips feitos inteiramente fora do Brasil. “Os coreanos procuraram a Teikon para ser parceira na manufatura, daí deriva a participação da Parit. A Hana Micron entrou com a tecnologia e com o suporte da cadeia de fornecedores. A Parit com o conhecimento de mercado, de logística e de governos, além de recursos humanos”, afirma Rosana Casais.

Atualmente, as operações ocorrem em um laboratório do Tecnosinos, com capacidade instalada para o encapsulamento de 3 milhões de smart chips por mês e outros 3 milhões para chips para placas de memória. Em maio de 2013 deve ficar pronta a fábrica definitiva da joint venture, numa área de 10 mil metros quadrados, que permitirá a gradual criação de novas linhas, cada uma com capacidade instalada para o encapsulamento de 3 milhões de chips por mês. Em 2014, o faturamento da empresa pode chegar a R$ 500 milhões. Casais explica que não há interesse em realizar todas as fases da produção de chips no país. “Há um consenso no grupo de semicondutores coordenado pelo Governo do Estado de que o diferencial se dá no encapsulamento de chips. É a fase que permite mais inovação”, afirma.

Veja a matéria completa no SUL 21 clicando aqui.



Categorias:Economia Estadual

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5 respostas

  1. Muito bom, Vale dos Sinos sempre foi uma grande força industrial no estado, tem que procurar formas de retomar a dianteira depois da crise dos calçados, nada melhor que a indústria de alta tecnologia. Tomara que dê certo e atraia outras, e que se crie um bom mercado pra formar e empregar gente qualificada.

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    • A indústria hi tech está com uma falta grande de profissionais. Precisam melhorar nisso também para alavancar. Não adianta ter fábrica e não ter gente para trabalhar.

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  2. Porto Alegre devia entrar neste mercado, atraindo fabricantes deste tipo.

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    • Concordo plenamente.

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      • O Fortunati deveria pegar uns dois dos seus CCs que falem bem inglês, elaborar um bom material de propaganda sobre as possibilidades do estado e sobre as indústrias já instaladas, mandar os caras passear uns seis meses batendo de porta em porta de indústrias do tipo, prever local para instalação urbanizado e terrenos subsidiados e mais outras coisas (elaborar isto de forma profissional).
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        Não adianta fazer aquelas caravanas onde trinta passeiam e dois trabalham e passar em meia dúzia de empresas, e quatro países tem que ser algo bem articulado (não como coloquei acima)
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        Se estes dois trouxessem umas duas ou três empresas de porte médio, todo o investimento seria rapidamente pago.
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        Temos um setor básico que tem condições de atrair mais empresas.

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