Centro comercial será construído no local que sediou a Ospa

Estrutura atual poderá ser demolida, dependendo de trâmites legais

Centro comercial será construído no local que sediou a Ospa Crédito: Tarsila Pereira

A construção de um centro comercial no local onde permanece o prédio que já abrigou o Teatro Leopoldina e a Ospa, na avenida Independência, foi autorizada pela Comissão de Análise e Gerenciamento Urbanístico (Cauge), da prefeitura, na última quarta-feira. “O local ficou por muito tempo locado para a Ospa. Assim que a orquestra deixou o prédio, o proprietário manifestou e encaminhou o projeto do Centro Comercial”, conta a presidente do órgão, Rosane Zottis.

Sem assegurar a demolição ou não da estrutura atual, Rosane afirma que ainda há consideráveis trâmites legais até que ela seja efetivada. Procurados pelo Correio do Povo representantes da família proprietária, Satt, tradicional investidora do ramo imobiliários, não forneceram detalhes sobre os projetos.

Em julho de 2008 a Ospa fez sua última apresentação no local, deixado pelo grupo pelas condições de estrutura e insalubridade. O prédio começou a ser erguido em 1958. Os pavimentos de cima nunca foram finalizados por mudança na lei durante a construção. Seria necessário alterar o projeto em relação às garagens, o que não ocorreu. Havia inclusive a intenção de fazer hospedaria para artistas e público nos pisos acima do teatro.

O primeiro espetáculo do então Teatro Lepoldina foi estreado por Bibi Ferreira e Paulo Autran. Em abril de 1964, no início da ditadura, com a lotação dos 1,230 lugares para a peça “My Fair Lady”, de George Bernard Shaw.

Correio do Povo



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Prédios, Restaurações | Reformas

Tags:, , , ,

56 respostas

  1. Primeiro,

    Fico feliz pelo debate, pois Porto Alegre (se sempre foi inculta como diz o Rogério) está mais inculta e cada vez mais radical. As pessoas não sabem mais debater, apenas vociferar e o que eu vi aqui foi um bom debate. Ainda há esperança…

    . Concordo com o Rogério quando ele diz que a Feira do Livro é manifestação de “incultura”, mas discordo quanto ao Porto Alegre Em Cena. As pessoas vão ao Em Cena porque os preços são pagáveis (foi durante muito tempo R$ 10,00. agora é R$ 20,00 e eventualmente um ou outro é mais caro, mas, enfim, é barato. Tanto que é difícil conseguir ingressos. E o grosso dos espetáculos, Rogério, é de alto/altíssimo nível. Tanto que aquela que é considerada a maior atriz viva da atualidade, a francesa Isabelle Huppert (que faz basicamente cinema, mas quando se dedica ao teatro, sempre é de primeira linha, nada de caça-níqueis, até porque ela nem precisa LOL), esteve duas vezes em POA, algo simplesmente impensável, em qualquer circunstância, aliás…

    Quanto ao prédio, ele é particular e os donos fazem o quiserem ali (afinal ele não tem interesse arquitetônico/histórico nenhum para ser tombado, etc) Por outro lado, tenho minhas dúvidas se um centro comercial ou seja lá o nome vai dar certo ali, temos visto tantas operações comerciais que deveriam “dar certo” em POA fazendo água… Acho que a cidade não comporta mais este tipo de coisa. Os moradores do entorno costumam se deslocar ao Total e ao Moinhos (shopping meia boca, aliás, que prova que Porto Alegre não tem tanta bala na agulha, não tem tanto público A/B como se alardeia, porque o número de BOAS lojas que não completam um ano ali é grande, idem para o comércio no maravilhoso e sub-aproveitado Pátio Ivo Rizzo e idem para as lojas da Padre Chagas (que vai virar logo uma rua só de bares e até bagaceiros (e isso não tem nada ver com o poder aquisitivo dos frequentadores, eles têm dinheiro, não tem modos, isso sim, sei do que falo porque moro perto). Então, pelo que expus, talvez fosse mais interessante construir um prédio residencial ali. Mas quem decide isso, são os donos, óbvio.

    Mais salas de espetáculos em POA? Concordo, mas quem quer investir em cultura neste estado? Darei um exemplo: o Instituto NT, na Marques do Pombal, é um pequeno cinema de arte, com espaço para exposições e um mini e simpático café. A família proprietária reformou a casa e arcou com todos os custos sozinha, sem leis de incentivo. E agora o espaço está à beira da falência….

    O Guion Cinemas, que foi quase uma potência na cidade, com cinemas na Zona Norte (Aeroporto) e na Zona Sul está mal das pernas. Motivos: vários, um deles, a TOTAL FALTA DE SEGURANÇA E TOTAL BADERNA em que está mergulhada a cidade e o Estado. Sair à noite de carro é de alto risco, não temos metrô e duvido que teremos (por que não se investe no aeromóvel EM LARGA escala? Tento entender e não consigo, é mais barato que metrô, a tecnologia é gaúcha, não polui e o consumo de energia é irrelevante)

    Outro motivo: estamos mais burros sim, a educação pública é um caos inacreditável e a particular TAMBÉM. Só se forma púbico consumidor de cultura a partir da adolescência, mas os jovens, não importa a classe social e econômica, preferem ficar nas malditas “redes sociais” a ler um mísero livro. Estamos muito mal mesmo. O Rio e São Paulo tem púbico para cultura, primeiro pelo tamanho das cidades, segundo, pelo poder aquisitivo (são cidades mundiais). E o que é Porto Alegre? Amo a capital gaúcha, mas ela não passa de uma grande província, que se acha culta e politizada (0 quê de fato não é)

    Olha, não podemos comparar o caos na saúde com a cultura. Os governos destinam dotações diferentes, e, historicamente, a cultura recebe migalhas. A saúde está deste jeito no país todo, mas muito pior aqui no RS não é por falta de dinheiro não. É por investimentos inadequados. Os últimos governos tem priorizado investir em medicina de alto padrão (transplantes, por exemplo) e não dar atenção nenhuma à SAÚDE BÁSICA. Se você é rico ou pobre vai conseguir atendimento de alto padrão para fazer um transplante PELO SUS. Se vc tem plano de saúde e precisar de uma emergência em POA, pode ser muitíssimo mal atendido. E se vc for pobre e só tiver SUS e tiver um ataque cardíaco, é CERTO QUE VAI MORRER.

    Acho a situação do HOSPITAL DE CLÍNICAS simplesmente vergonhosa. O Hospital tem atendimento de PRIMEIRO MUNDO para tratar doenças raras. Os residentes têm os melhores professores, laboratórios e equipamentos e vêm pacientes do Brasil todo e do Mercosul para que eles possam “treinar”. Os investimentos SÃO POLPUDOS. Mas é um hospital-escola, funcionando com dinheiro público (Meu, seu, nosso) então é mais que obrigação que tenham um serviço de emergência DECENTE. Mas eu acho que nem na África Sub-saariana as pessoas são tratadas como lixo como o são na emergência do Clínicas. Por que não se constrói uma grande emergência, com todos os equipamentos necessários e um grande número de leitos????? PORQUE NÃO SE QUER!!!!!! Os GOVERNOS NÃO QUEREM, OS MÉDICOS NÃO QUEREM, NINGUÉM QUER, QUEREM SÓ INVESTIR EM MEDICINA DE PONTA, ENTENDERAM?????? NÃO É INTERESSANTE PARA OS ALUNINHOS DA FEDERAL TRATAR INFARTO, ACIDENTES, MORDEDURAS DE CÃES, ETC. ELES QUEREM MEDICINA DE PONTA. O DINHEIRO VAI TUDO PARA ISSO. NÃO É FALTA DE DINHEIRO, ENTENDAM!!!! EU SEI DO QUE ESTOU FALANDO, PODEM TER CERTEZA!!!! Enquanto a sociedade gaúcha não bater o pé pedindo SIM, mais saúde BÁSICA, sim, EDUCAçÃO DE QUALIDADE, Sim, SEGURANÇA CONDIZENTE com os IMPOSTOS PAGOS e SIM, SIM, MAIS CULTURA, só iremos para trás, que é o que o RS tem feito em pelos os últimos 30 ANOS.

    Ufa, desculpem o desabafo!

    Abraço a todos!

    E nunca deixem de exigir o que é nosso de direito, seja saúde boa, educação boa ou incentivo à (boa) cultura!

    Curtir

    • Inácio e Ricardo.
      .
      O que mais reclamo é a ausência de salas de espetáculos boas para que companhias gaúchas pudessem se desenvolver e criar bons espetáculos.
      .
      Não vou nominar ninguém para não fazer injustiças, mas Porto Alegre tem bom potencial para criação de boas peças, o mais interessante que tempos atrás quando meus filhos eram menores assisti várias peças gaúchas de teatro infantil de excelente qualidade, teatro infantil gaúcho. Não adianta para cidade assistir o Idiota de Dostoiévski, levado por uma grande companhia estrangeira, e fazendo um trocadilho, ficar por total falta de opções como um imbecil assistindo filminhos de Hollywood o resto do ano nas trocentas mini-salas de exibição que pululam em nossos shoppings.
      .
      Bons filmes europeus são raros, não porque o público não goste (vide a quantidade de pessoas que assistiram os Intocáveis e Entre os Muros da Escola), simplesmente porque para a meia dúzia de distribuidoras é mais fácil lançar em seis ou mais salas de cinema O massacre da serra elétrica VIII ou qualquer uma dessas intermináveis e batidas repetições (Velozes e furiosos….) que são quase que impostos por uma estética nada estética da propaganda de massa.
      .
      Mas voltando ao teatro. Por que tínhamos um excelente teatro infantil e nada de teatro adulto, porque simplesmente os pais de classe média acham importante levar as crianças ao teatro infantil, agora eles nunca vão ao teatro adulto.
      .
      Nossas salas de espetáculo são acanhadas, restando algumas grandes salas, que devido ao grande número de espetáculos que vem de fora, promovem somente curtíssimas temporadas que não pagam uma boa produção de uma peça gaúcha.
      .
      Quanto a saúde concordo em muito com o que está escrito, porém se alguém abrir um serviço de medicina comunitária num hospital público, provavelmente não terá muitos residentes, pois se um médico fizer três cirurgias por semana de aumento de seios (ou diminuição, conforme o caso!), ele ganhará muito mais do que tratar as dores de cabeça, as diarreias e outras dezenas de pequenas doenças que infernizam e matam grande parte da população. Alguém dirá, isto é o mercado, entretanto as escolas de medicina que em maior (públicas) ou menor (privadas) intensidade são subsidiadas pelo poder público (população em geral) deveriam prestar estes serviços.
      .
      Pelo menos vejo uma só evolução nisto tudo, está se discutindo em algum lugar três itens importantes na vida do cidadão, cultura, saúde e educação!

      Curtir

  2. Olha, eu assisti a uma versão genial do Idiota, de Dostoiévski, no POA em cena por uma companhia estrangeira há alguns anos que nem mesmo Rio ou SP assistiram. Não se pode menosprezar tanto assim. É muito fácil meter o pau e chamar todo mundo de jeca-tatu; mas, pelo jeito, quando coisas realmente boas aportam na cidade, parece que não lhes é dado o devido valor, ou passam despercebidas. É claro que seria ideal uma temporada longa de teatro (ou ópera, o que é premente em POA), mas às vezes isso é impossível, ainda mais mantendo o bom nível do POA em cena.

    Curtir

  3. Enquanto isso, 2 ou 3 quadras distante… Essa belíssima construção abandonada faz décadas. http://goo.gl/maps/dly4v Alguem me explica?

    Curtir

  4. Menos de uma quadra adiante, no sentido centro-bairro estão construindo outro prédio que, se não me engano, terá um hotel, galeria de lojas e salas comerciais. Esse vai ocupar metade da quadra entre indpendência, fernandes vieira, castro alves e felipe camarão.

    Curtir

  5. Só para um registro histórico, que nem eu não sabia, assisti a primeira peça encenada no teatro Leopoldina (não na estréia)!
    .
    To velho, né.

    Curtir

    • Na tua epoca nao existia TV ainda Rogerio, por isso as pessoas iam mais no teatro, nao e’ verdade?

      Curtir

      • Para falar a verdade compramos a TV em 1960 e me lembro bem da data pois no fim do ano tinha uma propaganda que o 1961 girava e ficava 1961 de novo, ou seja em 1964 já possuíamos TV a 4 anos.
        .
        Mas o caso do teatro não é bem assim, veja os moradores de grandes centros culturais, tanto no Brasil como no exterior tem o hábito até hoje de assistir teatro, é uma questão de hábito, eu por exemplo deixei muito de ir ao teatro pela ausência de boas peças, e é importante que se tenha produção local, boa produção local.
        .
        Agora o que vale para o comércio em geral vale para o teatro, as peças devem se pagar. Se fazes uma peça que ficará uma semana no teatro, não tem como se dedicar alguns meses para a preparação artística do evento (figurinos, cenários e ensaios), tudo isto custa dinheiro! Agora se tens um ou dois meses para pagar o espetáculo, podes cobrar um ingresso menor, atrair mais público e pagar a peça.
        .
        Hoje em dia as únicas peças que aparecem por aqui são peças que já estão “pagas” em termos de investimento e as gaúchas é aquela pobreza irritante, figurinos tirados do baú da vovó, cenário pobre o inexistente e grupo mal ensaiado. Não é que os nossos artistas sejam ruins, eles não tem é dinheiro!
        .
        Agora tem mais, teatro no meu tempo não era só para peças teatrais, era para apresentações de shows de música em que se ia ao show para ouvir música, muito diferente das bandas de hoje em dia que vais ao show para ouvir 10.000 pessoas gritando que nem uns histéricos e a música que é bom não se houve nada.

        Curtir

        • Tava brincando com tua idade Rogerio, mas eu mesmo nao sou tao novo… cheguei a pegar a epoca do Chacrinha na TV, quando era crianca pequena.

          Sobre o teatro, no Brasil faz tempo que nao vou, mas o Porto Alegre Em Cena, por exemplo, e’ sempre um sucesso de publico, com ingressos vendidos antecipadamente. Sinal de que o povo gosta de teatro, o que falta, muitas vezes, e’ dinheiro.

          Curtir

        • Ricardo.
          .
          Como não gosto de lugares comuns vou colocar algo que parece a princípio um absurdo.
          .
          Tanto a Feira do Livro, como o Porto Alegre em Cena, são demonstrações da incultura do povo portalegrense, durante estes eventos o cidadão compra os seus livros do ano, uns infantis para os seus filhos, mais um livro de receitas para a patroa e um best-seller qualquer que ele leu na zero hora que era bom.
          .
          Da mesma forma, no Porto Alegre em Cena o portalegrense vai teatro, pois um povo somos culto! Logo devemos aproveitar a oportunidade, no resto do ano talvez quando aparecer uma peça com cinco artistas da Globo, também elogiada pela Zero Hora, o cidadão também pode comparecer. Ele vai comparecer desde que a peça uma peça leve de humor que não lhe divirta e não canse demais a sua cabeça, pois de peças sérias ele está cansado (apesar de nunca ter assistido uma!).
          .
          Olha Porto Alegre, nunca foi uma cidade culta, eu por exemplo, lá pelos idos anos de 70 quando era assíduo de teatro e demais manifestações culturais (curtas metragens e até vernissagens!!!!!), eu era um sujeito “Culto” (agora engrossei de vez), mas era tão culto que quando entrava nestes locais da cultura portalegrense conseguia conhecer mais ou menos 20% dos espectadores. Ou seja, iam nesses ambientes meia dúzia de gatos pingados que se poderia conhecê-los pessoalmente.
          .
          Além de da cidade de Porto Alegre não ser uma cidade culta o estado também não é, e para piorar os secretários da cultura do estado e município nunca ajudaram muito. Para dar um exemplo, somos tão incultos que tiveram a capacidade de colocar a Monica Leal como secretária da cultura do RGS e não houve passeatas de protesto contra este verdadeiro crime contra a cultura universal.

          Curtir

  6. Morava ali em frente, na Independencia. Falaram em implosao, acho bem improvavel essa alternativa, porque o entorno e’ totalmente construido. Acho que iriam demolir por partes, nao sei.

    Curtir

  7. Seria legal um espaço tipo a Galeria do Rock que tem em São Paulo.

    Curtir

  8. Pessoal, fiquei sabendo que a Goldsztein Cyrela assumirá a obra no local.
    Parece que haverá a construção também de um prédio comercial anexo ao centro comercial. Isso procede?

    Abraço!

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: