ESPECIAL: as cidades do Sul que estão na mira dos shopping centers

Veja o ranking de municípios que estão prestes a ganhar seu primeiro grande centro de compras, na ótica dos caçadores de cidades consumistas

Com reportagem de Rodrigo Azevedo

Donas de um mercado que faturou mais de R$ 100 bilhões no Brasil no ano passado, as construtoras de shopping centers estão em uma busca incessante por cidades que sejam prósperas o bastante para receber um centro comercial de grande porte. Embora o Brasil esteja em uma eventual desaceleração econômica, a elevação do padrão de consumo da população nos últimos anos, com um massivo deslocamento das camadas populares para a classe média, ativou o radar das incorporadoras. “Nós estamos a toda hora prospectando possíveis mercados para receber um centro de lojas”, confirma Cesar Garbim, diretor de Operações da 5R Shoppings, empresa que está erguendo três novos centros comerciais no Rio Grande do Sul, dois deles fora de Porto Alegre – um em Alvorada, na região metropolitana, e outro na cidade portuária de Rio Grande. Garbim acrescenta que até o fim do ano serão inaugurados 50 shoppings que vem sendo construídos nos últimos dois anos. “Era um número previsto para 2020”, admira-se.

A transferência de grande parte dos investimentos das construtoras para municípios distantes das capitais, como está fazendo a 5R, vêm sendo tonificada por uma razão especial: o potencial de consumo – principal fator considerado pelos empresários na hora de bancar um investimento deste porte – está crescendo mais nas cidades pequenas do que nas grandes. Além disso, o elevado número de centros comercias nos grandes polos vem saturando as regiões metropolitanas, e tornando o interior uma região menos arriscada para o setor. “O mercado das pequenas cidades vem atendendo às expectativas”, afirma Marcos Pazzini, diretor do IPC Marketing, empresa que realiza anualmente um levantamento do potencial de consumo das cidades brasileiras, o IPC Maps.

Outro trunfo levado em conta pelos empresários do ramo é o número de habitantes do município. Importa menos que o potencial de consumo? A resposta é sim. Mas é um fator relevante, apesar da ressalva de Pazzini. “Tem que ver o quanto dessa população realmente consome na cidade”, alerta. Muitas cidades têm uma elevada população, mas estão cercadas por cidades grandes. E é lá que elas consomem, deixando desguarnecido o comércio local. Nos Estados Unidos, a Meca dos shopping centers, uma cidade com 30 mil habitantes já é vista com bons olhos pelos empreendedores. E no Brasil? “Em média, uma cidade com 200 mil habitantes está apta a receber um shopping center”, calcula Cesar Garbim. O ideal, segundo Pazzini, é fazer um estudo profundo da região onde a cidade está situada antes de deflagrar o investimento. Para Pazzini, o ideal é que não haja um outro centro comercial de grande porte num raio de 60 km de distância.

Uma amostra deste limitador mencionado por Pazzini é a cidade de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Mesmo que o município tenha um potencial de consumo de R$ 1,5 bilhão por ano, cifra tentadora para muitos empreendedores de shopping center, os 95 mil habitantes da cidade podem migrar facilmente para a capital na hora de fazer compras. Afinal, são apenas 32 quilômetros de distância para chegar a um dos sete shopping porto-alegrenses. Mais um atrativo: caso o consumidor opte por ir de barco para a capital – uma alternativa recente que as prefeituras das duas cidades criaram – uma das estações tem seu desembarque em frente a um dos centros comerciais mais novos e requisitados de Porto Alegre – o Barra Shopping Sul. A questão cultural também influencia, segundo Pazzini. “Muitas pessoas querem ir comprar em cidades grandes, pois sentem mais segurança em achar um bom produto”, ressalta Pazzini.

Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o faturamento do setor mais que dobrou nos últimos seis anos. Em 2006, 351 empreendimentos estavam inaugurados no país. Até o fim do ano passado, o número deu um salto de 22,5% – chegando a mais de 80 mil lojas ativas, quase o dobro de seis anos atrás. Os dados de 2011 colocam a região Sul como a segunda maior receptora de shoppings, atrás da região sudeste. O sul hospeda, no total, 80 centros comerciais. O Rio Grande do Sul ainda é o maior celeiro de shoppings, com 32 locais. O Paraná vem logo atrás, com 27, seguido por Santa Catarina – que aloja 21 empreendimentos.

Baseado nas exigências que as cidades devem atender para receber um centro comercial, o Portal AMANHÃ listou 32 municípios da região Sul que, segundo a Abrasce, não contam com shopping center dentro de seus limites. O ranking, elaborado com dados do IPC Maps leva em consideração o potencial de consumo anual da cidade e sua respectiva população. Alguns municípios que se encontram na lista já estão com obras em andamento, ou foram anunciadas como alvo de construção de shopping. É o caso de Gravataí (RS) – onde o Grupo Zaffari anunciou no mês passado o projeto de levantar um shopping da marca Bourbon.

Das 32 cidades listadas a seguir como candidatas a um shopping center, quatro estão em Santa Catarina e as 28 restantes se distribuem, meio a meio, entre Paraná e Rio Grande do Sul.

Fonte: Abrasce/IPC Marketing
* Cidades que estão com obras de shopping centers em andamento ou irão iniciar a construção em breve.

Revista Amanhã



Categorias:Shopping Centers

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15 respostas

  1. e a manoel elias sem nada…..

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  2. E Pelotas e Caxias do sul que são maiores que qualquer uma dessas?!?? Pelotas tem no mínimo de 6 bi de potêncial de consumo e cresce a cada ano.
    Acordem empreendedores!

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  3. Shoppings são ótimos em cidades médias, atrai a população e da opções de lazer.
    Já em grandes cidades, quando existem MUITOS shoppings acaba matando o comércio de rua e dai vem aqueles problemas que sempre são expostos aqui, como segurança, falta de investimentos e etc…
    Eu particularmente não tenho nada contra….

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    • Mas em cidades pequenas também acaba matando o comércio das proximidades, a não ser que o shopping seja fraco…isso aconteceu em Lajeado, matou o que tinha ao redor, mas depois que passou a novidade estacionou, até porque é um shopping pequeno, chegaram até a trocar de nome…

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      • Em Guarapuava/PR (+-170 mil habitantes) nenhum shopping emplacou ainda. E o comércio de rua é bem legal.

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    • Pelo que tenho visto os shoppings de Porto Alegre só tem melhorado e aumentado o comércio de rua, ao contrário do que os contra divulgam…

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      • Gilberto, em plena Assis Brasil temos várias lojas fechadas com “ALUGA-SE ” .

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        • Passa lá na Agapan e dá a idéia de fazerem um abraço simbólico na Assis Brasil então. Já pergunta se estão a fim de um protesto contra a privatização do espaço publico feita pelo bourbon wallig.

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        • Mais se deve à estagnação econômica de Porto Alegre que aos shoppings em si.

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      • Já que é pra apimentar a discussão….

        Já se falou aqui que os Shoppings matam o comercio de rua sim (especialmente nos arredores). Cinemas eu não preciso nem citar né?

        Hoje em dia se tu quer comprar ou ter lazer com segurança tu tem que ir em um Shopping.

        Não sou contra Shoppings, sou contra é da quantidade exagerada que estão pretendendo fazer. Daqui a pouco teremos um a cada esquina….

        Fora os preços que as lojas cobram, por causa dos custos exorbitantes pra ficar lá dentro. Tenta comer com qualidade e preço decente em um Shopping…

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  4. “o Portal AMANHÃ listou 32 municípios da região Sul que, segundo a Abrasce, não contam com shopping center dentro de seus limites.” Agora entendi porque Canoas não foi listada, já que está na iminência de receber um outro shopping. Mas Novo Hamburgo está na lista, e lá tem shopping não é?

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    • Canoas possui o Canoas Shopping e o Conjunto Comercial Canoas. NH tem o Bourbon Shopping, o antigo Novo Shopping. O que acontece é que eles listam somente os shopping associados à Abrasce. Não quer dizer que a cidade não tenha nenhum shopping.

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  5. Primeiro shopping mas q não usava nome de shopping foi o João Pessoa.

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  6. “…são apenas 32 quilômetros de distância para chegar a um dos sete shopping porto-alegrenses…” – Qual o conceito de shopping da matéria? Pois até onde eu sei, deve ter uns 15 em POA e não 7.

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    • Já teve algumas discussões acaloradas aqui no Blog para saber o que é shopping e o que não é, e isso impacta em decidir qual foi o primeiro shopping de Porto Alegre. Até hoje não sei o que é.

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