Só obras no cais me tranquilizam, diz Pestana

Empresa que fará revitalização no Centro assegurou ao chefe da Casa Civil que conseguiu investidores brasileiros

O diálogo a seguir foi travado há cerca de 20 dias entre o chefe da Casa Civil do governo do Estado, Carlos Pestana, por telefone, e um representante da empresa que venceu a concorrência para revitalizar o Cais Mauá e que estava na Espanha. “Fiz aquela pergunta básica: quando vamos colocar o capacetezinho da obra?”, reproduziu o secretário, que centraliza desde o começo do atual governo as negociações para implantação do complexo, avaliado em quase R$ 500 milhões, incluindo armazéns, shopping, centro de eventos e hotel boutique. “A resposta dele foi: ‘Em fevereiro, pois os projetos estão tramitando na prefeitura’.”

O prazo não chega a dissipar totalmente as incertezas de Pestana sobre a execução do projeto. Até porque ainda faltam ser entregues estudos e ser obtidos licenciamentos pela empresa, cuja liberação dificilmente ocorrerá antes de março de 2013. “Nossa preocupação é a data de início da obra e a informação se pode haver algum revés do financiamento”, demarcou o secretário. “Estamos atentos. Tranquilo, tranquilo, vou estar quando começarem as obras”, reforçou o chefe da Casa Civil.

O Estado também contará com o reforço no monitoramento e fiscalização do contrato. O Tribunal de Contas (TCE) aprovou a criação de um grupo técnico de acompanhamento do empreendimento, que vai desde os termos do acordo até a implantação do complexo. A medida foi adotada nos mesmos moldes dos projetos de melhorias viárias e urbanísticas para a Copa do Mundo em Porto Alegre. No caso do cais, o expediente atendeu a advertências de auditores do órgão que apontaram fragilidades no contrato envolvendo a exploração de um bem público.

O começo das obras foi prometido, no final de 2011, após a transferência da área para o consórcio, para a metade deste ano. Até agora, os empreendedores não esclareceram totalmente as razões da demora. Parte é atribuída a uma maior complexidade de estudos. Fontes associam o adiamento a dificuldades para conseguir investidores, já que aportes de capital espanhol teriam secado diante da grave crise financeira e econômica do país, uma das mais agudas da zona do euro.

O chefe da Casa Civil disse que espera para os próximos dias o detalhamento da modelagem financeira que garantiria a busca de financiamento ao projeto, além de informações solicitadas em notificação feita em junho passado ao consórcio, pela Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), responsável pela fiscalização do uso da área e nomeada para a tarefa pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Dois itens são cruciais: contratação de um seguro para proteger o patrimônio, que está agora sob tutela da empresa privada, e pagamento dos primeiros valores do arrendamento.

O contrato prevê um aluguel de até R$ 3 milhões anuais a serem repassados à SPH, quando houver a ocupação plena. O prazo para se explicar terminaria em começo de agosto, mas o consórcio pediu 30 dias, o governo concedeu e, desde então, faz reuniões periódicas para destravar mais este capítulo da novela da revitalização. “Tive a garantia do representante espanhol de que já foram conseguidos os investidores e que seria um grupo do Rio de Janeiro”, informou Pestana, confirmando que o impasse financeiro gerou dificuldades para a operação. “É um consórcio, cujos maiores sócios são espanhóis. A modelagem assegura os contratos para ocupação”, entusiasmou-se. O secretário não cogita qualquer recuo no empreendimento, pois acredita na palavra dos interlocutores. “O que não é possível é sermos surpreendidos daqui a dois meses de que não vai dar.”

O diretor-presidente da Cais Mauá do Brasil, o gaúcho Mário Freitas, tem assegurado que a reforma dos armazéns, que terão áreas de lazer com livraria (a Cultura seria uma das operadoras), bares e restaurantes, sairá até a Copa do Mundo. Esta é uma das exigências do governo estadual. “Isso foi reafirmado”, admitiu Pestana. Quanto aos projetos para começar os trabalhos na área central da Capital, Freitas estimou que até o fim de dezembro submeterá os laudos de impacto ambiental e tráfego, que compõem o chamado Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU), à Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento (Cauge). A presidente do órgão, Rosane Zottis, esclareceu que o prazo de emissão de licenças dependerá dos projetos e se não houver mudanças, já que as diretrizes para fazer os estudos foram globais, ou seja, para todo o complexo. “Estamos no aguardo dos projetos”, avisou Rosane. Na comissão, há representantes de todas as secretarias envolvidas na emissão de autorizações, da Cultura e Meio Ambiente à de Obras.

Patrícia Comunello

Jornal do Comércio



Categorias:Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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8 respostas

  1. A famosa “burrocracia”….ou seria falta de vergonha na cara?

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  2. só ele acredita…ou melhor, nem ele.

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  3. oq importa pro fortuna é que esteja garantido o estoque de canapés pra todo o mandato.

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  4. A resposta dele foi: ‘Em fevereiro, pois os projetos estão tramitando na prefeitura’.”

    – Então é a prefeitura que está atrasando as obras?

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    • Foi isso que entendi, também.
      Mas e o Fortunatti não tinha dito que a Prefeitura está dando prioridade para esse projeto?

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  5. Enrolação…..

    A diferença entre alguns politicos no RS, é que alguns prometem, enrolam e fazem as obras para ficarem prontas (ou quase prontas) nas eleições….

    Ja outros, prometem, falam que vão fazer, mas que só vai ser possivel fazer depois das eleições, para ai sim garantir a vaguinha e o dinheirinho e não fazer a obra…
    hahaha…

    Ta, não posso falar isso, mas tenho certeza que é assim.

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  6. cais cais cais cais cais, cais cais……….

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  7. Bla bla bla…

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