Tarso convida a Renault a avaliar fábrica para o Estado

Potencialidades do Rio Grande do Sul foram apresentadas na França por missão gaúcha a dirigentes da montadora

Governador recebeu de Denis Barbier miniatura de carro elétrico STELA PASTORE/ ESPECIAL/ PALÁCIO PIRATINI/DIVULGAÇÃO/JC

O governador Tarso Genro conheceu ontem, na França, o projeto de carro elétrico que está sendo desenvolvido pela Renault. Tarso detalhou aos executivos da montadora as características do Rio Grande do Sul e comunicou o interesse em receber uma visita de representantes da empresa para conhecer as potencialidades gaúchas. “É uma visita que tem uma visão de semeadura dessa relação, mas é semeando que depois se colhe”, disse o governador.

A missão gaúcha foi recebida pelo diretor de operações para as américas do grupo, Denis Barbier, que detalhou as características do novo modelo de veículo. O carro elétrico chegará às ruas da França a partir de dezembro, estreando inicialmente na frota dos correios, com o modelo Zoé. A estimativa é de que até 2016 cerca de 1,5 milhão de carros elétricos estejam circulando no país. A Renault está desenvolvendo quatro modelos, nos quais investiu € 4 bilhões.

O governo gaúcho enviará à direção da Renault um conjunto de dados sobre os programas desenvolvidos no Estado, o detalhamento dos parques tecnológicos existentes, entre outras informações. Tarso destacou que no Rio Grande do Sul existem mais de 700 empresas da cadeia automotiva. Além disso, salientou que a produção de energia elétrica de fontes renováveis no Estado (hidrelétrica e eólica) está em sincronia com o projeto de veículos não poluentes.

O diretor da Renault presenteou o governador com uma miniatura do primeiro modelo elétrico. O governador retribuiu, presenteando o executivo francês com um livro sobre os costumes gaúchos. Três motivos levaram a Renault a desenvolver o projeto de carro elétrico: a dependência de petróleo, poluição das grandes cidades e a emissão de gás carbônico. Barbier apresentou dados como o de que 87% da população usuária de veículos faz até 67 quilômetros por dia – condizente com a autonomia de um carro elétrico.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos e de Peças (SincoPeças-RS), Gerson Nunes Lopes, avaliou que “seria muito bom, mesmo que seja uma unidade de menor porte, como deve ser o caso de um complexo de veículos elétricos, a vinda da montadora”. O dirigente aponta que no Rio Grande do Sul há empresas suficientes para atender a uma nova demanda. Ele admite que seria necessário um período de adaptação, porque, eventualmente, haveria alguma novidade ou peça diferente e seria preciso criar um estoque. Outro fato enfatizado pelo presidente do SincoPeças-RS é que tramita na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 62/2012, de autoria do deputado Dr. Basegio (PDT), que quer reduzir em 50% o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para carros que utilizarem energia elétrica ou gás natural veicular (GNV) como combustível. Com a aprovação da lei, a alíquota do imposto passaria para 1,5%.

Associação afirma que são necessárias ações para desenvolver mercado a veículos elétricos

O diretor-presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Pietro Erber, considera “simpática” a ideia da instalação de uma montadora de veículos elétricos no País. Ele adianta que essa iniciativa diminuiria os custos com a importação do produto. “Mas, no curto prazo, eu não vejo um grande mercado para os carros elétricos no Brasil”, admite Erber. O dirigente argumenta que algumas medidas precisariam ser tomadas para desenvolver esse segmento. Uma delas é a redução de impostos sobre esses carros e, a outra, a disponibilização de locais para a recarga. Erber lembra que a autonomia dos veículos elétricos ainda é limitada, algo entre 160 a 200 quilômetros.

Ele ressalta ainda que, como a indústria automotiva compra as baterias dos carros elétricos e não as fabrica, seria necessário facilitar a importação desses equipamentos até o início de uma produção nacional. O diretor-presidente da ABVE acrescenta que a parte mecânica do veículo elétrico é simples, o mais complexo são os elementos eletrônicos. Erber afirma que, se a Renault confirmar uma unidade de elétricos no Brasil, o mais viável seria que a produção fosse feita junto com carros convencionais. Uma sugestão que o dirigente daria ao governador Tarso Genro, em razão da forte presença da indústria de carrocerias no Estado, é a preparação para a inclusão de ônibus elétricos no mercado.

Jornal do Comércio



Categorias:Economia Estadual

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16 respostas

  1. POR ESSAS E TODAS AS OUTRAS É QUE PRECISAMOS DEFENDER A IMPLANTAÇÃO DE MONTADORAS BRASILEIRAS AOS MOLDES DAS COREANAS, CHINESAS, INDIANAS…
    Por que insistimos em valorizar somente o que “é de fora”? Se a Gurgel tivesse tido apoio… talvez hoje nos orgulharíamos de ter um veículo brasileiro feito em série!

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    • Valorizar só o que é de fora?

      Olha o que a Dilma fez com o mercado automotivo brasileiro….

      Quando a concorrencia tava chegando pra fazer algo de bom, mudando o mercado, baixando os preços, atualizando a frota, aumentou os impostos para os importados e tudo mais e reduziu o IPI para os nacionais.. (que enganam o povo e fingem que enganam o governo, por que tem o rabo preso com as montadoras…)

      O valor dos carros era pra ter baixado se não me engano mais de 10%, mas na realidade, algumas marcas nem 3% baixaram.

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      • É assim que o governo consegue dinheiro para financiar sua ineficiência e “presentear” o povo brasileiro com obras e mais obras, afinal de contas, quanto mais carro é vendido, mais imposto e mais gasolina é vendida. Quando mais gasolina é vendida mais lucra a Petrobras e mais engorda os cofres públicos através dos altos impostos sobre a gasolina.

        Por isso é que os governos (prefeitura, estado e federação) fazem o mínimo do mínimo em relação ao transporte público e ciclovias.

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  2. Mais uma viagem do Tarso/imprensa porque a Renault está instalada em São José dos Pinhais, no Paraná. Se for montar outro modelo naturalmente que será naquele estado que do ponto de vista logístico é mais vantajoso. PT

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  3. Como as coisas mudam né.

    Quando outro petista assumiu em 1999, ele mandou embora a Ford, que hoje está na Bahia, acabando com o sonho da cidade de Guaíba.

    Agora eles vão implorar para que as empresas se instalem no RS….

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    • Que nada, depois do caso da Ford, eles sempre vem com papo de fabrica nova de carros, mas no final elas nunca vem….
      sausahuhashuhasas

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  4. “O governador retribuiu, presenteando o executivo francês com um livro sobre os costumes gaúchos.” Eta bairrismo velho ! hahahahahaha

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  5. Tomara que venha, mas que aquele fluence tem acabamento interno horrível, ah tem

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    • Verdade.

      Por isso a paixão pela Peugeot la em casa… o interior da pau em carros de mais de 90 mil… \o/

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  6. Ja ouvii muitas estorias parecidas com essa…..
    . De “boas intencoes” o mundo esta cheio. So vou acreditar quando o contrato estiver assinado e as retroescavadeiras em operacao.

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    • PT sempre querendo criar buzz pra dizer que está “trabalhando”. Nunca vi tantas promessas. A realidade todos sabem: é uma fábrica de caminhões chineses, de uma marca desconhecida que no seu país de origem conta com 120 funcionários.

      Vergonha.

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    • Você coloca muita fé no governador. Eu só acredito mesmo depois de inaugurar. Já tivemos montadora com contrato assinado e retroescavadeiras em operação que acabou sendo expulsa do estado.

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  7. Me parece que ele gosta muito de viajar e de mostrar potencialidades, concretização não é o forte! Enquanto isso os outros estados fazem a festa e absorvem os grandes investimentos. Sou absolutamente a favor do uso dos carros elétricos, mas convenhamos no Brasil não há literalmente uma cidade com rede (deve ser bem cara) de abastecimento para recarga. Então no final das contas quantas unidades serão produzidas anualmente, talvez pouquíssimas e quantos empregos, que é o que importa serão gerados? Talvez o homem esteja prometendo mil e um incentivos para não ficar com a pecha de governante fraco e assim atrair tal investimento que no fim gerará uma fração de empregos de uma BMW por exemplo. Quem sempre corre atrás dos outros acaba comendo poeira.

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  8. Boa Bigode!

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  9. Faz isso, mas faz com vontade, e não pra se aparecer.

    Eu que amo os carros da Renault iria adorar ter a fabrica aqui, de carros eletricos então…. só precisam valer a pena, por que pagar 120 mil num carro hibrido (fusion), sendo que o 6 caneco custa menos e anda muito mais…. tem que ser espero, dr Tarso…

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