O urbanismo contra-ataca

‘Uma cidade se expressa, vibra, vive. E só é feita com gente na rua’, diz ex-prefeito de Bogotá

Juliana Sayuri

Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá Felipe Caicedo/Reuters

Notícias de uma guerra “não declarada”: mais de 200 mortos, entre civis (com ou sem ficha criminal) e policiais militares desde o início de outubro. Mas nem adianta passar a régua, pois a conta não fecha aí. Na madrugada seguinte, mais um punhado de gente cai na vala comum das páginas da metrópole e vira estatística. De um lado, o “salve geral” disparado pelo Primeiro Comando da Capital em agosto. De outro, a tropa do governo. No fogo cruzado, a cidade.

Difícil dizer que se trata de um confronto “velado” entre PM e PCC. Nessa semana, observadores da imprensa internacional miraram São Paulo como uma “cidade sangrenta”. Foram reportagens no Clarín, El País, Le Monde, The Economist, The Guardian, The Wall Street Journal. Até a Al Jazeera reportou a onda de violência paulistana, ao passo que The New York Times questionou a garantia de segurança no Brasil durante o mundial de 2014, um provocativo “imagine na Copa…” para gringo ler.

“Mas segurança não é só assunto de polícia. Tem a ver com urbanismo, mobilidade e cultura”, critica Enrique Peñalosa, economista e historiador colombiano formado pela Universidade Duke, na Carolina do Norte, e P.h.D. pela Universidade de Paris. Para Peñalosa, para conter a violência urbana é preciso articular inteligência policial e intervenções nos campos do planejamento urbano e projetos socioculturais.

Prefeito de Bogotá entre 1998 e 2011, o urbanista transformou a capital colombiana com ações focadas em mobilidade e sustentabilidade, reduzindo drasticamente o índice de homicídios na cidade, antes considerada uma das mais violentas da América Latina. Já fez conferências em universidades como USP, PUC-RJ, Princeton, London School of Economics, Harvard, Chicago e Colúmbia, e assessorou governos na Ásia, África, Américas e Europa com estratégias e políticas urbanas. Neste ano, visitou São Paulo e Porto Alegre, onde participou do Fronteiras do Pensamento, em junho.

“Uma cidade se expressa, vibra, vive. É feita de gente na rua”, diz ao Aliás. “O papel do Estado é estar presente, em todos os cantos da cidade. Que não haja rincões que fiquem à margem. Se o Estado não respeita a vida humana, por que os bandidos o fariam?”, questiona. “Devemos mostrar símbolos de igualdade e de democracia. São bibliotecas, ciclovias, colégios, parques, ruas iluminadas. E, principalmente, gente ocupando esses espaços públicos”, destaca. Seguindo as ideias de Enrique Peñalosa, talvez falte mostrar, sem pieguice, que ainda existe amor em SP.

Bogotá, capital da Colômbia

São Paulo está vivendo uma onda de violência que obteve repercussão internacional. Que paralelo podemos traçar com Bogotá, que já foi considerada uma das cidades mais violentas da América Latina?

Posso comentar a experiência de Bogotá, onde a segurança melhorou desde o fim da década de 1990. Essa melhoria ocorreu na capital, antes de ocorrer no país como um todo. Não foi consequência de uma mudança diretamente relacionada às políticas do presidente Álvaro Uribe, mas de uma série de medidas do poder municipal. Não há fórmulas fechadas, mas posso propor teorias: é a cidade. A chave é a própria cidade.

Como assim?

A cidade se expressa, vibra, vive. E uma cidade só se faz com gente na rua. Mas, para isso, as pessoas precisam se sentir seguras nas ruas. Os cidadãos precisam sentir que há legitimidade – o que é muito importante, mas altamente subjetivo. Explico: o Estado precisa ser considerado legítimo pelos cidadãos. É corrupto? É íntegro? Está dedicado a atender às necessidades dos mais vulneráveis para construir, de alguma maneira, uma sociedade mais igualitária? Se há legitimidade, os cidadãos tendem a compreender e cumprir determinadas normas, reportar e pedir punição aos que violam essas normas. Prefiro ilustrar essa história assim: há 15 anos, dizia-se muito a expressão “cójalo, cójalo, suéltelo, suéltelo” em Bogotá. Exemplo: um ladrão roubou a carteira de uma senhora. Aí toda a gente gritava: cójalo, cójalo! Uma vez preso, porém, muita gente começava a dizer: no, suéltelo, suéltelo! Deixe-o ir. Isto é, de alguma maneira, a sociedade sentia que a situação era tão injusta que a polícia não tinha nem autoridade moral nem legitimidade para poder prender e castigar esses delinquentes. Mas a atitude mudou nestes últimos tempos. As pessoas precisam respeitar um governo, e não temê-lo. Nesse sentido, o papel do Estado é estar presente, em todos os cantos da cidade. Que não haja rincões que fiquem à margem. Essa presença não se refere só à polícia, mas a projetos de educação, saúde e demais serviços sociais, atendendo a todas as tarefas que deve atender. Afinal, segurança não é só assunto de polícia.

Que outros campos estão envolvidos?

É muito mais. Tem a ver com urbanismo, mobilidade urbana e cultura. Ao construir uma biblioteca imensa e maravilhosa, queremos dizendo: o conhecimento é mais importante que o dinheiro. É complicado, porém, ver um jovem numa moto, com joias, roupas e tênis caros, talvez vindos do tráfico, entrando com uma gangue em um bairro. Que símbolos são esses? Expressam valores dos narcotraficantes: você pode ostentar riqueza, independentemente da origem do dinheiro. Devemos mostrar outros valores. É preciso ter conhecimento e cultura, como a arte e a música. Então devemos ter bibliotecas lindas e colégios espetaculares nos bairros mais pobres, para que aquelas crianças saibam que elas importam – nas periferias, muitas crianças nem sabem a identidade do pai, então é essencial que saibam que elas importam. Outro exemplo são os ginásios esportivos. Em Bogotá, assim como em São Paulo, imagino, as crianças gostam de futebol. Bogotá e Londres têm 8 milhões de habitantes. Mas os londrinos têm mais de 1.500 campos de futebol públicos. Nós só temos 20. Vi que uma das ações mais eficazes para melhorar a segurança num bairro periférico é um campo de futebol, comunitário e iluminado. Que pode fazer um jovem de 16 anos às 8 horas da noite na periferia? É preciso ter opções de lazer. É preciso ter mais e melhores centros culturais e esportivos comunitários, ciclovias, parques arborizados, ruas iluminadas. Mas também é preciso ter a polícia. Sociedades ricas e avançadas socialmente, como França e Suíça, têm mais policiais por milhão de habitantes que Bogotá e São Paulo. Mas eles são bem treinados e bem pagos. Na Colômbia e no Brasil também há muita impunidade para os delitos considerados “menores”. Isso porque não investimos em policiais, juízes, presídios e leis que se voltem para esses delitos “menores”. Essa sensação de impunidade é terreno fértil para o crime organizado.

Nessa linha, que medidas foram adotadas em Bogotá?

Nas zonas mais marginais da cidade, construímos bibliotecas, colégios de luxo, jardins sociais, programas de nutrição, projetos de infraestrutura. Uma das principais ideias era levar escolas, tão boas quanto os melhores colégios particulares, para os cantos mais pobres da cidade. Queríamos mostrar respeito pela dignidade humana. Se o Estado não respeita a vida humana, por que os bandidos o fariam? É uma questão de igualdade, o que é muito diferente de simplesmente dar esmola aos mais pobres. Uma cidade precisa de símbolos de igualdade e de democracia. Numa sociedade como a nossa, muitos cidadãos não têm carro, mas precisam se deslocar diariamente para trabalhar, por exemplo. Então adotamos o TransMilenio, um sistema de ônibus inspirado no modelo de Curitiba, e construímos centenas de quilômetros de ciclovias.

Por quê?

Para dizer que um cidadão numa bicicleta de US$ 30 é tão importante quanto um cidadão num carro de US$ 30 mil. Outro exemplo: a duas quadras do palácio presidencial, tínhamos 23 hectares da pior degradação humana possível e imaginável, um inferno de casas abandonadas por décadas e dominado pelo tráfico de drogas, com os mais altos índices de homicídio do mundo. A cracolândia de São Paulo? É um paraíso comparado ao que existia ali. Não é nem remotamente parecido. Desapropriamos essa área, demolimos mais de 600 construções, iniciamos um megaprojeto de reabilitação. O inferno virou um imenso parque.

Mas Bogotá não é uma cidade ideal…

Não. Fizemos muito, mas ainda falta muito, muito, muito. Ainda sobre segurança, o índice de homicídios é de 17 para 100 mil habitantes. (Segundo o relatório das Nações Unidas de 2011, São Paulo tem 10 homicídios por 100 mil habitantes). Mas em capitais europeias, são 3 ou 4. Em cidades japonesas, talvez 1 ou 2. Em Bogotá, ainda há muitos delitos, como os assaltos, muitos à mão armada, que continuam com índices altos e se agravaram nos últimos tempos. Segundo as estatísticas, uma em quatro pessoas já foi vítima de um delito no último ano. Há muitas gangues e muita violência entre os jovens. Mas a cidade está aí para ser ocupada. Não dá para viver com medo, sem sair de casa, dentro dos carros e dos shoppings. Infelizmente, os shoppings nas grandes cidades do mundo em desenvolvimento, inclusive Bogotá e São Paulo, foram substituindo o espaço público como lugar de encontro. Isso é gravíssimo, pois os espaços públicos acabam abandonados. Segurança tem a ver com o desenho urbano, com uma melhor integração entre o público e o particular. O interesse público deve prevalecer sobre o particular, para mostrar que há democracia. Uma cidade deve se destinar especialmente aos mais vulneráveis – as crianças, os velhos, os pobres – e não aos carros, aos privilegiados, aos ricos.

No Brasil, cidades de São Paulo e Santa Catarina estão assistindo a ações atribuídas ao PCC. Que espaço tem o crime organizado nas cidades colombianas hoje?

Vivemos uma guerra de muitos anos contra megaorganizações criminosas. Mas a guerrilha não conseguiu penetrar nas cidades – exceto nos tempos de Pablo Escobar com os grandes cartéis de Medellín e Cali. A guerrilha e o crime organizado, apesar de muito poderosos, ficaram na zona rural e na selva. Para estar alerta contra o terrorismo do narcotráfico, os serviços de inteligência do Exército e da polícia colombiana devem ser extremamente sofisticados. Além disso, os cidadãos colaboram com a polícia nos bairros. Há muitos informantes, o que é essencial para os serviços de inteligência: ter olhos em cada bairro, em cada rua. As comunidades dos bairros populares são organizadas, com líderes importantes, que impedem a entrada fácil de líderes delinquentes.

No Brasil, muitos assaltos e crimes são cometidos em motos, tanto que há quem defenda o fim das garupas, como em Bogotá…

Não gosto dessas medidas, pois me parecem preconceituosas. Sim, as motos devem cumprir as normas de trânsito, com sanções drásticas se não o fizerem. Em Bogotá tivemos essa restrição de passageiros nas garupas por um tempo, mas não mais.

Por que a violência urbana é tão forte nas cidades latino-americanas?

A criminalidade e a violência urbana são fenômenos principalmente latino-americanos. Não de toda a América Latina – no Chile, não é assim. Também há cidades africanas muito violentas. Mas na Europa, no Canadá e na Ásia, por exemplo, não há. É óbvio que há crimes, mas jamais na mesma escala. A violência urbana é um reflexo da falta de legitimidade do Estado e da ausência de uma sociedade forte. Em muitos países latino-americanos, a sociedade se resignou a tolerar a criminalidade. Então, a lei praticamente a tolera. Mas há muitas metrópoles mundiais muito seguras: Copenhague, Tóquio, Toronto, Zurique.

Que sugestões o sr. teria para São Paulo?

É preciso olhar para a cidade. Como disse, a cidade precisa priorizar o humano, em todos os sentidos. Parece muito óbvio, eu sei. Mas, infelizmente, isso não é feito. Já visitei São Paulo muitas vezes. É uma cidade com uma energia maravilhosa, mas há muito a melhorar. Aliás, com todo o respeito, não me parece que tantos helicópteros particulares sobrevoando São Paulo sejam úteis para construir legitimidade e coesão social. Em cidades como Londres e Nova York, os ricos usam transporte público e vão aos parques. São Paulo precisa de bibliotecas, ciclovias, parques. Conheci uma iniciativa ótima de vocês: o Sesc, um exemplo de integração comunitária. O Sesc Pompeia é ótimo. Mas um certamente não basta. Em uma cidade do tamanho de São Paulo, é preciso ter mais de 300 Sescs.

* ENRIQUE PEÑALOSA: ECONOMISTA E HISTORIADOR COLOMBIANO, PH.D. PELA UNIVERSIDADE DE PARIS. FOI PREFEITO DE BOGOTÁ (1998-2001)

Fonte: Estadão



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, violência

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76 respostas

  1. O Centro é o bairro mais atraente da cidade, justamente porque ele é movimentado, povoado, com muitas opções e com muitas classes sociais que o ocupam.
    Dizer que ele é sujo, feio, e bla bla bla preconceituosos é uma grande ignorância.
    O Centro tem que ter cara de Centro, e não de Moinhos de Vento.
    Ainda bem que ele permanece democrático.
    E parem de fru frus, urbanistas e arquitetos.

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    • Ahh então a mendigada que toma conta das ruas, o cheiro de urina e a insegurança de dia e que piora de noite são “coisas da nossa imaginação”? ou “fruto da nossa ignorância”?

      Francamente….

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    • Bom, o centro é sujo e feio, isto é um fato, não importando o que tu diga e nem as classes sociais que o frequentam. Ele pode ser melhorado e muito, mas como tá cheio de gente que acha que está bom, não fazem nada…

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      • Mas nao se pode conceder espaco a essa gente bizarra! Nao tem essa de deixa-los fazer oque querem e ficar assim mesmo. O centro e’ o antro nojento que e’, prq a populacao nao lutou para mante-lo limpo e seguro, preferindo abandona-lo aos tipos do cara ai acima que acha que ta bom. Temos e’ que mandar os “jaires” da vida pra bem longe e nao dar atencao ao que eles querem. Poa e o RS so’ sairao do fundo do poco que se encontra na base da bala e da luta, nao existe outra maneira. Eles jamais deixarao o povo trabalhador e honesto em paz nesta cidade. A forca tambem tera que ser usada para “estimular” o poder publico a fazer algo e impedir que jaires da vida tenham os antros de lixo e miseria que eles tanto gostam.

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  2. Comecem todos vocês por convidarem seus amigos para se encontrar num dos parques da cidade aos finais de semana. É uma iniciativa que está ao alcançe individual de cada um e também é bastante divertida. Depois que as pessoas tomam gosto pelas áreas públicas agradáveis da cidade elas começam a enxergar que vale a pena ter um pouco mais disso. Eu mesmo fiquei muitos anos sem frequentar os parques e hoje não entendo como deixei isso acontecer. Está havendo um movimento, lento mas progressivo, de valorização das áreas públicas. Vamos fazer a nossa parte, vamos convidar aqueles amigos que não vemos há muito tempo para nos encontrar no marinha, no parção, na redenção, no gasômetro, na orla de ipanema. Vamos convidar nossos amigos frequentadores de shopping a nos acompanhar nos programas a céu aberto. A nossa iniciativa também é importante.
    Um grande abraço a todos e ótimo final de semana.

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    • Daniel, você tem razão por um lado, mas ainda acredito que o poder público segue se esquivando da responsabilidade de TORNAR ESSES LOCAIS PÚBLICOS AGRADÁVEIS E CONVIDATIVOS. Não dá pra ficar botando na responsabilidade da população, porque tu vai numa praça e é tudo degradado, fedorento, abandonado.

      Um exemplo: ali no Centro, na Borges de Medeiros, na frente do Capitólio, tem uma pracinha (Praça Daltro Filho) que foi reformada recentemente. Ficou a coisa mais linda, toda bem cuidada, com bancos decentes, plantas caprichadas, tudo pintadinho, tudo iluminado. O que aconteceu? As pessoas voltaram a ocupá-la! Todas as tardes tem crianças brincando e idosos tomando chimarrão e conversando! No centro da cidade! Coisa que antes não se via tanto!

      E tudo isso custo só R$ 216 mil! É uma mixaria perto do que a Prefeitura tem destinado, por exemplo, às obras de “mobilidade urbana” (sem entrar no mérito da questão, mas pelo custo do viaduto Pinheiro Borda poderíamos reformar CEM PRAÇAS como essa).

      Aí eu me pergunto: por que a prefeitura não investe na revitalização de praças?! “Ah, mas ela está investindo, você acabou de citar um exemplo!” Pois é, UM exemplo. Teria mais uns dois ou três (praça da Alfândega, Otávio Rocha e……?)

      É justamente esse o problema: parece que a prefeitura faz umas duas ou três SÓ PRA DIZER QUE ESTÁ FAZENDO, E NÃO PARA REALMENTE FAZER.

      Já pensou se de uma hora pra outra o Fortunati anunciasse: “Em um ano, eu vou reformar, pintar e iluminar TODAS as praças da cidade”? Com certeza ele iria fazer história na cidade (mas acho que os shoppings não iriam curtir muito).

      E os cofres públicos mal e mal sentiriam o impacto……….

      https://portoimagem.wordpress.com/2012/08/23/reurbanizacao-da-praca-daltro-filho-esta-pronta/

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      • Cara, eu to com preguica de passar a fonte, mas no ultimo ano a prefeitura tem reformado MUITA praca. Pelo menos e o que eles dizem, eu nao fui conferir.

        Pra mim o maior atraso eh quando a populacao resolve ajudar a melhorar e a prefeitura vai la e mete uma multa no cidadao que fez aquilo.

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  3. Engraçado que pegaram só o minúsculo trecho dos shoppings e usaram como argumento pra rechaçar algo que não gostam. Que tal ver os demais exemplos citados no artigo? Bibliotecas e escolas de alto nível nas vilas, demolição de partes degradadas da cidade, presença constante de policiais em toda cidade e aumento de salário dos mesmos, punição de crimes menores, melhoria no transporte coletivo. Ou vocês acham que só aumentando as pessoas na rua vai melhorar tudo da água pro vinho? O centro é o bairro mais movimentado, pode até estar longe de ser o mais violento, como o Felipe X disse aí, mas está ainda mais longe de ser um bairro bom. Pessoas nas ruas não resolvem o problema sozinhas… leiam o resto dos exemplos, por favor. É um conjunto gigantesco de fatores.

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    • Concordo em linhas gerais com o que disseste, mas “bairro bom” é subjetivo demais. Ainda mais numa cidade que acha que ao atravessar a Ipiranga automaticamente todos bairros são ruins hahaha.

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      • Tá, mas essa visão aí do “atravessar a Ipiranga é ruim” deve ser de cabeças de ovo, de tão limitada. Bairro bom pra mim seria um bairro limpo, bem frequentado, com ruas arborizadas, prédios conservados, agradável e atrativo pras pessoas. O centro é sujo, mal cuidado, cheio de mendigos, lotado em sua maioria por trabalhadores que o frequentam mais por obrigação ou por pessoas de renda mais baixa que vão em busca das lojinhas populares tipo as da Voluntários (nossa 25 de março ou Saara, comparando com SP e RJ) e arredores, ou em busca de serviços concentrados no centro.

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    • Isso é bem verdade, apesar do título enfatizar o urbanismo, as ações foram em várias áreas. Um detalhe é que em todas ações estava no centro as pessoas.

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  4. Podemos olhar com um fatalismo, pensando: temos mais empreendedores interessados em fazer um shopping center do que centros culturais. Por sinal, imagina que BALA que seria se aquele terreno ali do lado da Lancheria do Parque (av. osvaldo aranha) fosse transformado num centro cultural movimentando mais ainda a região? Infelizmente, o dono optou por um prédio comercial, estilo mais-do-mesmo.
    A prefeitura e as pessoas não tem poder direto sobre a tomada de decisão dos empreendedores. Se eles querem só construir shoppings, fazer o quê. O que podemos fazer?

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  5. Pablo Z os dois exemplos de modernidade citados por ti, Detroit e “minhocão de São Paulo, hoje já são consideradas ruínas arqueológicas da civilização industrial, não podem ser considerados mais exemplos de modernidade. Precisamos de exemplos reais de pós modernidade urbana, uma cidade com bom transporte coletivo, e menos carros, mas aí vamos entrar na cidade utópica. Tem bairros abandonados de Detroit com suas casas e prédios industriais vazios, que já podem ser visitados, como se vista as ruínas de Machu-Pichu. Partes de Detroit são o exemplo do fim da civilização industrial, não só lá é claro, eu vi bairros assim em Milão, no ABC paulista e sem ir longe aqui em Porto Alegre, Navegantes e São Geraldo, são bairros fantasma completamente degradados em relação ao que já representaram em termos de progresso para a cidade. Tá mais que na hora de pensar-mos que cidade queremos para nós, nossos filhos e por aí vai. Enquanto isso o governo baixa o IPI dos carros para atrolhar mais ainda nossas ruas, já faz muito tempo que as grandes cidades brasileiras (e aqui eu falo de Porto Alegre) não tem nenhuma qualidade de vida, é o próprio caos urbano instalado. Não vou querer como exemplo cidades como Estocolmo Barcelona ou Amsterdam, porque aí é covardia, comparadas estas cidades com as nossas seria como comparar o conhecimento técnico-científico de quem tem doutorado com quem apenas terminou o primeiro grau. Mas tive oportunidade de conhecer outras cidades grandes da Europa onde as coisas não são caóticas como aqui, acho que é uma questão de educação, ninguem joga papel no chão e se atravessa na faixa de segurança civilizadamente, mas para nós que vivemos ainda na barbárie (e pelo jeito nunca sairemos dela) chegar nesta cidade moderna ideal está muito longe.

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    • A cidade deste artigo aqui é Bogotá na Colômbia, não uma cidade rica da Europa. Estou convencido que vcs querem tanto falar em shopping e atacar um ao outro que esqueceram do artigo.

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  6. O problema e’ que vcs querem odiar os shopping por que e’ coisa de americano de olho claro capitalista e imperialista. Vcs foram indoutrinados a odiar esse tipo de coisa, nada mais do que isto. Entao qualquer discussao a respeito tem que comecar com a aceitacao de que shopping e’ uma resposta a, e nao a causa das perdas de areas publica. Se o poder publico investi-se em seguranca , limpeza hurbana, educacao’ manutencao e modernizacao do mobiliario publico e transporte as pessoas olhariam diferente para a cidade. Mas nao, nao se pode fazer nada, nao pode limpar muito se nao comecam a chamar de “higienizacao” nao pode construir predios modernos, prq os ventos e gafanhotos entrarao em pane e deuz nos livre se o construtor tiver “lucro” dai querem revolucao. O que querem que as pessoas facam? fiquem em casa sem sair atraz das grades? ficarem caminhando sem ter onde ir feito retardos? caminhar no barro da orla? ser chassinado tentando subir o morro st. tereza? ser assediado por flanelinhas? Primeiro passo seria atacar o crime, mas isto nao se pode fazer prq os bandidos tem direito “adquirido” para estuprar, roubar e matar, dai a coisa fica dificil. Vestir camisetas brancas e sair as ruas chorando PAZ, PAZ, PAZ nao funciona, como vcs podem ver. Montar milicias e’ inceitavel para a populacao entao vcs tem que se tornar em alvos mais dificeis de ser atingido, e sua sobrevivencia aumenta dentro de shoppings!!

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    • Cara, acho que você deve ser filho de pai norte-americano com mãe brasileira (ou vice-versa) e está em crise de identidade…

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      • E se for, a opinião dele vale mais, menos? Tu julga a opinião das pessoas de acordo com a nacionalidade delas? Nacionalidade dos pais? Religião? Cor de pele?

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        • Não, nenhuma das anteriores… apenas percebi que a opinião é típica de quem está em crise de identidade, que sente-se estrangeiro e é visto como estrangeiro aqui e lá.

          Já conheci algumas pessoas com essa crise de identidade. Em geral isso distorce bastante a opinião, as vezes achando que tudo ruim, outras vezes criando preconceitos.

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      • bal bla bla!!!….lei-a oque escrevi e aceite, so’ assim para vcs mudarem!!!
        Deixem de ter tanta raiva da modernidade e verao que as coisas melhoram.

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        • Aceitar se questionar é coisa de regimes fascistas, né não?

          A questão não é ter raiva da modernidade, é escolher qual modernidade se quer. A “modernidade” de Detroit não me agrada nem um pouco, por exemplo.

          Em SP a modernidade era o Minhocão, hoje em dia existe uma forte pressão para demoli-lo.

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    • Concordo com o Phil, apesar dos erros gramaticais e ortográficos. =)

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  7. Enrique Peñalosa, economista e historiador colombiano formado pela Universidade Duke, na Carolina do Norte, e P.h.D. pela Universidade de Paris.

    Oh God, enquanto isso o nosso ex-PRESIDENTE não tinha nem ensino fundamental completo. AONDE vamos chegar???

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