Viaduto Otávio Rocha faz 80 anos, por Adeli Sell

Viaduto Otávio Rocha – Foto: Gilberto Simon

De tanto pensar no aniversário que se aproxima desta bela obra arquitetônica que é o Viaduto Otávio Rocha sonhei que encontrara no domingo pela manhã, os velhos Borges de Medeiros e Otávio Rocha numa banca de jornal. Eles gesticulavam para o Viaduto, quando me aproximei e ouvi Otávio dizer ao velho Borges: “veja o que fizemos há 80 anos, tanto esforço, investimento e tudo se converteu nesta construção acinzentada, suja, degradada, com pessoas dormindo sob seus pilares”. Borges replica: “pois é meu caro Otávio, estou indo para Pasárgada”…

Puxa, uma resposta que nada tinha a ver com a queixa do Otávio, mas me lembrei do Manuel Bandeira que deve ter escrito isto para dizer adeus! E, porque: “Lá sou amigo do rei. Lá tenho a mulher que eu quero (…)”. Isto não só embaralhou minha cabeça, mas me fez acordar. Meio tonto e assustado.

Por proposta minha, desde 2009 festejamos anualmente o Viaduto, belo ainda, apesar de sujo e maltratado. Minha intenção ao propor a instituição da Semana Municipal do Viaduto Otávio Rocha – que passou a integrar o Calendário Oficial de Eventos de Porto Alegre – objetiva sensibilizar e contribuir para a conscientização de conservar este patrimônio histórico e cultural, para que o espaço volte a assumir toda sua magnitude.

A Associação local está propondo algumas atividades que ajudem a renovar o olhar de todos os porto-alegrenses para a beleza e importância deste monumento da cidade. Mas nada vi por enquanto por parte da Municipalidade, apesar das minhas cobranças.

Este monumento da cidade não pode permanecer relegado ao abandono, como se viu nos últimos anos. Tomado por pessoas que fazem do local dormitório, refeitório e banheiro; com infiltrações em suas paredes que deixam água escorrendo por muros e piso; ponto de assaltos em qualquer hora do dia, o viaduto pede socorro! Temos que nos juntar às boas almas do Centro Histórico e às pessoas que pensam a cidade, para um grande momento de reconquista do Viaduto. Por isso, convoco nossas entidades da arquitetura e do urbanismo, como o IAB, ASBEA, SENGE entre outras, a propor uma recuperação do Viaduto.

A rotina apressada dos dias de hoje muitas vezes embaça o olhar. Usamos o viaduto e passamos por ele com tanta frequência que quase esquecemos de vê-lo e admirá-lo. Por isso, é preciso em alguns momentos exercitar o olhar para revê-lo pela primeira vez. Dar o tempo de admirar aquilo que sempre está ali e saber que pode ser muito melhor. A responsabilidade é do Poder Público, mas também de cada um de nós.

Já fui lojista por longos 15 anos no Viaduto Otávio Rocha, vendendo, comprando e trocando livros, revistas e gibis. Tenho saudades daqueles tempos. Mas como o saudosismo não alimenta a alma, é necessário ações novas, ousadas e potentes.

Este é o desafio que faço aos meus concidadãos para salvar o Viaduto Otávio Rocha. Não basta fazer uso do viaduto, é preciso que, por vezes, nos detenhamos para apreciar sua majestosa beleza, para que sua conservação permanente permita que este legado seja transmitido às novas gerações e a todos que visitam nossa cidade. Assim, quem sabe, num próximo sonho não encontre de volta o velho Otávio Rocha, agora com o Alberto Bins, que continuou sua obra, Borges de Medeiros e mais algumas figuras de nossa História. Talvez eu os possa ver acompanhados do Fortunati e Tarso, ou estaria sonhando novamente?

Adeli Sell – Vereador e presidente do PT-POA

Enviado por e-mail pela assessoria de imprensa do Vereador.



Categorias:Patrimônio Histórico

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21 respostas

  1. Exposição de Artesanato em Vidro, Metais e Pinturas no Viaduto Otávio Rocha
    Dentro de um projeto de muito tempo de construção seguindo a iniciativa do incansável ativista cultural Adacir J. Flores (o Flores), responsável pelo Espaço Cultural Qorpo Santo e pela criação da ARCCOV a qual é presidente, tem-se uma iniciativa que aos poucos está dando frutos, apagando a visão de que o comércio deste local vem se banalizando com propostas gratuitas de comércio fácil de qualquer tipo de produto que por vezes em nada se identificam com a proposta original destas lojas oferecidas a preços populares aos profissionais de prestação de serviço, artesãos, consertos, lanches prontos, produtos naturais e acervos discográficos e literários. Dando continuidade à iniciativa cultural agora se dará início à exposição de artesanato nas lojas do Viaduto Otávio Rocha aberta a todos os artistas que queiram divulgar e comercializar suas obras. A exposição se dará na Loja Artesanato São José que só agora começa a se caracterizar como loja de artesanato novamente e a se identificar com o monumento viaduto e o artesanato. A Loja Artesanato São José existe desde 1983 e nestes últimos anos estava distante do propósito cultural e turístico que é o principal objetivo das lojas aqui instaladas. Desde que recebi este espaço venho desenvolvendo um trabalho de transformação do que ali funcionava antes, mesmo tendo igual nome de registro da empresa anterior. Aos poucos fui mudando o lay-out em uma desconstrução e reconstrução do ambiente, de computadores para quadros de pinturas, de máquinas de xerox para obras em metais e obras em vidro, de venda de eletrônicos para obras de arte, até uma consequente mudança dos clientes, já que até então havia comércio de eletrônicos, cópias de DVDs-Cds de filmes e músicas para uso comercial, e clientes a procura dessas ofertas em um lugar que tinha como propósito o apelo cultural artesanal e não um comércio e prestação de serviço irregular, que por vezes poderia até favorecer a pirataria. Em uma reflexão maior ainda vemos que o grande atributo do produto artesanal, além de sua legitimidade direta do criador, é sua contribuição no combate à pirataria. Renascendo para o propósito teremos exposição, inicialmente, no espaço Loja 08 do Viaduto Otávio Rocha aos sábados a partir das 10h, exposição de artesanato em vidro, metais e pinturas, e durante a semana teremos em menor número as obras expostas para venda junto com um atelier de arte gráfica que entre outros produzirá o material de divulgação dos artistas para a exposição e agendará a data para os artistas. Assim, conto com a colaboração de todos para o comunicado aos artistas da existência deste novo espaço e assim vamos alimentando e dando uma cara ainda mais humana e cultural a um dos maiores monumentos da cidade.
    Se você é artista ou conhece algum, avise-o para que entre em contato e agende sua exposição!
    Um abraço
    Luciano Riquezágom (diretor)
    Loja Artesanato São José
    Av. Borges de Medeiros, 740 Loja 08
    Centro Histórico – Porto Alegre – RS
    Fones: 51 3228.3278 – 9360.0903
    E-mail: atelierluciano@gmail.com

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  2. Sinceramente, adoro Porto Alegre, gosto muito de visitá-la, é uma cidade linda, com alto potencial turístico, no entanto, não aproveita o rio que tem, nem (somente em parte) sua belíssima arquitetura histórica, um dos grandes exemplos são que em frente ao imponente Palácio Piratini, sede do Governo do Estado, lembrando que em torno há outros divervos edifícios muito importantes a cidade e ao Estado, há uma praça com um também lindo monumento, todo pichado, mal conservado, e a algumas quadras dali, se encontra o viaduto acima, assim como a cidade, lindo, mas depredado pela população e pelos governantes ruins que elegemos a cada eleição.

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    • Observação: não aceito o termo “depredado pela população”. Essas depredações são uma das coisas que eu mais abomino e pra mim quem faz isso é marginal, não faz parte da população, deveria estar preso e limpando com escova de dente até a pixação sair. Se eu tivesse um rifle de precisão ficaria de tocaia abatendo pixadores na noite.

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  3. Até o Viaduto da Borges poderia ser um SÍMBOLO DE PORTO ALEGRE, por aser algo completamente único e original que nossa cidade tem.

    Outra obras original e que é a CARA de Porto Alegre, todo mundo sabe onde é, é o Centro Administrativo.

    Mas não: sempre aquela caixa do Gasometro, que ainda por cima tem um entorno de dar VERGONHA, com aquele prainha atirada, digna de vilarejo amazonico.

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    • Bah, eu não conseguiria dizer melhor.

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    • Não acho o Gasômetro ruim.Sempre há eventos culturais no seu interior e e à noite tem iluminação cênica;fica bem bonito.Quanto ao viaduto,deixo aqui o meu protesto à prefeitura pela maneira que trata um dos príncipais símbolos da cidade.Se não houver cuidado da administração municipal,aquilo lá vai continuar sendo privada de mendigo.ACORDA PREFEITURA!

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      • O gasometro não é grandes coisas por fora, por dentro acontece coisas interessantes, mas o pavor mesmo fica no entorno dele e o que ele representa.

        Na minha opinião, é claro.

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      • Exato, o Gasômetro cobre bem seu papel, não é feio nem nada, o que destroi é o entorno. Isso que todo turista que eu levo lá acha tudo lindo, inclusive a orla.

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        • Eu acredito que achem o rio lindo, e a orla vista bem de longe. Mas a orla de perto é horrível objetivamente.

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  4. Que tal o blog organizar um encontro via facebook no aniversário dele? Tipo, juntar todo mundo, levar uns cartazes, gritar um pouco etc?

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    • Pessoal, no final de semana vai rolar 24h de viaduto. Apareçam por lá.

      Estarei no bar do meu irmão que está quase sendo inaugurado, o Armazém Porto Alegre.

      Desculpem o Merchan, mas é que tem tudo a ver com o assunto, o bar é um investimento privado que obviamente visa o lucro, mas meu irmão também tem procurado colocar as idéias de publicitário dele para auxiliar a causa do nosso Viaduto.

      Quem quiser saber mais entre em contato comigo no Facebook.

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      • O bar é no Viaduto?

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      • Cara, posta ai sobre isso, por que não um encontro do blog por la?

        Isso pode ser uma oportunidade de dar vida para o viaduto, fiquei faceiro com essa idéia.

        Passa mais informações ai, acho que o Gilberto não vai se importar com essa propaganda, até por que é interessante para a cidade, pro teu irmão,e quem sabe até pro blog? Daria pra fazer uma reunião com o pessoal.

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        • Concordo plenamente. Poderíamos armar esse encontro através do facebook, Lá na página do blog? Que vcs acham Equipe do Blog e Gilberto?

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        • Cara, não vou abusar do espaço, podem me procurar no Facebook que passo mais detalhes.

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  5. Bem que a prefeitura, pessoal da Smam e alguns grandes empresario poderiam ir para a CB beber uma cerveja, tomar um porre e ter uma idéia de bebado genial para salvar a cidade.

    Cuidar do que temos, inovar com o que não temos, fazer uma revolução, né?

    Sei la, tantas pessoas conseguem mudar suas vidas com idéias loucas que aparecem do nada, por que não essa gente que ja tem o principal em suas mãos?

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    • Vou fazer um comentário reaça, mas até o meu discurso pendendo à esquerda tem limite.

      Eu fico de cara com os pseudo-intelectuais-bichos-grilo que se aglomeram no viaduto nas terças e quintas. Até aí tudo bem, tranquilo, sou solidário à ocupação daquele espaço.

      Porém, ainda que eu só veja gente que aparenta ser culta e descolada, no fim da noite o local fica um lixão. Aí eu pergunto: o que tem de “cool” em emporcalhar as imediações do viaduto? Intelectual é o papeleiro que passa depois para recolher o material reciclável. Essa gurizada que fica ali bebendo é porca mesmo, não tem nada de cult ou revolucionário.

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      • Já dizia o outro: “no cult dos outros é refresco”.

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      • Pessoal da Cidade Baixa que ficava bebendo na rua foi pro viaduto?
        sahuahusashuashusa

        EU não sabia que estava nessa situação, ai complica tudo.

        Coloquem um policial pra fiscalizar, algumas lixeiras e ponto, se não colocarem o lixo no lixo, chama a atenção e multa.

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