Algo estranho acontece no RS: empresas tradicionais investem em outros estados

É preocupante a onda de empresas que deixam de investir em RS e rumam para outros estados.

Uma grande quantidade de empresas de grande porte, tradicionais do estado, estão investindo em outros estados. Muitas estão deixando de investir aqui para migrar parte da sua produção para estes estados.

Por que o governo do Estado não tem uma política de retenção de empresas aqui?

Veja alguns exemplos, nos últimos tempos:

  • Dell – foi para Hortolândia/SP
  • Comil – vai investir em Lorena/SP
  • Johnn Deere – vai investir em Indaiatuba/SP
  • Randon – vai investir 500 milhões em Araraquara/SP
  • Indústria calçadista – foi em grande parte para o Nordeste

O Governo Estadual deve refletir sobre os reais motivos da falta de força de retenção destes investimentos e tentar reverter esta tendência.

A última notícia que tivemos foi essa, que saiu na imprensa ontem, 11/12/2012.

Randon anuncia nova planta industrial em Araraquara com apoio da Investe SP

Serão gerados cerca de 2 mil empregos diretos na nova unidade, destinada a produzir vagões ferroviários e semirreboques canavieiros

Para Luciano Almeida, presidente da Investe SP, o investimento é um marco para o futuro logístico do Estado.

Com apoio da Investe São Paulo, a Randon anunciou nesta segunda-feira, 10 de dezembro, a instalação de uma nova planta industrial em Araraquara, município a cerca de 288 km da capital paulista. O anúncio aconteceu no Palácio dos Bandeirantes.

“Um grande investimento que vai gerar emprego e desenvolvimento. É importante para Araraquara, para a região, para São Paulo e para o Brasil”, afirmou o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. “O transporte sobre trilhos é o caminho do desenvolvimento e da competitividade”, completou Alkmin.

O novo empreendimento prevê investimentos de até R$ 500 milhões e deve estar em pleno funcionamento em 2017. “A nova unidade da Randon vai gerar cerca de 2 mil empregos em Araraquara, transformando toda a região por meio da geração de renda. Além disso, esse é um investimento na ampliação do modal ferroviário, um marco para o futuro logístico do Estado de São Paulo”, disse o presidente da Investe São Paulo, Luciano Almeida.

“São Paulo tem grandes projetos ferroviários. Estamos mudando do modelo rodoviário para o ferroviário. E sabemos que os ganhos de eficiência em logística estão relacionados com o sistema multimodal”, adicionou Almeida.

Ele explicou que a Investe SP começou a atender a Randon em junho de 2011, contribuindo para que a empresa localizasse um terreno adequado para atender às suas necessidades de expansão. Para isso, representantes da agência visitaram terrenos, junto com funcionários da empresa, em mais de 15 municípios paulistas.

Entre as cidades avaliadas, Araraquara foi escolhida por ser um polo ferroviário e canavieiro e conta com uma infraestrutura adequada, com acesso ferroviário e rodoviário, além de disponibilidade de mão de obra. Atualmente, a Randon atende a aproximadamente um terço da demanda nacional de vagões de carga, fabricados até agora em Caxias do Sul, cidade que não dispõe de ferrovia.

Outro fato relevante na escolha do local da nova unidade é a vocação do estado paulista para o plantio de cana-de-açúcar. A Randon produz, hoje, semirreboques canavieiros no Rio Grande do Sul, mas o estado não possui safra representativa de cana. Por isso, a empresa optou por passar a fabricar esses implementos rodoviários em São Paulo.

A tendência, então, é que se transfira a produção de vagões e semirreboques canavieiros de Caxias do Sul para o novo complexo da empresa, em Araraquara. A Investe SP também está assessorando a empresa na obtenção das licenças ambientais, nos trâmites tributários e de infraestrutura.

A iniciativa da Randon integra o já anunciado plano de expansão e desenvolvimento 2012/2016 da empresa, da ordem de R$ 2,5 bilhões, que prevê parte dos investimentos em expansões e novos negócios. “Estamos nos estruturando para conseguir manter o ritmo de crescimento histórico das empresas e cumprir com a meta de alcançar um crescimento de receita de 60% até o final do período”, informou o diretor-presidente, David Abramo Randon.

Durante o anúncio de investimento no Palácio dos Bandeirantes, foi assinado um protocolo de intenções a empresa e a Investe SP. Esse documento formaliza intenções e condições, visando à implantação da nova planta industrial no Estado de São Paulo.

“O trabalho realizado pela Investe São Paulo merece reconhecimento pela busca por novos negócios para o Estado e pela assessoria oferecida aos investidores”, disse o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia em exercício, Luiz Carlos Quadrelli.

Já o prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri, ressaltou o compromisso assumido com a empresa de viabilizar o acesso à área onde será construída a nova unidade. “O investimento da Randon trará transformação para Araraquara, lembrando que a cidade tem a ferrovia em sua gênese”, destacou Barbieri.

Também estavam presentes n evento o vice-presidente das empresas Randon, Erino Tonon, e o diretor corporativo da empresa, Luis Antonio Oselame, além de outros gestores da empresa.

Sobre a Randon

O conglomerado de Empresas Randon teve seu início em 1949 e, através de suas empresas, atua nos segmentos de veículos para o transporte de carga, ferroviário e fora de estrada, bem como sistemas automotivos, autopeças e serviços. O complexo é formado por dez empresas, sendo a Randon S.A. Implementos e Participações a empresa controladora e oito controladas diretas: Fras-le S.A., Randon Argentina S.A., Randon Implementos para o Transporte Ltda., Randon Administradora de Consórcios Ltda., Master Sistemas Automotivos Ltda., JOST Brasil Sistemas Automotivos Ltda., Suspensys Sistemas Automotivos Ltda., Castertech Tecnologia e Fundição Ltda, Randon Investimentos Ltda (Banco Randon) e a Randon Brantech Implementos para o Transporte Ltda.

Hoje, a Randon é uma marca de referência global, possui parceiros estratégicos de classe mundial, situa-se entre as maiores empresas privadas brasileiras, possui liderança em todos os seus segmentos e exporta para todos os continentes.

Dentre as empresas congêneres no mundo, as Empresas Randon, em seu conjunto, produzem um dos mais amplos portfólios de produtos do segmento de veículos comerciais, correlacionados com o transporte de cargas, seja rodoviário ou ferroviário. E também produz veículos fora de estrada. A Randon S.A. Implementos e Participações produz semirreboques, reboques, vagões ferroviários e veículos especiais.

FONTE: INVESTE SP

http://www.investe.sp.gov.br/noticias/lenoticia.php?id=17426&c=6



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19 respostas

  1. “destinada a produzir vagões ferroviários e semirreboques canavieiros” A Randon vai produzir aonde tem mercado para este produto, São Paulo tem uma boa malha ferroviária, e grande produção de cana de açucar. Estas carretas que são chamados no Mato Grosso do Sul de “treminhões” (daí já para ter uma noção do tamanho da carreta, são tres semirreboques acoplados no caminhão) levam a cana da lavoura até a usina de produção de metanol/açucar. Fabricar aqui estes produtos e transportar para lá com a infraestrutura ruim de estradas e ferrovias que nós temos seria uma insanidade. E por favor não peçam a “fonte da informação” esta fonte é a minha observação, pois já viajei muito de carro pelo interior de São Paulo, e Mato Grosso do Sul.

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  2. Meu tio tem uma empresa aí, segundo ele os impostos mais caros para seu ramo estão no RS. Por isso ele mantem a cede aí em canoas e em outra parte no PR. Por que não baixar impostas pra atrair indústrias, empresas? Impostos altos fazem isso que a matéria diz. Por que vocês acham que toda a industria calçadista está indo para o nordeste? É aquela questão, eu fico aqui Rio Grande Do Sul por que sou um NACIONALISTA, BURRO ou vou ganhar dinheiro?

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  3. O último a ficar no RS apague a luz, ou melhor a vela, pois nem mais energia elétrica temos…

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  4. Sei que isso é um problema, mas ouço essa história de que o RS vai falir com o número de empresas indo pra outros estados desde que eu me conheço por gente.

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  5. Uma coisa que teria evitado a saída da Dell seria infraestrutura. Hortolândia tem trem até a capital paulista. Enquanto isso, aqui a gente brinca de criar mais secretarias estaduais e o plano de transporte hidroviário da Yeda morreu e ninguém mais fala dele.

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    • A logística foi um dos maiores fatores para a mudança da Dell para SP. Com a fábrica aqui, qualquer entrega tem um prazo de dois dias maior em relação a Hortolândia. E por lá é mais fácil distribuir para a América do Sul, também. De qualquer forma, toda a área administrativa e de TI está no RS, então só mudaram de indústria para serviços.

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  6. Empresas estão saindo e o PIB aumenta.

    http://www.diariodecanoas.com.br/pais/429906/com-desempenho-positivo-rs-apresenta-aumento-de-6-7-no-pib-em-2010.html

    Talvez outras estejam chegando… Alguém tem alguma explicação?

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  7. Acho que muitas empresas vieram para cá imaginando que era fácil navegar pela Lagoa dos Patos e transportar mercadoria para a Argentina e o Uruguai, mas temos só um porto, e a navegação pela Lagoa dos Patos é desprezível. Não há ferrovias e os pedágios são caríssimos.

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    • Pablo, eu acho que uma empresa se estabelece em algum lugar analisando fatos e estudos de mercado, e não baseado em “imaginações”… É muito mais profundo que isso.

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      • Na real algumas delas vieram por causa das benesses fiscais e assim que elas acabaram, desapareceram. Foi o caso da fábrica da dell.

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  8. Dell – ?

    Comil – ?

    Johnn Deere – vai investir em Indaiatuba/SP
    (CRISE NA ARGENTINA, MERCADO MAIOR EM ESTADOS COMO GOIÁS, FICARÁ PRÓXIMA AO FUTURO MAIOR AEROPORTO DA AMERICA LATINA (VCP)).

    Randon – ?

    Indústria calçadista – foi em grande parte para o Nordeste
    (DOLAR FLOPOU AS FÁBRICAS POR AQUI, MESMO EM ALTA NO MOMENTO, A MÃO DE OBRA NO NORDESTE É MUITO MAIS BARATA)

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    • Realmente… concordo com tudo. No caso da Randon, o que ouvi falar é que o governo do estado não investi na Serra porque “eles são ricos” e “investem” na metade sul que “são obres”. Mas muitos desses investimentos estaduais é para o setor primário (agro-pastoril), então é natural que as empresas da Serra busquem quem investe mais.

      Tem muita prefeitura da serra que busca recursos direto em Brasília porque sabe que com o estado não se consegue nada.

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    • A Comil é por uma questão de logística, tem um grande número de clientes no sudeste…

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  9. Nosso Estado deve ter problemas mesmo, mas… parece-me natural que as empresas invistam em outros Estados, outros países. Não sabia que a Dell era uma empresa tradicional no RS.

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  10. Além do problema da infra-estrutura indicada no artigo, eu colocaria que os governos estaduais e municipais estão cheios de gente mamando encarecendo os impostos e minguando. E veja que tivemos o choque de gestão da Yeda e continuou cheio até o talo. A prefeitura de PoA, mesmo depois da administração fo-fo, que não são de esquerda que tradicionalmente incham o poder público colocaram CCs até não poder mais.

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