Bonde histórico tem novo traçado aprovado

Imagem: ZH

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Estudo de viabilidade indica melhor opção para Bonde Histórico

Apresentado em audiência pública nesta sexta-feira, 14, na Câmara de Vereadores, pela Secretaria Municipal de Turismo (SMTUR), o estudo de viabilidade para implantação do Bonde Histórico em Porto Alegre indicou, entre as opções avaliadas, um percurso de 3,8 quilômetros para a linha turística, com paradas ao longo do percurso e seis viagens diárias por veículo, de terças a domingos. O trajeto tem saída do antigo Abrigo de Bondes, ao lado do Largo Glênio Peres, seguindo pela rua Sete de Setembro com retorno ao ponto de partida pela avenida Duque de Caxias e rua Vigário José Inácio.

Entre as três opções de veículos para a operação, a escolha foi pela restauração de dois bondes originais, de propriedade da prefeitura, com modernização do sistema de alimentação dos veículos utilizando motores a bateria, de baixo consumo de energia e menor custo que o sistema tradicional, que utiliza cabo aéreo. Os dois bondes para a operação do roteiro são o 123, que está na Carris, e o 113, abrigado no Museu João José Felizardo.

Trajeto

Realizado pelo consórcio formado pelas empresas Quanta Consultoria Ltda e a Água & Solo Estudos e Projetos, vencedor da licitação feita pela SMTUR no valor de R$ 308.693,00, o estudo de viabilidade técnica e socioeconômica analisou dois trajetos para a linha do bonde. Um deles foi o apresentado no próprio edital de licitação como proposta preliminar, que tinha como eixos principais as ruas Sete de Setembro e Andradas, num total de 3,2 quilômetros. O percurso que tem como eixos a rua Sete de Setembro e a avenida Duque de Caxias, escolhido como o mais indicado, não só contempla os atrativos do primeiro como amplia o número de locais de interesse turístico, além de produzir menor intervenção da recém-revitalizada Praça da Alfândega. De 20 atrativos do Centro Histórico, o roteiro que inclui a região da Praça da Matriz contempla 19, enquanto o outro roteiro passaria por 12 deles. O roteiro também resgata um aspecto da cidade antiga, que é a divisão da parte alta e baixa de seu núcleo original.

O trajeto apontado pelo estudo foi indicado como preferido por turistas e moradores da Capital em pesquisa realizada pelo consócio responsável pelo estudo. Realizada entre 28 de outubro e 2 de dezembro por meio de entrevistas no Centro Histórico, Brique da Redenção, Parcão, passageiros do Linha Turismo e frequentadores da Feira do Livro, a pesquisa constatou que o trajeto que inclui a Duque de Caxias com seus atrativos culturais, históricos, arquitetônicos e turísticos foi o preferido por 73% dos entrevistados. A opção pelos bondes originais modernizados teve aprovação de mais de 96% das pessoas ouvidas na pesquisa. O roteiro e a escolha dos veículos foram também aprovados por todas as áreas técnicas da prefeitura que acompanham o projeto do Bonde Histórico. Previamente consultados, IPHAN, IPHAE e Projeto Monumenta também indicaram o projeto.

Modais

O estudo de viabilidade, iniciado em julho deste ano, ainda avaliou o impacto ambiental do projeto, as possíveis alterações de trânsito bem como a integração da linha do Bonde Histórico com as demais iniciativas de revitalização do Centro Histórico e com os outros modais turísticos existentes, como o city tour Linha Turismo, que tem pontos de parada no Centro Histórico, e os passeios de barco no Guaíba que parte do Cais Mauá e Cais da Usina do Gasômetro.

O consórcio buscou referências em cidades como Santos (SP), Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ) e Lisboa (Portugal), que contam com linhas de bonde de uso exclusivamente turístico ou combinado como transporte urbano. Para Porto Alegre, a proposta é de transporte unicamente turístico para o Bonde Histórico. A tarifa sugerida pelo estudo de viabilidade para os passeios de bonde é de R$ 20 para uma ocupação de 33% dos 32 assentos mais os espaços reservados para cadeirantes e pessoas obesas.

O grupo de trabalho que acompanhou o projeto é integrado pelas secretarias municipais de Planejamento, Obras e Viação, Cultura, Acessibilidade e Inclusão Social, Meio Ambiente, Fazenda, Turismo, do Gabinete de Planejamento Estratégico, da Procuradoria Geral do Município, da EPTC, Dmae, DEP e Carris.

De acordo com o secretário municipal de Turismo, Luiz Fernando Moraes, o próximo passo será o lançamento de edital de licitação para a contratação do projeto executivo que dará base técnica para a implantação do Bonde Histórico, definindo também seu custo final estimado em R$ 25 milhões pelo estudo de viabilidade. Para este estudo e o projeto executivo os recursos são do convênio firmado com o Ministério do Turismo, por meio do Prodetur, no valor de R$ 1,2 milhão.

Prefeitura de Porto Alegre



Categorias:Bonde histórico, Meios de Transporte / Trânsito, TURISMO

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16 respostas

  1. Bah, esta história do Bonde Turístico já fez quantos aniversários?

    A criança estaria com quantos anos? Estou ouvindo esta história faz muito tempo.

    Não acredito que os donos de empresas de ônibus estejam interessados neste projeto, se estivessem o Bonde já estaria rodando faz tempos, é só ver o ônibus turístico, faz horas que ele existe.

    Falam neste projeto e depois ficam um tempão engavetado, depois voltam a falar, e depois
    é a mesma lenga-lenga, a mesma coisa.

    Se fosse para os empresários de donos de emporesas de ônibus lucrarem eles estariam em todas as antigas linhas, o negócio é, quem vai lucrar, se os poderosos não lucrarem, fica no papel e assim fica neste chove mas não molha.

    Qual seria o valor da passagem, alguém poderia informar-me?

    Se é o que como comentam, que para dar uma volta a passagem seria muito cara, tipo
    espanta-povão, pra que então inventar o tal bonde? Para a elite usufruir e os pobres chuparem os dedos?

    Estou mencionando isto porque dizem que as passagensa seriam diferenciadas, em Santos e no Rio, no momento paralizado, as passagens são caras?

    Então é mais garantido e fácil economizar um ano, comprar passagens e viajar à Portugal, daria para conhecer a terrinha, uma viagem que marcaria a vida de qualquer um, e lá com certeza dá para andar de bonde, e o turístico, eles existem em todos os lugares, e não só em Portugal, em toda Europa.

    Este projeto é só pra inglês ver, não sacaram? Esta história, desculpem-me, estou lendo faz horas, e já me encheu o saco,

    Se acreditam em papai noel, coelhinho da páscoa, tudo bem.

    Com está o andar desta carroagem, acho que daqui há uns dez anos ainda estarão estudando para ver se dará para implantar ou não o tal Bonde Turístico.

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  2. Quando se fala em bondes diferentes em mesmos trilhos, há de se pensar em bondes com a mesma distancia entre as rodas para correr sobre os trilhos e mesmo sistema pantógrafos de coleta de uma mesma corrente elétrica. Não sei da solução encontrada pelos Italianos, mas isso parece algo acima da competência de nossos conterrâneos. Jorge, não estaremos almejando muito? O que importa agora é ser feliz, os 25 milhões já foram empenhados…

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    • Ainda, é mais fácil construir uma réplica para andar num sistema de trilhos e de captação de energia contemporâneo do que o inverso. Fazer bondes modernos rodar sobre um sistema de trilhos e captação de energia concebido no século passado!

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  3. Em Milão e Roma, bondes (VLT) novos aerodinâmicos dividem os trilhos com bondes antigos (1929) amarelinhos iguais aos antigos bondes da Carris. E funciona muito bem.

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  4. Uma terceira e última observação: custo estimado do projeto é R$ 25 milhões, para construir 3,2 km de via singela. Assumindo que o custo de uma via dupla seja o dobro mais um pouquinho por quilômetro, teríamos algo como R$ 20 milhões por quilômetro. Isso é dez vezes mais barato que o metrô.

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  5. Que conste: o traçado é interessante, do ponto de vista das atrações turísticas, e menos incômodo à movimentação natural do que o anteriormente proposto, que percorreria a Rua da Praia. Agora, resta saber o que pretendem fazer para instalar esses trilhos. Vão tirar estacionamentos da Duque? Pra fazer algo que passa 6 vezes por dia? Esquisito demais.

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  6. Também gostei do trajeto…

    E se os trilhos fossem usados por bondes normais com o TRI, mas em certos horários houvesse o bonde histórico?

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    • Pois é, essa seria uma alternativa super viável pra mim. No horário de pico (9h e 18h) bota um veículo decente, com passagem normal (TRI), e nos horários de baixa demanda deixa os turísticos circularem.

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  7. Concordo, não é bom senso a instituição de uma linha de bonde com fim esclusivamente turistico ou lazer. Uma tarifa de R$25,00 reais além de absurda poderá ser insuficiente para cobrir despesas de manutenção, sem falar ao retorno ao investimento público. A instituição do Bonde deve se agregar a malha de transporte público como alternativa de deslocamento. E trazer de volta bondinhos dos anos 60 é o fim da picada. Quanto ao trajeto proposto bem que poderia ser ampliado até o centro administrativo e até a Impependência, descendo a Cel. Vicente, um trajeto de substituição a linha C1 da Carris.
    Porque não bondes com tecnologia atual, os turistas iriam adorar o toque diferenciado de transporte na cidade!

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    • Considerando as inspirações de que se utilizaram, e que eu conheço (Lisboa e Porto), ambos utilizam de bondes velhos mesmo, do tempo do epa, dando esse toque turístico.
      Mas os bondes são plenamente utilizáveis com o cartão de transporte público e são até mais baratos que ônibus, visto que cobrem uma distância menor do que linhas de transporte público geralmente fazem.
      Me pareceu que eles consideraram umas 2 viagens por dia, para dar 33% de ocupação. esse estudo de viabilidade de 20 reais não é viável pra ninguém pagar, sinceramente. Se houvesse mais horários (tipo de hora em hora) e fosse integrado com a linha de transporte público, creio que seria viável.
      Mas como o estudo de viabilidade foi feito a partir da premissa da não integração, nem se considerou essa possibilidade e saiu R$20,00. Parece até de propósito.

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      • Lisboa e Porto, velho mundo, acredito que lá não foram reintroduzidos, mas conservados. Estão bem dentro de um contexto. Mas ressuscitar bondes velhos e instituir uma oficina para sua manutenção é mais, e muito mais oneroso do que adquirir e manter uma tecnologia contemporânea. Mas isso sei, é conversa fora, o projeto Bonde Histórico e seu trajeto já é voto vencido! O que quero ver é sua sustentabilidade, pois o custo de sua implantação já está morto.

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  8. Não gostei desse propósito unicamente turístico. Parexe um elefante branco que ficará parado a maior parte do tempo e se deteriorando. Não precisa ser os centavos do bondinho de Sta. Teresa no Rio, mas poderia custar um valor mais alinhado aos preços do transporte público. Também faltou analisarem como implantar o bonde de forma a conviver pacificamentr aos outros meios de transporte público e privado.

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  9. pena que em nenhum momento da pesquisa perguntaram se as pessoas gostariam que o bonde tivesse TRI. Não consigo entender qual o mal que faz integrar o bonde na malha de transporte público da cidade.
    Se eles realmente forem até Lisboa viram que os bondes são utilizados pela população, também.
    Quanto ao trajeto, estou de pleno acordo. Eu inclusive utilizaria para ir ao gasômetro no fim de semana

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    • Tu viu o valor da passagem? Isso não tem nenhuma viabilidade para uso da população em geral.

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      • Comentei mais abaixo, mas os pontos principais são:
        1) Partiram da premissa da não-integração, ou seja, matou o público que seria grande certamente para o uso.
        2) minha opinião, no chutômetro, é de que se fosse de hora em hora, e integrado, a viabilidade dele chegaria fácil no preço normal do ônibus (vide exemplos de Lisboa e Porto).

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    • Em San Francisco os bondes e cable cars são usados pela população local como meio de transporte.

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