Artigo: Vou de táxi?, por Artur Garrastazu Gomes-Ferreira

O problema dos táxis em Porto Alegre é sério. Foto: Gilberto Simon

O problema dos táxis em Porto Alegre é sério. Foto: Gilberto Simon

É incrível como o porto-alegrense simplesmente não reage à uma insuportável opressão: somos reféns inertes da reserva de mercado imposta pelos taxistas. Não é de hoje que basta uma chuvinha, ou um evento que seja um pouco mais concorrido e já não se consegue um táxi. No aeroporto, é só chegarem dois voos no mesmo horário para que a fila de espera torne-se um verdadeiro inferno. No centro da cidade, tenho a sensação que já há uns três anos um táxi após às 18 horas é um artigo inexistente. Mais recentemente, com o endurecimento da Lei Seca, garantia de táxi aos finais de semana à noite só combinando com algum motorista “conhecido” na véspera. E aí o pote entornou, de vez: acabamos cada vez mais optando por ficar em casa, renunciando ao lazer noturno, sepultando o saudável hábito de convívio com os amigos nos bares e restaurantes, eis que a opção pela saída às ruas da cidade degeneraria, obrigatoriamente (pela falta absoluta de táxi) na burla da lei. Basta! Chega! É simplesmente inadmissível que esta situação persista.

Todos sabemos que há um milionário “mercado-negro” de venda de placas de táxi; diz-se que os “negócios” oscilam aí na casa do meio milhão de reais. Ora, se existe “mercado-negro” de venda de placas, é de uma obviedade ululante que há falta de táxi na cidade. É uma conclusão que se impõe, de forma quase que fisicamente palpável! Despudoradamente, contudo, o Sindicato dos Taxistas e a EPTC (sabe-se lá o porquê…) afirmam o contrário.

A única forma de se por fim à hipocrisia será entregar ao mercado a aferição do número ideal de táxis rodando na cidade. Que se inicie já a concessão de novas licenças, evidentemente que para veículos com condições para tanto e motoristas devidamente habilitados para o exercício da função. O número necessário destas novas licenças, certamente ninguém o sabe ao certo. Portanto, que as liberações sejam constantes e permanentes, todos os dias, até o momento em que, pelo eventual excesso de veículos que possa vir a haver, não haja mais pessoas com interesse em buscar licenças. E então, como num passe de mágica, teremos nas ruas o número adequado de táxis! A adoção desta solução, contudo, passa obrigatoriamente pela decisão de privilegiar o consumidor em detrimento de um pequeno grupo de abençoados pelo privilégio. Com todo o respeito aos respeitáveis taxistas de nossa cidade, o foco que se deve é no interesse do consumidor, da população. Que enfim possamos, quem assim o queira, ir de táxi!

*Artur Garrastazu Gomes-Ferreira é advogado.

Enviado por Sabrina Ortácio Comunicação

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22 respostas

  1. Vivemos sob a ditadura da acultura da superficialidade? Boas intenções sendo usadas como justificativa para a imobilidade urbana, e outros paradoxos… Pessoas bem intencionadas são anuladas simplesmente por serem jogadas, umas contra as outras, através de preconceitos, bullyng, difamações, assédio!
    Para completar a teia de paradoxos com que o processo de pensamento é anulado, professores e outras atividades importantes para disseminar a cultura e a paz social COMO AS ARTES MARCIAIS são aviltados e infamadas enquanto os politicorruptos e as pessoas superficiais (como os big brothers, jogadores de futebol, e toda sorte de fuleiras que exibem o corpo) a mídia noticia que eles se “dão bem”:
    O que é isso? uma inversão de valores que estimula a Acultura e a INdecência!
    Leia mais em http://www.padilla.adv.br/processo/tgp/

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  2. A Balada Segura nos levou a usar o transporte inseguro!
    Concordo que a bebida é um PERIGO no transito, agora entrar num táxi onde o motorista não tem obedecido as leis básicas de transito, não usa cinto e nem sei se muitas vezes não ingeriu alcool, torna a balada mais insegura para o passageiro!
    Já andei tarde da noite a 100 Km/h, com um taxista ultrapassando pela direita no paralelepipedo da Borges!!! Peço para baixar a velocidade? Me arriscar ao cara não gostar, pois detestam voltar vazios da Zona Sul, e me largar no Marinha como ja ocorreu com conhecidos?
    É! Somos reféns inseguros destes “concessionarios”!
    Sugiro tacografo, blitz e pesquisa de opinião dentro do táxi. Infringiu a lei, caça a concessão e assim melhoramos a qualidade e segurança do serviço!

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  3. Engraçado que principalmente à noite, em cada esquina existem dois ou tres taxis parados à espera de passageiro. Igual aos horários antes e depois do dito ” horario de Pico”, há taxis sobrando. O acumulo de pessoas num mesmo horario, como citado, quando chegam dois voos no aeroporto, ou vários onibus na rodoviaria, não há como suprir, seria como chegar a um restaurante ao meio dia e querer mesa vaga, não se consegue. O taxi, como transporte SELETIVO que é, não pode ser criticado, pois só se lembram que existem taxi em certos horarios, e no restante do dia ou noite, usam ônibus ou carona com amigos. Porque não reclamam que não há onibus ou lotações, será que este segmento, por ter maior poder financeiro não pode ser questionado?

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