Grupo independente quer transformar Cidade Baixa em distrito cultural

Por Ramiro Furquim/Sul21

Rachel Duarte

Com mais de meio século de história, o bairro adotado pela boemia porto-alegrense exala cultura por todos os poros. Ou ao menos, exalava. Característico pela arquitetura antiga, com prédios históricos e casario da época das baronesas, escravos e italianos que viviam no Rio Grande do Sul, a Cidade Baixa está sendo gradativamente modificada pelos interesses do mundo moderno. As principais consequências são apontadas pelos comerciantes, produtores culturais e frequentadores do bairro. Alguns indignados com o horário de fechamento dos bares, com a venda de casarões para a construção de espigões comerciais e com a modernização dos estabelecimentos comerciais que destoam dos tradicionais botecos e botequins do bairro reivindicam o tombamento do local como Distrito Cultural.

O movimento pela legislação municipal que garanta ao bairro gaúcho o mesmo título de patrimônio histórico e cultural que tem a Lapa, no Rio de Janeiro, iniciou durante as eleições de 2012. Em meio aos debates sobre a cidade com as candidaturas à Prefeitura de Porto Alegre e a Câmara de Vereadores uma frequentadora assídua da Cidade Baixa passou a articular amigos e expor a necessidade de um projeto de lei neste sentido. “O movimento foi muito espontâneo. Sou frequentadora do Bar Zelig há pelo menos 26 anos. Acompanhei os reflexos da imposição da Lei do Silêncio pelo antigo secretário (Valter Nagelstein) no ano passado e percebo o quanto as coisas mudaram depois daquilo”, conta a aposentada Clarisse Muller.

Organizadora da tradicional festa da literatura em Porto Alegre, a FestiPoa, Clarisse não se conforma com as mudanças ocorridas no bairro. “Nós não temos nem como levar os convidados e visitantes do evento para apreciar a música ao vivo e toda a pluralidade cultural que a Cidade Baixa oferece. Quando as palestras e atividades encerram, já é próximo da meia noite. Hora de recolher no bairro”, comenta Clarisse, que também fundou o movimento de resistência ao fechamento dos bares no bairro Bom Fim na década de 80.

Por Ramiro Furquim/Sul21

 

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25 respostas

  1. Façam o que quiser, desde que deem um trato nas ruas comerciais principais (Lima e Silva, República e João Alfredo?) com fiação aterrada, calçada padronizada e asfalto refeito (de preferência recuperando o paralelepípedo enterrado).

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  2. @ Gilberto…vc realmente nao sacou a ironia…..
    Por acaso eu falei em elitizar o local?
    Eu nao tenho nada contra as varias tribos que frequentam o bairro.

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  3. Querem transformar a regiao?
    Comecem por enterrar essa fiacao horrivel e padronizem as calcadas….e depois coloquem todos esses ecoxiitas-hippies da foto acima no 1o voo pra Cuba.
    Thank you!!

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    • Gerson, tem que se respeitar as pessoas diferentes de nós. Eu particularmente ADORO a Cidade Baixa como ela é e a frequento regularmente. Frequento os cafés/bares da República e locais como Pedrini, Cotiporã, Cavanhas, Pinguim, Só Comes, etc. Não quero ela um bairro sofisticado, e nem quero que mude muito. Vai perder toda graça. E eu NÃO SOU HIPPIE! Mais cuidado no que tu fala por favor. Estou plenamente de acordo com os manifestantes da foto. Imagina a região ali da Lima e Silva cheia de prédios como o polêmico Spot…e cheio das frescuras de zona de rico…. é o fim!

      CADA BAIRRO DA CIDADE TEM SUAS CARACTERÍSTICAS. QUER BARES SOFISTICADOS, VAI PRA PADRE CHAGAS/MOINHOS. QUER BARES MENOS CAROS, VAI PRA CIDADE BAIXA.

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      • Acho que o mais legal da Cidade Baixa é essa salada de frutas de estilos

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      • Acho que isso eh uma tendência natural, de os estabelecimentos comerciais irem melhorando e se qualificando. E os bares novos estão sempre cheios, sinal que o pessoal gosta de freqüentar. Mas o bairro ainda comporta bares pra tomar litrao a R$ 3,00.

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    • Resumindo, o movimento quer mandar gente preconceituosa longe de lá, como alguns que comentam aqui 😀

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  4. Pedrini … arrego …Nihcec .

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  5. O que significa tombar? O que nao podera mais ser modificado? Qual eh a “modernizacao dos estabelecimentos comerciais” que querem proibir?

    Fiquei com medo dessa materia. Olha, pra um monte de coisas nessa cidade, temos que abracar o custume de incentivar, e nao proibir.

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    • Eu entendi como uma tentativa de manter a cidade baixa como reduto mais alternativo, indo contra a pasteurização do bairro. Quando vês que tem ali bares como o Pedrini e lanchonete como a subway é sinal que a coisa tá mudando 🙂

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      • Exato Felipe. A Subway ali na República me da um mal estar … Já o Pedrini, está dentro do padrão do bairro. Ele é dos tradicionais da cidade. Está há décadas na Venâncio Aires. Se ele está se multiplicando pela cidade, aí é outra história. É sinônimo de sucesso. Mas não compara o Pedrini com a Subway.

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      • Me desculpa, mas discordo. O Pedrini já foi bar tradicional. Aquele ali da Lima e Silva mesmo é um barzão barulhento com decoração bem de barzinho genérico para classe média-alta.

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        • A beleza da cidade baixa é a convivência entre todos os tipos de público, tem bar para o pessoal que quer pagar mais por um LCD e ar condicionado e pro cara que só quer uma cerveja gelada, numa mesa da skol.

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        • É verdade. Esse processo de padronização se iniciou há uns 5 anos, quando o Pedrini se instalou na Lima e Silva. De lá para cá, a grande maioria dos bares apresenta uma arquitetura muito parecida.

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  6. Morreu? hehehe sei lá, curto alguns lugares, tipo A Virgem na cidade baixa.

    Gostei da idéia de controlar as intervenções nos imóveis, etc. A fixação de brasileiro por festas que vão até o amanhecer eu não entendi quando era guri e não entendo hoje.

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    • Vai ver porque não existe transporte coletivo na madrugada? São poucas as linhas, principalmente para as zonas mais afastadas.

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    • Por mim morreu, ao menos eu e as pessoas que eu conheço vão em noites assim, não só em festas, mas em bares e pubs tambem.

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      • Talvez tenha diminuído o movimento nos bares da rua João Alfredo, bem mais problemáticos. E o local em que a Smic mais agiu. Mas nos outros lugares, continua normal. Continua ótimo. O acordo dos horários ficou bom para os bares e para os frequentadores.
        Talvez justamente o ponto que tu frequentava. A João Alfredo.

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  7. Booa… a noite de Porto Alegre morreu mesmo, ta horrivel de achar algo pra fazer, que não seja ir nessas Farms e becos da vida.

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    • Não morreu não.Acontece que as festas mais “disputadas” não são divulgadas entre o povão em geral.Além disso,nenhuma festa de POA acontece nas calçadas,mas em lugares fechados,o que passa despercebido para para a maioria da população.

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