Museu de Arte do Rio Grande do Sul pode fechar as portas

Problemas com sistema de ventilação e desgaste nas obras em exposição ocorrem há um ano

Falta de climatização prejudica obras e funcionários e pode acarretar no fechamento do museu  Crédito: Ricardo Giusti

Falta de climatização prejudica obras e funcionários e pode acarretar no fechamento do museu Crédito: Ricardo Giusti

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) poderá fechar nos próximos dias. Com o ar-condicionado das pinacotecas funcionando de forma intermitente e o do acervo técnico estragado há mais de um ano, a orientação de cerrar as portas, até que uma providência seja tomada pela Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), é da Associação dos Amigos do Margs (AAMargs). “As obras estão sofrendo desgate e os funcionários estão pedindo para deixar de trabalhar por causa do calor dentro do prédio. Além disso, o público entra e não consegue apreciar a exposição”, revela a presidente da associação, Beatriz Fleck.

O ar-condicionado das pinacotecas há seis meses funcionava de forma alternada. “Nos dias que para de funcionar, são enviados técnicos que não resolvem o problema. A Sedac justifica argumentando que há dificuldades administrativas, como a de realizar a licitação para o conserto”, comenta Beatriz. Ela salienta que se nada for feito pelo governo, a associação pretende promover uma campanha junto às empresas privadas para realizar o conserto dos aparelhos. O curador José Francisco Alves acrescenta que o acervo da instituição, composto por mais de 3 mil obras, corre risco ao ser exposta à alta temperatura.

O diretor do Margs, Gaudêncio Fidelis, pontua que a preocupação com as obras e o bem-estar dos funcionários é imensa. “O museu está próximo de um colapso, sem a climatização. Estamos tendo reuniões com a Sedac para resolver o problema, mas isso já se arrasta há um ano”, confessa. Ele recebeu a orientação da AAMargs e acredita que, se a temperatura subir muito nos próximos dias, a solução será fechar o museu. Penalizado, é resistente a atitude extrema, pois acabaria prejudicando a exposição, em cartaz, “ Cromomuseu”. A Sedac, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que espera que tudo esteja resolvido em dez dias e adianta que está providenciando a compra das peças de reposição para o conserto do ar-condicionado.

Notícia do dia 9 de janeiro de 2013 – Correio do Povo

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Categorias:Abandono, Descaso, Patrimônio Histórico

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11 respostas

  1. Sempre assim. Parece que não existe manutenção nem prevenção nessa cidade. Tudo funciona até estragar, até entrar em colapso. Então, quando estraga, é mais uma burrocracia para resolver.

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    • Nos EUA há uma cultura de museus privados…
      Lá, grande parte dos privados são gratuitos (Getty Center, Smithsonian,…) enquanto os poucos públicos frequentemente são pagos.

      Sou contra museus públicos, por mim podiam privatizar o Margs.

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  2. Bem, este museu é estadual eu acho, Mateus. Mas é de chorar mesmo, notei o calor final de semana retrasado.

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  3. triste

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  4. Olhei de relance e me lembrou o Grand Central Terminal.

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  5. Eu não acredito que estas coisas aconteçam. Não se preserva nada nesta cidade. É como eu sempre digo não existe MANUTENÇÃO de nada neste Estado.
    O que vão fazer com o MARGS fechar e deixar o tempo corroer o resto?
    Não existe um Diretor que administre o Margs. Não existe alguém que veja que algo estragou e mande consertar.
    Afinal gente o que esta acontecendo?
    Certa vez fui com minhas netas ver uma exposição no MARGS, tentei tirar uma foto delas nas escadarias e o segurança não deixou. Tanto zêlo para nada, cuidaram que não se fotografasse para a posteridade mas não cuidaram do essencial….que é a manutenção de um prédio tão lindo e de suas obras. Meu Deus aonde estamos?
    Assisto minha cidade morrer um pouco a cada dia….

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  6. É o governo do Tarso querendo destruir uma realização do Britto.

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  7. vergonha

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  8. Existe o péssimo hábito no RS de que tudo que for ligado a cultura tem que ser gratuito, como se a arte não fosse algo digno de ser pago. Se você vai a São Paulo, no MASP, na Pinacoteca, no Museu da Língua brasileira, vc paga ingresso.

    Em novembro paguei 6 reais para entrar na Pinacoteca de São Paulo, uma mixaria, e vi obras de grande qualidade que são mantidas com esses 6 reais que paguei.

    Pessoal aceita pagar isso em estacionamento de shopping mas acha um absurdo pagar para o museu. Pessoal reclama que livro é caro, mas vai na balada e gasta 200 pila em whisky com energético. Enfim…temos o que merecemos.

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  9. Ah. Mas para os Cargos de Confiança e aumento dos salários do alto funcionalismo há dinheiro. Talvez seja pq o “povo” não se interessa por cultura.

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