O Rio começa a demolir o elevado da Perimetral

Prefeito Eduardo Paes comandou, na madrugada de terça-feira (5), os trabalhos de remoção da primeira viga de aço da rampa da Perimetral, na região portuária

Remoção da primeira viga da rampa da Perimetral  créditos: Divulgação / Prefeitura do RJ

Remoção da primeira viga da rampa da Perimetral créditos: Divulgação / Prefeitura do RJ

A operação, que participa das obras de revitalização do Centro do Rio de Janeiro, começou às 23h da segunda-feira (4), e foi realizada durante toda a noite para gerar menor impacto no trânsito.

Ela dá início ao processo de demolição do elevado da Perimetral. O viaduto ficou interditado nos dois sentidos das 23h às 5h, para a operação de transporte da viga, que tem 40 metros, 22 toneladas e é a primeira das 1.008 peças que serão retiradas. A Avenida Rodrigues Alves foi interditada da altura da av. Professor Pereira Reis até a av. Barão de Tefé, sentido Centro.

“Hoje é um dia histórico para a cidade. A Perimetral degradou muito a Região Portuária e colaborou com a degradação de todo o Centro da Cidade. Por isso, sua demolição é simbólica nesse processo de revitalização do Centro do Rio de Janeiro. Uma cidade que não tem um Centro funcionando é uma cidade sem alma, e a retirada dessa viga representa um pouco a retomada dessa alma”, disse o prefeito Eduardo Paes.

A primeira etapa da operação contou com o içamento da viga por um guindaste de 400 toneladas, 50 metros de altura e 20 metros de comprimento. Após esta etapa, o material foi transportado por uma carreta do tipo Dolly até um terreno da Prefeitura do Rio, conhecido como Acesso Novo ao Porto, na Prefeito Júlio de Moraes Coutinho, em Manguinhos, distante 6,5 quilômetros do local da retirada da viga. As peças permanecerão à disposição para reaproveitamento em obras da cidade. O procedimento de retirada e transporte das vigas, que teve início nesta madrugada, será suspenso durante o carnaval e retornará no dia 18 de fevereiro. Ao todo, a rampa tem 12 vigas.

Operação

A operação total envolve cerca de 80 funcionários da Concessionária Porto Novo, entre engenheiros, técnicos de segurança, área de suprimentos e mecânica. A retirada do concreto para o isolamento das vigas começou no fim de novembro de 2012. O primeiro serviço executado foi a desenergização da rede elétrica de iluminação. Em seguida, um equipamento especial com tecnologia de fios de diamante iniciou o corte do concreto com apoio de máquinas tipo picaretas.

Reaproveitamento do material

Todo material retirado da Perimetral está em condições de reaproveitamento. Nesta rampa, foram retirados 3.213,14 m³ de concreto, o que significa aproximadamente 400 betoneiras do material. Este concreto passará por uma máquina. E após ser britado, poderá ser reutilizado na pavimentação das vias da região. Também foram retirados 123 caminhões de solo e argila desta rampa que poderão ser igualmente reaproveitados. Entre estruturas metálicas e aço, a concessionária Porto Novo removeu 580 mil Kg de material passível de reutilização.

Etapas da demolição

A remoção do Elevado da Perimetral teve prazo alterado para julho de 2013 para não coincidir com o calendário de eventos da cidade, como a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude. A Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu adotar diferentes métodos de remoção, de acordo com as características de engenharia de cada trecho apontadas por estudos. Assim, serão utilizados três métodos para a retirada do elevado: Implosão (com uso de explosivos em detonações controladas), Desmonte (quando a estrutura é removida em partes) e Demolição (com utilização de máquinas e equipamentos).

Da Rodoviária Novo Rio à Rua Silvino Montenegro, o método será por implosão. A opção garante a liberação do trecho ao tráfego com maior velocidade. Enquanto isso, os dos trechos entre a Rua Silvino Montenegro e a sede da Polícia Federal e entre o Píer Mauá, a decisão dos engenheiros foi pelo desmonte. Na área compreendida entre o prédio da sede da Polícia Federal e o Píer Mauá, o processo adequado é o de demolição. As medidas garantem aceleração na retirada da Perimetral e na reabertura para o tráfego.

Nova mobilidade urbana

A retirada da Perimetral permitirá uma mudança importante na dinâmica do deslocamento e do uso de transportes públicos e individuais na região. O trecho do Armazém 8 do Cais do Porto, na Avenida Rodrigues Alves, até o Píer Mauá será transformado em um grande passeio público arborizado com ciclovias e passagem para pedestres e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). A área arborizada terá 1.100 metros de extensão e 40 metros de largura e 44 mil metros quadrados – um terço do espaço correspondente ao Parque Madureira.

Para que isso seja possível, será construído o Túnel da Via Expressa, que permitirá que os veículos que venham do Aeroporto Santos Dumont ou Aterro do Flamengo, por exemplo, cheguem ao Armazém 8 e acessem a Rodrigues Alves (transformada em Via Expressa) às avenidas Brasil e Rio de Janeiro ou Ponte-Rio Niterói trafegando sem interrupções. A distribuição do tráfego interno da Região Portuária e sua ligação entre os extremos da Região Portuária (Viaduto do Gasômetro/Rodoviária Novo Rio e Praça Mauá/Rua Primeiro de Março).

Autor: Da redação | Postado em: 05 de fevereiro de 2013 | Fonte: Diário Democrático

Mobilize.org.br



Categorias:Arquitetura | Urbanismo

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38 respostas

  1. A derrubada do Elevado da Perimetral é só o começo.

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  2. Tive a oportunidade de trabalhar no projeto Porto Maravilha, obras de revitalização da zona portuária.

    É um investimento de R$ 7 bilhões, vindos de recursos da Prefeitura do Rio através da venda de índices construtivos na região. Está previsto até mesmo a construção de uma Trump Tower. Mas trata-se de um investimento muito mais amplo, incluindo grandes intervenções em transporte, infraestrutura e urbanismo. A realização das obras está assegurada, já que está sob responsabilidade do Consórcio Porto Rio, formado pelas maiores construtoras do Brasil: Odebrecht, OAS e Carioca. Destaque ainda para o Museu do Amanhã, no Pier Mauá, projetado pelo engenheiro e arquiteto espanhol Santiago Calatrava.

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  3. Nessa hora vem o sonho de ver um dia o elevado da Conceição demolido, o trensurb enterrado no centro e o muro da Mauá substituído por algo menos agressivo.
    Sonhar não custa nada…

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    • A elevada da Conceição demolida ???????? Aí Porto Alegre fecha !!!!!!!!!!! Vai por o que no lugar ?

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      • As pessoas vão se teletransportar.

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      • Demolido para fazer uma outra solução melhor no lugar, claro. Inclusive alguns túneis e outras saídas para cidade. Humanização de verdade.

        Tenho o mesmo sonho!

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      • Colocar um túnel no local.
        Desviar o grosso do trânsito para outra passagem afastada do centro.
        Aliás, foi o que o Rio fez: vai construir um túnel (caríssimo) com a mesma extensão da elevada. Fico feliz em ver que lá no Rio existe inteligência e coragem. Parabéns ao prefeito. Certamente a oposição foi grande.

        Vendo esses dias uma foto da esquina do antigo prédio da Mesbla, pensei: que bela arquitetura! Por que essa área está relativamente degradada? Graças a duas coisas: o esqueleto e mais adiante o viaduto da Conceição. Ninguém quer viver nem investir próximo ao viaduto, criando uma área semi-abandonada, que rapidamente se degrada, e essa degradação acaba chegando longe. Toda a área entre o Mercado Público e o viaduto está degradada graças a este último. Não foi sempre assim. Essa já foi uma área valorizadíssima de Porto Alegre.
        Valeria a pena gastar dinheiro com outra solução para a área que não essas elevadas, pois o retorno seria grande.

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        • Sou contra, totalmente. Sou a favor sim, de um maior benefício do transporte público e de outros tipos de transporte, inclusive as ciclovias. Mas o centro de Porto Alegre pode ter um anel viário bem dimensionado no seu entorno, no caso a PRIMEIRA PERIMETRAL, do qual faz parte o túnel da conceição e a elevada da conceição. Mas daí em diante, não ampliar os espaços pra carros e, sim, para os transportes mais leves. Um absurdo que fizeram foi alargar a Andrade Neves, estreitando as calçadas, por exemplo. Mas acabar com o principal anel viário da área central da cidade, aí sim, seria matar o centro. Fora esse anel, poderia se fazer grandes projetos diminuindo a importância do carro no centro, criando novas áreas verdes, novas ciclovias, desenvolver a linha do aeromóvel que hoje é só um pedaço de concreto ali próximo ao gasômetro… etc..

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      • É tecnicamente impossível manter a primeira perimetral e acabar com a elevada ao mesmo tempo? Aquele viaduto é a única solução possível?

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    • Fico imaginando o que seria a região sem aquele viaduto e com a bela vista do prédio do Tumelero e o Guaíba

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  4. Aquele negócio perto da rodoviária não existiria se a dita fosse transferida do centro.

    Mas não, porto-alegrense quer tudo na porta de casa – porto, aeroporto e Rodoviária – depois reclamam.

    Se acontecer um milagre e concluírem o Metro, construam uma nova rodoviária próximo a Fiergs e neguinho que pegue o trem.

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    • “neguinho que pegue o trem”. Que se danem eles né, tu vai de táxi ou de carro mesmo…

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      • Olha, eu gostaria muito que botassem uns fiscais na rodoviária para pesquisar para onde vão as pessoas que descem ali dos ônibus intermunicipais.

        Eu apostaria que a partir disso chegariam a conclusão que a melhor opção seria mover a rodoviária para a zona norte. Bobear estas pessoas iam poder até pegar táxi as vezes, visto que as corridas seriam mais curtas.

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      • Nem tenho carro, amargo amigo.

        Vou de Metro com muito orgulho e DESLUMBRAMENTO.

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    • De fato, se a rodoviária fosse próxima à FreeWay, seria mais acessível.
      Somado à isso, poderia se rebaixar a linha da Freeway logo após a estação São Pedro, acabar com o viaduto que passa ao lado desta, e no lugar que agora está o prédio, fazer uma praça ou um parque. Mas, com o investimento que fizeram agora a tão pouco para construir esse viaduto, provavelmente algo desse tipo só daqui 30 ou 40 anos.

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      • A Freeway acaba na ponte do Guaiba, dali pra frente é a Castelo Branco, que é de responsabilidade da prefeitura, e não da Concepa.

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      • Perdão pelo erro, eu me referia á linha da Trensurb. Digitei Freeway sem querer.

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  5. E o melhor, vai ter uma sequencia de prédios, alguns bem altos pra revitalizar o porto.

    Nós praticamente não temos um elevado, no maximo aquele negocio próximo da rodoviaria, que se tirarem, a cidade para.

    Fazer o que, tem lugares onde conseguem de alguma forma a grana, criam coragem e mudam as coisas, enquanto isso, nós não temos nada que preste para apresentar ao mundo e estamos sofrendo para ter uma porcaria de metrô.

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  6. Acho que o Rio de Janeiro é o único lugar do Brasil que realmente vai mudar de cara com a copa.
    Bom, na verdade com o Panamericano, Copa do Mundo e as Olimpíadas, era pra ser a melhor cidade do mundo com tantos bilhões que estão sendo investidos.

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    • Pois em Porto Alegre, mesmo que tivéssemos mais uma Olimpíada pela frente, que isso iria mudar alguma coisa por aqui. A Copa do mundo não incentivou em NADA a cidade a criar coisas novas, ser mais atrativa, explorar seus pontos turisticos, morros, mirantes, orla…
      NADA nessa cidade mudou.

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      • Vai se saber o que passa na cabeça dos nossos governantes? É simplesmente incrível a capacidade não fazer nada, e quando faz, é só cagada…

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  7. O viaduto degradou? e tem gente aqui no blog que acha que viaduto é desenvolvimento, crescimento e progresso… Falar mais o que?

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    • Pior ainda é que a prefeitura acha e divulga… diz que obras como a do trambolho da Bento e da trinbcheira da Anita HUMANIZAM a cidade.

      Viram a expressão em alguma apresentação de iniciação científica e resolveram usar pra impacto…

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  8. Enquanto POA constrói mais e mais concreto… o Rio faz o que o mundo desenvolvido faz.

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