GM em Joinville: fábrica de motores é só o primeiro passo

Uma nova análise sobre o projeto de expansão no maior centro industrial de Santa Catarina deve ser feita ainda neste semestre

Vandré Kramer, de Joinville

Joinville, a maior cidade de Santa Catarina.

Joinville, a maior cidade de Santa Catarina.

A sinalização de que a General Motors pode fazer novos investimentos em sua unidade de Joinville foi expressa com toda clareza pelo presidente da montadora na América do Sul, Jaime Ardila, na inauguração da fábrica de motores e de cabeçotes de alumínio, hoje, na cidade catarinense. “É só o começo de um relacionamento de longo prazo.”

A terceira maior montadora brasileira em participação de mercado aplicou R$ 350 milhões na construção da unidade, que tem capacidade para a fabricação anual de 120 mil motores e 200 mil cabeçotes e foi a primeira do grupo a adotar sistemas inovadores de conservação de energia e de proteção ambiental.

A fabrica joinvilense vai atender à demanda das unidades de Rosário, na Argentina, e de Gravataí, no Rio Grande do Sul. Os motores 1.0 e 1.4 vão ser usados no Onix e no novo Prisma, que foi apresentado terça à noite, também em Joinville.

A expectativa é de que o faturamento com a operação chegue a R$ 250 milhões, quando estiver operando com plena capacidade. A produção, que começou em outubro, está sendo ampliada. Em abril, começa a funcionar o segundo turno na fábrica. São 180 pessoas que estão sendo contratadas. Marcos Munhoz, vice-presidente de comunicação, relações públicas e governamentais da GM Brasil, acredita que será possível chegar ao fim do ano com a fabricação de 70 mil motores e 150 mil cabeçotes.

O próximo passo – a construção de uma fábrica de transmissões que está avaliada em cerca de R$ 700 milhões – ainda não tem data prevista. As negociações com o governo catarinense foram concluídas no ano passado. Mas, batido o martelo, a crise na Europa, principal destino da produção, fez a fabricante de carros colocar o plano temporariamente na gaveta.

O mercado continua bem retraído por lá. Segundo a Jato, consultoria internacional especializada no segmento automotivo, em janeiro as vendas na Europa caíram 9,6% em relação ao mesmo período de 2012. E a economia do continente não vem dando sinais de reação. O Fundo Monetário Internacional projeta um encolhimento de 0,2% do PIB na área do euro em 2013.

Uma nova análise sobre o projeto de expansão em Joinville deve ser feita ainda neste semestre. Segundo o site “Fox Business”, a empresa está preparando novos investimentos no país. “Não posso dizer nada sobre isso”, diz Ardila.

Os executivos da GM são só elogios para a cidade catarinense: “É um polo industrial altamente desenvolvido, com mão de obra qualificada e estrategicamente localizada”, exalta Jaime Ardila, presidente da GM América do Sul. E dá uma pista sobre o que a cidade pode fazer para continuar sendo bem vista: “Onde nós fomos bem tratados, sempre temos crescido”, alfinetou Ardila, numa referência indireta a São José dos Campos (SP), onde a GM tem uma unidade e vem enfrentando problemas com o Sindicato dos Metalúrgicos local. A falta de entendimentos teria afastado da cidade R$ 1,5 bilhão em investimentos.

Em um ambiente de troca de gentilezas, Ardila afirmou que desde o começo das negociações, em 2007, a empresa sentiu que faria parte da comunidade. “Há uma simbiose entre a empresa e as sociedades joinvilense e catarinense.” As possibilidades para fortalecer estes laços são grandes. O prefeito joinvilense, Udo Döhler, aproveitou a solenidade para vender ainda mais a cidade para os executivos da montadora. Ele lembrou que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tem um campus na zona norte da cidade e, entre outras opções, oferece o curso de engenharia da mobilidade. Nos próximos anos, o campus deve ser transferido para uma área próxima da fábrica da GM. O projeto prevê a construção de uma pista de testes e de laboratórios para o setor automotivo. “É uma ótima oportunidade de parceria para a GM.”

Udo também destacou o potencial para o estabelecimento de parcerias com empresas da região: “A cidade é o segundo maior polo de ferramentarias da região e, em breve, pode se tornar o primeiro”, acenou.

Revista Amanhã



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6 respostas

  1. Feliz pelo povo de Joinville. Uma pena não ir para uma região mais necessitada, como o Nordeste ou extremo norte do país.

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    • Mais coisas pro Nordeste e Norte ? Regiões necessitadas ? Em que ano tu estás Eduardo? Estão todos os investimentos federais indo pra lá Eduardo!!! A maior refinaria de petróleo do país está sendo construída em Recife, PE. O maior porto brasileiro vai ser em breve o de Suape, todos os investimentos vão pra lá. O Ceará tá bombando em investimentos também, assim como a Bahia Tem muitos investimentos indo pra lá, em detrimento da região Sul e até da Sudeste. Eu moro aqui no RS, em POA, e torço pra maior quantidade possível de investimentos virem pra cá e não pra uma outra região. Os últimos governos nunca privilegiaram tanto uma região (Nordeste) como agora. Considerando região sul, bem melhor que vá pra SC do que o Nordeste.

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      • Quanto ao nordeste tu tens razão. Tem muito investimento indo pra lá! 🙂
        Talvez o melhor seja direcioná-los para a região norte mesmo.

        E SC é um dos estados com a melhor qualidade de vida do Brasil, senao a melhor.

        Eu moro no Brasil, torço para que os brasileiros mais necessitados do RS, de SC, e de todo o resto do país sejam contemplados com os empregos de grandes empresas. Fico triste pelos necessitados daqui, mas se está indo para outro lugar, atender outra demanda de empregos e melhorar a vida dessas pessoas, ótimo.

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  2. Palhaçada. Acredito na intervenção da tal Ideli Salvatti, pois sabe jogar nos bastidores e usa todos expedientes. Estão conseguindo fazer com que o RS retroceda e seja território não de progresso e sim de fracasso. Enquanto isso terrinhas mequetrefes rumam para a glória. Tudo errado.

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    • Exatamente! E enquanto isso, o governador do mesmo partido da “presidenta” faz o que? Apenas assiste. Assim como assiste a questão dos royalties do pré-sal, assim como assiste a dívida do estado com a União, que consome bilhões do RS. Lamentavél, pois se um governador do mesmo partido da presidente nao consegue resolver ou conquistar fábricas para o Estado, para que esta la entao??? Afinal era uma das marcas na campanha, a “sintonia” do Estado com a União…..até agora não apareceu motivos para tal, ao contrário. O pior é que nas eleições são sempre os mesmos que aparecem…

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  3. Não entrando no mérito de ser mais uma fábrica de automóveis ou que vai gerar milhares de empregos e milhões em retorno financeiro ao Estado e a região. Mas, se confirmando esses boatos, só retrata uma coisa que nunca é tratado nos debates. O abandono do interior do RS.
    Sim, SEMPRE a RMPA foi a privilegiada para receber investimentos, sejam eles industriais ou de infraestrutura. Isso fez com que o Estado perde-se muita competitividade, pois quando uma empresa de grande porte resolve se instalar no RS qual é a região prioritária para investimentos? A RMPA, e tão somente.
    Vejam o interior do PR, de norte a sul, de leste a oeste tu enxerga o desenvolvimento, com cidades médias e seus aeroportos muito bons funcionando etc.
    Fica-se reclamando do governo X, do governo Y, mas não se fala do “monopólio” de interesses infiltrados nas decisões políticos acerca de investimentos para o Estado.
    Ai alguns surgirão falando, ah mas Rio Grande…. Rio Grande, como cidade é um abandono total. Esta crescendo e recebendo tais investimentos por causa da influencia politica do governo federal, pois se tivesse um porto em Caxias do Sul, DUVIDO que tais investimentos iriam para o Sul do Estado.
    Enfim, desculpem o desabafo, mas estou cansado desse papo que o governo X ou Y é quem trava o Estado, quem trava o Estado são os “pensadores” que acham que o RS é RMPA e Caxias.

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