Jovem atropelado na Restinga demonstra riscos de usuários de bicicleta em Porto Alegre

Rachel Duarte

Nos últimos quatro anos o Rio Grande do Sul contabilizou 740 acidentes com vítimas fatais envolvendo ciclistas. Um caso recente ocorreu no dia 5 de fevereiro deste ano e matou um jovem de 14 anos que pedalava na ciclovia do bairro Restinga, em Porto Alegre. O caso é tristemente emblemático, por vitimar um adolescente, em região de periferia e que teria sido atropelado por um motorista de veículo pesado – características comuns à maioria dos acidentes fatais envolvendo usuários de bicicleta na capital gaúcha. Na noite da última segunda-feira (25), um grupo de 30 ciclistas, entre eles o vereador Marcelo Sgarbossa (PT) visitou o local do acidente. Em memória a Davi Santos de Moura foi colocada uma ghost bike, bicicleta pintada de branco e deixada por ativistas ao redor do mundo nos locais do trânsito em que ciclistas perdem a vida.

A Delegacia de Delitos de Trânsito investiga a morte do jovem da Restinga que foi atropelado, segundo relato dos familiares da vítima e de algumas testemunhas, por um caminhão a serviço do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) enquanto pedalava na ciclovia inaugurada há dois anos no bairro. “Ele estava voltando para casa para almoçar. Foi próximo do meio dia. O caminhão não deu acesso a ele. Ele seguiu em frente na ciclovia e não houve chance de desviar. O motorista até tentou frear quando se deu conta que estava perto da bicicleta, mas não conseguiu”, relata a irmã de Davi, Simone Moura.

Na versão da irmã, testemunhas relatam o pavor do motorista na hora do acidente. “Ele ficou com medo e se escondeu no prédio do Foro. Meu irmão também tentou frear na hora, mas derrapou na areia da pista e o caminhão passou por cima dele”, descreve, ainda abalada. Segundo ela, o irmão sempre respeitou a ciclovia, razão pela qual a família resolveu presenteá-lo com a bicicleta. “Ele usava para ir para o trabalho voluntário que fazia na escola. Era o meio de transporte dele. Meu pai só comprou porque tinha a ciclovia aqui no bairro”, conta Simone.

A autoria do atropelamento está sendo apurada pela delegada Viviane Viegas, que não quis dar informações sobre o caso. Ela não confirmou se o veículo que atropelou o adolescente pertencia ao DMLU. “Não posso dar nenhuma informação agora. Não confirmo que foi um caminhão do DMLU. O inquérito foi aberto e dependerá das perícias e das oitivas a sua conclusão”, disse.

Veja a matéria completa no SUL 21, clicando aqui.



Categorias:Bicicleta, Ciclofaixas, ciclovias

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48 respostas

  1. nova religião da Província: os anti-bicicletas!

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  2. Sobre a 2ª questão – comportamento ao volante, legislação, cultura, etc: o motorista trafegava por uma via COLETORA e cruzava a via PRINCIPAL, onde se encontra a ‘ciclovia’. O fato da ‘ciclovia’ ser na calçada, e não sinalizada, e ter um design nos cruzamentos que a torna uma armadilha mortífera, certamente é um atenuante para o erro do motorista.

    Mas permanece o fato que ele estava em uma via secundária, o que permite especular que, se ele não conseguiu frear, é porque trafegava em velocidade incompatível.

    Sabemos que muitos – NÃO TODOS, talvez não a maioria, mas muitos – condutores de veículos pesados usam covardemente o tamanho do veículo como forma de intimidação, para forçar a preferência de passagem, quando esta não é deles. Isso é uma questão cultural, de base, que só pode ser resolvida com uma política forte de educação para o trânsito, na minha opinião. Campanhas educativas apenas arranham a superfície. Educação se faz na escola e na família.

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  3. Sobre a 1ª questão – Infraestrutura (cicloviária, no caso) – a chamada “ciclovia” da Restinga é uma farsa. Foi contruída sobre o passeio, que se não me engano não era totalmente pavimentado. Como não havia calçada/passeio propriamente dita, a ciclovia virtualmente TORNOU-SE uma calçada. Este tema foi apontado e debatido nos círculos ativistas exaustivamente; a Prefeitura/EPTC fez ouvidos moucos, coerente com sua ‘política’ de considerar cidadãos com opinião e conhecimento de causa meros chatos oposicionistas – quando deveríamos ser parceiros trabalhando juntos por uma cidade melhor.

    Então essa ‘ciclovia’ tem problemas graves de concepção/projeto, sendo o mais óbvio o fato de ela ser na verdade uma calçada (e causar conflitos com os pedestres), e o menos óbvio, porém mais mortífero, e que resultou nesta tragédia, o fato de os cruzamentos não terem nenhum tipo de solução técnica para o fato – AMPLAMENTE CONHECIDO – que é justamente neles que ocorre a grande maioria dos acidentes graves envolvendo ciclistas.

    Essa questão de infraestrutura cicloviária é complexa demais para ser tratada num comentário; basta dizer que EXISTEM soluções, existe EXPERTISE nessa área; não existe atualmente vontade política de fazer um trabalho sério.

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  4. Analisando o caso – a partir dos poucos dados que temos (aliás, um inquérito policial foi instaurado, DEPOIS que aconteceu a manifestação em apoio à família da vítima).

    A meu ver, há 2 questões de fundo nesse caso.

    1) infraestrutura e políticas urbanistas

    2) questão cultural/comportamental/legal e políticas educacionais

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