Porto Alegre pode voltar a pensar grande como antigamente ?

Nossa cidade não dá sinal nenhum disso, nem mesmo com a chance de ouro de uma Copa do Mundo

.

Mas nada é impossível. Veja essa matéria:

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Rio de Janeiro

Como a cidade driblou o declínio, voltou a ser um polo econômico e cultural – e hoje inspira as demais metrópoles brasileiras

Em julho de 2016, quando os cariocas passarem a pira olímpica para os organizadores dos Jogos de 2020 – as candidatas são Tóquio, Istambul, Madri, Doha e Baku –, o Rio de Janeiro será outra cidade.

A capital fluminense, como San Francisco ou Lisboa, voltará a ter bondes charmosos circulando pelo centro da cidade – numa versão moderna, os Veículos Leves sobre Trilhos, ou VLTs.

Como em Buenos Aires, a antes decadente zona portuária voltará a ser um polo de negócios e turismo – o primeiro passo foi a inauguração do Museu de Arte do Rio (MAR), na semana passada.

Como em Tóquio ou Berlim, grandes obras arquitetônicas embelezarão a região central, caso do Museu do Amanhã, projetado pelo premiado espanhol Santiago Calatrava. Como em Paris ou Barcelona, avenidas fechadas para automóveis serão transformadas em bulevares.

Desde que se tornou a primeira capital de um país europeu fora da Europa – quando o rei de Portugal Dom João VI se mudou para o Brasil, em 1808, fugindo das guerras napoleônicas –, o Rio de Janeiro é o principal cartão de visita do país. Esteve perto de perder esse protagonismo quando deixou de ser capital, em 1960, e quando passou a enfrentar índices altíssimos de violência urbana, nas últimas décadas do século XX.

No século XXI, o outono do desalento se transformou em glorioso verão sob o sol carioca. O Rio deixou de sentir saudade do passado e voltou a olhar para o futuro. A impressionante reviravolta carioca traz várias lições para as demais metrópoles brasileiras. Deve servir de inspiração para paulistanos e natalenses, ludovicenses e manauaras, soteropolitanos e capixabas, brasilienses, florianopolitanos, curitibanos etc.

O renascimento do Rio se baseia em cinco pilares – e cada um deles traz lições para as demais cidades:

1) É impossível virar o jogo sem dinheiro. O investimento pode ser público (para isso, o Erário municipal precisa ser saneado) ou privado. O Rio é a cidade campeã brasileira de PPPs, as Parcerias Público-Privadas e a capital regional que mais atrai investimentos no mundo;

2) É preciso adotar um sistema eficaz de gestão e cobrança por metas, que faça as obras sair do papel nos prazos previstos. O Rio se tornou um canteiro de obras, situação que deve se tornar ainda mais visível a partir do segundo semestre (leia o quadro abaixo);

3) O eixo da recuperação de uma cidade deve ser o sistema de transportes. O Rio adotou um modelo inovador de distribuição do fluxo humano, que envolve metrô, corredores exclusivos para ônibus articulados e novas siglas que começam a fazer parte da vida carioca, como VLS ou BRT. O objetivo é retirar carros e ônibus das ruas para melhorar o trânsito e a qualidade de vida;

4) A segurança do cidadão deve ser encarada como prioridade. Para isso, qualquer cidade precisa, como o Rio, manter uma parceria com o governo estadual que funcione tão bem quanto as célebres Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, implantadas nas favelas cariocas tomadas do tráfico;

5) Oportunidades existem para ser aproveitadas. O Rio recebeu uma dádiva da natureza, as reservas de petróleo na camada do pré-sal, que traz benefícios para o Estado e atrai investidores (na semana passada, uma decisão do Supremo Tribunal Federal passou a ameaçar os royalties a que o Rio faz jus, como se pode ler na página 12). Outra oportunidade foi aberta pelos grandes eventos que o Rio sediará – como as finais da Copa das Confederações neste ano, da Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Ao usar os eventos para alavancar a recuperação da cidade, o Rio acendeu o rastilho do crescimento econômico.

http://revistaepoca.globo.com/Brasil…ao-brasil.html

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Eu diria que no ítem “oportunidades” , poderíamos entender, para Porto Alegre, o Guaíba, os morros com vista panorâmica… tudo jogado fora. 

Também temos uma produção cultural forte, um Centro imponente, centros culturais, etc, mas isso, teoricamente qualquer cidade pode ter e, de fato, ítens como esses são encontrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, ou ali em Montevideo… Mas o que podemos ter de diferencial… é ignorado. Inclusive pela nossa própria burguesia, que nem se interessa em investir em coisas como lazer e turismo.



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24 respostas

  1. O problema é que em Porto Alegre tem gente que pensa como há 60 anos atrás.

    Para muitos isso é desenvolvimento, isso é progresso, isso é andar para frende… isso era na década de 50!

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  2. Para voltar a pensar grande, primeiro Porto Alegre deve decidir se quer ser grande. E se quer ser grande, tem parar de dar ouvidos para os mediocres, os retrógrados, os fanáticos, os radicais, os doentes, os limitados, os alienados, enfim os osbcecados pela ideologia da pequenez.

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  3. Favelas cariocas mandam abraço para Berlim, Tóquio e Paris !

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  4. Do que adianta?
    Vivemos numa cidade onde quem tem o grito mais alto, é o povo que na teoria, pretende viver como os homens das cavernas?

    hahaha

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  5. Quem é que vai querer ir no Morro Santa Teresa para ser assaltado ?
    Mesmo para estacionar o carro nos parques ou outros locais públicos, sempre tem os achacadores que querem extorquir dinheiro, caso contrário depredam o teu carro.
    Porto Alegre é uma cidade despoliciada e insegura.
    A primeira providência, se querem incentivar o “turismo” é a segurança dos locais turísticos, pelo menos.

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    • Esse problema da violência é muito recorrente e de fato, é que mais freia o turismo tanto aqui como no Brasil inteiro. Recentemente eu estava lendo o Metrô e mostrou um quadro comparativo da criminalidade. Crimes como homicídio aumentaram assustadoramente, bem como outros crimes violentos como latrocínio.

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  6. “Eu diria que no ítem “oportunidades” , poderíamos entender, para Porto Alegre, o Guaíba, os morros com vista panorâmica… tudo jogado fora. ”

    É só ver Santiago, todo morro tem um mirante/parque.
    Poa tem muito potencial.

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    • Cara, é a IAB, eles tem que defender o interesse dos arquitetos daqui.

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      • Pra uma coisa que já tá pronta, praticamente?
        Fazer um concurso público, botar na ZH para escolher o feito de garrafas pet (depois o mesmo durar 3 meses)?

        Acho que tem muitas coisas mais importantes a se preocupar ou deveriam ter feito isso muito antes.

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      • Eu até concordo contigo, e achei o projeto bom. Mas não dá pra esperar outra coisa da entidade de classe… é do interesse deles.

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  7. Mas mesmo nas condicoes atuais nossa iniciativa privada poderia fazer algo, sim. Um exemplo sao o Iate Clube, todos os outras marinas que tem ali… poderiam lucrar com lazer aberto ao publico. Mas nao, ficam fechadas, paradas. Conheca as iniciativas que existem na Marina da Gloria e na Marina Bahia, pra ver o que pode ser feito.
    Poderiamos tambem ter empreendimentos com vista panoramica. No morro ou em terracos de predios. A torre da Claro poderia abrir… nada disso eh proibido.

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    • Acho difícil, os contra-tudo conseguem até empatar a iniciativa privada.

      Defendem só seus interesses: seja político, ambiental mesmo (raros), ciclovias… Não são o mesmo grupo, mas usam a mesma ocasião para tal, quando deveriam se preocupar com milhares de outras coisas mais importantes.

      Assim a cidade não vai para frente, tampouco a mentalidade de muitos. Não há progresso de nenhuma parte.

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      • Acho que o Rio está fazendo o que os “contra-tudo” querem: ciclovias, VLT e derrubando minhocao.

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      • Nem vou gastar minha explicação com alguém que acha que a bicicleta está acima de tudo.
        É como falar com alguém que frequenta a IU.

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      • Ad homenem é para quem não tem argumento, porque se tivesse usava.

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      • Normal, quem não tem argumento cria teoria conspiratório.

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      • Não entendeu o que eu expliquei.
        Vocês dois (se não são a mesma pessoa), só escutam o que querem escutar.

        Mas para quem não entendeu, os ciclistas na minha opinião, só aceitam obras que envolvam ciclovias e blablabla. Concordo que elas devem ser feitas, mas outras também devem. Não é porque não andam de carro que todo mundo deve seguir seu exemplo. Aceitem o fato de que POA não vai ser do dia para a noite uma nova Amsterdam e sejam menos individualistas. A cidade não é só feita de ciclistas.

        (não sou carrólatra, como vocês chamam. ando só de ônibus/lotação)

        E Felipe X, tudo bem gostar de bicicleta – eu mesmo gosto – mas não a use de modo doentio. Respeito teus posts e acho que deveria ser recíproco. Sem rotular ninguém.

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      • tem gente que está paranoica já, criando imagens ilusórias em suas cabeças.
        Ainda que o lucas-IL não queira entender, vamos repetir. O RJ é uma das cidades, senão a unica, que entendeu a partir das experiências mais recentes no mundo o que as pessoas querem com a tal da qualidade de vida.
        Nesse âmbito entra a mobilidade urbana, aparentemente que monopolizou uma discussão raivosa que terminou por ser bicicleta x não-bicicleta (criada por ti mesmo, lucas-IL, que foste o primeiro a tocar no assunto). Minha lógica pessoal entretanto entende que enquanto Porto Alegre ORGULHA-SE de construir um viaduto de DOIS ANDARES, o Rio de Janeiro orgulha-se de pô-los abaixo, priorizando o transporte coletivo público e não-motorizado. Para mim, só por esta frase, já dá para entender a mentalidade de ambos os poderes públicos.

        Finalmente, eu vejo a iniciativa privada de Porto Alegre decrépita. O empreendedorismo desta cidade é muito limitado. É só ver que quando abre uma novidade na cidade, lota por muito tempo, até normalizar a situação. As pessoas anseiam por espaços criativos, bares com propostas diferentes, lojas diferentes. Gosto muito de três regiões em POA: Bom Fim, Moinhos e Cidade Baixa. Ambos preservam (ainda que mais o segundo e terceiro) a convivência nas calçadas como um atrativo – bares nas calçadas, lojas diferentes, atrativos noturnos… Mas parece que há algo que empurra nossos empresários para longe.

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      • Lucas, acho que não conheces o conceito de rótulo, pois eu não rotulei ninguém mas em contrapartida não consegues fazer um único comentário sem isso.

        No teu primeiro comentário desta conversa falaste “os contra tudo”, ou seja, se eu protestar contra algo que tu quer, eu automaticamente faço parte desta organização que não existe, certo? Rótulo. No teu segundo, falas que “os ciclistas na minha opinião, só aceitam obras que envolvam ciclovias e blablabla”. MENTIRA. Eu mesmo vivo defendendo transporte público aqui, inclusive no post recente sobre árvores. Ah, e adoro meu carro.

        Onde eu te chamei de carrólatra?

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  8. Eu acho que o Rio é a única cidade que vai de fato melhorar com estes eventos: bondes, porto maravilha, destruição daquela highway horrenda…

    Mas em relação a “burguesia” (não gosto do termo) não apostar, acho que não acontece enquanto a prefeitura não passar a mensagem. Tem que fazer uma orla bonita e explorável comercialmente, centro mais limpo e acessivel so pedestre, teleférico no Santa Tereza, trilhas guiadas no Morro do Osso, entre outros.

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