Ospa: tão perto e tão longe da nova casa

Milton Ribeiro

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro

Normalmente, as orquestras ensaiam no próprio teatro onde ocorrem os concertos. Muitas vezes os ensaios são abertos, permitindo que o público assista uma prévia, gratuita ou a preço módico, do que será o concerto. A Ospa (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) está desde 2008 sem teatro ou sala de concertos. Então, há uma sala exclusiva para os ensaios de concertos que acontecerão em algum espaço da cidade. Atualmente, a sala de ensaios da Ospa é um armazém do cais do porto.

Quando a Ospa assumiu o armazém A3, ele foi obviamente reformado, porém é um local ainda precário e bastante criticado pelos músicos. Isso pode ser compreendido até pelo fato de ser algo provisório, pois o destino da Ospa é a Sala Sinfônica própria, hoje em construção no Parque da Harmonia. Não valeria a pena investir altas somas numa grande reforma. Mas tudo isso é história velha e sabida: a novidade da semana é que a Ospa está perdendo sua sala de ensaios.

O fim da sala de ensaios do armazém A3

A orquestra passará por um agitado 2013. Por um lado, a programação musical da temporada era luminosa, verdadeiramente esplêndida; por outro, a Ospa ainda não terá nem a sonhada Sala Sinfônica, nem o agora pranteado A3. O motivo da saída do cais do porto é o cumprimento, por parte dos governos estadual e municipal, de prazos contratuais para com o consórcio de empresas brasileiras e espanholas responsáveis pela recuperação e urbanização do cais. Mesmo que não haja uma data definida para o início das obras do cais, mesmo que não haja nenhuma máquina ou trabalhadores iniciando as obras no local, a não entrega do A3 poderia ser utilizada como justificativa para o atraso e, naturalmente, os governos estadual e municipal querem evitar o desgaste político de impedir a reforma por algum tempo. A ordem expedida é clara: a orquestra tem de retirar-se até o dia 15 de março, isto é, na próxima sexta-feira.

Edemar Tutikian, secretário de Desenvolvimento e Assuntos Especiais (Gades) e responsável da prefeitura para responder sobre as obras de revitalização do cais, não atendeu o Sul21 até o fechamento da matéria. Nosso questionamento visava esclarecer quando as obras irão começar no local.

A situação era prevista desde o ano passado e havia um planejamento definido: a transição entre o cais e a Sala Sinfônica seria tranquila com a ida para o Centro Administrativo Fernando Ferrari, onde seria preparada uma segunda sala provisória de ensaios. Mas esta não ficou pronta. Segundo informações da Secretaria Estadual da Cultura, as obras do auditório no Centro Administrativo Fernando Ferrari irão começar nesta segunda-feira (11) e o prazo previsto para a conclusão é de três meses. Na sexta-feira (8), foi publicada no Diário Oficial a aprovação da licitação para recuperação da estrutura e as obras no local. Conforme a assessoria, a demora para o início das obras deveu-se a um longo processo burocrático. O processo tinha que passar pela aprovação de 4 secretarias estaduais (obras, cultura, administração e educação). A SEDAC esclareceu também a obra não é específica para a Ospa. O anfiteatro do CAFF vai ser apenas readequado para que a orquestra possa ensaiar até 2014. Depois, será utilizado para eventos do Centro Administrativo.

Leia a matéria completa no SUL 21 clicando aqui.



Categorias:Grandes Projetos, Projeto de Revitalização do Cais Mauá, Teatro da OSPA

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7 respostas

  1. Não adianta, isso é cultura. Nem todo mundo tem sensibilidade pra apreciar música. Batidão e funk não é música, e infelizmente é só que eu ouço por onde quer que eu passe, não importando hora ou lugar. Como músico, torço pela OSPA, sempre. Pública ou privada.
    Mas que os comentários sobre o CTG ou o museu do grenal foram apropriados, isso foram … 🙂

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  2. Acho que a prefeitura deveria divulgar a população quanto custa manter a OSPA funcionando… será mesmo que vale a pena?

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    • Agora que vi que ela é mantida pelo governo do estado e alguns patrocinadores…

      Ma igual, sou do pensamento que ela deveria conseguir se sustentar sozinhos com shows, ao invés de depender de financiamento público para se apresentar lá de vez em quando.

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  3. Da caixa de comentários do SUL21 :

    “Comentário de: Fernando S.M. | 10 de março de 2013 | 13:44

    Se fosse para fazer um CTG para se emborracharem de cachaça, cantarem o hino Rio-Grandense, fazer churrasco, brigar de faca e andar à cavalo já estaria tudo resolvido. Mas como é pra OSPA…..ucho, ucho, ucho…”

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    • Acrescento o comentário… Se fosse para construir um museu da dupla grenal ou um museu para os comunistas, também já estaria tudo pronto.

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