Entrevista com Fermín Vázquez, o arquiteto do Projeto de Revitalização do Cais Mauá

fermin-vazquezA entrevista é uma exclusividade do Jornal Zero Hora, portanto, clique aqui para  ler.

“O mais racional pareceu preservar o muro, como precaução” (Fermín Vázquez)



Categorias:Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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16 respostas

  1. Minha dúvida: um muro velho, deteria toneladas d’água?

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  2. Uma vez me falaram que uma enchente como as de 50 anos atrás nunca mais ocorreriam porque os rio que formam o Guaíba hoje em dia já foram todos represados. Verdade o lenda urbana Rogério?

    As vezes eu fico pensando que o pessoal que fez esse muro tem muita vergonha de assumir que errou, e por isso ficam nos assustando. Me lembra um pouco aquele filme “A Vila” que o pessoal mais velho da cidade de vestia de mostro para assustar os mais jovens e assim evitar que eles saíssem da comunidade.

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    • Leonardo.
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      É uma lenda de quem não sabe de hidrologia e de aproveitamentos hidrelétrico, conto por que. Lá por volta de oitenta e poucos, um professor aqui do IPH, o Professor Bruno Resende, apresentou uma dissertação de mestrado sobre um modelo de simulação do uso das barragens do Jacuí para laminar cheias (laminar significa pegar a cheia mais alta e diminuí-la um pouco). Para fazer isto era necessário deixar as barragens do Jacuí com menor quantidade de água (com um volume de espera que não serviria a geração de energia).
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      Para este estudo ele simulou séries históricas e constatou que não era economicamente viável, se perdia mais do que ganhava, porém o produto indireto de sua dissertação foi que no momento em que ele simulou a cheia de 1941 ele praticamente não teve nenhum ganho com os reservatórios deplecionados.
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      Isto quer dizer, que mesmo colocando um volume de espera (deixando parte do reservatório vazio para receber as cheias), como as chuvas que causam estas cheias notáveis, são tão grandes que não é um barramento de menos de 10% da bacia que vai alterar significativamente.
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      As pessoas pessoas em geral desconhecem a ordem de grandeza, coloco nesta lista 99% dos engenheiros (inclusive alguns que trabalham na área), e ouviram falar não sei onde e não sei quando, que barragens servem para atenuar cheias.
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      Para teres uma noção melhor pegue o caso de Blumenau, foram feitas barragens que ficam o ano inteiro vazias para só encherem e atenuarem a cheias quando elas ocorrerem, pois bem, estas barragens tem todo o volume só para a atenuação de cheias, ocupam uma área muito maior do que as barragens do Jacuí, e mesmo assim as cheias em Blumenau continuam, um pouco menor é claro, mas que continuam, continuam.
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      Se alguém quiser saber os limites do conhecimento de algum amigo engenheiro, faça a mesma pergunta que deu origem a minha explicação, vai vim tanta besteira que dá gosto, depois sem falar o nome da vítima, escrevam aqui a resposta!

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  3. Se não querem retirá-lo (porque ninguém quer assumir esse risco), porque não proujetam a retirada de algumas partes do muro, substituíndo por algum sistema moderno de comportas, a fim de facilitar o acesso das pessoas e integração com o centro de Porto Alegre. Essa poderia ser uma das contrapartidas do empreendimento.

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    • Julião.
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      Vários motivos.
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      1°) Comportas necessitam manutenção periódica, com a substituição de vedações e verificação do tipo de articulação.
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      2º) Visualmente comportas são mais agressivas do que um muro que pode sofrer intervenções (o que nunca foi feito) para diminuir o impacto visual.
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      3º) Haveria um custo de implantação, na implantação dessas comportas, que não é baixo, e um custo permanente de manutenção das mesmas que deveria independer da existência ou não de empreendedor.
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      4º) O custo de implantação das comportas poderia eventualmente se coberto pelo empreendedor, entretanto o custo não permanente deveria ser coberto pelo erário público, pois não podemos ficar sem elas daqui a 10, 20, 50 ou 100 anos.
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      5º) O Departamento de Esgotos Pluviais, tem um orçamento apertado e as demandas por intervenções e por manutenção já é grande, não havendo recursos para este fim.
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      6º) O controle da manutenção dessas comportas é algo que deve ser feito permanentemente, não podendo, por exemplo ficar aguardando uma licitação que deu embargos judiciais e atrasou um ou dois anos (coisa extremamente comum).
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      7º) O rompimento de uma estrutura móvel, por problemas estruturais (vibrações e outros), poderiam num efeito dominó, provocar o rompimento de outras.
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      8º) (e mais importante) Um sistema com comportas móveis é mais sujeito a acidentes, principalmente na ocasião de uma cheia. A ocorrência de um acidente deste gênero num momento de cheia, produz eventos catastróficos (vide exemplo do Katrina, onde a população foi pega de surpresa pelo rompimento de alguns diques).
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      Em resumo, a confiabilidade que tem uma estrutura fixa, de concreto armado, de fácil inspeção em relação a uma estrutura móvel, metálica ou de concreto protendido (como sugerido por arquitetos que não entendem nada de estruturas hidráulicas) com necessidade de inspeções periódicas e rigorosas aumenta em muito o risco de eventos CATASTRÓFICOS.
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      Comportas não são simplesmente “taubuilhas” que se coloca para não deixar a água do “pátio” entrar para dentro da “cozinha”, são estruturas que exigem não só estabilidade estrutural mas como também garantia de acionamento a qualquer momento, não podendo emperrar ou mesmo colapsar no meio da operação.
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      Há algum tempo houve um projeto arquitetônico que esteve próximo a ser implantado, e que eu mesmo fui um dos principais adversários na implantação do mesmo, que previa a substituição do muro da Mauá por lajes de concreto protendido que deveriam ficar deitadas e quando do aumento do nível do Rio Guaíba (é Rio pois se fosse lago não subiria 5 metros pelo aumento da vazão) deveriam ser levantadas e fixadas por mega-parafusos que ficariam guardados em determinado local (eram mais de 800 parafusões).
      Agora imagine o cenário. O Rio não tem cheia durante dez anos, quando começa a cheia, é necessário a utilização de guinchos para elevar uma a uma das chapas de concreto e fixá-las a pilares através dos parafusos.
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      Depois de dez anos de não uso das gruas, das lajes pré-fabricadas e dos parafusos, teríamos os seguintes cenários altamente prováveis.
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      i) As gruas estavam enferrujadas e não funcionam (ou foram emprestadas para outro local do estado.
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      ii) Algumas das lajes de concreto por defeito de fabricação, manutenção ou transporte, estavam fissuradas, e no momento que estivessem em carga romperiam.
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      iii) Dos 800 parafusões alguns foram levados para servir de peso para livros, ou foram empregados para outra finalidades (como segurar alguma coisa que estava caindo), ou simplesmente foram roubados. Não haveria na Casa dos Parafusos elementos para substituí-los, logo não se teria como fixar as lajes.
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      IV) Como as lajes seriam de concreto protendido (frágeis) com um impacto de um tronco de árvore, uma pequena embarcação que se soltou durante a cheia ou qualquer outro material flutuante de grande porte, romperia causando uma situação catastrófica no centro da cidade, o que se chama um “flash flood”, inundações que geralmente causam uma quantidade razoável de perda de vidas.
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      A única solução possível para o muro é retirá-lo completamente e deixar a cidade inundar aos poucos. Isto levaria ao prejuízo de centenas de milhões de dólares, mas pelo menos ninguém morreria, pois como a subida do nível é lenta daria tempo para e evacuação das áreas alagadas (depois quem ordenou a retirada do muro deveria pagar as indenizações, mas pelo menos ninguém morreria!).

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  4. E as obras do cais começam no dia…………………

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  5. Bom, chega de bla bla bla…..quero saber quando e’ que as maquinas FINALMENTE comecarao a trabalhar??

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    • Ok, Rogério após 41 nunca mais choveu a ponto de ser considerado enchente e depois que o muro e as comportas foram feitas tb não choveu o suficiente, nem para inaugurar o sistema e o Sr. Fermin quer conservar o muro “por precaução”…. o que pensar! A vergonha, não é só do muro mas tb da inutidade do porto com seus armazens desativados e um canal açoriado. Meu pai me levava no porto e ví muito movimento de trabalho e os grandes navios eram visitados pelos portalegrenses. Talvez fique que nem o Aeromóvel que eu parava e explicava toda a história e dizia que se não voltassem mais a Poa, talvez um dia leriam na imprensa e veriam na TV o projeto andando, como na indonésia. Já recebi correspondência de paxs dizendo que estavam acompanhando o andamento do Aeromóvel. Isso me deixa mt feliz. E o porto, junto com outros pontos de Poa, gostaria que acontecesse o mesmo.. Mas a esperança é a última que morre. Obrigado pelo telo teu comentário…

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  6. Um dia ainda escrevo um texto sobre o Muro. Há muita desinformação e especulação sobre o assunto.
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    Posso somente adiantar a opinião de praticamente 100% dos engenheiros da área.
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    1) Se não existisse o muro, praticamente não haveria ninguém que o sugerisse como obra.
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    2) Como o muro existe, praticamente não há ninguém que proponha a sua retirada.
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    A discussão sobre o muro, já me tornou há quase vinte anos, persona non grata numa dada faculdade de arquitetura na grande Porto Alegre, eu era citado como várias coisas em determinadas aulas, coisas que não teria condições de reproduzi-las aqui, pois o censurador automático do blog bloqueariam a mensagem!

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    • Só lembrando que os portões do muro não funcionaram por 20 anos mas ninguém se preocupou com isso. Sem portões funcionando o muro era inútil.

      Em outras palavras, o muro era um amuleto que protegia Porto Alegre das cheias com mágica. Se é que ainda não é isso.

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      • Adriano.
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        Isto era assim há dois ou três anos, o DEP ou a SMOV fizeram uma inspeção nos mesmos e os consertaram.
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        Mas mesmo se eles não funcionassem, numa situação de cheia, como o Rio Guaíba leva de uma a duas semanas para subir, dá tempo para fazer uma barragem provisória junto aos portões!
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        Após o término do muro a cidade ficou protegida.

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    • Se de 1941 até hoje as comportas não foram usadas e não tinha o projeto que tem hoje de canalização junto ao cais, vamos ter que conviver o resto da vida com aquele muro horroroso, que eu tenho vergonha de mostrar aos turístas, sempre salientando que com o novo projeto, o muro não iria constar……me poupem, para mim é falta de competência.
      E não adianta a tal cortina d´água pq não será feita em toda extensão do muro…é um jogo de interesses e quem perde é o portalegrense, cada vêz mais separado do Guaiba!

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      • Cara Gladis.
        As coisas não são bem assim, em 1941 não havia nem muro nem comportas para fechar, a obra foi executada na década de 70.
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        Quanto a ter vergonha, não tenha, pois diversas cidades europeias e norte-americanas tem obras semelhantes a esta inclusive cidades turísticas, logo não é uma característica de Porto Alegre.
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        Sugiro para quem não acredite em mim que dê uma olhadinha no Google Earth na cidade de Saint Malo na França, lá o muro de proteção cerca a cidade e está a menos de 15m das casas. É uma cidade turística que vive disto.

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      • Mais uma pequena informação, Saint Malo tem 51000 habitantes e no verão atinge 200.000 tal o número de pessoas que vem visitá-la, uma de suas atrações são seus muros e tem um aquarium antigo muito bonito exatamente encostado no muro.

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  7. Nas entrelinhas a mensagem dele foi: “preferiamos retirar o muro, mas seria impossível convencer a opinião pública e a administração pública de que ele não é necessário.”

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