Impasse na Arena: OAS diz que não venderá estádio; Grêmio busca alternativas

Da Redação

Inaugurada no final do ano passado, Arena está dando mais manchetes fora do que dentro de campo | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Inaugurada no final do ano passado, Arena está dando mais manchetes fora do que dentro de campo | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Ainda não há acordo entre Grêmio e OAS sobre o que será feito do contrato envolvendo a Arena — e, a julgar pelos últimos acontecimentos, qualquer aperto de mãos ainda está longe de acontecer. O Grêmio busca mecanismos para fechar um potencial rombo financeiro, causado pelo comprometimento das rendas do quadro social — mas a OAS deixa claro não ter nenhum interesse em repassar ao Grêmio sua parte no empreendimento, a partir de uma opção contratual de compra que ganhou vulto na última semana.

O Grêmio está especialmente preocupado com a gestão de recursos envolvendo os sócios do clube. No momento, o Grêmio aluga parte da área destinada aos associados, em um valor que chega aos R$ 42 milhões ao ano e compromete quase a totalidade do valor arrecadado pelo clube a partir de seu quadro social. Para diminuir esse rombo, o clube tenta renegociar esse aluguel, o que pode passar por um aumento do tempo de parceria com a OAS — o que diminuiria, em teoria, o valor mensal do aluguel — ou, como vem sendo ventilado, a compra por parte do Grêmio da parte pertencente à construtora.

“Essa especulação surgiu apenas na mídia”, afirma Carlos Eduardo Barreto, diretor da OAS/Arenas, praticamente descartando qualquer negociação nesse sentido. “Não achamos que caiba tratar de questões relativas ao investimento feito para viabilizar a obra”, acentuou, acrescentando que não houve discussão sobre redução do aluguel na reunião com o Grêmio ocorrida na quinta-feira (14). Segundo ele, é preciso respeitar as condições originais do contrato, uma vez que a OAS contraiu obrigações com parceiros comerciais e bancos que financiaram o empreendimento.

Adalberto Preis, que representou o Grêmio na reunião, preferiu adotar um tom otimista, mas cauteloso. Embora diga que acredita em uma solução “bastante próxima”, preferiu não entrar em detalhes sobre os rumos da negociação. “Ambas as partes buscam uma solução equilibrada. O Grêmio não pode ter prejuízo nenhum. O equilíbrio orçamentário é importante para que o Grêmio possa ter um time vencedor, o que é fundamental para o sucesso da própria Arena”, ressaltou Preis, que disse ter saído “muito satisfeito” da reunião.

Um elemento que pode ajudar (ou dificultar) em um eventual acordo envolve as partidas do Campeonato Gaúcho disputadas no Olímpico no começo deste ano, quando já havia sido concluída a migração de sócios e a previsão era de jogos apenas na Arena do Grêmio. Como a solicitação para mudança de estádio nessas partidas foi feita pela Arena Porto-Alegrense, empresa responsável pela gestão do estádio, o Grêmio acredita que o valor a ser pago pelo Grêmio (ainda não quitado pelo clube) pode — ou deve — ser diminuído.

“Há muita reclamação de sócios (que não puderam ver jogos na Arena)”, acentua Adalberto Preis. “Nem Grêmio nem OAS sabem qual o valor a ser pago. O Grêmio tem consciência de que precisa pagar, pois disputamos três jogos na Arena até aqui. Mas não há um montante fixo definido. Penso que é possível que paguemos menos (do que o valor originalmente previsto)”.

SUL 21



Categorias:Arena do Grêmio, Grandes Projetos

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27 respostas

  1. Interessante é que so agora foram re-ler o contrato…não é mesmo?
    Depois que o estadio foi construido e que milhões foram gastos, agora aparecem os Koffs, os Paulos Santanas da vida para tentar achar pelo em ovo.
    Alias, essa papagaiada é tão chata que so demonstra uma coisa, a incapacidade cronica do Brasileiro de seguir regras. E este so é o ultimo exemplo deste tipo de pensamento. Existe um contrato, que se respeite este contrato. Que se respeitem as regras do jogo como em qualquer pais civilizado.
    E outra: um estadio como a Arena com capacidade para 50 mil pessoas numa cidade com 1 milhão e meio de habitantes (e com um região metropolitana de quase 3 milhões) so não esta sempre lotado porque ha uma total incompetencia por parte dos dirigentes em trazer os torcedores ao estadio.

    A solução para este impasse no contrato começa por duas soluções:
    1) passar um arado no gramado do olimpico.
    2) passar uma britadeira nas gerais do olimpico.

    Façam isso e a choradeira acaba logo, logo.

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  2. http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=3913

    Mais esclarecimentos sobre a Arena do Grêmio

    Perguntei ao Dr. Gladimir Chiele se o contrato secreto de 2009 do Grêmio com a OAS, para construção, da Arena, sofreu muitas alterações. Resposta:

    “Juremir

    O contrato teve 3 aditivos que não foram sequer aprovados pelo Conselho. Esses aditivos previram a construção do CT do Grêmio, a sub-estação de luz e a locação do 4º anel, por 23 milhões por ano.

    O aditivo do CT e da Sub-estação de luz foi decorrente do ganho que a OAS teve com a desoneração fiscal promovida pelo Estado e pela Prefeitura. Contudo, em ambos os casos, a OAS se comprometeu a fazer as duas obras com limites de no máximo R$ 12 milhões. R$ 5 milhões da sub-estação e mais R$ 7 milhões do CT.

    Só que há duas coisas ai:

    1º) O contrato prevê tão somente a troca de chaves, ou seja, é uma relação ‘ad corpus’. Tudo que está no Humaitá por tudo que está na Azenha. Assim, a necessidade de uma sub-estação de luz surgiu depois, na fase final de construção da Arena. Ora, o Grêmio não tem nada a ver com a construção ou não dela. Se a relação é tudo da Azenha por tudo do Humaitá, a sub-estação tinha que fazer parte do projeto da OAS. E o Grêmio não teria que pagar nada por isso.

    Quanto ao CT, como há uma proibição contratual do Grêmio treinar no gramado da Arena, então a OAS resolveu fazer o CT, limitado ao custo de R$ 5 milhões. Se der mais, o Grêmio banca. So que a desoneração fiscal do Estado e Prefa deu muito mais do R$ 12 milhões. Passou de R$ 40 milhões. E quem está com a diferença?

    Estou apurando o montante exato da desoneração para te passar o número.

    O aditivo da locação do 4º anel (20 mil lugares) e de 8 mil cadeiras de campo, próximas ao gramado, vai custar ao Grêmio a fortuna anual de R$ 42 milhões. Isso tem que sair do caixa do Grêmio, para que o sócio possa entrar na Arena sem pagar ingresso. Isso é um absurdo, pois o faturamento de todo o quadro social do Grêmio no ano passado foi de R$ 50 milhões. Se pagar R$ 42 milhões, vai sobrar menos de R$ 10 milhões….Dizem que esse ano vai para R$ 60 milhões, mas não muda o quadro.
    Enfim, somente te mandei o email para se fazer justiça a quem sempre expôs publicamente a situação e foi criticado ao longo desse tempo. O Dr. Dourado sempre teve razão no que disse, baseado no documento que tive a oportunidade de produzir e que te mandei antes.

    Mas tenho muitas informações e números adicionais se o amigo quiser.

    Grato pelo retorno

    Gladimir”

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    • A receita do Quadro social do Grêmio em 2010, quanto começaram a erguer a Arena, foram de 25 milhões de reais e em 2013 ultrapassarão 60 milhões de reais. Nenhuma outra receita do clube subiu nessas proporções. Nesse mesmo perído a folha salarial do clube saltou de 5 milhões para 11 milhões; ano passado era de 7 (está na Zero de hoje).

      Ou seja, ou a gestão atual do Grêmio achava que o clube tinha ficado rico de uma hora para outro, ou, baseados em argumentos de Chieles da vida, tinha planejado desde sempre dar uma calote na gestora da Arena, porque era evidente que a alavancagem das receitas do QS se deviam a migração para a Arena.

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  3. Isso era questão de tempo até acontecer.

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