A busca da balneabilidade no Lago Guaíba

Já se vão longos 50 anos, quando as populações de Porto Alegre e Guaíba desfrutavam sem preocupação das águas do Lago Guaíba, nos fins de semana ensolarados das praias de Ipanema, Guarujá, e Alegria, em Guaíba. As fotos existentes em preto e branco dessas praias bem atestam isso até o final da década de 1960.

Na década de 1970, porém, esta realidade começou a ser alterada quando as análises das águas brutas do Lago Guaíba passaram a apontar para a “não balneabilidade”, segundo os critérios de classificação das águas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O trauma foi grande e aquelas regiões balneárias passaram por uma grande transformação, inclusive de estagnação, no desenvolvimento imobiliário que perdurou até o início deste século.

Porém, nesta última década nota-se uma retomada do desenvolvimento na região sul do município de Porto Alegre, ao longo da orla do Lago Guaíba, o que torna ainda mais urgente a melhoria sanitária deste importante manancial turístico e de abastecimento público.

Não se pode falar em Porto Alegre, ou mesmo na Região Metropolitana do RS, sem lembrar o Lago Guaíba, os seus formadores (rios Jacuí, Gravataí, Sinos e Caí), a Lagoa dos Patos, e das belas praias da Capital, como Ipanema, Guarujá, Veludo, Lami, Belém Novo e Itapuã (em Viamão), entre outras.

Some-se a esta situação a lenta, mas constante deterioração do Lago do ponto de vista de manancial de abastecimento com a exigência crescente de aprimoramento das técnicas de tratamento de águas, com o aparecimento do Mexilhão Dourado e proliferação de algas que se desenvolvem pelo excesso de nutrientes provenientes dos esgotos da Região Metropolitana e da Capital.

Este trabalho visa confrontar a situação do tratamento dos esgotos domésticos tratados e não tratados existentes hoje (2012) e após a entrada em operação das obras em andamento nas 12 maiores cidades da Região Metropolitana (2014), que são as que impactam a qualidade dos rios com o lançamento dos seus esgotos urbanos não tratados.

Para o Estado do RS, a Resolução 128/06, do Consema, é o regramento legal para definir a qualidade do efluente do esgoto tratado, cuja eficiência de tratamento exigida é superior a 99% na remoção da carga orgânica, DBO e de coliformes fecais e totais para índices aceitáveis para a classificação dos rios na classe 2, o limite para a balneabilidade.

Para a classificação das águas doces no Brasil, é utilizada a Resolução 357/2005, do Conama, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e define diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e os padrões de lançamento de efluentes.

O modelo matemático da análise da qualidade das águas apontou que a influência dos esgotos lançados mais próximos às regiões de estudo da balneabilidade da zona sul de Porto Alegre era a verdadeira responsável pela qualidade das águas naquela região, razão pela qual este trabalho concentrou-se apenas nas cidades situadas em um raio de 50 km do maior lançamento de esgoto bruto do RS, a Ponta da Cadeia.

A base de dados desta pesquisa foram informações cadastrais das operadoras de saneamento estadual e municipais a seguir referidas: Corsan, Dmae, Semae e Comusa.

Somente em Porto Alegre, poderemos contabilizar um acréscimo da capacidade de tratamento dos esgotos domésticos de 22,73% para 61,72%, com a entrada em operação dos SES Sarandi – 1ª etapa, SES Ponta da Cadeia, SES Cavalhada, SES Ponta Grossa, SES Restinga, sendo o primeiro atendido pela ETE Zona Norte e os quatro últimos atendidos pela ETE Serraria.

Inicialmente, foram identificados os dados cadastrais das 12 principais cidades “poluidoras”, na situação em que se encontram nesta data em 2012 (Figura 1), portanto, antes da entrada em operação dos benefícios do PAC, que somente surtirão efeitos em 2014 (Figura 2).

Os resultados destes investimentos em andamento, e que somente deverão entrar plenamente em operação em 2014, estão resumidos no quadro da Figura 3.

FIGURA 1

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FIGURA 2

figura2

FIGURA 3

figura3

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O que acontecerá com as 12 cidades na Região Metropolitana do RS

  • Ocorrerá um acréscimo percentual de 271% das economias atendidas com esgoto.
  • As economias atendidas com esgoto passarão de 22,73% para 61,72%.
  • A vazão poluente de esgoto será reduzida de 17.215.797 para 8.657.597 m³/mês.
  • A vazão poluente de esgoto não tratado cairá de 6.641 l/s para 3.340 l/s.
  • O volume mensal de esgoto tratado passará de 5.078.915 para 13.637.114 m³/mês.
  • O nº de economias atendidas com esgoto passará de 284.420 para 772.118.
  • A carga de esgoto cloacal remanescente sem tratamento, adicionada à carga poluente difusa (esgotos pluviais), indica que haverá uma melhoria nas condições de classificação das águas do Lago Guaíba, porém, ainda sem condições de balneabilidade nas praias de Ipanema, Guarujá e Ponta Grossa (Classes 3 e 4).
  • Com a redução de carga orgânica prevista para 2014, e com a capacidade de depuração do Lago Guaíba, será possível o alcance seguro da balneabilidade nas praias do extremo sul do município de Porto Alegre, como Lami, Belém Novo e Itapuã (Viamão), Alegria (Guaíba), Barra do Ribeiro e Tapes (Classe 2).

figura4

José Homero Finamor Pinto | Engenheiro Civil, Conselheiro do CREA-RS, do DMAE e da CONSEMA

Fernando Henrique Braga Finamor Pinto | Graduando Eng. Civil (PUCRS)

REVISTA DO CREA-RS – JAN/FEV 2013 – N.º 94



Categorias:Despoluição do Guaíba, Lago Guaíba, Meio Ambiente, Programa Sócio Ambiental

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38 respostas

  1. Do ponto de vista científico, Guaíba é um lago e isso sempre foi um consenso. Desde os primeiros cartógrafos até os geógrafos como Eudoro Berlink, Saint-Hilaire, Padre Rambo, entre outros, todos estiveram em acordo. O Guaíba é termo indígena (“encontro das águas”) e designava primordialmente a região onde as águas dos rios Jacuí, Caí, Sinos e Gravataí se encontram com um grande corpo de água estagnante formando o delta e as ilhas. Deltas são formações exclusivas do encontro entre rio-lago ou de rio-oceano. O encontro de rio-rio não cria enseadas e deltas devido a sua dinâmica fluvial formadora de margens longilíneas e paralelas devido ao atrito causado por sua corrente. Aliás, é importante ressaltar que correntes não são exclusivas de rios. Oceanos, lagos e lagunas possuem correntes. Outra característica marcante dos lagos é a sua orla que possui bacias, penínsulas e recortes variáveis. Já os rios formam margens paralelas sob planícies fluviais, ainda que estas façam curvas, suas tangentes variam de forma conjunta.

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  2. O “nome” para chamar essas aguas nao tem consequencias tao ludicas, como usar a palavra que a populacao consagrou, e nem importancia tao relativas, como “o que importam quais sao as letras usadas?”
    A dfinicao de rio ou lago implicam CONCRETAMENTE no tipo de legislacao que sera aplicada no Guaiba, que pode decretar que tipo de futuro ele tera. E eh exatamente essa questao que comecou a ser usada pelos contra-tudo na sua campanha para devolver a definicao de “rio” ao Guaiba.

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    • Ricardo.
      .
      Se eu disser para ti para ir até a rua da Praia para fazer qualquer coisa, tu não vais me encher o saco dizendo, “Rua dos Andradas”, agora tu falas ou escreve Rio Guaíba, e vem o Simon e corrige, “Lago Guaíba”. É um saco.

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      • Oi Rogério! Diferente da rua da praia, a terminologia do Lago Guaíba é uma questão técnica. Um “saco” mesmo foi quando nossos colegas engenheiros do DNOS resolveram construir nosso emissário cloacal no canal do delta com a vã esperança que a “correnteza do rio Guaíba” renovasse as águas. Eis que, ao contrário de um rio, os dejetos então passaram a derivar para todos os lados e a se depositar nas margens e mesmo no sistema de captação que usamos para beber.

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  3. Ambientalistas, cientistas, tecnicos e ate mesmo a UFRGS chegaram a conclusao de que o Guaiba eh lago. Porque eu falo “ate mesmo” a UFRGS”? Porque essa universidade tende a esquerda. Eles defendem a invasao e devastacao do Morro do Osso pelos indios com suas casas com TV.
    E os “ambientalistas” (esquerda e contra-tudo) portoalegrenses tem batido na tecla de que o Guaiba eh rio porque assim torna-se proibidos fazer qualquer coisa a TROCENTOS metros da orla. E, sendo lago, as restricoes na orla sao bem menores.
    BEntao, se os proprios “barbudinhos da Ufrgs” afirmam que o Gaiba eh lago…

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    • Georgeano.
      .
      Nunca vi tanta besteira como escreveste, não conheces nenhum das pessoas citadas e já as denomina de “ambientalistas” ou “barbudinhos”.
      .
      Quanto a universidade tender a esquerda é outra enorme besteira, temos elementos de esquerda e de direita, mas é mais fácil escrever isto do que pensar um pouco.

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    • Eles fizeram um imenso trabalho para identificar que o Guaíba é um lago é não um rio, mas não perceberam as consequência dessa conclusão. Agora, alguns IRRESPONSÁVEIS querem voltar atrás, para enquadrar o trabalho na sua visão ideológica. Aliás, se tivessem percebido isso antes, já teriam dirigido seu trabalho para a conclusão mais “enquadrada” ideologicamente no pensamento de esquerda… como normalmente tendem a fazer.

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      • Ou seria o contrário? Rio e lago são apenas palavras que não possuem definição cientifica. Não faz sentido definir o Guaíba como isso ou aquilo porque ele é um corpo d’água único, não existe outra coisa parecida no mundo. Eu chamo de rio porque sempre foi chamado assim. A ciência passa bem longe dessa discussão, é apenas usada para dar credibilidade as pretensões dos interessados, de um lado ou do outro.

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        • A legislação correta seria a definição das margens de domínio público segundo as características do meio d’água, porém temos uma definição do tempo do Império, e devido a isto fica todo mundo com um monte de abobrice.

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    • Georgeqno faz aquela salada ideológica que no fundo é um aglomerado de preconceitos.

      Mas enfim, acho engraçado que as pessoas acham que todo corpo de água no mundo vai caber na definição de 6 palavras. E na boa, as palavras nem me parecem tão bem Definidas.

      Fora isso, o uso popular já mostrou que não vai mudar. Vide a redenção que ja mudaram de nome numa sala fechada há 100 anos e agora só cria confusão

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      • Rua da praia.
        Parque da Redenção.
        Rio Guaíba.
        ……
        …….

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        • Lomba do Sabão.
          Beco do Carvalho.
          …….

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        • Faixa preta, praças da alfândega e da matriz…

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        • Felipe.
          .
          Todo este papo é simplesmente para a prefeitura poder cobrar IPTU e o estado imposto de transmissão. Se fosse Rio se poderia construir como em qualquer local (direito de uso por 99 anos), com a diferença, os impostos seriam federais e menores.
          .
          O Simon como funcionário municipal quer a verba para o município, eu como funcionário federal quero a verba para a União, agora se o Simon ganha quem se ferra é quem mora nesta região!

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        • Como há divergências legais sobre o assunto, (o STU diverge do STF) há um projeto de lei 116/2007 que tenta deixar claro este assunto, entretanto os deputados da Comissão de Finanças e Tributação procuram barrar este projeto, a turma do Simon. Enquanto os da Comissão de Comissão de Justiça e Cidadania tentam levar para diante.
          .
          Entretanto no Supremo é pacífico.

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  4. Lago ou rio, tanto faz.

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  5. Um sonho que deveria ser o objetivo de todos.

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  6. Si, é muito bom banho de rio. Por sinal, no carnaval fui para São Lourenço do Sul e recomendo a todos.

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    • Banho DE LAGO seria melhor dizer, nos 2 casos, tanto o Guaíba como a dos Patos.
      Também já fui pra São Lourenço, é excelente lá!

      Mas já tomei banho no Parque de Itapuã, tanto na parte do Guaíba como da Laguna dos Patos. A Praia do Tigre é demais !

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      • Simon.
        .
        Isto é técnico, não é achismo. Lagos não tem escoamentos tão bem definidos como o do RIO GUAÍBA, logo independente de outros fatores políticos e não científicos, Guaíba é um RIO e não um LAGO.
        .
        Tecnicamente há somente um geólogo ( Rualdo Menegat) que por detalhes que já foram refutados pelo Geólogo e Coordenador do Curso de Pós-graduação de geologia da UFRGS, Prof. Elírio Toldo Júnior, e pelo e pelo professor de hidráulica marítima do IPH (agora aposentado) Professor Luiz Emílio de Almeida
        (http://www.popa.com.br/docs/cronicas/RioGuaiba_ElirioToldoJr.pdf)
        Sei da tua discussão com o Geraldo Knippling, mas não é por ela que vou mudar de opinião.

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      • Caro Simon.
        Podes perguntar porque acredito mais em um do que outro, é simples. Em ciência não se declara simplesmente, eu sou perito nisto e naquilo, há um determinado reglamento que indica em que cada um trabalha (em sub-ramos de ciência), no caso pode-se se obter uma posição em relação aisto consultando-se o Diretório dos grupos de Pesquisa no Brasil, estes grupos tem toda um rito para a sua homologação, que passa inclusive pelo aval da própria universidade, por exemplo eu era lider de um grupo de pesquisa, como nestou quase me aposentando não apresentei documentação e fui retirado corretamente da liderança do grupo de pesquisa.
        Se observares com cuidado, nenhum dos grupos que o Prof. Rualdo apresenta-se como líder ou pesquisador, consta a especialidade referente processos fluviais e costeiros, ramao que estuda a formação de rios, lagos, lagoas, deltas etc., enquanto os dois últimos são ESPECIALISTAS no assunto. Um toca por ouvido e os outros leêm a partitura.

        Áreas de pesquisa listadas no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq do Prof. Rualdo Menegat: Ensino, aprendizagem e cognição em geociências, Grupo de Estudos Tectônicos, Geologia do Petróleo, Ecologia de Paisagem, Avaliação dos registros e definição da importância ambiental dos incêndios vegetacionais durante o tempo. http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhepesq.jsp?pesq=3893878416502561

        Áreas de pesquisa listadas no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq do Prof. Elírio Toldo Jr.: Geologia Marinha, Geologia Marinha e Costeira, Processos fluviais e costeiros. http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhepesq.jsp?pesq=6571341124735078

        Áreas de pesquisa listadas no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq do Prof. Luiz Emílio de Sá brito de Almeida: Processos fluviais e costeiros,
        Grupo de gerenciamento costeiro, Geofísica marinha e costeira. (e outras áreas afins) http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhepesq.jsp?pesq=7609554091701949

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      • Em resumo: RIO GUAÍBA.

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        • Essa discussão rio ou lago é só por questões de potenciais construtivos.

          Rio ou Lago, o volume de água e afins não mudarão. E a mentalidade da vanguarda, também.

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  7. No fim de ano eu fui la’ em Itapua dar umas voltas de caiaque e aproveitei para redescobrir os prazeres de tomar banho de rio. E’ incrivel como se tem uma agua limpissima a poucos kms dessa agua podre do perimetro urbano.

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    • Banho de LAGO Ricardo.

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      • Se fosse lago a figura representando o escoamento preferencial e seguindo o talveg não teria sentido. É um rio, o Rio Guaíba.

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        • Então o Atlas Ambiental de Porto Alegre está errado? ahahahahah
          Sinto muito, mas oficialmente é um lago e assim considerarei.

          https://portoimagem.wordpress.com/o-guaiba-e-um-lago/

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        • Ingenuidade achar qur uma única fonte é suficiente para selar uma qüestão tão complexa, Gilberto.

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        • Já ouvi dizerem que foi alterada a classificação do Guaíba de rio para lago pois rios tem uma área proteção ambiental maior. Ou seja, provavelmente transformaram o Guaíba em lago para as empreiteiras poderem construir às suas margens.

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        • Marcelo.
          .
          Não era para as empreiteiras construírem as suas margens, era para a prefeitura cobrar imposto, pois sendo área da Marinha pode construir, só que não tem IPTU, recebes um direito de concessão de 99 anos para o seu uso.
          .
          Isto é chamado Laudêmio, pagas 2,5% a 5% do valor de cada transação e quando da construção um imposto único de 0,6% do valor do imóvel.
          .
          O problema aqui é que todos querem que os moradores das margens dos rios paguem mais impostos!
          .
          Inclusive todas as famílias que ocupam a faixa de marinha com rendimentos inferiores a cinco salários mínimos são totalmente isentas de qualquer imposto, e a prefeitura e o estado vão perder esta boquinha.
          .
          Este motivo da legislação mudando o nome do Rio Guaíba para Lago Guaíba, não favorece empreiteiras pois qualquer um pode requisitar o uso da faixa de marinha conforme regras especiais, mas não vai pagar imposto de transmissão ao estado nem IPTU ao município (e as avaliações da Marinha são muito baixas).

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  8. Fico imaginando o acréscimo na qualidade de vida que teremos. Água mais pura, ar com menos cheiro, menos incidência de doenças de pele, cabelo e parasitas nas pessoas. Mesmo quem não mora ao lado do Guaíba, acaba sofrendo a influência devido aos ventos ou aves que podem transportar bactérias.

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