Sinaleiras emperram o trânsito em Porto Alegre

EPTC justifica que é preciso proteger a vida dos pedestres e disciplinar o tráfego de automóveis

Cantrais de controle verificam se fluxo está adequado   Crédito: André Ávila

Cantrais de controle verificam se fluxo está adequado Crédito: André Ávila

Além das inúmeras obras viárias em curso em Porto Alegre que alteram a rotina do trânsito em diversos bairros da Capital, os motoristas porto-alegrenses têm reclamado do tempo dos semáforos. Para alguns condutores, existe um excesso de sinaleiras que prejudicam a circulação dos veículos e a consequência do ‘para e anda’ é o aumento dos congestionamentos. Entretanto, um outro grupo afirma que a presença dos semáforos ajuda a proteger a vida dos pedestres e a disciplinar o tráfego.

O diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, ressalta que a Capital possui 1.054 cruzamentos com sinaleiras que são fundamentais para a proteção do pedestre e a circulação de uma frota que passa dos 800 mil automóveis. “Se fôssemos atender a todos os pedidos que diariamente chegam à empresa, teríamos mais de 2 mil cruzamentos com sinaleiras. O cidadão quer uma via segura, principalmente perto de escolas e universidades”, comenta. Segundo Cappellari, nas reuniões comunitárias realizadas pela prefeitura em bairros das zonas Sul, Norte e Leste, a principal reivindicação dos moradores à empresa diz respeito à colocação de semáforos como forma de diminuir o excesso de velocidade.

“O atropelamento é hoje a principal causa de morte no trânsito da Capital, e a proteção do pedestre ocorre com a colocação de sinaleiras ou lombadas físicas ou eletrônicas para reduzir a velocidade nos pontos de travessia de pedestres”, acrescenta. Cappellari reconhece que o semáforo prejudica a circulação de carros, mas afirma que o equipamento é necessário para a gestão e distribuição do tempo nas ruas e avenidas da cidade. Segundo ele, constantemente a área técnica da EPTC atualiza os volumes de fluxo de automóveis e realiza contagem para verificar se o tempo implantado, por exemplo, nas avenidas Ipiranga, Nilo Peçanha ou Padre Cacique, é o adequado para a via.

Cappellari afirma que Porto Alegre possui uma das mais modernas centrais de controle e operação de sinaleiras do país. “Essa modernidade possibilitou a colocação de semáforos em todas as rotatórias e terminamos com o problema de congestionamentos e acidentes nesses locais”, explica. Segundo ele, a Nilo Peçanha é o melhor exemplo de que a colocação de semáforos melhorou a circulação de carros. “Era um local de conflito porque o fluxo de automóveis era muito grande e os veículos que vinham das ruas Carazinho e Carlos Trein Filho quase não conseguiam entrar na rótula. Isso resultava em acidentes porque os motoristas não queriam esperar um minuto parados”, diz. O semáforo colocado na região, segundo a EPTC, resultou em uma fluidez do trânsito e acabou com os congestionamento que eram históricos na região.

Outra reclamação dos motoristas diz respeito à III Perimetral. Cappellari aponta que, com a construção dos viadutos, boa parte dos semáforos será retirada da via, que, com 12 quilômetros de extensão, liga o Norte ao Sul.

Faltam vias expressas

Os congestionamentos ocorrem no trânsito de Porto Alegre porque existem gargalos pontuais em praticamente todos os bairros da cidade e uma infinidade de vias de mão única que são “verdadeiras armadilhas” para os motoristas. A opinião é do consultor de Engenharia de Trânsito, engenheiro civil Mauri Panitz. “Existe uma rede viária boa, mas incompleta, porque não temos vias expressas que permitam o trânsito rápido, sem a interferência de semáforos e cruzamentos”, acrescenta.

Panitz acredita que parte dos problemas seria resolvida com a construção de pequenos viadutos em cruzamentos de maior movimento, como é o caso da III Perimetral. “Foi projetada para ser uma via expressa e hoje possui cerca de 80 semáforos”, revela. Segundo Panitz, o erro da III Perimetral é a colocação do corredor de ônibus no centro da via. “São dois semáforos, um para cada sentido, que prejudicam a circulação na região”, assinala.

De acordo com o engenheiro, 50% das sinaleiras da via são destinadas às estações de ônibus e 50% aos cruzamentos, o que acaba por resultar em uma circulação de veículos lenta e a formação de congestionamentos, principalmente nos horários de pico. Conforme Panitz, a III Perimetral teria mais fluidez e, por consequência, menos sinaleiras se os ônibus, ao invés de circularem pelos corredores, encostassem nas calçadas para embarque e desembarque. “Os corredores resultariam em duas pistas que poderiam ser utilizadas pelos veículos e ocorreria uma diminuição dos congestionamentos na região”, projeta.

Taxistas opinam

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari, afirma que Porto Alegre deixou de ser a cidade sorriso para ser a cidade das sinaleiras. Ele critica o fato de os técnicos da EPTC “virarem as costas para a sociedade”. “A instalação do equipamento tem de ser precedida de um estudo técnico. Então, por que não pedir a opinião de quem está no dia a dia do trânsito, como é caso dos taxistas?”, questiona.

De acordo com Nozari, somente agora é avaliada a possibilidade de construção de viadutos na III Perimetral para eliminar as sinaleiras. “São obras que deveriam ter sido construídas há pelo menos duas décadas, e não agora correr contra o tempo em função da Copa do Mundo.” O taxista João Rodrigues Machado diz que a cidade possui muitas sinaleiras, mas as acha necessárias para preservação da vida de pedestres e controlar os motoristas que não respeitam as leis de trânsito. Para Ricardo Andrade, também taxista, teria de ocorrer a redução imediata das sinaleiras na III Perimetral. “Foi projetada para ser rápido e hoje vive congestionada pelo excesso de semáforos.”

Correio do Povo



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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36 respostas

  1. Não tinham colocado os tais laços indutivos nas principais sinaleiras?

    Lembro que isso tinha melhorado e muito o fluxo, principalmente no cruzamento com Plinio e com a Cristóvão.

    Mas parece que piorou tudo de novo, não sei se por causa do aumento do número de automóveis, ou se desativaram o sistema. Sei lá.

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  2. moro proximo a fapa e sou refem da protasio, proximo dali, atras da fapa existe uma via que é duplicada e serviria como alternativa a protasio, mas misteriosamente a MARIO MENEGHETI ENCERRA ATRAS DA FAPA… e azar do pessoal que vem da nona leste.

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  3. No que se refere as sinaleiras da 3ª Perimetral, para quem é morador neste caso, posso afirmar que o que acontece na extensão da avenida em termos de alta velocidade é algo que passa dos limites do bom senso, inúmeros acidentes, várias vítimas, tudo a cargo da alta velocidade, na madrugada nem se fala.

    O que deveria ocorrer é a sincronização das sinaleiras, certamente aí estaria a solução.

    Mexer e suprimir sem o devido estudo, é colocar o cidadão em risco de vida no trecho da avenida.

    A colocação de câmeras na avenida iria acabar com a alta velocidade praticada por maus motoristas, o que impede a colocação, até porque iria acabar parte dos crimes de vandalismo que são praticados nas paradas de ônibus.

    Falta visão para a 3ª Perimetral.

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  4. Quanto a questão das sinaleiras, acho prematura a retirada das mesmas, visto que o trânsito tem alto índice de acidentes, em que os cidadãos que andam a pé e os que andam de carro tomarem atitudes que na maioria das vezes transforma-se em tragédias, vivemos um momento que um detalhe é o suficiente, tal a falta de educação de ambas as partes.

    Portanto, as sinaleiras não são o problema do trânsito e, sim a falta de educação dos cidadãos como um todo.

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  5. Claro que transformar os corredores de ônibus em vias para os carros é a melhor solução que existe! Piora-se a situação do transporte publico, e ainda por cima não muda nada na situação dos carros. Sincronizar as sinaleiras? Transformar o corredor da III perimetral em BRT? Não! São idéias retrógradas demais que apenas cidades atrasadas apostam!

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  6. Acho que este especialista estou na escola americana, que só mede a eficiência de vias pelo número de veículos que passa por ela. Felizmente, até os EUA já estão largando isso.

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  7. http://discutindopoa.blogspot.com.br/2013/04/especialistas.html

    “Especialistas”
    Quase cai da cadeira lendo reportagem do Correio do Povo de ontem! A reportagem contém um conjunto de absurdos, que mostram claramente como nossos “especialistas” – ouvidos na reportagem – estão completamente distanciados das mais modernas visões de trânsito. Vejamos as pérolas!

    Sinaleiras Emperram o Trânsito de Porto Alegre

    O título já começa bem! Cabe a – quem diria? – nosso velho amigo Capellari lembrar que as sinaleiras são necessárias para evitar as mortes de pedestres. Sim, há um problema de sincronismo nas sinaleiras crônico. Isto é um problema complexo, mas é fundamentalmente falta de competência – e, sim, reduz a eficiência do trânsito para carros e ônibus.

    Entretanto, o maior problema são os tempos ridículos de sinaleira para pedestres. Isto, infelizmente, não é citado. Este é um problema de filosofia! Atravessar a Ipiranga, na esquina com a Azenha, por exemplo, necessita de dois tempos de semáforo. Isto para mim que caminho rápido! São 9 segundos em uma das pistas, o que é insuficiente para muitos pedestres que caminham mais devagar!

    A matéria não diz quem é o autor da frase do título, o que me faz torcer que tenha sido o repórter. Torço por isto, pois aí seria apenas mais um caso de mau jornalismo.

    III Perimetral

    Capellari, mais uma vez, diz que os semáforos serão retirados das vias com a introdução dos viadutos. Imagino que a travessia dos pedestres se dará por balão! Esta ideia tem sido sistematicamente defendida pela prefeitura e sistematicamente refutada! Será que eles não notam que, quando as obras ficarem prontas, os motoristas que acreditaram nesta mentira descobrirão que foram enganados?

    Vias Expressas

    Aqui é onde mais dói. Não só conseguiram um especialista para defender vias expressas, como este especialista é justamente o responsável pelo parecer técnico do grupo que defendia o fim da trincheira da Anita! Embora a obra tenha vários problemas básicos, este tipo de comportamento deixa mais uma vez transparecer que o problema da associação de bairro não era com a obra, mas com ela ser do lado da casa deles.

    Pior, o tal especialista em trânsito, Mauri Panitz, defende o fim do corredor de ônibus da avenida!!! Ele quer que os ônibus circulem na via, de modo a liberar mais uma pista para os carros!!! Propor algo assim é um retrocesso inimaginável!

    Mesmo ignorando a punhalada que o “especialista” propõe no transporte público e, por conseguinte, na maior parte da população, pois este é o meio mais usado de locomoção na cidade, esta proposta ainda não se sustenta por diversas razões:

    Especialistas de trânsito de verdade conhecem bem o fenômeno de demanda latente. Introduzir novas vias tende a aumentar o uso de automóveis, fazendo o investimento se tornar inútil;
    O trânsito não é resolvido por uma via, mas por um sistema integrado. A introdução burra de uma via (ou ampliação de uma existente) pode piorar o trânsito, como ilustra o Paradoxo de Braess;
    Um investimento em uma super via somente poderia ser útil se o restante do sistema não estivesse estrangulado. Como está hoje, apenas transferirá o congestionamento para as vias coletoras e receptoras do trânsito.

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  8. Parabéns, texto muito lúcido ! Há uns 30 dias falei examente isto aqui. Corredor no centro da via é um equívoco de nossa cidade, pois duplica o número de semáforos.O autor do texto é especialista no assunto, mas ainda assim, alguns sabe tudo aqui tentam esbravejar …..

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  9. Que texto horroroso. O cara só pensa no fluxo de automóveis particulares, não pensa em ônibus, não pensa em pedestre, não pensa em bicicleta. Qual era o objetivo ao publicar esse texto? Irritar as pessoas inteligentes?

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    • Acho que o Gilberto queria incentivar uma discussão sobre o texto, não é sempre que se discute um texto que todos concordam com o apontado.

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  10. Talvez um contra-ponto desse tópico seria medidas para facilitar o transporte coletivo… e se as sinaleiras abrissem dando preferência sempre para os ônibus? E se sincronizássemos os ônibus nesses cruzamentos?

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