EDITORIAL ZERO HORA: As árvores e a duplicação

A decisão final sobre a polêmica envolvendo a necessidade do corte de árvores para a duplicação da Avenida Edvaldo Pereira Paiva – obra considerada essencial para a Copa do Mundo em Porto Alegre – ficará com o Judiciário, que deverá se pronunciar sobre o assunto nos próximos dias. Seja qual for o desfecho, porém, a lição que fica do impasse, mais uma vez, é o quanto o antagonismo em relação a alguns temas no Estado tende a contribuir para a paralisação ou mesmo para o atraso. É inacreditável que nem mesmo a importância de um empreendimento desse tipo e a urgência para uma definição sobre a continuidade dos trabalhos tenham sensibilizado as partes.

Em outras questões igualmente polêmicas, os debates conseguiram avançar a ponto de assegurarem uma situação melhor do que a anterior. De alguma forma, foi o que ocorreu quando a estátua do Laçador precisou ser removida devido à construção de um viaduto. Hoje, o novo local se constitui uma referência para quem visita Porto Alegre. A situação guarda semelhança com a da Avenida Beira-Rio, diretamente associada à Usina do Gasômetro, uma das referências de Porto Alegre, mas que continua chamando a atenção pelo descaso do poder público em relação ao seu entorno.

Certamente, as necessidades impostas pelo crescimento urbano não deveriam implicar prejuízos de ordem ambiental. Mas, quando existe um conflito dessa natureza, a solução deve contemplar os interesses maiores da coletividade e não apenas de grupos organizados, por mais nobre que seja a sua causa. Ninguém defende que aquela área importante da cidade se transforme apenas numa passagem de carros, desconsiderando as pessoas que frequentam o local. Por isso, uma eventual decisão favorável ao corte das árvores – que parece o mais sensato, diante do inadiável desafio de promover a reforma urbana planejada – tem como ser compensada pelo replantio e pela manutenção da área verde na cidade. O inadmissível é que a capital dos gaúchos se mostre incapaz de encontrar solução para questões que, daqui para a frente, tendem a ser cada vez mais corriqueiras.

ZERO HORA, 27/04/2013 – Edição impressa



Categorias:Duplicação de avenidas

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49 respostas

  1. Que a RBS é lacaia das empreiteiras – aliás dona de uma também – não é nenhuma novidade. O bizarro é ver gente neste blog que parece ter mais do que o primário incompleto achando lindo que todos absorvam esse discursinho do “pogreço”. O caso não é de “pogreço” contra as árvores, mas sim de ter-se uma politicalha que vive de jabá planejando uma cidade para as empreiteiras e os carros particulares, e não para a qualidade de vida da população e para um urbanismo efetivamente sustentável. Aplaude a porcaria aí, tigrada!

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  2. Eeeee. Zachia preso. Ah que vai dar o que falar hein!

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    • Alguma coisa iria acontecer… essa de compensação ambiental com motosserras era só a ponta do iceberg.

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    • Finalmente começaram a multar esses mal-educados que preferem obedecem as instruções de flanelinhas ao bom senso e a lei.

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