Artigo: O embaixador Kiko, por Marcelo Aiquel

Tomei conhecimento, entre incrédulo e pasmo, da “escolha” do ator coadjuvante de um pastelão mexicano de terceira categoria, conhecido por ser exibido em TVs abertas de apelo popular e de baixíssimo índice de audiência, para ocupar o honroso cargo de Embaixador de Porto Alegre na Copa do Mundo de 2014.

Mesmo tendo filho pequeno, nunca tinha sequer escutado algo sobre a existência de tão importante membro do cenário cultural mundial. Fui descobrir e concluí que a notícia deveria ser uma piada. Não era!

Se, por um lado, o referido personagem circense combina perfeitamente com o espetáculo absolutamente inapropriado para o atual momento econômico brasileiro, onde se vê fortunas do dinheiro público serem desviadas para obras faraônicas, que não atacam os verdadeiros e graves problemas nacionais (educação, saúde pública, e segurança – não necessariamente nesta ordem), não consigo compreender que colaboração tal artista poderá trazer à nossa capital, no quesito divulgação.

Porque, penso, foi para isso que ele foi escolhido.

Pois bem: nasci e cresci em um Estado que se caracterizou, frente ao Brasil, como o berço de homens (e mulheres) ilustres, de coragem e personalidade marcante, incansáveis na luta pelos seus ideais.

Nesta esteira, Porto Alegre acompanhou – e acompanha – a trajetória de dezenas de personalidades, cuja importância, e representatividade, no cenário nacional e mundial é inegável.

No terreno esportivo, somos a terra de campeões mundiais de futebol, um deles ainda vivo, e forte.

Assim mesmo, e não se sabe exatamente o motivo, os nossos dirigentes resolveram convidar um artista de duvidosa excelência, cujo maior (senão o único!) trabalho é o de desempenhar um personagem que mais parece o que popularmente adjetivamos, aqui no sul, como “abobado”.

Das justificativas que escutei, nenhuma foi capaz de – sequer – me causar reflexão.

Ora, disse um, ele poderá “vender” a nossa imagem no México!

Com todo o respeito ao caloroso e simpático povo mexicano, gostaria de imaginar quantos deles pretendem vir conhecer Porto Alegre por causa do “Kiko”? Sem contar que os mexicanos não são uma fonte de turismo relevante, como é notório. Ou não?

Pensando nisso, pude concluir que, afora a vaidade dos governantes, e do interesse financeiro das empreiteiras, Porto Alegre acertou na mosca ao escolher um “palhaço” para representar o “circo” que virá em 2014.

Gastos bilionários e nenhum novo hospital, nenhuma escola pública decente, e a (in)segurança caminhando rumo ao caos.

Como nos ensinaram os antigos romanos, “panis et circenses”, porque a festa continua.

E viva a Copa. E viva o Kiko!

___________________

Marcelo Aiquel é Advogado 

Espaço Vital



Categorias:Artigos, COPA 2014

Tags:, , , ,

38 respostas

  1. Aprofundar o comentario seria interessante. Qual programa infantil (sim é um programa infantil, v c assiste MARCELO?) vc ve no mundo com simplicidade sem recursos, inocente
    e que exporta sua criação para boa parte do mundo, podemos citar? Tudo o que fala a linguagem das crianças merece veneração e as crianças adoram o Chaves e sua turma. Quem fica tanto tempo veiculando um programa merece no minimo analise mais criteriosa.
    Meu filho de 26 anos assistiu e eu com ele. Meu filho de 9 assiste e eu com ele. Vejo criação e bom humor, então serve como referencia, vc queria o Bozo?

    Curtir

  2. A melhor parte de todas as materias deste blog são os comentarios, a inteligencia de alguns e a estupidez de outros mostra o quanto somos diferentes do resto do país. A divergencia de opinoões é um presente para todos os gaúchos. Mas eu fiquei com uma duvida, no texto o autor escreveu “No terreno esportivo, somos a terra de campeões mundiais de futebol, um deles ainda vivo, e forte.” Qual time se refere? Qual dos dois ainda vive o imortal ou o gigante?

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: