Duplicação gera insegurança nos moradores da Tronco

A Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação (Cuthab), da Câmara Municipal, presidida pelo vereador Delegado Cleiton (PDT), realizou na tarde desta terça-feira (7/5), uma reunião para discutir a situação das cerca de 1,5 mil famílias da Vila Tronco, na zona sul de Porto Alegre, que estão sendo removidas de suas atuais moradias por conta das obras de duplicação da Avenida Tronco. Essa intervenção está entre as principais ações do cronograma de obras para a Copa do Mundo de 2014. A obra deve alargar seis quilômetros da Avenida e está orçada em R$ 120 milhões.

O presidente da União das Associações de Moradores de Porto Alegre (Uampa), Pedro Dias, disse que “as remoções, de maneira geral, têm sido feitas de forma arbitrária, onde as únicas alternativas ofertadas pela prefeitura são o aluguel social e o bônus-moradia”. O bônus-moradia, segundo o secretário-adjunto do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Marcos Botelho, é um benefício no qual a família procura um imóvel de sua preferência. “O Demhab compra e repassa o título de propriedade ao beneficiário”, disse. O valor do bônus é de R$ 52.340,00, mais impostos e custas com tabelionato e registro. As famílias com renda de até R$ 1.600,00 poderão ser contempladas no Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, ou com o recebimento de bônus-moradia ou ainda por meio de indenização (se o valor da edificação superar o do bônus).

O Centro de Umbanda e Culto Africano Mãe Maria de Oxum (Casa da Mãe Maria) precisará ser realocado por causa da duplicação da Avenida Tronco. Presente à reunião, mãe Maria criticou a Prefeitura Municipal: “Eu não estou saindo da minha casa por vontade própria, mas sei que esta obra é para o bem da cidade. O que peço, no entanto, são condições dignas para continuar meu trabalho espiritual”.

Segundo a Procuradoria Geral do Município, as famílias com renda superior a R $1.600,00 somente poderão optar pelo bônus-moradia ou indenização pela edificação. No total, 295 famílias já buscaram o bônus-moradia e 44 pelo aluguel social, no valor de R$ 500,00 por mês. Waldir Bohn Gass, membro do Comitê de Apoio às Comunidades nas Lutas por seus Direitos, informou que já foram realizadas mais de 50 assembleias com as comunidades das vilas Silva Paes, Maria, Tronco, Cristal, Cruzeiro, Figueira, na Ocupação Gastão Mazeron e nas casas de passagem da Avenida Padre Cacique, para explicar as mudanças na região e até o momento nada foi resolvido. “Somos a favor do desenvolvimento e da melhoria da qualidade de vida da população, o momento é de insegurança entre os moradores para o futuro. Queremos que o bônus-moradia passe para R$ 80 mil”, salientou Bohn Gass.

Com a constatação de que grande parte das pessoas prefere continuar na região, o Município adquiriu áreas nas imediações das avenidas que passarão por obras, onde serão construídos os residenciais, com recursos do Programa Minha Casa, Minha Vida. Com o objetivo de atender às comunidades da região, foi criado o escritório Nova Tronco. Situado na Rua Mariano de Matos, 889, no local poderão ser sanadas todas as dúvidas sobre as questões habitacionais do Projeto da Nova Tronco. O atendimento é prestado por advogados, arquitetos, técnicos sociais, assistentes administrativos e pelo secretário-adjunto do Demhab, Marcos Botelho.

Ao final da reunião, o vice-presidente da Cuthab, vereador Cassio Trogildo (PTB), sugeriu que fosse feito um cronograma entre a Prefeitura Municipal, Caixa Econômica Federal e Cuthab, para que os vereadores pudessem participar das reuniões e dar mais agilidade às obras. A conclusão da obra da Avenida Tronco está prevista para maio de 2014. Também participaram da reunião a vereadora Jussara Cony (PCdoB) e representantes da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), Governança Local, Procuradoria Geral do Município, União das Associações de Moradores de Porto Alegre (Uampa), Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Comitê de Apoio às Comunidades nas Lutas por seus Direitos e Comunidade Penna Oliveira.

Texto: Guga Stefanello (reg. prof. 12.315)
Edição: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)

Câmara Municipal



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41 respostas

  1. Para a remoção das vilas, deve-se levar em conta a verticalização. Já disse antes, e insisto, o ideal é fazer blocões de apartamentos, que já inibem os puxadinhos. Com a instalação de pontos comerciais e de serviços nos pisos térreos, já fica mais fácil integrar a microeconomia local (botecos, padarias, etc.), e eventualmente aproveitando a extensão de alguns terrenos para substituir escadas por rampas, para que não prejudique tanto a moradores idosos ou deficientes físicos no caso duma queda de energia que interrompesse o funcionamento de elevadores. Também seria interessante aproveitar alguns elementos de estilo relativamente simples de executar, mas com bom resultado estético, a serem aplicados às fachadas dos prédios para quebrar um pouco a imagem de favela maquiada. Com uns prédios de até 8 pavimentos já seria possível desfavelizar a região, livrar espaço para a abertura de vias de circulação mais amplas, instalação de unidades de serviço público (escolas, creches, unidades básicas de saúde e posto policial) e até a construção de unidades habitacionais destinadas a outros públicos-alvo nas imediações (podendo aumentar o gabarito nesses projetos para uns 12 ou 14 pavimentos) para quebrar um pouco o isolamento entre a subcultura favelística e a cidade formal.

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    • Caro Guardião.
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      Procurei dar no início uma direção da discussão neste sentido, o que resumiste sistematizasse e acrescentasse com qualidade. Por incrível que pareça, quem procurou fazer no Brasil algo do tipo foi o Paulo Maluf quando era prefeito de São Paulo com o chamado projeto Cingapura. O problema que sendo o Maluf o que é associaram este projeto a especulação imobiliária e outras maracutaias típicas desta figura da política brasileira.
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      Para fazer algo deste tipo deve-se antes de tudo ter transparência e colocar a sociedade com seus atores principais como o CREA, o CRAU as sociedades de engenharia e arquitetura, as associações de bairro e demais já no início da ideia para que ela seja transparente e evite outros interesses.
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      Um projeto como descreves daria para além de dar habitação condigna a todos, dar consciência de espírito republicano a todos. Agora soluções mais ou menos como as feitas na chegada da família real ao país em 1808, escrevendo nas portas das casas um PR (Príncipe Regente, lido por todos como Ponha-se na Rua) e dando um período para que se ache nova residência (que não existiam na época) não serve a nada.
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      Hoje em dia, como tu deixas transparecer, já há uma cultura na Arquitetura para que não se transforme uma favela horizontal numa vertical, logo esta cultura deve ser incorporada em empreendimentos sociais deste tipo. Inclusive acho que no meio desses imóveis sociais deveriam ser reservadas áreas para empreendimentos tradicionais de apartamentos de maior área para não criar guetos e permitir que os bairros sejam criados com diversidade.
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      O problema de nossa cidade, e se vê com clareza no caso da vila Tronco, que já se sabia há mais de cinco anos que ela deveria ser removida, porém mesmo sabendo isto nenhuma ação a médio prazo foi tomada, se houvesse já há cinco anos começada a discussão haveria tempo para equacionar o melhor possível e a desocupação seria tranquila e proveitosa.
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      Agora pode-se perguntar o por quê desta ação a médio prazo não foi tomada? A resposta para mim parece simples. Não há e nunca houve uma política definida de como se resolve o problema. Como não há um plano diretor neste sentido, o gestor municipal fica COM MEDO DE PERDER O CONTROLE DA AÇÃO, ou seja, tem medo que outras tendências políticas tomem a si o desenvolvimento do processo.
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      Diga-se de passagem que mesmo o governo do PT, no início de sua gestão não tinha também nenhum programa de ações que contemplasse a moradia popular, o que aconteceu naquela época que ações isoladas de militantes do partido (contra a maioria do partido) promoveram ações exitosas que foram depois replicadas em outras regiões sem o acompanhamento do que deu certo e do que deu errado corrigindo os seus rumos.
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      Na política de nossa cidade, mesmo mudando partidos, o que se vê sempre é um total amadorismo em termos de planejamento a longo prazo sob o ponto de vista de TODOS OS PRINCIPAIS EIXOS DE CARÊNCIA DA CIDADE. Uma coisa interessante que as pessoas não se dão conta é que o Orçamento Participativo nasceu principalmente da inexistência de qualquer plano estruturado na cidade. Ele deu boas respostas enquanto as necessidades eram locais, asfaltamento e iluminação de uma rua, saneamento de uma micro-região e outras, porém quando viu-se na necessidade de resolver problemas estruturantes da cidade, simplesmente pegou-se um projeto do tempo (1942) do então interventor do município, Loureiro da Silva e implantou-se, sem ao menos estudar o que se deveria modificar.
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      Faltam planejadores, faltam urbanistas, faltam em essência pessoas que pensem a cidade de forma mais ampla procurando com olhos no futuro (como Loureiro da Silva) olhar o desenvolvimento da cidade em todos os sentidos (não somente no viário e imobiliário!). O raciocínio é feito por pulsos, passam-se vinte ou trinta anos sem maiores planejamentos e de um momento para outro, quando aparecem recursos, começa-se a investir em planos antigos, soluções de última hora e improvisações.
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      Para que tivéssemos um planejamento eficaz, deveríamos ter na realidade uma VERDADEIRA secretaria do PLANEJAMENTO, não para planejar o próximo mês ou a próximo ano, mas sim as próximas décadas. Esta secretaria deveria ser uma espécie de órgão de ESTADO, não de GOVERNO, composta exclusivamente por pessoal permanente CRITERIOSAMENTE SELECIONADO através de algo bem mais amplo do que um mero concurso público, onde na maioria das vezes mais de 60% é verificado se os concursados sabem português e conhecem os meandros da legislação vigente. Deveríamos ter para um concurso para esta secretaria uma avaliação criteriosa que verificasse inclusive a capacidade criativa de seus candidatos.
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      Temos que sair do imediatismo e do mesmismo que nos rege, pois se não for feito assim, daqui a vinte anos se estará discutindo a mesma coisa.

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      • Esperar que os “intelectuais” do PT e congêneres saibam conduzir uma política habitacional decente não vale a pena. Se extinguir as favelas, acabam alguns dos principais currais eleitorais.

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        • Caro Hell’s.
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          Acho que erraste feio a causa com o efeito. “Intelectuais do PT e congêneres” não pensam em habitação popular pois interpretam isto como assistencialismo, e por isto não colocam no seu menu de prioridades.
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          Esta interpretação de currais eleitorais em favelas existentes é totalmente contra a realidade, pois inclusive nestas favelas a presença de partidos como o PTB, PDT e outros partidos doando cadeiras de rodas aos necessitados é bem mais forte do que o PT. Se fosse pelo raciocínio dos focos de apoio eleitoral, o PT deveria ter feito muito mais habitações populares do que fez, pois aí sim que o apoio ao PT é mais forte.
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          Não deves utilizar jargões simplificados e politizados por aqueles que não tem apoio nenhum em zonas populares, pois erras nas afirmações.

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  2. Qualquer análise que se faça do processo de favelização das cidades brasileiras tem que levar em conta uma perspectiva histórica. Temos dezenas de fatores que explicam esta favelização, um deles que nem é tocado é a retirada de um número imenso de famílias de regiões já urbanizadas por diferentes processos, expulsão ou até por compra.
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    Parte periférica da Cidade Baixa, Praia de Belas, Bom Fim, Santana, Rio Branco, Mon’t Serrat até as Três Figueiras, eram áreas devolutas que nos séculos XVIII e XIX que foram aos poucos ocupados por negros forros e posteriormente os libertos pela abolição, junto a estes viviam também brancos pobres.
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    Por ações políticas baseadas em conceitos higienistas ou mesmo por especulação pura e simples, foram sendo retirados estes moradores para cada vez mais na periferia. Periferia que na época não possuía a mínima infraestrutura pública como escolas.
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    Estes habitantes destas áreas MUITO MAIS ANTIGOS NA PROVÍNCIA do que os imigrantes italianos e alemães, apesar de terem trabalhado por gerações para o crescimento da cidade, JAMAIS receberam um m² de terra para produzir ou morar.
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    Enquanto os filhas dos imigrantes, numa clara ideologia do fim do império e mais importante, da república velha, prosperavam a partir de um mínimo que o próprio Estado brasileiro havia os provido, terra, sementes, ferramentas e em alguns casos uma “bolsa família” de um ano. Estes brasileiros descendentes dos escravos e uma boa quantidade de brancos pobres descendentes da miscigenação da época do Brasil colônia e Império, ficavam alijados de qualquer proteção social ou de condições mínimas que os permitissem entrar no mercado de trabalho que não fosse em atividades sub-remuneradas.
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    A ausência do Estado, para estes brasileiros, foi uma constante durante toda a história do Brasil. Retirados das suas casas, que no início do século XX possuíam características bem melhores do que as casas de favelas dos dias de hoje (vide http://cordeisdacidadela.files.wordpress.com/2011/03/colonia_africana_color_ajuste2.jpg), fatores como o racismo mantiveram a média desta população abaixo do nível de vida do resto da cidade.
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    Com estes descendentes de portalegrenses de longa data, somaram-se os imigrantes do campo, substituindo em muito a origem dos moradores das favelas.
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    Logo temos dois grupos nessas sub-habitações, um pequeno grupo que não conseguiu sair das condições precárias de vida, e uma grande quantidade de migrantes do campo, onde saíram sem a mínima instrução, sem o mínimo recurso e o mínimo apoio institucional.
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    É difícil inclusive traçar a genealogia dos habitantes destas vilas populares, pois parte deles até o meio do século passado nem registro civil tinham.
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    Estou simplesmente escrevendo aqui, que estas pessoas ditas não normais, como alguns tentam denominá-las, são descendentes de gaúchos que ajudaram a construir este estado e esta cidade, e dar a eles uma residência não é um favor, talvez seja um mínimo de retribuição ao tanto que fizeram e ao nada que receberam.

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    • Rogério

      Concordo que no passado teve muita injustiça com os povos mais antigos, principalmente os fundadores da cidade.

      O que vemos hoje em grande maioria são aproveitadores, onde invadem uma “área verde” sabendo que um dia sairão de lá e ganharão uma casa. Te convido a conhecer as invasões na beira da RS-118 em Sapucaia e Gravataí, tu vai ver cada coisa que te deixará impressionado. Gente com carro do ano na garagem, TV por assinatura e por aí vai.

      Vou me atentar ao caso da RS-118: esses dias tava lendo uma reportagem de uma familia se fazendo “de vítima” por que o governo chegou pra eles dizendo que terão que sair e achar uma casa, oferecendo um aluguel social de R$ 400,00 até encontrar uma casa pra comprar. Daí entrevistaram o dono de uma oficina de radiadores onde o cara foi bem mais consciente: “eu sabia que um dia teria que sair daqui, então estou tranquilo”, disse o dono da oficina.

      Essa mesma família “vítima” ainda dizia que tinha um monte de filhos e que não tinha condições. Ora, se não tinha condições, porque fazer um monte de filhos? não tinha TV?

      Aonde quero chegar, em resumo:

      – Estamos num regime capitalista;

      – R$ 52 mil é um valor até caro demais na minha opinião, pra alguém que não pagou NADA por onde mora. Mas OK, serve pelo menos como impulso para que a pessoa (as que forem dignas) dêem de entrada numa moradia própria. Querer um valor mais alto simplesmente porque onde estão hoje é mais valorizado é pura GANÂNCIA, ganância essa que essas pessoas não tiveram a tempos atrás, quando poderiam batalhar para terem melhores condições de vida.

      – Deve sim, ser feita justiça social, permitindo igualdade de condições. Isso está cada dia sendo melhorado, mas é um processo lento.

      – E pra finalizar: concordo que eles devam ficar próximos da área invadida. Mas temos que ter cuidado com isso, pois imagina os que invadiram aquele beco que fica perto do Country Clube na Nilo? se eles estavam ali antes do bairro crescer, OK. Mas se invadiram depois, só lamento, periferia pra eles.

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      • Caro Alex.
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        Há casos e há casos. Se particularizarmos veremos que há pessoas ricas em que a origem do dinheiro provém não da exploração da mais valia, o que é válido dentro da ideologia marxista, mas do roubo mesmo, o que é ilegal dentro de qualquer ideologia e sistema de governo.
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        Logo a tua posição, aceitando a ideologia capitalista, mas acho que certamente não aceitando o crime, deveria-se retirar as casas e os patrimônios destes que na origem tiveram seus bens obtidos da fraude, do roubo ou do uso da máquina pública.
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        Indo mais longe, se há estas pessoas que obtiveram sua riqueza a partir da fraude e por isto deveremos punir, dentro da tua própria concepção de punir a todos em nome dos que fraudam, deveríamos tirar o dinheiro de todos os que tem dinheiro.
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        Não estou fazendo apologia de nada do que escrevi no último parágrafo, simplesmente estou dizendo que fraudadores deveriam ser tratados como fraudadores, não importando a categoria social que provenham, porém chamo a atenção da assimetria que há entre os grandes fraudadores e os pequenos fraudadores.
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        Se por um acaso fossemos dentro do nosso sistema jurídico atual, endurecermos contra a fraude, certamente aqueles que dispuserem de um bom dinheiro terão condições de contratar bons escritórios de advogacia e se libertariam de qualquer punição, e por outro lado os que menos chance tiveram de obter lucro nas suas pequenas fraudes teriam seus bens recolhidos.
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        Se sentares a mesa com um grupo de idosos bem informados e com conhecimento da verdadeira história de uma cidade, ouvirás relatos de fortunas obtidas através do senso de oportunidade (no bom sentido), da inteligência e capacidade e também da capacidade de trabalho de vários membros das classe mais favorecidas. Por outro lado, ouvirás histórias de fortunas obtidas através de fraudes, roubos ou favorecimentos de bens públicos. Porém apesar destas fortunas terem sido amealhadas por meios fraudulentos num passado distante ou mesmo num passado recente, nada se pode fazer contra isto.
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        Há vários empresários, que diferentemente de outros, contrariando princípios de livre concorrência, empregam meios obscuros e ilegais para se destacar perante o grupo. O mais interessante é que no grupo social que ele convive, onde vários lutam com os meios legais para construir seu patrimônio, estas pessoas não são discriminadas. Posso dizer com segurança isto pois conheço alguns exemplos notórios destes casos, principalmente no ramo da construção civil.
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        Temos que pensar que infelizmente nem ideologias capitalistas nem socialistas conseguem fazer o básico, evitar que pessoas de mal caráter se aproveite de toda a sociedade para obter suas vantagens.
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        Posto isto, volto ao problema original, não é porque há fraudadores e indivíduos desonestos que devemos tratar todos como assim fosse, a fraude e a desonestidade deve ser punida, e no caso das residências populares caberia ao agente público evitar que elas ocorressem.
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        No momento em que levantamos um problema, como o que levantasse, deveríamos pensar sempre na sociedade como um todo, não só naqueles em que é mais evidente, pois no fundo estaríamos utilizando dois pesos e para várias medidas (já sofri reprimendas por não utilizar a expressão “dois pesos para uma medida”, mas acho que são pesos diferentes para medidas diferentes!).

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        • ERRATA: onde se lê “o que é válido dentro da ideologia marxista”, leia-se “o que é válido dentro da ideologia capitalista”.

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        • Claro, não quero generalizar. Assim como há pessoas de bem que não tiveram oportunidades, há pessoas de mal caráter que se aproveitam da situação.

          “Generalizar sempre é um erro”

          Concordo contigo quando tu diz que os grandes fraudadores, por terem melhores condições de pagar um bom advogado, acabam se livrando de punições, enquanto os que não tem condições sofrem as consequencias.

          Ambos cometeram crimes, claro. Mas a justiça deveria ser igual pra todos. (só repeti o que tu falou)

          Sobre as invasões, é um assunto delicado, pois, como tu falou, o estado permitiu que as mesmas ocorressem, e agora luta (de certa forma) pra resolver um problema crônico.

          Voltando ao assunto do post, especificamente: A prefeitura está dando condições para que eles tenham um início de uma nova vida “mais digna”, dando um valor de indenização e ainda incluindo em programas sociais como o “Minha Casa Minha Dívida” (digo, Minha Casa, Minha Vida) e eles querem que o valor aumente para R$ 80 mil? é isso que não concordo! é querer se aproveitar da situação.

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          A minha contrariedade é a inépcia da prefeitura em achar soluções mais baratas e mais convenientes a todas as partes.
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          Se há mais tempo tivessem desocupado provisoriamente uma parte da vila Tronco, construído um residencial como o da avenida Princesa Isabel, todos poderiam ter sido removidos de sub-habitações, sem perder o seus pontos de referência e com um custo menor ao município.
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          Ou seja, todos estariam satisfeitos, a avenida seria construída, os moradores seriam removidos para uma área próxima a que vivem atualmente e os munícipes gastariam menos!
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          Falta total de planejamento e inteligência, há quanto tempo já se sabe que seria construída a avenida tronco? Há quanto tempo a prefeitura já tem recursos para isto? Quanto tempo se necessita para construir um residencial digno para todos os que vivem em sub-habitações? É só planejar.
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          Outra coisa, neste residencial, no andar térreo, poderiam ser construídas pequenas lojas para os proprietários de estabelecimentos comerciais na área, eles ficariam legalmente estabelecidos, contariam não só com o comércio local mas por alguém que precisasse de serviços e que passasse pela avenida.
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          O que falta é trabalho, criatividade e iniciativa, principalmente da prefeitura.

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  3. É tudo invasão…..

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    • Sim Juliana, é tudo invasão. Mas invasão do que? De uma área que nunca interessou a ninguém e que era escondida atrás do morro. Quais as razões históricas que levaram este pessoal a invadirem esta área?
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      Estas simplificações que são terríveis!

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  4. Aos que pregam a “igualdade de oportunidades”, poderiam explicar melhor?

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    • Significa estabelecer regras iguais para todos e deixar que a capacidade e esforço individual de cada um decida o resultado individual. Por exemplo, o governo oferece educação gratuita e o esforço do aluno é que vai dar a ele mais condições no mercado de trabalho.

      Isso já acontece no Brasil. Conheço várias pessoas que estudaram em colégio público, fizeram universidade pública e estão agora ganhando um bom salário de acordo com seu conhecimento e produtividade.

      Mas acho que o governo deveria investir muito mais no ensino. Para isso deveria reduzir a maquina pública ao mínimo, privatizando estatais e cortando CCs.

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  5. Tá, mas perae: os que estão sendo desapropriados pagaram por seus imóveis algum dia?

    Ou é tudo invasão?

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    • No Brasil eles são tratados da mesma forma por governo demagogos e aí está a raiz de toda essa questão.

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  6. Mazz hein, ainda levam $52000 e’ isso? Peguem o dinheiro e vao! Prq numca irao ver um bolada assim de novo. Novos horizontes sera bom para eles.

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    • Não sendo pra perto da tua casa, “que vão”, né?

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      • Se eles conseguirem pagar sua moradia como eu! Nao ha problema nenhum. So’ nao queremos barulho de manha, nada de sujeirada na calcada etc…

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  7. Chave por Chave!!

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  8. Onde diabos uma pessoa vai conseguir comprar uma casa por R$52 mil?
    Copa pros ricos, marginalização pros pobres.

    Depois a violência cresce cada vez mais e não sabem por quê.

    Piorou e vai piorar ainda mais.

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    • É, o valor está muito baixo m esmo.

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    • Pessoas normais compram imóveis partindo do zero. Esses pessoal pode até ter usucapião das áreas que ocupam, mas em muitos casos não deram um tostão por elas e ainda estão recebendo 52 mil de lambuja. Não precisa necessariamente comprar outro imóvel por 52 mil, podem mto bem financiar o resto em 30 anos pelo “minha casa, minha vida”. Já tem uma bela entrada pra dar.

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      • “Pessoas normais”? Peraí, estás dizendo que eles não são pessoas normais?

        Desculpa mas ser expulso da comunidade onde vives e da casa que tu construíste onde vive há anos não é “de lambuja”. Muito fácil essa solução, né? Eles que passem os próximos 30 anos pagando por um imóvel ainda mais longe de onde trabalham, de qualidade duvidosa ( http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=noticia_visualizar&id_noticia=9076 ) quando já tinham casa própria.

        Quero ver se a tua postura seria a mesma se passassem uma obra desse tipo pelo teu bairro, pagassem pelo tua casa um valor insuficiente para comprar outro e te mandassem passar 30 anos pagando por um imóvel novo.

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        • Sim, agora eles estao incluidos socialmente, nao era esta a ideia? “INCLUSAO SOCIAL” por isso que nao se podia fazer nada, ate’ que todos estivesem “incluidos” em nossa sociedade? Ai o’, agora irao viver como os outros 80%.

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        • Ser removido de sua casa e de sua comunidade é inclusão social?

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        • A esquerda quer mesmo e’ que eles continuem favelados, morando em condicoes precarias. Nao interessa a certos grupos que esse pessoal humilde adquira sua casa propria, em condicoes decentes.

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        • Cara, eu já vi pelos teus comentários aqui que tu é defensor dos fracos e oprimidos, mas quanto tu acha que vale um casebre na vila Cruzeiro?

          Procurando por cima um apartamento ajeitadinho com 2 dorm e garagem no bairro Santa Tereza vale 128 mil. (http://www.penseimoveis.com.br/rs/anuncio/venda/apartamento/rs/porto-alegre/santa-tereza/3761990)

          Agora pega o Street View, olha a qualidade das casas, o bairro onde elas estão inseridas e pensa realmente se vale muito mais que isso. Talvez pra alguns seja injusto, mas pra maioria é mais do que vale.

          Sobre qualidade dos imóveis nem vou discutir. Poderia ser muito melhor, mas olha o exemplo da Chocolatão: galera morava em barraco de papelão e madeira, que incendiava periodicamente, ganharam casas de alvenaria (ok, de qualidade duvidosa, mas ganharam de GRAÇA!) e ainda reclamam. Tem gente que até revende pra ir pra outra vila e repetir o ciclo.

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        • PS.: sobre o teu último parágrafo: “Quero ver se a tua postura seria a mesma se passassem uma obra desse tipo pelo teu bairro, pagassem pelo tua casa um valor insuficiente para comprar outro e te mandassem passar 30 anos pagando por um imóvel novo.”

          Eu moro numa rua normal, não numa área invadida. É como morar numa encosta de morro. Tu deve estar ciente que podem te tirar dali pois tu não deveria estar ali.

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        • Morar num barraco, no meio do lixo e bandidagem que deve ser exemplo de inclusão social no teu mundo mágico das ruas meigas né marcelo.

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        • Não tinha pensado no valor comparado ao um apartamento regular na região. Esse que o gaspareto postou parece bem razoável mesmo, soa preço de mercado.

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      • meritocracia pressupoe igualdade de oportunidades. Isso não acontece no mundo real.

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      • Havia outras soluções que não causariam os problemas que hoje estão ocorrendo e que não precisavam ocorrer.
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        Se a prefeitura tivesse há mais tempo feito alguns imóveis próximo da área, verticalizando as moradias, poderia por um custo menor do de os 52.000 (não precisaria incluir o preço do terreno nem de uma infraestrutura que em parte já existe) sem precisar deslocar as pessoas da região que moram.
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        Agora só um comentário, dizer que as pessoas que lá habitam não são pessoas normais em termos de cidadania é no mínimo desconhecer alguns de seus moradores.
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        Há alguns anos tive uma moça que trabalhava na minha casa e morava exatamente na área que foi desapropriada, ela trabalhava e estudava e saiu da minha casa pois havia terminado o curso técnico de contabilidade e procurou um escritório de contabilidade para trabalhar.
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        Era uma pessoa extremamente normal, trabalhava, estudava e a duras penas tentava progredir na vida. Morava com seu pai que era morador da vila tronco há décadas, o seu pai era um operário qualificado que por problemas de acidente do trabalho estava impossibilitado de trabalhar (acidente sério). Recebia este senhor uma aposentadoria do INPS que mal permitia que ele se sustentasse, muito menos o resto da família, logo todos trabalhavam.
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        É fácil para alguns que ou por méritos próprios e por sorte conseguiram sair de uma situação de miséria, ou por situação familiar, já nasceram fora dela, criticar as ditas pessoas não normais.
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        Agora imagine o seguinte cenário, um(a) jovem que mora onde estes moram, ter que trabalhar desde a adolescência (no caso desta moça ela veio trabalhar depois de adulta, porém trabalhava desde os 16 anos de idade), fazer um primeiro e segundo grau numa escola pública (noturno) e depois procurar competir no mercado com pessoas com melhor escolaridade e apoio familiar.
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        Qual é a chance de uma pessoa normal, mas que não teve a sorte de nascer bem, competir em pé de igualdade com pessoas que saíram de outra situação?

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        • Pergunta pra essa moça se a vida dela não melhorou depois que ela se qualificou. Provavelmente sim.

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        • Isso que falasse sobre verticalização é fato. Honestamente acho coisa que 5o mundo essas casas pré-moldadas que constróem aqui. Desperdiça espaço (coisa cara na capital) e é pedir para fazerem puxadinho. A única habitação popular que me parece boa é aquela da esquina da João Pessoa com a Princesa Isabel. Gostaria de saber por que não repetem o tipo de projeto.

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        • Trabalho na area da constr. civil e conheci e conheço muita gente, muita mesmo, que compraram suas casas, seus terrenos, na forma legal, numa rua legal . Não foi fácil pra eles, fruto de muito trabalho mesmo, mas hoje não estão sujeitos a serem retirados contra a vontade de locais de risco ou para a ampliação de vias- pessoas humildes, não menos humildes que essas da v. cruzeiro, mas na maioria das vezes mais esforçadas. Agora vocês acham justo que estas pessoas que tem de ser retiradas ainda sejam indenizadas, por um terreno que não pagaram e ainda moraram anos de graça, num terreno que é de domínio do “estado” – em ultima análise do povo que paga imposto -? não, eu não acho, mormente com aqueles operários que optaram- que são a maioria – por comprar a coisa legalizada e se sacrificaram para tal.
          No Brasil que não se endireita é assim mesmo, se estimula o não pagamento, pois o mau pagador faz um acordo para pagar a divida com 50% d desconto, e trouxa é quem paga direitinho, trouxa é aquele operário q pagou mais caro pelo terreno mais caro mas legal.
          O nosso Brasil nunca vai melhorar enquanto este paradigma de esquerda não cair.

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    • Como todo mundo decente faz: trabalhando, se endividando, morando onde consiga pagar.

      O mundo real.

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    • Eu conheço muita gente que se esforçou para completar seus estudos, depois se esforçou para fazer uma faculdade, está a quase 10 anos no mercado de trabalho e ainda não tem 52 mil para dar de entrada num imóvel.

      O que vão dizer para estas pessoas?

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      • É isso. Pessoas normais, como eu escrevi acima leia-se isso aí: pessoas que estudaram e trabalharam pra ter suas coisas, não invadiram um terreno e se estabeleceram como os nômades de 10 mil anos atrás. As coisas não funcionam mais assim.

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      • Facil, manda invadir um terreno e esperar a prefeitura pagar pra sair..

        hahaha

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  9. Falando em Cassio Trogildo, e’ bom que se diga, ele foi absolvido pela Justica Eleitoral esses dias. Me lembro de alguns individuos aqui no blog o condenando antecipadamente quando das eleicoes. E’ bem verdade que ser absolvido, no Brasil, nao significa ser inocente, mas enfim, e’ o que se tem.

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