Comunidade pede tombamento do antigo gasômetro

gasometro-originalTexto enviado para o jornal Zero Hora por Jacqueline Sanchotene, moradora do Centro e presidente do Movimento Viva Gasômetro:

“Em 5 de março, protocolamos, junto ao Conselho do Patrimônio Histórico (Compahc), o pedido de tombamento da Usina de Gás Carbonado, nossa vizinha, que é importante marco histórico de nossa cidade e que se encontra subutilizada. Em menos de um mês, deveremos ter o primeiro parecer sobre nossa solicitação. Confira o ofício:

Prezados,

Viemos por meio desta solicitar o tombamento da Usina de Gás de Hidrogênio Carbonado, sito à Rua Washington Luiz (frente à Câmara de Vereadores), antiga Rua Pantaleão Telles. A edificação data de 1874.

A Usina de Gás da então Pantaleão Telles originou o nome Gasômetro. Popularmente, o perímetro entre as ruas Pantaleão Telles e General Salustiano era chamado de ‘Volta do Gasômetro’.

A Usina da Pantaleão Telles fornecia gás para iluminação pública e abastecimento de fogões. Esse prédio histórico, localizado no Centro Histórico, é hoje ocupado por uma fábrica de cimento do DEP. Acreditamos que a recuperação do prédio da Usina de Gás de Hidrogênio Carbonado será importante na recuperação do Centro.

Acreditamos também que, após recuperado, o prédio possa ser palco de diversas atividades. Entre elas, sediar o Memorial do Fórum Social Mundial ou mesmo ser o local de ensaios e apresentações dos importantes grupos teatrais que ensaiavam no Hospital Psiquiátrico São Pedro e que hoje se encontram em difícil situação naquele local.

O projeto que for escolhido para ser sediado no prédio da antiga Usina de Gás Carbonado poderá incluir parceria com a Escola Porto Alegre, que proporciona educação e formação para meninos e meninas de rua.

Quanto às atividades hoje desenvolvidas pelo DEP, acreditamos que exista local mais adequado para exercer suas funções.”

Fonte: Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico

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Veja aqui, em foto aérea de Porto Alegre de 1956, a localização da Usina de Gás de Hidrogênio Carbonado:

Porto Alegre vista aérea - 1956

Porto Alegre vista aérea – 1956

 

Mais uma foto da década de 50 em que aparece bem a usina, bem à direita.

Mais uma foto da década de 50 em que aparece bem a usina, bem à direita.

 



Categorias:Patrimônio Histórico

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10 respostas

  1. A maioria dos tombamentos no estado do Rio Grande do Sul são pelos aspectos culturais e históricos, e não pelos fatores arquitetônicos. Mão podemos esquecer que o RS era um província distante da capital, onde os recursos, mão-de-obra especializada, eram escassos.

    Sendo assim os critérios para tombamento (quando ocorrem) no RS costumam ser flexibilizados e são normalmente muito mais relacionados com o perigo da construção ser demolida do que com o valor arquitetônico.

    Nunca fomos uma Paris, o mínimo que se pode fazer é preservar a construção até que técnicos do IPHAE, EPACH, IAB, estudem a relevância do mesmo.

    No risco de se perder algo de valor, vale a prudência, porque depois de demolido não tem volta.

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    • Leonardo, o tombamento é só o início, e talvez por isto fico com medo da falta de seletividade neste processo.
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      Há várias casas e outros imóveis que estão tombados na nossa cidade e como os proprietários não tem dinheiro ou fôlego para encarar uma restauração, simplesmente deixam a natureza fazer o resto.
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      Acho que deveríamos procurar meios de examinar caso por caso dos prédios tombados para procurá-los restaurar, um processo de restauro é trabalhoso, demorado e caro. Não basta simplesmente colocar na porta do sujeito um “restaure-se” que será restaurado.
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      Me incomoda não nos centrarmos em prédios com valor histórico que estão sendo carcomidos pelo tempo, me incomoda uma visão simplista de pensarmos que ou os proprietários são ricos porque possuem prédios históricos ou a prefeitura é onipotente e pode os assumir.
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      Tenho uma pequena história de um prédio tombado (história meio piegas mas real) que era o único meio de sobrevivência de uma senhora, chegou um aviso que ela deveria manter o prédio, e o custo da recuperação ultrapassava seus rendimentos. É um caso, outros são ao inverso desta situação, o proprietário tem os recursos mas não se interessa em manter o prédio.
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      Falta mais trabalho na política de conservação, não adianta somente o IPHAE, o EPACH e o IAB definir o prédio como relevante, temos que fazer com que ele se torne visível a população, aí começará uma política real de conservação do patrimônio histórico.
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      Quanto a no passado não termos patrimônio é relativo, o problema que o melhor estava situado em locais valorizados e há muito tempo foram consumidos. Veja o que era a Duque de Caxias e a Independência, e o que sobrou, praticamente nada.

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  2. Olha, num primeiro momento achei meio inusitado o pedido, porém acho que algo deste tipo deveria ser avaliado. Por volta de 50-60 o centro da cidade recebia gás deste gasômetro, mas o mais interessante eram as estruturas metálicas que abrigavam o gás, ou seja ele era produzido ou mesmo acho que nos últimos anos injetavam nele GLP que era distribuído por todo o centro através de uma rede de dutos.
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    Agora pensando não neste prédio, que está completamente desfigurado perdendo inclusive algumas de suas características básicas, como o telhado que deveria ser de telhas portuguesas, se não há outros prédios industriais na Rua Voluntários da Pátria que mereciam receber recursos do erário público para a sua recuperação, prédios estes que se encontram com suas características originais claramente conservados e que com a falta de preservação riscam a tombar (tombar neste caso é cair no chão).
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    Esta reivindicação de tombamento e recuperação de um prédio industrial está mais me parecendo de alguém que mora por perto e quer conservar a sua vista do Guaíba do que alguém interessado em manter prédios históricos.
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    Sou extremamente favorável a manutenção de prédios históricos, porém como os recursos são finitos não fico me apegando a uma ou outra instalação, devemos priorizar aquilo que represente a nossa história, e por isto devemos ser criteriosos na escolha.
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    É interessante que procurei em fotos antigas este prédio, mas me parece que os fotógrafos da época não achavam muito bonito os depósitos de gás e por isto nenhuma foto aparece, inclusive isto dificulta um pouco a restauração do prédio.

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  3. Que seja reformado, se preserve a fachada e faça algum uso produtivo desse espaço: administrativo, museu, etc. A idéia é boa.

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  4. Talvez dê para usá-la como partedo parque? Até como area de administração ou algo assim.

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  5. Pela foto a moradora apenas tem sentimento pela construção, não que ela seja de relevância arquitetônica para a cidade, a usina do gasômetro sim deve ser preservada pelo tempo que puderem preservar, mas ao eu ver esta usina de gas de hidrocarboneto não merece ser tombada, e caso isto acontecer impedirá de obras importantes acontecerem no local (como sky scrapers, obras publicas – ruas pontes, etc) acontecem nos arredores prejudicando o desenvolvimento de POA

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  6. Não consigo lembrar onde fica isso, mas pela foto não me parece ter algum valor arquitetonico.

    Mas se for pra atrapalhar o desenvolvimento da cidade assim como usam a chaminé do gasometro para barrar qualquer obra por perto, sou totalmente contra.

    Caso contrario, e tenha um valor arquitetonico, ai concordo.

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