Nota do DCE-UFRGS a respeito da ofensiva da ATP contra o transporte público

Nota do DCE-UFRGS:

Nesta segunda-feira a população de Porto Alegre foi mais uma vez surpreendida e ofendida pela sua luta democrática em defesa da justiça. A ATP, associação que reúne os empresários do transporte coletivo de Porto Alegre divulgou nota na Zero Hora reclamando o veto do aumento e o retorno do valor atual da passagem para R$ 2,85. Aproveitou para desmerecer a luta popular dos estudantes e trabalhadores que foram as ruas, chamando de arruaça a mais democrática manifestação popular contra as injustiças dos monopólios do transporte coletivo que Porto Alegre já viu.

Não bastassem os problemas de falta de infraestrutura, poucos veículos disponíveis e má remuneração dos rodoviários, as empresas de ônibus em Porto Alegre funcionam de maneira irregular, operam sem licitação a mais de 20 anos e tratam as linhas de ônibus como propriedade privada. As empresas operam também com taxas de lucro que ultrapassam o permitido por lei, chegando a 19% em alguns casos.

Nossa luta ganhou grande proporção visto que a população reconheceu a legitimidade das reivindicações e aderiu amplamente ao movimento, demonstrando a força do povo, que derrubou o aumento e garantiu a manutenção do valor de R$ 2,85.

A nota dos empresários da ATP também usa da coerção e intimidação igual a praticada pelos veículos de comunicação que pretendem criminalizar os movimentos sociais e manifestações democráticas. Apesar de o veto ao aumento ter sido conquistado com a luta de milhares de pessoas nas ruas, os organizadores seguem perseguidos pela polícia através de chamadas para depoimentos e ameaças de processos judiciais por formação de quadrilha. Numa reação do estado para garantir a manutenção dos direitos burgueses.

Gostaríamos de aproveitar a nota da ATP para lembrar-los de que as mobilizações para conseguir o veto ao aumento foram totalmente democráticas e amplamente popular. O Ministério Público de Contas considerou ilegal e abusiva a margem de lucro das empresas de ônibus de Porto Alegre, afirmando que o preço da passagem deveria custar R$ 2,60.

Além disso, uma das principais pautas do movimento é transparência dos cálculos que justificam os aumentos da passagem. Se as empresas estão operando com prejuízo, a abertura das planilhas de cálculo seriam de total interesse para elas justificarem os prejuízos que alegam. Durante toda nossa luta, no entanto, as empresas sempre se negaram a abrir as planilhas de cálculo.

Integrantes do Bloco de Luta e do DCE vêm sendo intimados a depor na polícia. A atitude é uma forma de tentar amedrontar o movimento, colocando os atos na ilegalidade. Exigimos respeito à democracia: lutar não é crime. No dia 27 de março, o ato que ocorreu em frente à prefeitura terminou com a prisão abusiva de uma das coordenadoras do DCE, Luany Barros, solta horas depois. Nossas reivindicações são justas e democráticas. Acreditamos que somente nas ruas garantiremos nossos direitos.

Dessa forma o Diretório Central dos Estudantes da UFRGS repudia a nota enganadora da ATP, que usa de difamações do movimento para tirar o foco da população de quem são os verdadeiros criminosos que operam sem licitação e com lucros acima do permitido por lei para exploração de uma concessão pública.

DCE UFRGS

Fonte: Jornalismo B Notícias

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A mensagem da ATP publicada na imprensa hoje:

mensagem-atp-maio-2013



Categorias:onibus

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19 respostas

  1. Jorge
    Tem muita gente que tinha que estar estudando ou trabalhando,mas não.Estão nas ruas quebrando e destruindo o patrimônio dos outros,porque não vão destruir no seu bairro e nas suas casas? Eu gostaria de ver o boletim escolar destes vândalos. A reivindicação é correta mas os meios não. Quanto ao transporte gratuito quero a receita, vou aplicar no meu carro, combustível zero, gasto de pneu zero, quem não gostaria?

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  2. O que a prefeitura ganharia com isso? Os 3% sobre a passagem, doações de campanha, “cooperação” dos vereadores ligados as empresas, mais dinheiro para a Carris… Além do mais, quanto mais cara é a passagem, mais CC cabe na Carris.

    Em todo lobi, a tendencia é os preços aumentarem ou a qualidade cair. É ingenuidade não ver essas coisas.

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  3. Isso é tudo resultado da falta de transparência por parte da EPTC, Prefeitura Municipal de Porto Alegre e ATP.

    Quem bancou a campanha política de muito Vereador, acabou de mandar o recado para eles, aliás, inclusive os Partidos Políticos.

    Quando a EPTC irá disponibilizar o estudo sobre o custo da passagem de Porto Alegre em seu site.

    E agora José, o que fazer, ceder a transparência dos atos praticados no Paço Municipal ou apostar no resultado que o povo de Porto Alegre dará nas urnas.

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  4. O interesse público é o meu.

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  5. Esse movimento está muito modesto. Só querem que a tarifa seja calculada corretamente, de acordo com o TCE. Porque não revindicar a encampação das empresas e passagem subsidiada? Alguém consegue um bom argumento (além da decoreba liberal) para que o transporte público não seja estatal? Conhecem algum país ,fora o nosso, em que o transporte público seja privado?

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    • DIga-me você de onde sai o dinheiro para o subsídio direto da passagem?

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      • Deves pensar que a prefeitura tem uma linha direta com a Casa da Moeda ou com o Banco Central: é só o Fortunati ligar e dar a ordem que eles imprimem e depositam na conta da prefeitura.

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        • Olha, Leonardo, as tais “Obras da Copa” estão acontecendo mais ou menos assim… Em vez de usar dinheiro público para estimular o transporte individual (viadutos, duplicações, pontes…), poderiam usar para subsidiar o transporte público.

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        • Exatamente, Sigmund.

          E honestamente acho que se há interesse público em dar benefícios como passe livre para idosos, estudantes e deficientes, isso devia ser um programa social do governo. Com programa social quero dizer que devia haver um preço único de passagem mas o governo vendê-las subsidiada para estas pessoas com seu dinheiro em vez de fazer os outros usuários pagarem.

          Para mim isso seria o ideal, e o pagamento de uso por tempo (vulgo “segunda passagem gratuita”) poderia ser mantido.

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  6. Sinceramente não vi nada de mais na nota da ATP. Estão defendendo o deles, assim como os revolucionários aí da notícia. Quem está certo? Só o tempo dirá.

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  7. Bah… chega a ser revoltante uma nota dessas. Pior que a EPTC só a ATP mesmo. Reparem na queda da qualidade do transporte público após a diminuição da passagem e denunciem quando verificarem algo de concreto, seja pra quem for. Não dá pra deixar passar impune.

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  8. A falta de transparência é o nó da questão, porque dá margens para que esse bando de populistas, pseudorrevolucionários ficarem falando ridiculamente em “zilhões de lucros”. Como se a prefeitura que tem um governo eleito você se sujeita a aumentos abusivos sabendo que esse aumento é absurdamente impopular. Que que ela ganharia com isso. E ainda como se ela sendo dona de uma (e a maior empresa) de transporte não conhecesse o real custo das transportadoras. Não precisa ter muitos neurônios para chega a essa idéia.
    O negócio agora é aproveita a implantação do BRT e fazer uma licitação geral, definindo preços e margens, e assim dando transparência para o processo. É a única arma contra esses populismos esquerdistas que enxergam guerra de classes em tudo.

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    • Concordo sobre a transparência.

      Mas dizer ” …sabendo que esse aumento é absurdamente impopular. Que que ela ganharia com isso?”.

      Sério que tu não sabe mesmo? ou escreveu sem pensar?

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  9. Nossa!!! Fico pensando no que pode acontecer se porventura essa “associação” conseguir o reajuste de passagem. Alias, associação e consorcio de empresas de onibus, foi a maior besteira ja feita, ainda mais que nem licitação houve para elas funcionarem. Perdão se eu estiver errado nesse comentário!

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  10. A ATP deveria responder criminalmente pela nota divulgada, uma vez que condenou a manifestação como um todo, sendo que o correto é a ação da polícia de identificar os responsáveis por pichação ou depredação.

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