Juíza condena de novo a Ford. Caso não tem nada a ver com a expulsão. Ação vai a recurso

A juíza Lilian Cristiane Silman, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, voltou a exigir que a Ford devolva recursos que foram usados na fase inicial do processo de implantação do seu complexo automotivo em Guaíba, ao mesmo tempo em que repeliu a iniciativa do governo estadual de imputar crime de responsabilidade ao governo Britto pelas negociações feitas com a montadora dos Estados Unidos.

Em setembro de 2009, a juíza já tinha tomado decisão igual, mas o Tribunal de Justiça mandou que ela agrupasse ao processo da PGE uma ação popular de igual natureza, refazendo assim o julgamento, o que aconteceu agora. A ação foi movida pela PGE ao tempo do próprio governo Olívio Dutra.

O processo tem 10 anos, já formam volumes que no total somam 5.500 páginas, e nem de longe a ação foi encerrada, porque cabem recursos ao próprio Tribunal de Justiça, ao STJ e ao STF.

O PT procura desde ontem tirar proveito político da sentença da juíza Silman, distorcendo a decisão como uma condenação da Ford e uma consequente absolvição do governo Olívio Dutra, que mandou a Ford embora do RS para a Bahia.

Nada na sentença permite este tipo de leitura, porque a decisão judicial trata de uma questão controversa derivada, que foi o uso de recursos estaduais pela Ford, nunca devidamente justificados e até repelidos pelos órgãos de fiscalização e controle do governo do Estado, além de dinheiro tomado emprestado no Banrisul, como foi o caso do financiamento de R$ 42 milhões (valor da época).

O rompimento unilateral do contrato, que foi o caso da expulsão da Ford por Olívio Dutra, é questão totalmente diferente.

Políbio Braga



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53 respostas

  1. Olha que sugestiva esta matéria:

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    • Gilberto.
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      Pega a fábula acima, a fala do Lula foi praticamente a mesma coisa, no lugar de dizer:
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      – Companheiro Olívio, assim como eu perdi as eleições, perdesse a Ford devido a não ter apoio federal e o estado do Rio Grande do Sul não ter dinheiro para cumprir o acordo, quem manda vocês não terem apoio nem dos seus deputados no congresso e dinheiro em caixa!
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      O governo de Olívio Dutra não expulsou ninguém, o que houve foi uma tentativa de diminuir a fatura que era grande demais, era 1999 o governo entrava e não tinha caixa, a GM topou e renegociou, se não tivesse havido a medida provisória e a lei feito sob medida para o Antonio Carlos de Magalhães ganhar mais alguns votos, provavelmente a Ford cederia.
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      O problema é que os negociadores do governo do PT não tinham experiência nenhuma e não tinham acesso ao governo federal, por outro lado a Ford tinha acesso ao governo federal e sua linha de negociação sempre foi intransigente.
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      Não esqueçam quem foi Henry Ford, e é diferente negociar com os representantes de GM do que com os sucessores de Ford. Nesta negociação sim teve um aspecto ideológico de ambos os lados.

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    • Gilberto.
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      Tem mais outra, o governo do PT na época era um governo inexperiente (ainda é) e não tinha uma picardia como, por exemplo, o nosso ex-governador Leonel de Moura Brizola.
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      O Brizola em pouco tempo desapropriou a Bond and Share (que já estava com a concessão vencida e se negava a investir nos bondes) e a poderosíssima ITT (que anos mais tarde ia financiar a derrubada de Allende no Chile, isto não é papo de esquerda é simplesmente relatos de documentos secretos abertos em 2011 por imposição de lei de direto a informações http://foia.state.gov/Reports/HincheyReport.asp#17).
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      Ele também quase derrubou o governo Jango que tinha feito uma negociação secreta com as duas empresas norte americanas para pagar os “prejuízos”. Ou seja, para negociar com empresas como a Ford, e outras empresas que jogam extremamente duro (exxon mobil por exemplo), não pode entrar na incerta, ou entrega tudo como fez o Brito que não negociou nada, ou tem que vir muito bem calçado.
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      Em resumo, comparando a sagacidade de Brizola com a ingenuidade do PT da época pode-se dizer, quem nasceu para Bidú nunca chega a Rin-tin-tin.

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  2. Caro Gilberto.
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    Não entrando do mérito de trazeres ou não para o blog a notícia do Polípio para o cá, pois isto é uma sistemática do blog, mas sim comentando a notícia do Polípio.
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    O que há de real? Há uma condenação na justiça da Ford por ter rompido um contrato assinado. Isto é real e baseado em farta documentação, tendo a juíza, depois de uma primeira condenação em 2008 refletido e relido o caso e mantida a primeira condenação.
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    A afirmação do Polípio de que o PT, mais exatamente o Gov. Olívio Dutra, ter “expulsado” a Ford é uma mera especulação mediática que não se baseia em fato concreto nenhum.
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    A Ford não foi expulsa nem saiu do Rio Grande do Sul por gostar ou não gostar do governo dele ou do anterior, a lógica da Ford foi puramente econômica. Durante o início da implantação da Ford no estado do Rio Grande do Sul, o Deputado Baiano Jose Carlos Aleluia (PFL/BA), incluiu na medida provisória MP 1740 que reservava para o Nordeste a Amazônia a possibilidade do regime automotivo especial para a BAHIA (já havia sido expirada esta possibilidade em 1997).
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    Para mostrar quanto a Ford ganhou de incentivos do governo federal para ir para Bahia podemos citar o que qualificou na época o governador de São Paulo (Mário Covas do PSDB) como uma “ABERRAÇÃO”, o Jornal Estado de São Paulo (radicalmente AntiPetista) escreveu um editorial intitulado “Bom para a Bahia, ruim para o Brasil” (03/07/2000), e o Industrial Antonio Ermínio de Moraes falando sobre o fato disse que até ele ficaria envergonhado de pedir tanto dinheiro assim e qualificou o negócio como “nunca vi tanta isenção em minha vida”.
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    Ou seja, a Ford como uma boa empresa capitalista foi atrás do seu lucro, que até compensaria a perda que vão ter que pagar agora.
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    Uma empresa não é uma galinha, que tu fazes “xooo” e bates com os és e ela sai correndo, logo a antipatia que todo o PT tinha com a Ford, não influenciaria a sua saída do Rio Grande do Sul, principalmente porque ela teria que pagar o que devia.
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    • Muito bem colocado. Eu falava isso nao época, mas ninguém ouvia, já que lá era muito pior essa imbecilidade PT vs. Anti-PT.

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    • No fundo, ganha quem oferecer o melhor custo/benefício para a empresa.

      Não sei se é verdade, mas a Renault só se instalou em Curitiba (ou São José dos Pinhais, na RM), porque o governo do Paraná ofereceu pelo menos 30 anos de isenção de impostos e sei lá mais o quê. Foi tipo um negócio da China para fazer o que for possível para não perder a montadora.

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      • Exato Breno, isenções permitidas pela legislação tributária brasileira e por medidas provisórias de ocasião, tornam simplesmente irrecusáveis determinadas propostas. O que acontece que determinados municípios são beneficiados em relação aos demais, caindo a carga tributária sobre todos.
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        As famosas isenções do ICMS funcionam da seguinte forma, se o estado arrecadava 100 e um município tinha direito de 2% ele receberia 2, se com uma dessas isenções há um incremento contábil de 100 para 120 (20 seriam isentos) o município que arrecadava 2% passaria a receber 22% e recebe enquanto o estado continua a receber 100 reais, logo o bolo é repartido em função destes 120 teóricos passando todos os demais municípios a receberem menos!
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        Esta forma de repartir o bolo, provoca para os municípios que não receberam o investimento um empobrecimento, enquanto quem recebe o incentivo além de dinamizar a economia local, recebe a mais.
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  3. Se existisse um manual de como ser imparcial, a primeira regra seria não usar o Políbio Braga como fonte.

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  4. Até o Covas disse que essa história da Ford era uma aberração, e ainda tem gente ouvindo o Políbio.

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  5. Políbio “viva a Pensant” Braga. Não, esse é o José “viva a Pensant !” Barrionuevo…
    Jornalistas cuja “ideologia” é puxar o saco do grande empresariado “y otras cositas mas”, do tipo “o braço jornalistico da operação Rodin”, lembram ? Isso dito pela PF e pelo MPF.
    Da mesma linha: Mendelsky, Diego Casagrande, Túlio Milmann, Lasier. Fernando Albrecht.

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  6. É o Políbio sendo o Políbio

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