Operação foi uma das maiores ações de corte de árvores, diz Smam

Cerca de 40 profissionais trabalharam ao longo de quatro horas em Porto Alegre

Corte teve início às 5h desta quarta-feira.  Crédito: Vinícius Roratto

Corte teve início às 5h desta quarta-feira. Crédito: Vinícius Roratto

O corte de 57 árvores no Parque da Harmonia e na avenida Loureiro da Silva, em Porto Alegre foi uma das maiores ações de retirada de vegetais já realizada na cidade no período recente, de acordo com a Secretaria de Meio Ambiente (Smam). A operação envolveu representantes de diversas secretarias, como de Gestão, Governança, Meio Ambiente e Obras e Viação, além do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Cerca de 40 profissionais entre servidores e terceirizados, além de nove caminhões, dois deles de operações especiais, trabalharam ao longo de quatro horas na ação. O trabalho começou por volta das 5h e foi encerrado antes das 10h.

Uma das funcionárias da Smam, que atuou na operação, lembrou que havia plantado algumas das árvores que foram cortadas. “Não gostamos, mas às vezes temos que abrir mão de algumas coisas por outras. Neste caso, pelo desenvolvimento da cidade”, afirmou ela, que preferiu não se identificar. O corte das árvores é considerado uma medida fundamental para a conclusão da duplicação da Edvaldo Pereira Paiva. A via vai melhorar a mobilidade urbana na região que vai desde a avenida Padre Cacique até a Usina do Gasômetro.

Segundo o secretário municipal de Gestão, Urbano Schimitt, a Padre Cacique terá seu fluxo ampliado com o transporte público e a Edvaldo Pereira ficará com os veículos particulares. “Gradativamente haverá uma reorganização do trânsito nesta região”, projetou. Contestando algumas acusações feitas contra o corte, o secretário explicou que a retirada é fundamental porque dentro do Plano Viário da cidade, que integra o Plano Diretor de Porto Alegre, as árvores estavam no traçado de uma rua. “Em algum momento foram plantadas de maneira equivocada”, disse.

Ação na madrugada

Durante a madrugada, policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOE) e do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) cercaram um pequeno acampamento de 12 barracas, composto por um grupo de manifestantes contrários ao corte das árvores. Na ação, foram detidos 21 homens e seis mulheres. Todos foram soltos antes das 8h, após assinarem um Termo Circunstanciado por desobediência de medida judicial e por desacato, infrações que responderão em liberdade.

Schimitt explicou que a ação foi realizada durante a madrugada para preservar a segurança das pessoas e evitar problemas no trânsito. “Foi uma preocupação grande para que houvesse uma rapidez nessa operação e tivéssemos menor impacto possível na questão do trânsito, como também na questão da segurança das pessoas que estão trabalhando e dos próprios manifestantes”, explicou em entrevista à Rádio Guaíba.

O corte de árvores foi autorizado pela Justiça no último dia 16. Por três votos a zero, os desembargadores liberaram a retirada de cerca de 100 mudas na avenida Edvaldo Pereira Paiva, a Beira-Rio. A decisão foi tomada pelo relator Carlos Eduardo Duro, pela presidente da Câmara, Maria Isabel Souza, e pelo desembargador Eduardo Kraemer.

Das árvores retiradas, 14 eram consideradas de grande porte e as demais de pequeno, tendo cerca de dez anos. A última árvore cortada, uma seringueira, foi a mais complicada por sua grandiosidade e volume de galhos. Foi necessário podá-la primeiro. A árvore estava localizada em frente à Câmara Municipal. O material recolhido foi levado para a Estação de Transbordo da Lomba do Pinheiro, na zona Leste da Capital.

Como compensação pelo impacto ambiental da obra, a prefeitura da Capital promete providenciará o plantio de 401 novas árvores, das quais 130 já foram plantadas na área. Além disso, mais 2 mil espécies nativas devem ser plantadas no projeto da Orla do Guaíba.

Mobilização nas redes sociais

A ação para o corte das árvores gerou repercussões, em especial nas redes sociais. Muitas manifestações de apoio à operação para a realização da obra e contrárias, contestando entre outras coisas, o horário em que foi desencadeada. Poucas horas após os cortes já eram organizados atos e protestos, um deles intitulado “O protesto não acabou! Protesto contra o corte de árvores em Porto Alegre!”.

Correio do Povo



Categorias:Duplicação de avenidas

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43 respostas

  1. Tomaaaaaaaaa mascarados prevaleceu o bom senso. Porto Alegre agradece. Bando de desocupados filhinhos de papai. acabou a mesada de vocês agora vao trabalhar e parem de encher o saco.

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  2. Parabéns às autoridades, as árvores não eram ‘nativas’… Viva o carro! Longa vida ao carro! Abaixo o “Straphanger Movement !!! Sexta potência: hahaha… só no bolso delles…

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    • Realmente, as árvores não eram nativas. São as mesmas árvores da Gonçalo de Carvalho, da José Bonifácio, do Parque Marinha. Vamos botar abaixo todas elas então para dar lugar ao deus carro.

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  3. Sobre a noticia..

    Deve ser por isso que o Fortuna tem tantos votos, é o unico cara que teve coragem de peitar essa gente nas ultimas decadas, ta ai o diferencial, isso mostra que a maioria da população quer mudar, quer desenvolvimento, e que essa gentinha é minoria.

    Não adianta chorar, é a MAIORIA!

    Alias, até agora só vi gente que chorou de raiva das eleições do prefeito, apenas uma unica pessoa que criticou o ato pelas arvores e seus motivos, todos os outros, apenas criticando o prefeito.

    Da pra ver bem a preocupação deles com o mundo.

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    • Eu votei no Fortunati no segundo turno (no primeiro fui de PSTU) e sou contra o corte de árvores. Eu achava que, por morar no centro, o Fortunati faria algo de bom pelo bairro. Se fosse para criar alternativas de transporte coletivo, não haveria tanta oposição. Os estudantes podem até ser um pouco manipulados pelos partidos de oposição, mas pode crer que eles só são seduzidos por uma causa que valha a pena.

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  4. Pô, ninguém é a favor do Guaíba? Lembrando a todos que aquele local é um aterro, que ali não teria que haver nada, sem árvores, sem pista, sem construções, apenas a água do nosso maravilhoso Guaíba.

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  5. Os protestos contra o corte e o corte em si estão inseridos num contexto muito pequeno, ao meu ver.
    Quem cuidava de licenças ambientais na cidade foi recentemente preso… Não era merecido uma revisão de todas as licenças ambientais concedidas? Varias vezes foi postado aqui um projeto diferente que mantinha as árvores no lugar, a prefeitura analisou esse projeto?
    Fizeram o trabalho de cortar as árvores EXTRAORDINARIAMENTE rápido, o restante da obra terá o mesmo “mutirão”? Ou foi só pra derrubar as árvores de uma vez, impedindo que os manifestantes subam nelas?

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  6. Chega a ser hilário. Aqui em Porto Alegre, o PT se posiciona contrario ao corte dessas poucas árvores para dar espaço a uma nova avenida que possibilitará uma maior fluidez ao trânsito da cidade. Por outro lado, em São Paulo, o mesmo PT autoriza sem nenhuma cerimônia, o corte de 1700 árvores para dar espaço a construção de um condomínio de luxo. Aliás, luxo é com eles mesmo.

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    • Exato Paulo! Esse é o grande paradoxo que aqui nunca se lembram !

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    • Eu não vi nenhuma manifestação do PT a respeito do corte de árvores. Teve dois vereadores do PT que, individualmente, se posicionaram contra o corte das árvores (Sgarbossa e Cavedon) mas a maioria do PT se omitiu. Por sinal, esta obra de duplicação da Beira-rio é realizada com apoio do Governo Federal, que é PT.

      Todos partidos são a mesma corja.

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  7. O Correio do Povo acaba de publicar uma enquete:

    Você concorda com a decisão da prefeitura de cortar árvores durante a madrugada?

    Votem lá: http://www.correiodopovo.com.br/default.aspx

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