Uma forma de diminuir o preço do transporte público e de produtos no Brasil, por Rogério Maestri

No momento se procura formas de diminuir o custo do transporte público no Brasil, diminuição de impostos e subsídios, há uma forma de obter uma substancial redução não só do preço do transporte público como também diminuir o custo Brasil no transporte de cargas, é simplesmente seguir a relação histórica que existia entre o preço da gasolina nos Estados Unidos com o preço no Brasil.

Alguns vão dizer, mas o preço da gasolina está cara no Brasil! Porém esta afirmação não reproduz a verdade, nunca o preço da gasolina esteve tão baixo em relação aos preços praticados em bomba nos Estados Unidos.

Para provar isto vou simplesmente colocar uma pequena tabela de dados históricos disponíveis na Internet.

tabela-gasolina1

(1) Mês de referência    (2)Valores médios mensais da gasolina no estado do Rio Grande do Sul    (3) Valor médio do dólar para a venda no mês de referência    (4) Coluna 2/3    (5) Preço da gasolina no Brasil em galões Coluna 4*3,79 (6) Valor de venda de médio da gasolina comum nos postos de serviço norte americanos na primeira semana de cada mês.

Quem tiver alguma dúvida sobre os dados é só consultar em:

Para a coluna (2) http://www.anp.gov.br/preco/prc/Resumo_Mensal_Index.asp
Para a coluna (3) http://www.acsp.com.br/indicadores/IEGV/IEGV_DOLAR.HTM
Para a coluna (5) http://www.eia.gov/petroleum/gasdiesel/ (Baixar a tabela em excel).
 

Talvez os dados surpreendam um pouco, mas exceto alguns erros de digitação, que poderão ser corrigidos dos dados originais, pode-se dizer que a gasolina no Brasil nunca esteve tão barata.

Se considerarmos que os valores dos impostos ICMS e ISSQN somam 30% e nos Estados Unidos o total de impostos é de 12%, pode-se dizer que o preço da gasolina está praticamente igual aos preços praticados no Brasil.

Se fossemos comparar o preço da gasolina com todos os países europeus, a comparação ficaria completamente diferente, pois os preços atuais deste combustível na Europa anda em torno de R$4,00 a R$4,50, ou seja, os preços na são de 40% a 50% mais caros que no Brasil.

Levando em conta estes preços, se é vontade da população em geral o estímulo do transporte público, o barateamento do transporte de cargas dever-se-ia fazer o que se chama um subsídio cruzado, elevando-se o preço da gasolina a valores históricos (em torno de 2 vezes os valores nos U.S.) e repassando todo este valor a mais para diminuir o preço do Diesel. Isto levaria uma diminuição do transporte privado, uma melhoria no tráfego e da poluição das grandes cidades e um barateamento no frete dos produtos. Haveria somente uma transferência de custos, pois quem pagasse mais gasolina gastaria menos em outros produtos pois o frete naturalmente diminuiria.

 tabela-gasolina

Rogério Maestri, Engenheiro.



Categorias:Artigos

Tags:, ,

42 respostas

  1. “Isto levaria uma diminuição do transporte privado, uma melhoria no tráfego e da poluição das grandes cidades e um barateamento no frete dos produtos. Haveria somente uma transferência de custos, pois quem pagasse mais gasolina gastaria menos em outros produtos pois o frete naturalmente diminuiria.”
    Pode ser até que sim. Mas…onde os postos de gasolina ganham mais dinheiro ? No diesel ou na gasolina ? Será que o Sindipetro aceita ganhar menos ? Provavelmente não.
    E será que o preço do frete vai diminuir ? provavelmente não. As empresas de transporte e logística irão argumentar que trabalhram muito tempo com as margens de lucro reduzidas e etc…aquela conversa de sempre dos empresários. Não adianta, pois eles não querem perder nunca. A redução dos preços dificilmente chega no consumidor final.

    Curtir

  2. Péssima idéia!!
    Entre os 15 maiores países produtores de petróleo, temos a 2a gasolina mais cara, só perdendo para a Suécia. Não é correto comparar com países da UE que não possuem petróleo.

    Além disto, incentivar o Diesel só fará com que mais e mais caminhões permaneçam nas estradas, desestimulando o transporte férreo e marítimo. Também é péssimo para a população ter de respirar aquela fumaça preta no escapamento dos veículos de transporte.

    Quer incentivar o transporte público (o que eu sou a favor), reduza os impostos! Simples assim. Não precisa ferrar com quem já paga carroça a preço de Ferrari e uma das gasolinas mais caras do mundo entre países produtores de petróleo!!!

    Curtir

    • E sim, nossa gasolina está historicamente “barata” com relação a dos EUA, só que em valores absolutos continua bem mais cara!!

      Curtir

    • Adriel, a Noruega que é grande produtora de petróleo, e lá o custo é bem alto.

      Curtir

      • Correto, onde escrevi Suécia, leia-se Noruega.
        Entre os 15 maiores produtores de petróleo, só perdemos em preço para ela.

        Curtir

      • Adriel.
        .
        Feita a correção, vamos aos comentários, porque será que países como a Arábia Saudita, Kwait, Nigéria e outros que são grandes produtores de petróleo tem o preço dos combustíveis lá em baixo, e a Noruega que além de petróleo gera toda a sua energia por fontes renováveis (hidrelétricas) tem o preço mais alto?
        .
        Para mim não há mistério. Eu gostaria que o Brasil ainda continuasse com um preço alto!
        .
        Pense que entenderás o porquê.

        Curtir

  3. Eu ainda acho que a totalidade de impostos que se cobra sobre o setor automobilístico, deveria ser investido em transporte público. IPI, ICMS… Não conheço todos, não sou tributarista.

    Alguém tem o número de quanto as montadoras, por exemplo, geram em impostos no Brasil?

    Curtir

  4. Eu só acho que o governo bancar isso é quase um suicídio político.

    Não sei até que ponto os fretes seriam barateados, e o preço final aos consumidores reduzido, para o balanço ficar favorável.

    O risco de mais um garrote nos consumidores, sem benefícios práticos seria grande.

    O discurso contra iria abranger o pré-sal, a Petrobras, a auto-suficiência em petróleo,os biocombustíveis, os impostos e o escambau: munição total para a oposição. (Se houvesse.)

    Logo um gaiato iria apelidar de CPMF da gasolina…

    Curtir

    • Diogo, certamente os fretes reagiriam extremamente rápido. São empresas de logística que contratam autônomos, e a maioria de quem contrata fretes são grandes empresas, lá o pau quebra.
      .
      Imagine um gringão la da serra que o frete é pago por ele para transportar o sua produção de móveis, se ele souber que o diesel diminui rapidamente o transportador diminui o preço ou leva umas e outras.

      Curtir

  5. Que tal usar o dinheiro que o governo federal desvia e desperdiça em vez de aumentar ainda mais impostos?

    É notório que governos de esquerda compram a oposição (o tal fisiologismo) (vide Venezuela e Argentina). Nessa “compra” é que se vai pelo ralo nosso dinheiro.

    Não é o momento de cobrar mais dos cidadãos! É o momento de reduzir a corrupção, o clientelismo a compra da base governista em escala industrial feita por Lula e o PT. Oposição forte é a unica maneira de fazer o congresso discutir os temas que queremos. Precisamos de mais direita para equilibrar as forças.

    Fazendo-se isso sobrariam dezenas de bilhões, o suficiente para uns 3 metrôs por ano.

    Curtir

    • E quando digo direita, me refiro às pessoas que acham que um país se desenvolve com mais trabalho de todos, esforço conjunto e liberdade. Isso é direita.

      Curtir

      • Adriano.
        .
        Durante mais de quarenta anos a política de energia era assim, mesmo nos governos militares (que não eram de esquerda). É fácil dizer que se quer lutar por transporte público e não mostrar a fonte de renda.

        Curtir

      • Adriano.
        .
        Esta tua definição de direita é própria, pois classicamente não é assim. Não podemos modificar definições clássicas pois com isto os outros perdem o referencial e não sabem do que estás falando.

        Curtir

      • Estados unidos não é “auto suficiente” em extração de petróleo como no Brasil.

        Dentre os países autosuficientes na extração de petróleo (Oriente médio, Venezuela, Canadá), o Brasil é o que tem a gasolina mais cara.

        Curtir

        • Adriano, mais um erro, o Brasil não é auto-suficiente em Gasolina, nossa capacidade de refino não acompanhou a demanda, isto ocorre porque para a implantação de uma refinaria se precisa entre a intenção e ela estar funcionando em torno de dez anos. Logo grande parte da gasolina é importada, e por lei ela deve acompanhar o mercado internacional.
          .
          Outra coisa, exceto o petróleo do Alasca, o custo de extração de petróleo em águas profundas ou hiper-profundas, é bem maior do que a extração em campos antigos nos USA (em terra) ou o petróleo do Golfo do México.
          .
          Também o preço do petróleo nos Estados Unidos é SUBSIDIADO!

          Curtir

  6. Ótima ideia Rogério! E ótima contribuição de informações também.

    Curtir

  7. Dá para perceber claramente a manipulação do preço dos combustíveis pelo governo / Petrobras.
    Com essa manipulação não percebemos o real custo dos combustíveis, pois ou está artificialmente caro com impostos ou artificialmente barato com subsídios.

    Curtir

    • Pablo, os teus comentários não procedem, explico porque. Há um gráfico que mostra o equilíbrio ao logo do tempo do que a Petrobrás perde em períodos em que ela importa gasolina mais cara e o que ganha ao inverso. As áreas de perda e ganho se compensam ao longo do tempo, o que há é que ela tenta manter o preço mais ou menos estável no mercado interno, pois é mais importante não ter saltos ou quedas, porque principalmente as quedas não são repassadas ao consumidor.
      .
      A política de preços da Petrobrás é muito transparente para quem acompanha o mercado, não há manipulações, e mesmo se quisessem fazer não poderiam, pois todos sabem que ações da Petrobrás são negociadas na Bolsa (São Paulo e NY) se houver alguma manipulação a empresa é punida.

      Curtir

      • Aí que está. Essa estabilidade não confere a realidade, uma vez que as oscilações são naturais ao mercado. De certa forma a Petrobras está “nos protegendo” das oscilações de preços e isso é psicologicamente ruim.

        Antes do último aumento de preços estávamos perdendo rios de dinheiro para “manter essa estabilidade” em um patamar irreal.

        Vide isso aqui:

        http://super.abril.com.br/cotidiano/extincao-etanol-731695.shtml

        Curtir

        • Pablo, te sugiro que acompanhe o http://infopetro.wordpress.com/, este blog que originalmente falava somente de petróleo hoje em dia fala sobre energia em geral, são artigos de diversos autores que inclusive são replicados por diversos outros blogs.
          A linguagem é bem mais técnica, o que não será tão difícil para ti, mas lá mostra os acertos e os erros da política energética, porém não tem muitos achismos.

          Curtir

        • Outra coisa, neste blog a linguagem não é politizada em termos partidários e há, por exemplo, explicações bem mais elaboradas sobre o problema do etanol (só sobre este assunto há 13 artigos em português e 3 em inglês), é uma boa referência.
          .
          Agora se queres algo em inglês há outro mais específico http://www.theoildrum.com/ que desce a minúcias de aspectos de produção de poços com francas discussões sobre pesquisa, produção e comercialização do petróleo e derivados e de energias alternativas.

          Curtir

        • Rogério, eu conheço o último site. Eu dei uma lida no nacional e achei bastante recheado de informação… Estou lendo e tentando entender, na medida da minha capacidade.

          Estamos vivendo quase uma “revolução energética” no mundo e as oscilações nos preços dos combustíveis são inevitáveis. Não consigo entender porque “alisar” os preços é benéfico.

          Veja que foi graças à crise do petróleo na década de 70 que os EUA melhoraram muito a tecnologia dos automóveis absorvendo os avanços dos japoneses. Acredito que se tivéssemos alguns baques no bolso de vez em quando, sentido a realidade do mercado, os carros elétricos se popularizariam, os metrôs e VLTs seriam mais apreciados e estaríamos mais conscientes do que é energia e como isso influencia nossa vida.

          Curtir

        • Pablo, é simples, se o aumento de preço não for “alisado”, o resultado é que a cada anúncio que na próxima semana o preço da gasolina da Petrobrás vai subir 10%, nos postos, no mesmo dia este aumento vai ser de 10% mesmo antes desta gasolina chegar a eles. Os outros custos como aluguel, luz, frentistas e outros que compõe o custo do posto e não sobem da mesma forma que o preço da gasolina serão embolsados pelos postos.
          .
          Por outro lado se o governo anunciar uma diminuição de 10%, talvez depois de dois meses se atinge um patamar de redução mais ou menos proporcional a redução do preço.
          .
          Ou seja, os ditos empresários de postos de gasolina não trabalham a base de planilhas de custo, mas trabalham como donos de butecos, enquanto os cachaceiros tem dinheiro eles aumentam.

          Curtir

  8. Acho uma ótima idéia, com alguns poréns (e muitos achismos):
    – Não sei (ou não acho) que aumentar o subsídio do diesel, recuperando o valor do subsídio na gasolina, seja suficiente para mudar o paradigma da mobilidade urbana. Como medida dentro de uma política abrangente, acho perfeito.
    – Embora a postagem não tenha entrado nesse detalhe, creio que aumentar o valor da gasolina sem antes garantir que o sistema de transporte público esteja funcionando a contento seja tiro no pé (tanto econômica quanto operacionalmente).
    – Também desconfio que devam existir outras medidas menos impopulares que devam ser tomadas antes de sugerir “mais impostos” na gasolina (que é como imagino que essa medida seria vista por boa parte da população).

    Curtir

    • Ricardo, a proposta não é para resolver totalmente o problema do transporte público, é simplesmente para amenizar e sinalizar uma nova direção.
      .
      Com isto inclusive o setor produtivo reorienta seus investimentos nesta direção.
      .
      Quanto à influência do preço no bolso do brasileiro ela será parcial, pois mesmo pagando mais ele rapidamente terá uma retribuição quase que instantânea no preço do frete (que varia muito bem regulado pelo mercado, muitos contratantes, muitos contratados).
      .
      Outra questão, quem sofrer muito com o aumento da gasolina, compensa utilizando mais transporte público e quem gosta de andar em transporte privado terá a largo prazo uma melhoria no trafego.
      .
      Agora o fator político deve ser creditado a própria população!

      Curtir

      • E desde quando subsidiar transporte rodoviário é bom? Ao invés de desestimular caminhões nas estradas, estás fazendo com que este fique ainda mais barato com relação a trens, aviões e navios.

        Curtir

  9. Maybe buses should be free: econ.st/11nNMD6

    Curtir

  10. Na verdade a gasolina nos EUA chega a custar US$ 4.50 atualmente.

    Curtir

  11. Pena o Simon não ter publicado quando enviei este artigo para ele, todos pensariam que eu que dei a ideia para os prefeitos. Ou ele guardou e só mostrou para o chefe?

    Curtir

Faça seu comentário aqui:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: