Uma ideia estúpida: implodir o Mercado Público

Mercado Público Central de Porto Alegre. Foto: Gilberto Simon

Mercado Público Central de Porto Alegre. Foto: Gilberto Simon

Há momentos em que a franqueza deve ser brutal: a ideia, defendida por um comunicador razoavelmente conhecido abaixo do Mampituba, de que seria o momento de se aproveitar o incêndio para derrubar o Mercado Público e construir outro prédio com estacionamento, fazendo surgir da cinzas um edifício moderno, é a coisa mais idiota que li nos últimos anos. Há quem diga que essa estupidez tem por objetivo favorecer os interesses imobiliários da empresa onde o jornalista trabalha, mas eu não acredito. É senilidade mesmo. Não escrevo a palavra senilidade como uma injúria nem como uma marca de desprezo pelos senis, mas como uma constatação, um fato triste da vida do qual só escapamos pela morte. Alguns, prudentes, retiram-se antes da cena pública. Farei isso.

O Mercado Público é um patrimônio histórico. Até um néscio entende isso. Patrimônios históricos têm uma função simbólica que vai além das suas funcionalidades primárias. O Mercado Público não é um shopping popular. É muito mais do que isso. É uma marca estética, cultural, social, política e imaginária. É isso. O Mercado Público é um imaginário. O imaginário é uma aura, uma atmosfera, um excedente, uma cobertura que dá sentido, que produz significação. Só a obtusidade intelectual profunda pode impedir de perceber esse elemento fundamental da estrutura de um imaginário. Eu fico me perguntando: como alguém ainda lê um sujeito que escreve uma coisa dessas? O fulano é conhecido pela sua prepotência, pela sua arrogância, pela sua violência verbal, por ser rasteiro. Agora já não é rasteiro, é subterrâneo mesmo. O Rio Grande do Sul merece muito mais.

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Há tempo eu não lia algo tão pobre intelectualmente. Já tivemos grandes colunistas, cronistas e poetas. Chegamos ao fundo do poço. Um sapo teria mais a dizer. Nem a tentativa de ironizar um pouco ao final salva o autor da proposta da inépcia em que se meteu por conta própria. Triste é saber que não lhe faltarão adeptos. Os sedentos por negócios devem estar esfregando as mãos. Felizmente a ideia é tão ridícula que não irá adiante. O simples fato de ter sido concebida revela algo terrível: a senilidade destrói até os cérebros pouco privilegiados. Como dizia a velha Nésia, em Palomas:

– A caduquice revela a natureza das pessoas.

Há, porém, caducos generosos e caducos do mal.

Juremir Machado da Silva – Correio do Povo – 08/07/2013

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Para ler o artigo do Paulo Sant’Ana, do qual Juremir fala, clique aqui.



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67 respostas

  1. Depois de tantos comentários só vou dizer que a ZERO HORA devia ter censurado a coluna do Sant’Ana à respeito do Mercado Público. O PS fala tanta bobagem na coluna dele de vez em quando que não dá para acreditar….depois desta a RBS tem que aposentar ou internar esta criatura….não dá mais para aguentar…

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  2. Bem, Paulo Santana que de comentarista esportivo virou uma verdadeira enciclopédia querendo falar sobre tudo (aliás como outros grandes “intelectuais” da RBS e etc.), com este artigo apenas está querendo chamar atenção à sua pessoa. Engraçado como critica os próprios colegas de empresa, aliás maldosos colegas que mesmo não estando ainda caducos, querem de qualquer maneira ver fogo onde não há fumaça. Me explico: na noite de sábado, os repórteres de uma determinada rádio insistia em falhas dos bombeiros, em falhas da prefeitura, em falhas da Brigada miliar, em falhas, falhas, falhas, … Espero que corrija as suas próprias falhas na profissão que tenta exercer.

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    • Rafael.
      .
      Só acrescentaria no teu comentário que a maldade do Paulo santana foi tamanha com seus colegas que até uma frase dita por um deles, que estava certa, ele criticou, naquilo que chamo de coluna, simplesmente porque outro nome será justamente censurado aqui no blog, ele diz:
      .
      “E finalmente um comentarista que saiu às pressas de casa e foi ser repórter durante o incêndio manifestou-se taxativo: “Não sei o que é mais grave neste incêndio, se as chamas ou a fumaça”.
      É mesmo, se não tivesse havido as chamas, não teria havido a fumaça.”
      .
      Aí está um exemplo do que referes na tua frase, “virou uma verdadeira enciclopédia querendo falar sobre tudo”. Note-se que em incêndios há dois problemas, a geração de calor (fogo), típico de determinados materiais e a geração de fumaça tóxica, típica de outros. Na tragédia que tivemos há pouco tempo no nosso estado o problema principal foi a fumaça tóxica. Provavelmente este repórter que citou isto, estava se referindo ao caso, e talvez por possuir uma sensibilidade maior do que o PS, não tenha entrado em detalhes para não reabrir feridas.
      .
      Quanto a busca de falhas pelos jornalistas atuais (os mais jovens), acho que nisto tem uma pequena confusão conceitual. Estes novos jornalistas pensam que fazer “jornalismo investigativo” está em achar falhas! Não os recrimino, pois as empresas jornalísticas não deixam espaço para o mesmo fazer um verdadeiro trabalho investigativo, que exige trabalho, cuidado, reflexão e TEMPO. Aí nossos meninos e meninas, jovens jornalistas, tem que procurar os erros em qualquer situação que estejam, pois se não fizerem isto estão sujeitos a porta da rua.

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      • Essa de “onde há fumaça há fogo” foi fogo. Pois há fogo sem fumaça, que ocorre quando a combustão é completa e o resultado é apenas CO2 e H2O. E também há fumaça sem fogo, quando a evaporação de algum material sem que ocorra a chama.

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      • Rogerio , agradeço pelas tuas considerações.

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  3. Francamente, eu tinha esse tal de Juremir como uma pessoa bem mais inteligente.
    Ate minha irmã de 4 anos percebeu o tom totalmente irônico do texto do Santana, criticando uma situação onde nos dias atuais, se acredita que mais vale o moderno e útil do que o histórico; alias como sempre ele faz.
    Me admira o pessoal aqui do blog não perceber isso também.

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    • Caro Fran.
      .
      Realmente a tua irmã é um gênio e deve ser mais inteligente do que 99% dos leitores de Zero Hora, pois nos comentários do próprio blog, só depois de tempos quando começaram a ver que a barra estava pesada para cima do Paulo Santana e praticamente 100% dos comentários caíram de pau contra a cronica, que a redação da Zero Hora começou a colocar pessoas dizendo que era ironia.
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      Pela coluna inteira, onde além de dizer esta besteira, ele fica debochando dos seu colegas de rádio e TV que estavam fazendo a cobertura do incêndio, se vê claramente que ele como está indignado porque o Olímpico vai ser implodido que ele distilou o seu fel contra o mercado público.
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      As pessoas aqui do blog, não são burras, porém acho que ninguém aqui é parente do Paulo Santana ou funcionário da RBS para defender a burrice que escreveu. Em nenhum lugar no texto aparece algum indício que aquilo é ironia, o que vale é o que está escrito, e o que está escrito é o que se lê, não o que se julga ser o que o autor talvez tenha querido dizer.

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      • Não aparece nenhum indico de que foi ironia?
        Ah por favor, bem menos amigo…..
        Como disseram la nos comentários da coluna
        “” É um perigo ser sarcástico em um país em que as pessoas não são capazes de interpretar um texto. Que coisa!””

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        • Caro Juliano,
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          Aqui no Blog os comentaristas são, como se diz, pegam avestruz correndo de tamanco, e quase ninguém interpretou desta forma, agora a SAPSFZH (Sociedade dos amigos do Paulo Santana e funcionários da Zero Hora), estão invadindo a rede para dizer, era ironia, era ironia….Claro, como a coluna não tem desculpa, é melhor chamar os leitores de BURROS.
          .
          E mais, acho que sei interpretar um texto bem mais que a maioria, e não vi nada parecido com ironia, vi ódio, rancor, falta de ética profissional e outras, mas ironia, não.

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          • Este teu comentário, Rogério, passa a ser a partir de agora a posição oficial do Blog sobre este assunto. Com certeza não foi ironia. Querem impingir a nós, reles mortais, que ele estava sendo irônico, para agora proteger ele. Tsc, tsc, tsc.

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      • Belo argumento do cara, se a opinião é contraria a dele, é parente do colunista. hehehehehe

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        • Mari, antes de fazer comentários telegráficos, que através de duas linhas propõe a desqualificar opiniões, procure entender os motivos do meu comentário.
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          Se fores até o site em que está o artigo, verás que já há quase duas centenas de respostas a ele, destas nas primeiras horas só apareceram xingamentos que muitos devem ter sido filtrados. A Zero Hora levou mais de 4 horas para por no ar estes comentários, e logo após isto começaram a falar que era ironia.
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          Olhe a leitura do texto do Pablo abaixo, e meus comentários acima, não dá para se ver ironia nenhuma, ou mesmo se ele tentou ser irônico deveriam caçar o diploma de jornalista (ele tem?), pois não deixou transparecer isto em nenhum local do texto (remeto de novo ao texto preciso do Pablo).
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          Agora, quanto aos amigos e funcionários da ZH defenderem o PS é quase uma obrigação, pois depois do repúdio geral que ele está recebendo, e da crítica forte e vigorosa da coluna do Juremir, só resta mesmo “inventar” a ironia inexistente, se não a casa cai.

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    • Acho que não é ironia pelo simples motivo de haver muita gente, até aqui no blog, que pensa dessa forma. Então para ser ironia deveria ser muito mais forte do que foi.

      Outro motivo é que o texto começa com a história da implosão e coloca os argumentos, depois passa para as deslizes dos colegas, que, uma vez que houve deslize mesmo é difícil ser ironia e depois volta para o tema da implosão do Olímpico.

      É difícil acreditar que o trecho do começo e do fim fosse ironia e o do meio não fosse. E se o trecho do meio foi ironia, foi de mal gosto pois foi dirigido à colegas. Se ao menos ele tivesse citado algum deslize dele próprio, entenderíamos que é brincadeira, mas o tom foi bem sério.

      Por fim, há um silêncio total sobre o texto. O Paulo Sant’Ana voltou a falar do Mercado de forma bem fria. Não defendeu a implosão e nem ficou rebuscando frases de elogio… e isso ele faz muito bem. Pelo contrário, ele disse que a melhor sorveteria que está no Mercado abriu em um shopping.

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      • Dois erros no meu texto. Um pequeno no começo. Quando afirmo que tem gente que pensa assim, afirmo que há muitas pessoas que defendem a construção de um shopping e estacionamentos no centro e possivelmente no mercado.

        O segundo erro foi grande. O certo seria: “É difícil acreditar que o trecho do começo e do fim FOI ironia e o do meio não FOI.”

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  4. Santana se aposenta de maneira melancólica depois desta coluna, perdeu toda pouca credibilidade que ainda tinha.

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