Seguradora faz avaliação preliminar do Mercado Público

Somente depois dessa etapa será autorizada a limpeza e retirada dos escombros e entulhos

Ao contrário da agitação dos últimos dias, prédio histórico está vazio  Crédito: Vinícius Roratto

Ao contrário da agitação dos últimos dias, prédio histórico está vazio Crédito: Vinícius Roratto

Uma equipe da seguradora do Mercado Público realizou na manhã desta terça-feira uma visita preliminar ao prédio. A averiguação serviu para identificar as condições e os procedimentos seguintes. Primeiramente houve a perícia criminal, cujo laudo preliminar foi divulgado na tarde dessa segunda-feira. Agora, a espera é pela avaliação feita pela seguradora, que coletará as informações necessárias para o ressarcimento e cobertura de prejuízos. Segundo a administradora do Mercado Público, Adriana Leão, somente depois dessa etapa será autorizada a limpeza e retirada dos escombros e entulhos acumulados na área atingida. “Por enquanto esse ponto está isolado”, afirmou Adriana, que integra o grupo de trabalho para a recuperação do Mercado.

Ela reconhece que será um trabalho muito complexo, pelas características próprias do prédio histórico. Como administradora, lembrou que as últimas obras consideráveis no prédio ocorreram em 2011. Na época, foram investidos cerca de R$ 500 mil para a reforma dos quatro banheiros públicos e dos vestiários. Essa era uma demanda antiga dos usuários e profissionais. Além disso, recordou que eram realizadas periodicamente intervenções de manutenção, que envolviam consertos no telhado e as escadas rolantes. Nos últimos anos, ocorreram melhorias também em relação à qualidade dos serviços prestados, em especial com os permissionários, como a implantação do Programa de Alimentação Segura (PAS).

Do lado de fora, era possível ver com mais clareza a devastação provocada pelo fogo nas lojas que estavam viradas para a avenida Júlio de Castilhos, onde o fogo começou. Os ambientes pareciam ocos. As manchas pretas nas paredes em função do fogo também podiam ser vistas. Depois da liberação da empresa de seguros, haverá a avaliação da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), que emitirá um laudo mais detalhado e identificará as condições estruturais do prédio. A conclusão do levantamento deverá ficar pronta em até 15 dias.

Coincidentemente, no início deste mês a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) anunciou uma série de obras de qualificação, prevendo a modernização do local em função da Copa do Mundo de 2014. Entre as ações previstas estavam a desinsetização, além do desentupimento e troca das tampas de 120 bueiros. Também estavam programadas a pintura e restauração de portas, janelas, escadas e telhado. Segundo o titular adjunto da Smic, José Peres, as melhorias estavam em processo de elaboração de licitação.

Prédio está vazio

Bem diferente dos últimos dias, em que a agitação tomou conta, a movimentação no Mercado Público na manhã desta terça foi bem menor. Do lado de fora, o cordão de isolamento permanece, sendo protegidos por integrantes da Guarda Municipal e da Brigada Militar. Na parte de dentro, ainda é necessário identificação antes de entrar. Com uma pilha de correspondências, um funcionária tentava deixar os documentos organizados e fazer a distribuição aos permissionários gradativamente.

As falhas na cobertura do Mercado em função do incêndio fazem com que a luz do sol entre forte, bem diferente do cenário normal. Mas da mesma maneira, ao invés de sons altos, conversas em tom alto e corre-corre, o que se vê são pouquíssimos funcionários ainda organizando algumas coisas e retirando produtos. “É um cenário bem distante do dia a dia”, conta o presidente da Associação dos Permissionários do Mercado, Ivan Konig Vieira. Ele ressaltou a grande mobilização em torno da reabertura do Mercado. E avaliou que mesmo com a tragédia, a união é grande para a retomada das atividades.

Com o Mercado fechado, a alternativa adotada por muitos proprietários é aguardar. Mesmo assim, a preocupação é grande com o pagamento de contas e dos salários dos funcionários. A notícia que tranquilizou muitos veio de Brasília, com o anúncio de apoio financeiro do Ministério do Trabalho, que oferecerá cursos profissionalizantes enquanto os estabelecimentos não forem reabertos.

Os prejuízos do Mercado Público fechado é indefinido. Isso porque os 110 estabelecimentos têm faturamentos diferenciados e privados. O aluguel das bancas varia de R$ 700 a R$ 2,5 mil de acordo com o tamanho.

Correio do Povo



Categorias:Incêndios e PPCI

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