Mais uma vez, culpa da vítima

Neste ano, até Julho, dobraram o número de vítimas entre os pedestres porto-alegrenses. Obviamente a culpa é delas mesmas certo? Corretíssimo, segundo uma matéria do maior canal de TV do estado, que pode ser vista no site do G1.

Todos gostariam de morar na cidade mostrada nele, onde a infra estrutura e motoristas contribuem para a segurança dos pedestres. Todos sabemos que “as faixas garantem a segurança dos pedestres”, afinal elas são plenamente respeitadas e cuidadosamente projetadas. O próprio vídeo diz que o número de vítimas aumentou mas o número de acidentes diminuiu. Ou seja, o que aumentou foi a violência dos acidentes.

É muito difícil concluir o por que disso sem um trabalho de pesquisa, que deveria ser feito pelo poder público, mas algumas possibilidades:

  • Com o aumento do congestionamento, o atendimento médico está demorando mais a chegar às vítimas.
  • O mesmo congestionamento gera estresse de trânsito no motorista, que acelera mais quando consegue uma via fluida e assim coloca os outros em risco.
  • Imprudência dos motoristas de ônibus ao usar os corredores, como apontado na matéria.
  • As travessias para pedestres requerem longas caminhadas, quando existem.
  • Os semáforos para travessia, quando existem, demoram demais para dar a preferência, e logo fecham.
  • Muitas das obras em andamento não dão alternativas adequadas para o pedestre. Um exemplo notável é nas obras da Beira Rio e Padre Cacique, onde em certos momentos simplesmente não havia calçada.
  • Talvez os gradis não ajudem os pedestres, talvez até prejudiquem por dificultar o acesso ao semáforo e sua botoeira.
  • E enfim, sim, imprudência dos pedestres.

Mas enfim, não é a primeira nem a segunda vez que esse tipo de matéria tendenciosa é noticiada.

Vá de Bici

por Felipe X

 



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito, Violência no trânsito

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25 respostas

  1. Agora fui atravessar a Loureiro e havia um lago em volta da sinaleira para pedestres, impossível de atravessar ali então atravessei longe do sinal. Juro que na hora pensei “tomara que eu não seja atropelado, vão dizer que fui imprudente”.

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  2. Ta certo, os motoristas são os culpados de tudo, e não os santos pedestres bebados, ou com fone de ouvido…

    Vou comprar um equipamento pra por o celular no para-brisa do carro, filmar durante alguns dias a santidade dos pedestres nas ruas, vai aparecer a velocidade do carro e a forma em que dirijo.

    Se não mudarem um pouco de opinião, é por que o fanatismo anti carro atingiu um nivel absurdo, ai acho que ja não tem mais cura.

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    • Caro Guilherme.
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      Tens filhos? Pois quem tem, sabe que crianças devem ter o direito de uma vez ou outra se distraírem. Em outros países os motoristas tem extremo respeito ao pedestre, simplesmente porque todos são pedestres pelo menos alguns minutos por dia.
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      Agora vem a pergunta que talvez responda a tua indignação. Alguém tem que ser habilitado ou tem que ter passado por uma pedestre-escola para andar na rua?
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      A tua opinião é uma verdadeira inversão da realidade. Parece que o que nasceu primeiro foram os automóveis e muitos milênios após foram inventados os pedestres. Um automóvel é uma forma que uma PESSOA utiliza para se deslocar mais rapidamente de um local para outro, mas o direito é da pessoa não do automóvel. É uma inversão completa pois como sabes nos mais de 100.000 anos de história do homem e nos 5000 anos de história das cidades, os automóveis estão nesta com intensidade a menos de 100 anos, ou seja, a lógica das cidades não é a lógica dos automóveis.
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      Talvez a cultura do automóvel tenha sido implantada pelos lobbies da industria automotiva, pois no início deste, era necessário inclusive que antes dos automóveis fosse uma pessoa caminhando ou correndo a frente do mesmo, indicando que vinha um veículo! A partir da de 1913 quando Ford consegue fabricar em massa seu modelo T é que começa o reino dos automóveis, embalados pela vulgarização do mesmo através do surgimento de modelos mais baratos.
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      Poderia até dizer que há uma forte componente ideológica na inversão de prioridades entre automóveis e pedestres, dentro da lógica cultural norte-americana, lógica esta da premiação e supremacia daqueles que tinham sucesso, o carro é colocado no imaginário popular como um ícone de coroamento da vitória pessoal concedida pelo Senhor. Ou seja, aqueles que eram agraciados por este sucesso, tinham mais direito do que os outros. Coloquei esta observação que pode parecer descabida para a nossa sociedade, mas que se encaixa perfeitamente no espírito que grande parte do povo Brasileiro assume nas últimas décadas. Até 1960 o automóvel era visto como um conforto que pessoas mais abonadas se permitiam, após isto, embalada pela propaganda, o automóvel se transforma num símbolo de status social, e quanto maior e mais potente, mais importante e mais poderosa se acha quem o dirige.
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      Só para exemplificar o que escrevo, vemos que as pessoas com mais dinheiro não procuram automóveis mais confortáveis e mais cômodos de conduzir nas nossas ruas, procuram isto sim as SUVs que na origem foram criadas para dar conforto a quem trabalhava no campo.
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      O ideal numa cidade seria veículos que andassem segregados do tráfego de pedestres, e acho que isto será o futuro. Por exemplo transportes como o metro ou o aeromóvel fazem isto, evitando o conflito entre o pedestre e o automóvel. Inclusive em várias cidades de países mais desenvolvidos o tráfego no centro é só trafego local, tornando-se esta zona uma zona exclusiva de pedestres ou de pachorrentos VLTs que nesta região andam lentamente tocando um sino para indicar a presença de um veículo.

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    • Aqui não interessa a saúde de crianças, idosos e pessoas de cidades menores que vem para cá e não estão acostumado com nossa agressividade. This is no city for old men.

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    • Velha mania de achar que dois errados fazem um certo. Tem pedestre canalha? Tem. Mas a educação tem que partir principalmente do motorista. Tu para em alguma faixa? Sabe quando parar? Dá uma olhada nos meus vídeos que vais aprender…

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  3. O estresse da cidade grande gera esse conflito no trânsito, é óbvio.
    Os ônibus em POA precisam aumentar 50% da frota em horários de pico pra atender a demanda atual, imagina pra começar a “conquistar” as pessoas?
    Criar uma multa bem gorda para quem não respeitar o pedestre na faixa. Só que pra isso a gente precisa de mais fiscalização, e o corpo tanto da BM como da EPTC está abaixo do ideal.
    Quando a gente chegar na situação insuportável de 50 mortes por dia no trânsito de POA, aí sim vão mudar alguma coisa, ou fazer algum “estudo”.

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    • Falso. Os ônibus tem q conseguir andar. Não há necessidades de mais bus : é necessário tornar o embarque mais ágil ( terminar com a ridícula roleta no colo do motorista ) e criar mais corredores exclusivos ( Centrão- Auxiliadora em 1 h 20 min / prefiro ir a pé ) …

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      • Concordo André mas algumas linhas precisam mais veículos, como a t11

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        • Ok, Felipe, talvez seja mais correto falar em ônibus maiores – sem aumentar o número. T11 comporta biarticulado …
          Na Zona Norte, a máfia tem tanta força que por mais de 10 anos – entre 2002 e 2012- operaram sem carros articulados . Pode ? Pode. Em Bovinópolis, tudo pode …

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      • Realmente, André.
        Não tinha pensado por esse lado. Agilizar o embarque e o trajeto impediria que mais pessoas se concentrassem no ponto e diminuiria os atrasos!!!
        Mas, mesmo assim, tem ônibus que já saem lotados a partir do fim da linha e vão enchendo cada vez mais, o que fazer daí?

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  4. Acredito que a grande maioria dias dos atropelamentos sejam causados pelo uso do celular. Prestando atenção aos motoristas vejo uns 30% falando enquanto dirigem e muitas vezes chegam a fazer curvas só com uma mão enquanto a outra esta com o celular.

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    • Seguido vejo um falando no celular e furando sinal vermelho. Sério, dá vontade de jogar algo no carro.

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  5. Caros Gilberto e Felipe.
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    Para esta oportuna e importante postagem que vocês fizeram vou procurar contribuir um pouco sobre algo que observo a tempos.
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    Como por felicidade pessoal tenho uma casa na Serra Gaúcha, vou o mais frequente possível para recarregar as minhas baterias e da minha família, e quando estou na Serra, tanto em Gramado como em Canela observo algo surpreendente: Os motoristas com placa de Porto Alegre param religiosamente em todas as faixas de segurança que algum pedestre mostra intensões em passar. Digo intensão em passar, pois algumas vezes quando me deslocava por uma calçada e inadvertidamente me curvei na direção a uma faixa de segurança, terminei tendo que cruzar a rua para não frustrar a solicitude do motorista.
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    Isto é surpreendente à medida que os motoristas que param nas faixas de segurança na Serra são os mesmos que atropelam em Porto Alegre. Não há distinção de luxo dos automóveis, Mercedes e BMWs reluzentes, param da mesma forma que Fuscas, Brasílias ou qualquer outro veículo de menor custo. Não há distinção de idade nos motoristas, param sisudos senhores, param jovens rapazes com suas namoradas ou amigos ou até aquelas senhoras de meia idade, com corpo malhado nas academias que com seus poderosos SUVs só não colocam por cima de cãezinhos nas cidades sem poupar nem os colegas de seus filhos na saída das escolas. Em resumo, há um verdadeiro viés cognitivo nos Portalegrenses quando sobem a Serra.
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    Eu e minha família propusemos alguma hipóteses sobre esta alteração de padrão de julgamento que levam as pessoas a um surto de civilidade suíça quando se encontram na Serra, e retorno a barbárie quando voltam para a sua cidade de origem.
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    1ª) Hipótese (ainda não testada): Os ares da Serra ou a diminuição da pressão atmosférica, permite uma melhor oxigenação do cérebro, fazendo as pessoas agirem de acordo com a moral e os bons costumes. Teríamos que verificar se em outras cidades sobre as mesmas CNTP agem da mesma forma.
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    2ª) Hipótese (também não verificada, mas pouco provável): Que após ir uma vez para a Serra e começarem a se comportar como humanos racionais e não criminosos, fica uma marca indelével que perdura quando voltam a Grande Cidade (pouco provável, pois se assim o fosse, a taxa de atropelamentos em Porto Alegre diminuiria com o tempo).
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    3ª) Hipótese, (já descartada): Haveria um policiamento ostensivo nas cidades na Serra que inibiria os comportamentos anti-sociais na região. Descartada pois o contingente da Brigada é pequeno, e os azulzinhos serranos fazem o mesmo que os portalegrenses, ou seja, NADA.
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    4ª) Hipótese formulada por uma filha minha quando ainda não era boa em geografia (instantâneamente rechaçada pelo resto do grupo): A Serra é outro país!
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    Não conseguimos ainda formular ainda uma hipótese satisfatória, entretanto AGORA FALANDO SÉRIO, deveríamos estudar melhor porque deste verdadeiro viés cognitivo, que leva a um comportamento completamente antagônico, quando as pessoas se deslocam 130km em menos de 2 horas.
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    Porque gentis senhores, guapos mancebos e malhadas senhoras, agem de forma civilizada em uma região e noutra não. Me parece que este argumento destrói afirmações do tipo: Está faltando é melhor educação ou os pedestres é que são culpados, pois a educação não é adquirida com o aumento da altura em relação ao nível do mar e nem os pedestres são menos descuidados quando se encontram na Serra. inclusive as pessoas são bem mais descuidadas e já vi algumas crianças escaparem das mãos dos pais, cruzarem a rua e gentis motorista portalegrenses pararem solicitamente suas viaturas e olharem com condescendência as descuidadas mamães.

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    • Teoria da janela quebrada. Na serra é tudo mais organizado, mais limpo, mais bem cuidado. Pode falar com quem for, Porto Alegre está jogada! Veja o post sobre o lixo.

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    • Também já percebi isso, acho o senhor mesmo já fez essa constatação aqui.
      E não me parece que seja algo exclusivo dos Porto Alegrenses. Tenho parentes em São Paulo e Brasilia que são dos mais loucos, do tipo que anda sempre cortando giro dos coitados dos carros. E quando eles vem passear pela serra gaucha, tem essa mesma transformação de comportamento.
      Será o estresse das grandes cidades que deixa as pessoas assim?

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    • Gostei da discussão. Acho que tem a ver com velocidade e “janela quebrada” como mencionado acima. A questão do estresse da cidade pode ser real, mas acredito que a questão é o estresse no trânsito e não o estresse geral.

      Meu ponto é, acho que há uma cultura de agressividade no trânsito, de querer se impor por tamanho. Ao irmos para a serra, estamos querendo relaxar pois é passeio, é férias e nada nos perturba. Cabe ao poder público quebrar o paradigma através de educação desde a escola e de fiscalização e punição.

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  6. Essa coisa de carro parar na faixa é muito curiosa.

    Há uma faixa de pedestre entre a Praça da Matriz e o Palácio da Justiça que TODOS os automóveis param para o pedestre passar.

    Fiquei um bom tempo me perguntando porque esse é um dos únicos locais em POA onde a preferência do pedestre é respeitada.Na mesma hora me veio à mente a cidade de Gramado,que é uma cidade tomada por gente de POA no inverno.Lá os motoristas da capital são gentis.Mas quando voltam pra cá, não.

    E eu cheguei a conclusão de que as faixas só são respeitadas nesses lugares porque a velocidade desses locais é baixíssima(em Gramado não tem ninguém correndo,só passeando;e na Praça da Matriz o trânsito também é lento,uma vez que os carros estão contornando a praça).

    Enquanto a EPTC usar políticas para maximizar o fluxo de veículos motorizados e a prefeitura fazer freeways dentro da cidade,em detrimento da segurança dos pedestres e ciclistas,a corda sempre irá estourar no elo mais fraco.

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    • Ricardo, não foi plágio a minha intervenção abaixo, como demorei algum tempo para escrevê-la, ao postá-la verifiquei que tu também constatasse o mesmo.
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      Só discordo da tua conclusão, pois acho que só a velocidade não explica o fenômeno, pois mesmo em locais da Serra (nas ruas secundárias) em que o tráfego é mais rápido o comportamento é o mesmo.

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  7. Aqui no Moinhos o que passa de motorista mal educado…
    Não respeitam UMA faixa. Esses motoristas não sobreviveriam 1 hora no transito de L.A.

    Gosto muito da plaquinha la que diz. “DO NOT STOP. FINE: $500”.
    Sim, é assim que eles aprendem não trancar o trânsito. Quando dói no bolso. E tem que doer. Nem preciso dizer que as faixas são respeitadas na cidade do automóvel.
    O motorista daqui, que em sua maioria, é sem educação.

    PED Xing, também.

    Deveriam subir pregos na faixa pra furar os pneus desses sem vergonhas na hora que fecha o sinal para eles. Ontem quase fui atropelado por um, que tinha adesivo de “DEFICIENTE FÍSICO”. E tem idosos que agem assim também.

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    • Exato, e sempre que se fala em punir ou deixar de divulgar locais dos pardais, começa aquele papo de “medida arrecadatória mimimi”

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  8. E a campanha estimulando o respeito às faixas de pedestres? Lembram, aquela da mãozinha?

    Mesmo sendo contrário à exigência de que o pedestre “solicite” passagem diante de uma faixa de segurança, pelo menos naquela época era um pouco mais fácil atravessar uma rua. Mas a campanha foi solenemente abandonada.

    Iniciativas como essas não podem ser fugazes. Precisam ser permanentes.

    Mas também faltam muitas faixas de pedestres em diversos locais da cidade.

    Jornalistas, gestores públicos, reacionários e desinformados em geral sempre perguntam: “Por que o pedestre atravessa fora da faixa?” Mas a pergunta certa é “Por que não tem faixa onde os pedestres atravessam?”

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    • O problema das campanhas em geral aqui é que elas duram pouco tempo e por isso não tem efeito. Uma campanha educacional que dura um mês é puro desperdício de dinheiro.

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  9. Depois da Ipiranga 1075 ansiam por estrume no Morro ….

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