EPTC espera aumentar velocidade dos ônibus com BRTs

Média atual dos coletivos é de 20 km/h em Porto Alegre

Sistema deve começar a operar em maio de 2014    Foto: Gilberto Simon

Sistema deve começar a operar em maio de 2014 Foto: Gilberto Simon

A sensação de que o ônibus não sai do lugar em horários de pico, percebida por muitos passageiros em Porto Alegre, é evidenciada pelos números. Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), a velocidade média nos principais corredores fica abaixo dos 20 km/h durante boa parte do percurso nas horas de maior movimento. O levantamento foi feito antes de terem início as obras do Bus Rapid Transit (BRT), que tornou o trânsito ainda mais lento em alguns trechos.

Com a implantação do sistema, prevista para o ano que vem, a EPTC espera aumentar a rapidez. A velocidade média foi calculada levando-se em conta duas faixas de horário: 6h às 9h e 17h às 20h. Com médias entre 11 km/h e 20 km/h, o corredor da avenida Assis Brasil, na zona Norte, é o mais lento.

“É o corredor que tem mais ônibus operando e o que conta com mais embarques, por isso a região será contemplada com o metrô”, justifica o gerente de Projetos Estratégicos da EPTC, Flávio Tomelero. De acordo com ele, o planejamento viário visa alcançar médias superiores a 20 km/h, a fim de tornar mais atrativo o transporte coletivo. “Até por isso estamos fazendo esses projetos dos BRTs e do metrô, porque buscamos uma velocidade mais alta.” Ele argumenta que a solução para a mobilidade urbana, em qualquer cidade de grande escala, passa pelo transporte coletivo. Para isso, ele precisa tornar-se mais atrativo aos usuários, o que inclui conforto e rapidez. “Só vamos conseguir isso tendo velocidades mais altas”, complementa. Segundo ele, as médias dos principais corredores mantiveram-se estáveis na comparação com balanço realizado em 2011.

O corredor mais rápido, conforme o levantamento da EPTC, é o da avenida Sertório, com velocidades entre 25 km/h e 35 km/h se forem levados em conta os horários de pico. As faixas localizadas na avenida Érico Veríssimo e na III Perimetral não foram avaliadas pela empresa.

Velocidade média pode ir a 25 km/h

O nome do novo sistema de transporte em implantação na Capital — Bus Rapid Transit (BRT), que significa trânsito de ônibus rápido — já demonstra que a intenção é tornar o fluxo mais ágil. Segundo o engenheiro da EPTC e coordenador do projeto, Luiz Cláudio Ribeiro, a meta é alcançar uma velocidade de pelo menos 25 km/h. A previsão é de que o sistema comece a funcionar em maio de 2014.

“O BRT é um conceito que une várias ações para que seja alcançado em sua plenitude”, afirma. A primeira delas, segundo Ribeiro, é a troca do asfalto por concreto, que está em execução. “Só essa troca já aumenta a velocidade média em 10% a 15%, porque haverá uma superfície melhor para os ônibus rodarem.”

Outra medida prevista é fazer com que haja um equilíbrio na distância entre as estações. Em alguns casos, segundo Ribeiro, apenas 200 metros separam um ponto de outro, o que impede o veículo de manter uma velocidade maior. O objetivo é obter uma média de 500 metros. A frota de ônibus, por sua vez, terá uma capacidade para transportar mais passageiros, aumentando para 170 pessoas. Nos ônibus comuns podem ser transportados até 85 passageiros — nos articulados, o limite é de 120. “Assim, a gente consegue evitar a formação de comboios e ter uma racionalização no sentido de gerar um aumento da velocidade média”, observa Ribeiro. A expectativa é que o número de ônibus que circulam no Centro da Capital seja reduzido em 30% a 40%, o que diminuiria os congestionamentos.

Em uma etapa futura, os BRT contariam ainda com cobrança de passagens externa — assim como ocorre em Curitiba —, e não dentro do ônibus. “Hoje, a cobrança é quando o passageiro embarca, então já começa a haver formação de filas. Vai diminuir de 30 segundos a um minuto para 10 ou 15 segundos.” Os BRTs serão implantados nas avenidas Protásio Alves, João Pessoa, Bento Gonçalves, Padre Cacique, Tronco e um trecho da Azenha.

Para especialista, meta é modesta

Somente com uma velocidade maior o transporte coletivo poderá tornar-se mais atrativo para quem hoje utiliza o automóvel. Por isso, o professor João Fortini Albano, do Laboratório de Sistemas de Transportes (Lastran) da Ufrgs, considera que o BRT deva perseguir uma média de 50 km/h. Ele acredita que a meta de pelo menos 25 km/h, projetada pela EPTC, é modesta. “A expectativa é de que ele tenha, senão a velocidade máxima cabível (60 km/h), mas algo perto disso. Se não tiver uma velocidade perto de 50 km/h, não vai ter sentido”, acredita Albano.

De acordo com o especialista, as longas filas de ônibus visualizadas hoje, nos corredores, são uma prova de saturação do atual sistema. “São faixas exclusivas que existem para diferenciar o transporte coletivo e promover um deslocamento mais rápido, porque teria de estar livre, mas não é o que acontece”, observa. “Em função da intensa utilização, chega a um ponto em que fica com essa velocidade muito baixa. É preocupante”, critica o professor Fortini Albano.

Atropelamentos exigiram medidas

No primeiro semestre deste ano, seis pessoas morreram atropeladas em corredores de ônibus da Capital. Em razão disso, a Empresa Pública de Transporte e Circulação colocou mais gradis e informou que irá ampliar a presença do radar móvel nesses locais. Agentes de educação no trânsito irão orientar os passageiros sobre a necessidade de travessias seguras. O total de mortes por atropelamento em Porto Alegre foi de 25 desde o início do ano.

Corredor exclusivo é a vantagem

O engenheiro que atua na Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) Luiz Cláudio Ribeiro ressalta que a vantagem é os ônibus contarem com um corredor exclusivo. As velocidades medidas no levantamento da EPTC consideram tempo de embarque e desembarque, explica Ribeiro. Nos corredores, o limite de velocidade é de 60 km/h, como ocorre com os carros. Próximo às estações, a máxima permitida para os ônibus cai para 30 km/h.

Correio do Povo



Categorias:BRT, EPTC, onibus

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43 respostas

  1. Da série: “Recorte e guarde”: Vídeo oficial da Prefeitura sobre o BRT.

    Aos 1’38”, falam da preferência nos cruzamentos. QUERO SÓ VER se isso vai acontecer mesmo…

    (E aos 0’48”, ironicamente, um passageiro fica um tempão para pagar a passagem e entrar na estação. Acho que demora mais até do que um passageiro levaria se tentasse pagar o ônibus com uma nota de R$ 50 atualmente. Tomara que tenha sido apenas um descuido do quem fez o vídeo…)

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    • Uma coisa que me incomoda um pouco nesse vídeo e em outros comunicados da prefeitura é que insistem que irá “melhorar o trânsito”. O objetivo não é melhorar o trânsito, o objetivo é melhorar a circulação de pessoas.

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  2. texto tão confuso que parece que o autor confunde velocidade média com máxima ou não entende que o importante é melhorar a primeira.

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  3. Leram com cuidado:
    .
    “Em uma etapa futura, os BRT contariam ainda com cobrança de passagens externa — assim como ocorre em Curitiba —, e não dentro do ônibus.”
    .
    Ou seja, há duas coisas que aumentam a velocidade média dos ônibus num verdadeiro BRT.
    .
    1ª) Possibilidade de ultrapassar nas paradas (não previsto!).
    .
    2ª) Cobrança de passagem externa (para uma ETAPA FUTURA), ou seja, nunca!
    .
    As paradas mais distantes os comerciantes e moradores vão reclamar e:
    .
    Tudo fica como dantes como no quartel de Abrantes

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    • AH esqueci, a pista de concreto vai aumentar a velocidade em 10% a 20%, ou seja 2km/h a 2km/h.
      .
      A onde estarão os defensores do BRT em Porto Alegre?

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      • Se não houverem linhas expressas, os pontos de ultrapassagem não se fazem muito necessários.

        Já sem o pagamento antecipado das passagens, a troca do piso por concreto não vai ter servido pra muita coisa. Mas de qualquer forma, parece que as estações fechadas ainda eram no nível da calçada e não no nível do chão do ônibus, sendo que isso sim ajuda a agilizar a entrada e saída das pessoas no ônibus, não só para os passageiros comuns mas também para idosos e deficientes físicos e visuais.

        Enfim, mais uma oportunidade que Porto Alegre perdeu.

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    • Se a intenção fosse realmente implantar o BRT, fariam isso na Sertório, onde já está tudo pronto com estações no nível do ônibus e cabines pata

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      • *cliquei publicar sem querer…
        … e cabines para cobrança antecipada. Poderiam até testar o sistema e treinar pessoal.

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      • Pois tu comentou isso e essa semana passei por lá e me liguei que as estações eram pra isso mesmo! hehehe

        E vendo o estado que elas estão hoje, sub utilizadas, aquilo sim é um puta desperdício de dinheiro público!

        Thanks ATP!

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    • Quando liberaram a circulação de ônibus sem as paradas e com cobertura provisória eu já desconfiava… Agora com essa “etapa futura” o provisório será definitivo.

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  4. Extra !

    Assédio moral na Câmara de Vereadores :

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    • Olhando para a cara do Nalgestein, é de esperar isto. Alguém compraria um carro usado dele?

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      • O Nagelstein foi o único secretário que pareceu estar disposto a trabalhar. Digo isso pois ele teve coragem de tomar medidas impopulares como o fechamento dos bares. Não vi nenhum outro secretário ou vereador fazer nada impopular assim, seja certo ou errado.

        Enquanto isso, os vereadores do Psol, PT e PCdoB aparecem bem no momento que a tal RBS que eles odeiam está lá pra fazer reportagens. É a repetição da velha cartilha do populismo, que o povo ainda é ingênuo para seguir.

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        • Minha mãe e os pais de muitos por ai dizia ou dizem ainda, “me diz com quem andas ou é amigo que eu te direi quem es” se eles são amigos de um as… , radical e ditador como o Fidel Castro o que se pode esperar deles, se der chance eles vão transformar aqui uma Cuba.

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  5. Uma vez eu vi uns BRT’s na Colombia que junto as paradas de onibus a pista ficava dupla, então eles tinham duas modalidades de onibus, um que parava em cada estação e um expresso q parava só as vezes. Dessa forma os onibus que não precisavam parar na estação ultrapassavam os pinga-pinga

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    • Isso seria possível na BR 116 por exemplo, se houvesse um BRT Porto Alegre – Novo Hamburgo, assim daria pra fazer um BRT com paradas a cada 600 metros, por exemplo, e outro que faz duas paradas em Novo Hamburgo, duas em São Leopoldo, uma em Sapucaia, uma em Esteio, duas em Canoas e uma em Porto Alegre (no mercado ou na rodoviária, vindo pela Castelo Branco, ou 4 em Porto Alegre vindo pela avenida dos estados, Farrapos e Mauá).
      Um BRT assim, aliado à uma frota maior da trensurb (30 trens de 6 ou 8 carros) já desafogaria bastante a BR, pois muitas pessoas que se deslocam à Porto Alegre de carro deixariam de pagar os exorbitantes estacionamentos se houvesse um transporte público eficiente.

      Agora, imagine um BRT assim na protásio? Um, BRT comum já costuma exigir desapropriações (evitadas em POA por já existirem corredores exclusivos), um com pontos de ultrapassagem requereria desapropriações, e é simplesmente incabível desapropriar os prédios antigos da Protásio (mesmo que mal conservados) em nome da mobilidade urbana.

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  6. Aumentar a velocidade máxima nos corredores de 50km/h para 60km/h terá um efeito irrisório sobre a velocidade média final. Isso porque os ônibus passam a maior parte do tempo a velocidades inferiores aos 50km/h. A cada paraa, com a desaceleração e posterior aceleração, a média cai muito. Diminuir o número de paradas ajuda nesta problema, mas penaliza o usuário, que terá que caminhar mais.

    A melhor maneira de elevar a velocidade media é implantar aquele sistema que abre o semáforo para o ônibus um pouco antes de ele chegar ao cruzamento. Dessa maneira, as únicas paradas necessárias são aquelas para embarque e desembarque de passageiros.

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    • Canali.
      .
      Acho que meu colega o Albano errou nas contas. Considerando o tempo de parada, a aceleração e a desaceleração, acho que é simplesmente impossível um ônibus tri-articulado com toda a massa que tem atingir uma velocidade média de 50 km/h mesmo que a velocidade máxima atinja 60 km/h.
      .
      Vou procurar por aí qual a aceleração e desaceleração COM CONFORTO, que pode atingir um ônibus.
      ,
      Me parece que os adoradores do BRT estão agora preparando para dizer que ele nãoé estas coisas, depois de terem beatificado este modal.

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      • Em elevadores é pouco mais de 10% de 1G. Mas o desconforto é muito mais a variação da aceleração (jerk) do que pela aceleração em si, isso para baixas acelerações, inferiores a 1G.

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      • Maestri,

        Não sou da área, mas encontrei este documento aqui. Talvez sirva como referência.

        Clique para acessar o MBTC1054-2.pdf

        “Acceleration and deceleration rates vary depending on the type of vehicle. Research literature suggests that acceleration rates typically are 2.0 to 2.5 mphps (decreasing when accelerating to speeds above 20 mph) and deceleration rates are typically 2.0 mphps. Acceleration rates for articulated buses are less than for standard 40’ buses, and hybrid buses tend to have higher acceleration rates than diesel buses. Since vehicle type is yet undefined in this feasibility study, it is proposed that a 2.0 mphps acceleration rate be used (gradually decreasing to 1.25 mphps when accelerating to 40 mph), and a constant 2.0 mphps deceleration be used.”

        Em resumo: uma aceleração tolerável estaria entre 3,2 e 4,0 km/h a cada segundo, e a desaceleração em 3,2 km/h por segundo. Para veículos articulados, um pouco menos que isso.

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      • Rogério e Enrico, mostrarei uns cálculos mais abaixo, me corrijam se estiver errado.

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    • O grande problema da aceleração e desaceleração é o gasto energético. Imagine acelerar 170 pessoas mais o peso do ônibus, do motor, to combustível… para logo ali na sinaleira* ou próxima parada jogar toda essa energia no lixo através do calor nos freios.

      Modernos VLTs regeneram a maior parte dessa energia e reinjetam na rede.

      * nos vídeos diz que as sinaleiras abrirão para dar para dar preferência aos ônibus, mas isso vai demorar mais de 100 anos para acontecer.

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      • Concordo que o gasto energético é enorme, Pablo. Mas pra mim ainda o grande problema é a perda desnecessária de tempo.

        Para ser convidativo, o BRT deve ser limpo, bonito, confortável e PRINCIPALMENTE rápido.

        O próprio nome já Diz: Bus *Rapid* transit.

        Se for um Bus *Slow* Transit, a sigla seria BST.

        Não sei vocês, mas quando leio a sigla BST, a palavra que me vem à cabeça é “bosta”.

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  7. Tem que aumentar o treinamento, porque alguns motoristas pisam no freio como se fosse a última coisa que estão fazendo na vida. O carregamento é de seres humanos e não de sacos de soja. Com o aumento da velocidade esse problema vai ser intesificado.

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    • Alta velocidade não implica em freada brusca.

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      • Alta velocidade em uma zona altamente povoada é implorar por atropelamentos, ainda mais com veículos pesados como ônibus. Eu acredito que o limite máximo de velocidade para os ônibus no perímetro urbano deveria ser 40km/h.

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  8. Uma vez que o preço da passagem é sempre ponderado pelo IPK. Para reduzir a passagem precisamos aumentar o P (passageiros) ou reduzir o K (quilômetro). É muito simples reduzir a distância média dos ônibus sem prejudicar ninguém, basta criar linhas alimentadoras e linhas expressas. Havia um projeto na Câmara para linha expressa, mas a EPTC reagiu de forma bem negativa à esse projeto.

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    • Como os ônibus do BRT vão ser novos, para poder as tais 170 pessoas nele, os ônibus que deixarão de atender ao centro poderiam muito bem ser realocados para as linhas alimentadoras..

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      • Acho que não vão retirar os ônibus que vão até o centro, apenas vão colocar os ônibus maiores e deixar como está.

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        • Se é pra reduzir a quantidade de ônibus que vai até o centro, é preciso acabar com as linhas que vão até o centro e passam por estes corredores, e criar linhas alimentadoras para substituir o trajeto que essas linhas faziam do bairro até o corredor. Se não for assim, não será possível redução significativa na quantidade de ônibus que vai até o centro, teremos a mesma quantidade de ônibus, porém teremos vários ônibus com capacidade para 170 pessoas levando 40.

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        • Menos ônibus com mais gente e linhas alimentadoras = aumento do IPK = redução das tarifas ou aumento = redução da quantidade de dinheiro, pois quanto menos se gasta menos se ganha, afinal se ganha sempre 6% do custo.

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  9. Do vadebici li uma ideia interessante. E se fizessem corredores de ônibus na Ipiranga e 24 de Outubro? Mesmo a direita com uma faixa pintada no chão e tachões. Por pior que seja uma faixa exclusiva à direita é melhor que faixa exclusiva nenhuma como hoje.

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    • Vai ver porque alguém ainda tem esperança de executar o plano diretor na área da 24 de outubro hehehe Falando sério, teria que fazer mesmo, sempre defendi isso e não teria custos significativos para que arranjassem desculpas esfarrapadas…

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