O Rei do Sul

Organização criada por empresário de São Carlos planeja investimentos em Estados do Sul do Brasil, entre eles um de R$ 500 milhões

JOÃO ALBERTO PEDRINI
DE RIBEIRÃO PRETO

Complexo do m.grupo em Gravataí está em construção

Complexo do m.grupo em Gravataí está em construção

O “M” é de múltiplo e, junto com a palavra “grupo”, forma o nome de uma empresa que tem em seu DNA a vocação para os negócios e que em poucos anos se transformou numa potência no Rio Grande do Sul: o M.Grupo.

Fundada por Lorival Rodrigues, natural de São Carlos, a organização quer agora expandir seus negócios para Paraná e Santa Catarina.

Formada pela M.Invest e GlobalMalls (shopping centers), M.Inc (empreendimentos residenciais e comerciais), M.Hotéis, M.Com (comunicação) e a Star Air (táxi aéreo), o grupo se prepara para ampliar sua área de atuação.

Diretor-presidente, Rodrigues diz que arquiteta a entrada nos outros dois Estados do Sul por meio da GlobalMalls, a caçula do grupo, criada para desenvolver e administrar shopping centers.

Ele afirma que a intenção é comprar empreendimentos prontos, mas não descarta a possibilidade de construir imóveis em parceria com instituições financeiras.

Enquanto prepara a invasão em terras paranaenses e catarinenses, o M.Grupo segue investindo em solo gaúcho. A cerca de 25 km de Porto Alegre, em Gravataí, a empresa está investindo R$ 500 milhões num complexo que engloba shopping, hotel, torres comerciais e residenciais, incluindo o maior prédio do Rio Grande do Sul – o Majestic.

Lorival Rodrigues quer investir num Estado onde tudo começou. Foi na praia da Lagoa Cortada, em Balneário Gaivota (Santa Catarina), por volta de 2000, que ele, um irmão e o filho venderam todos os terrenos de um empreendimento financiado por uma empresa gaúcha.

Mas foi em 2009, em Capão da Canoa (RS), que a família lançou o primeiro empreendimento: um residencial, batizado de Dubai.

A operação, segundo ele, foi arriscada, já que para pagar o investimento era necessário vender os lotes e quitar as parcelas dos empréstimos obtidos para viabilizar as obras. O empreendimento foi um sucesso e propiciou outros investimentos.

Depois disso, a família começou a investir em residenciais. Rodrigues dá a receita para o sucesso no ramo: “O importante é criar uma coisa nova, muito segura, com uma arquitetura diferenciada e formas de pagamento atraentes”, diz. “Esse é o segredo.”

JUVENTUDE POBRE

De uma família de seis irmãos, Rodrigues nasceu em São Carlos, onde ficou até os 16 anos. Depois, se mudou para Ribeirão Preto para fazer cursinho. Durante um ano, morou numa pensão na rua General Osório.

Conta as dificuldades por causa da falta de dinheiro: “Olha, o que eu comi de pão duro naquela pensão… me criei no pão com mortadela [nesse período de um ano] num boteco de esquina”, diz. “A gente era de uma família muito pobre, então tinha de economizar. Até na comida, porque quanto mais eu gastasse, mais eu sacrificaria os outros [irmãos].”

Formado em psicologia e filosofia em Itatiba, onde foi morar após estudar em Ribeirão, o empresário diz que, na época, vendia livros para custear os estudos e se manter.

O interesse pelo Rio Grande do Sul começou quando um tio de Franca, que era representante comercial, falava sobre o Estado.

“Ele viajava muito, comentava as coisas bonitas do Rio Grande, dos costumes, das tradições. E eu criava imagens. Os relatos eram muito fortes e presentes no meu dia a dia”, afirmou.

Aos 20 anos, o empresário juntou dinheiro e viajou para Porto Alegre: “Fiquei apaixonado, muito contente com o que vi. Estou aqui até hoje.”

RAIO-X LORIVAL RODRIGUES

Função: diretor-presidente do M.Grupo

Idade: 58 anos, casado e pai de dois filhos

O M.Grupo

Fundação: 17 de setembro de 2008

Funcionários: 300 diretos (1.500 indiretos)

Sede: Porto Alegre (RS)

Escritórios: Capão da Canoa, Gravataí e Lajeado (RS) e Florianópolis (SC)

Atuação: shopping centers, prédios residenciais, empreendimentos comerciais, comunicação e marketing, táxi aéreo e hotéis.

Empresa investe R$ 500 mi em complexo gaúcho

DE RIBEIRÃO PRETO

majestic3Um complexo urbanístico que inclui shopping, hotel, torres comerciais e residenciais, incluindo o Majestic, que será o prédio mais alto do Rio Grande do Sul, é hoje o principal investimento da empresa M.Grupo, em Gravataí.

Na cidade, que fica a cerca de 25 km de Porto Alegre, será construído o Majestic Business Tower, com 132 metros de altura, 42 pavimentos e salas comerciais de 29 a 967 metros quadrados. O investimento no complexo chega a R$ 500 milhões.

Segundo o presidente do M.Grupo, Lorival Rodrigues, o município foi escolhido por não possuir nenhum outro centro de compras de grande porte e por ter um dos maiores PIBs do Estado (é o sexto maior, de R$ 7 bilhões). A conclusão do projeto está prevista para 2015.

Rodrigues afirmou que o grupo não sente os efeitos do baixo crescimento econômico brasileiro e defende que os investimentos também devem ser feitos em momentos de crise.

INVESTIR NA EUROPA

Pensa até em investir em Portugal, país que vive uma grave retração econômica.

“As pessoas vão pensar: Lorival, você é louco? Investir com essa crise na Europa?’ Aí eu respondo: Sim. Temos de comprar e investir agora, que está tudo barato, e vender no futuro, quando houver a recuperação’.”

Ele afirmou que este é o melhor momento para investir na Europa. “O cenário vai mudar. Hoje você encontra imóveis a preços maravilhosos. Você assume a dívida parcelada. É chance de comprar”, afirmou. “Quando a economia se recuperar, esse imóvel dará um retorno muito bom.”

A curiosidade – e a posterior habilidade – de fazer negócios surgiu e foi desenvolvida com o avô, Miguel Rodrigues, em São Carlos. Lorival disse que sempre observou as transações e aprendeu a realizar bons acordos.

“Ele [o avô] criava cavalo e trocava por outras coisas. Era um negociante nato.”

UOL – FOLHA DE SÃO PAULO



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Arranha Céus, Economia Estadual, Prédios

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26 respostas

  1. Gostaria de ver este zelo e vigilantismo quase que psicotico contra enrriquecimento quando alguem enriquece trabalhando no setor publico.

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    • Uè, qual o problema de um juiz ter patrimônio? Que vigilantismo psicótico contra os servidores.

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      • hahahahahah……ai vcs se entregam de graca assim! Mas na verdade ate’ ja sabia que vcs eram adeptos do estado gigante e centralisador, mas aceitar enriquecimento no setor publico?? Isto nao pode prq chama-se CORRUPCAO! so’ por isso!

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  2. Bah, li os comentarios e fiquei até tonto…
    hahaha

    Que lindo que seria um prédio desses no centro de Porto Alegre.

    E sobre investir na europa, bom, passei a semana passada pensando sobre isso… haha

    Pena que não tenho dinheiro sobrando… haha

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  3. Parabéns, oxalá tivessemos mais investimentos e investidores por aqui.

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  4. Isso de romantizar pobreza na juventude já não me desce mais também.

    Mas o foco é o empreendimento. E esse sim, vai dar um belo UP na região. Só tem que tomar cuidado para quando estourar a bolha no Brasil aquilo lá não ficar jogado as traças…..

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  5. Esses aí são herdeiros do Magazine Luiza, não tem nada de mérito nisso aí. Devem tudo a seus parentes de SP…

    O filho desse carlos aí é o maior enbanjador de POA, em boates gastando muita grana etc… Rindo da cara de garçons etc…

    Esse aí não fez nada de mais, só herdou, não dou muito para ser um mini eike batista… vai quebrar

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    • Essa não sabia… o Eike Batista, filho de um político que soube usar muito bem o seu posto nas minas e energia, é exemplo de falsa meritocracia. Tem muita gente tecnicamente hábil, realmente capaz de criar produtos inovadores, que não consegue financiamento do BNDES com a facilidade de quem tem trânsito fácil pelos bastidores do mundo político.

      É por isso que eu não acredito em rico que ascendeu das cinzas e fez fortuna pagando impostos e as mesmas taxas de juros que os mortais encontram nos bancos. Ser rico é sinal de uma ambição qualquer aí, uma ambição que para mim não diz nada. Prefiro ouvir um filósofo ou um cientista ou um trabalhador braçal falando do que um rico. E me solidarizo com o pequeno empreendedor, o pequeno empregador, que ganha seu sustento na raça, sem precisar recorrer a histórias de pobreza para justificar a sua condição financeira.

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  6. Eu sempre sou meio cinico com essas historias de jovem pobre que subiu na vida e hoje e’ empresario rico. Geralmente o pessoal acentua a pobreza para embelezar a virada na vida. Nao conheco a historia deste senhor, e’ bom que se diga, talvez tenha sido mesmo pobre de nao ter o que comer. De qualquer forma, isso e’ irrelevante e, ao contrario dos amantes de Cuba e incentivadores da pobreza geral, eu gosto de ver essa gente se dando bem nos negocios no RS. E’ bom pro Estado.

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    • É aquela história de pai rico, filho nobre e neto pobre. Mas nesse caso acontece o oposto. O que acontece é que enquanto muitas pessoas pobres usam o sofrimento do passado para criar calo e limpar o banheiro se preciso, aprender um novo idioma se for preciso, virar a noite trabalhando se for preciso.

      No caso do pai rico, a superproteção cria sujeitos que por qualquer coisa ficam revoltados, depressivos, sentem-se injustiçados… Qualquer pessoa com esses sentimentos não dão muito certo na vida.

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  7. Que inspirador, isso é que é mérito. Parece quase obrigatório ter um passado humilde para poder ser rico sem culpa.

    Eu tenho outra teoria: a pobreza do passado dos ricos é rotineiramente romantizada para dar respaldo às fortunas. Também serve como discurso de exploração do trabalho: “eu comi o pão que o diabo amassou e tu reclamas porque está trabalhando no domingo para mim?”

    Eu adoro o passado pobre romantizado pelos ricos. Justifica qualquer aberração do presente. Justifica os funcionários sem carteira assinada, justifica a sonegação, justifica o iate e a Ferrari no jardim.

    Não quero dizer que é o caso do grupo M (ou do grupo X), mas simplesmente não acredito na riqueza multimilionária idônea. Tenho muito mais admiração pela classe média e pela classe C. Tenho admiração pelos papeleiros invisíveis que tornam o Brasil uma das maiores (se não a maior) potência em reciclagem. Grandes riquezas apenas concentram renda e são ruins para a economia, a sociedade e a política.

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    • Cara tu es uma pessoa com serios problemas, deixando de ser invejoso, tu eliminaria um dos deles!!!

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      • Phil, eu entendo o teu pensamento. É que a maioria dos empreendedores médios, aqueles que conseguem ingressar na faixa do consumo de luxo, tem como meta em suas vidas o consumismo. É ter o carro, é ter a moto, o iate, a cobertura, é diferenciar-se como ser humano sendo um consumidor diferenciado.

        Sinceramente, não tenho inveja de uma vida preenchida pelo consumo. Vou te dizer que ganho bem, bem para a realidade brasileira. A minha renda me permite viajar à Europa – a Bali, quem sabe, com um bom planejamento. Já estive na Europa, aliás. Gostaria de viajar mais, mas não viajar não me causa maior ansiedade. É um querer que pode esperar. A minha renda permite que eu compre um SUV que ocupe duas pistas na cidade se eu me planejar uns dois anos para isso. Mas não quero.

        O meu caviar é o espaço coletivo. O que me dá tesão de viver não é ter um carro importado reluzindo na garagem. O que me dá tesão de viver é andar pelas ruas, é fotografar as ruas, as pessoas, é ver as pessoas, é falar com elas. Acho que os vazios existenciais devem ser preenchidos com gente e não com coisas. Gosto de frequentar os cafés do centro. Gostava de ler o jornal no deque do Mercado Público (que volte à ativa logo) e de comprar o Boca de Rua quando me ofereciam. Não esbravejo quando um mendigo me pede uns trocados. Sempre esvazio os bolsos quando posso.

        Não vejo romantismo na miséria. Gostaria que qualquer um pudesse desfrutar da mesma situação que eu – ou até melhor. Não supervalorizo o trabalho intelectual, embora faça mestrado na federal. Acho o trabalho braçal tão nobre quanto o intelectual. Não trocaria o meu emprego por um braçal que pagasse o dobro, sério! Quando fazem faxina aqui em casa eu pago um valor acima do mercado porque eu pago a percepção do que o trabalho me vale e não do que o mercado, esse ente abstrato e injusto, acha que vale. Pago impostos pra caramba e não reclamo – só reclamo de como eles são aplicados. O sonegômetro não me pegaria, ao contrário de muito empresário.

        Ah, mas só de tomar cafezinho na rua ninguém é feliz, alguém pode dizer. Pode ser, mas também tenho uma mulher linda, sou artista (e quem não é quando se está aberto à beleza da vida, mesmo com todos os seus percalços?), revelo filme preto e branco no chão da cozinha, toco guitarra, tenho banda, sou cientista maluco de cara limpa, mas a favor da legalização das drogas atualmente ilícitas. Não é porque sou louco por vinho que vou condenar quem fuma maconha. Cada um com os seus vícios e prazeres.

        É difícil transmitir a minha forma de ver o mundo em poucas linhas. Tenho certeza de que aqui no PortoImagem há quem viva de forma parecida, com menos ou mais dinheiro, com menos ou mais consumo, não importa. Aliás, consumir, para nós, é um aspecto secundário da vida. Consumimos quando podemos e precisamos, mas não consumir não nos coloca em depressão profunda. Consumir é um dos aspectos da vida (urbana) e não a sua finalidade maior. É meio, não é fim.

        Conheço gente que focou sua vida em consumo que perdeu carro, perdeu mulher, perdeu amigos quando veio o aperto financeiro. Não é raro ouvirmos histórias desse tipo. Famílias se desestruturam. Isso não ocorre quando as relações humanas tomam a dianteira, pois trata-se de um consumismo imaterial, cultural, afetivo e muito mais duradouro do que o prazer efêmero de comprar um carro ou um novo gadget.

        Em resumo, bem resumido mesmo, seria isso.

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        • Legal teu comentário cara! Muito bom!

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        • Muito bem, so’ acho que vcs se importam demais com oque os outros ganham ou deixam de ganhar, nao se preocupem com isso, deem mais atencao a suas familias e seus proprios projetos, verao que passaroa menas raiva. Vamos ver este mesmo zelo e vigilantismo quando alguem enriquece trabalhando para o setor publico!!!

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      • Será que o phil já leu aquele site sobre a planilha do ônibus? hehe

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        • Phil, aí é que tá, eu não dou a mínima se alguém fica rico de forma lícita. Eu pago IR retido na fonte, não tem essa de emitir recibo “por fora”. Quando compro qualquer coisa, quase metade é imposto. A carga tributária sobre mim beira os 50%.

          Nós, pessoas físicas, não financiamos campanhas políticas, não bancamos caixa dois para que político promova licitações inúteis que só servem para beneficiar o próprio negócio. Nós não temos acesso a linhas de crédito a taxas de juros atraentes.

          É interessante como você é solidário às empreiteiras e companhias de ônibus, mas não se dá conta do quanto elas tiram proveito da máquina pública, seja para que artificialmente o agente público crie uma demanda pelos serviços de uma empresa, seja porque essas empresas se beneficiam de uma reserva de mercado promovida pelo Estado (concessão pública).

          Sério, é isso que você apóia? É isso que você chama de empreendedorismo? Você é adepto do “sonegar e subornar é preciso e a classe média que pague a conta”? Você é adepto do discurso “a classe média medrosa que se dane porque não tem coragem de roubar”? É isso? Não entendi ainda qual é a sua.

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          • Exato, mas dar 50 reais para uma família na miséria é um absurdo. Mesmo que isso ajude a roda da economia a girar.

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        • Eu me solidariso com o setor privado, prq e’ o unico que produz riqueza, so’ por isso, o setor publico desperdica esta riqueza ou por corrupcao ou por ma gestao (que e’ o caso quase sempre). O problema eu volto a dizer, vcs se preocupam demais com oque seus viznhos ganham, e’ uma maneira muito primitiva de se viver, nao deem bola , nao se preocupem com oque o malvado empresario de olhos azuis ganha, nao precisa ter inveja. VAO VOCES ATRAZ DO SEU…e se vcs nao gostam de dinheiro (haha, socialista nao gostar de dinheiro..hahaha) mesmo assim nao se preocupem com o lucro dos outros, deixem eles viver a vida deles e vcs a suas. Que tal?? POA decaiu no IDH parte por causa desta inveja cultural, esta raiva pelo “lucro” com a qual indoutrinaram vcs, agora ninguem certo da cabeca ira investir ai ou investirao muito pouco, comparado com o potencial. Na verdade vcs ganharam, coseguiram parar o desenvolvimento e esculhambar com tudo deixando a cidade no atraso e na miseria. Parabens. Reclamam de tudo, que esta tudo errado, depois vao la e votam em PT, PSTUS PSOL, PCdB’s da vida. Vejam o IDH isto e’ reflexo da falta de investimentos de creascimento e criacao de prosperidade. Acho que a pergunta que eu sempre quis fazer a um socialista sempre foi: PRQ vcs odeiam a populacao da ciade desta forma?? Pra que mantelos no atraso e na miseria, que graca tem isso?? Vcs se sentem mais poderosos vendo a populacao passando nescessidades?? Pensem bem e depois mudem sua forma de pensar para algo mais construtivo.

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          • Obvio que é o setor privado que gera riqueza. Mas a partir disso sempre defender quem está desse lado em detrimento ao outro é uma visão simplificada da sociedade. Precisamos dos dos campos trabalhando cooperativamente pois não há sociedade sem estado também. O que é difícil as vezes é decidir qual o tamanho certo dele.

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  8. O edifício-Jenga! hehe

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