Lerner dá forma a um bairro de R$ 2 bilhões em Pelotas

Projeto do arquiteto paranaense para empreendimento da Guapo Grupo e da Joal Teitelbaum em Pelotas (RS) quer resgatar a vida de vizinhança que se perdeu com o tempo

Por Pedro Pereira

Até 2017, a cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, terá um bairro novo. Não porque alguma região crescerá a ponto de ser segmentada, ou porque moradores resolverão criar uma dissidência dos bairros atuais: é um bairro novo mesmo, erguido do zero em território pré-determinado, com plano diretor, projeto de sustentabilidade, áreas comercial, residencial e de lazer – e com custo estimado em R$ 2 bilhões.

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O Quartier, nome do projeto, foi traçado pelo escritório do arquiteto paranaense Jaime Lerner, a pedido da Guapo Capital Group e da Joal Teitelbaum Escritório de Engenharia, do Rio Grande do Sul, idealizadores do empreendimento. A área de 30 hectares em região próxima à parte central de Pelotas pretende resgatar a possibilidade de se viver e trabalhar em locais não muito distantes. “Quando você pega o jornal, vê que todos os projetos são iguais, tem a mesma cara. O diferencial está em fazer um bairro normal, onde as pessoas vão se encontrar”, acredita Lerner.

O novo bairro não terá qualquer muro ou obstáculo para que a população pelotense tenha acesso às áreas de compras e lazer. O projeto foi todo desenhado com o objetivo de atender às diferentes classes sociais, tanto nas ruas quanto dentro dos apartamentos. Segundo Claudio Teitelbaum, os preços dos imóveis poderão variar de R$ 150 mil a R$ 2 milhões, conforme o mercado local suportar. Com a força iminente do polo naval de Rio Grande, distante cerca de 60 km de Pelotas e responsável, entre outras coisas, pela fabricação de novas plataformas de extração de petróleo da Petrobras, a expectativa é que as vendas atendam também trabalhadores da cidade.

As três empresas que lançaram o Quartier nesta terça-feira não serão responsáveis por todos os prédios do complexo. Algumas áreas do total de 400 mil metros quadrados que serão construídos – entre obras residenciais, comerciais e de lazer – ficarão a cargo de incorporadoras parceiras, que ainda não estão definidas e poderão ser da própria cidade ou qualquer outro lugar do país. As obras devem iniciar em 2014 e a estimativa é que três mil apartamentos sejam construídos para abrigar cerca de nove mil pessoas a partir de 2017.

O local abrigará o Parque Quartier, uma área de 10 hectares de área verde e de preservação que contará com lagos e piers, trilhas para caminhada, quadras poliesportivas e complexo de lazer público, além de um mirante com vista para o bairro e adjacências. A infraestrutura contará com internet sem fio em diversas áreas públicas, instalação elétrica subterrânea nas principais vias, calçamento em bloquetes e vias sem desnível entre calçada, ciclovia e faixa de automóveis.

Revista Amanhã

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Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Paisagismo, Prédios, Reurbanização, Sustentabilidade

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23 respostas

  1. Aqui é uma zona, a prefeitua não fiscaliza nada, controem como querem, calçadas inexistentes ou em péssimas condições e o morador que mantém sua casa e calçadas dentro da lei ganha o que? Redução de IPTU? Aqui isso não existe… Um tal vereador que foi eleito, disse em sua campanha que iria beneficiar moradores que plantassem árvores em suas calçadas, até agora nada… Ou seja, jeito novo de governar só em sonho, mudam as moscas e a merda é a mesma…

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  2. Parece uma pequena Londres.

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  3. Achei interessante esse projeto de Pelotas. Mas tenho minhas dúvidas sobre a sustentabilidade proclamada. Pra ser sustentável não basta plantar um monte de árvores; há também que se considerar a mobiildade dos que moram no bairro, e quão viável são os deslocamentos que não dependem de carro.

    Não conheço muito Pelotas, mas a imagem do satélite não sugere que a distância pro Centro seja lá muito caminhável; até onde entendo é uma cidade razoavelmente plana para favorecer a bicicleta mas, olhando pra densidade proposta no bairro, o transporte dependeria pesadamante de um meio de transporte de pelo menos média capacidade (i.e. algo melhor que ônibus). Isso requer uma baita coordenação com a prefeitura, coisa que eu duvido que vá existir. A ver.

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    • Se usarmos como referências as autopistas urbanas, viadutos e trincheiras daqui, esse empreendimento ganhará o destaque da década em sustentabilidade.

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  4. Os preços vão variar de R$ 150 mil a R$ 2 milhões.
    Aqui em Rio Grande tão pedindo R$ 500 mil em qualquer casebre caindo aos pedaços, numa rua que quando chove só se chega de barco.

    Não me parece absurdo pagar esse valor pra morar em um bairro novo, totalmente planejado e bem localizado, perto do centro de Pelotas.

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