Ritmo lento de obras deixa em alerta população de Porto Alegre

Motoristas e pedestres alteraram rotina e comerciantes contabilizam prejuízos

Obras recém começaram na avenida Cristóvão Colombo Crédito: Vinícius Roratto

Obras recém começaram na avenida Cristóvão Colombo
Crédito: Vinícius Roratto

A discrepância do ritmo de obras de mobilidade urbana deixa em alerta parte da população de Porto Alegre. Alguns empreendimentos seguem a passos curtos, enquanto outros parecem parados. Em contrapartida, moradores e comerciantes se veem obrigados a alterar a sua rotina e contabilizar eventuais prejuízos em função das obras que visam a melhoria na circulação.

O exemplo mais claro é o das obras na III Perimetral, na zona Norte. Na última semana, teve início a construção de uma passagem subterrânea na rua Cristóvão Colombo pela rua Dom Pedro II. Em uma semana, os funcionários ainda estavam desmontando o canteiro central. O bloqueio no trânsito começou uma semana antes, o que gerou impactos em toda a região, com desvios e mudança de sentido de algumas ruas. Segundo o presidente da Associação dos Moradores da Auxiliadora, João Corrêa, apesar de a obra já ter iniciado, apenas nesta semana a prefeitura vai conversar com a comunidade sobre o seu impacto. “Temos a consciência de que o projeto é importante, mas acreditamos que o seu traçado pode ser melhorado, uma vez que avança para espaços dentro de edifícios.”

Um dos terrenos atingidos é o de uma loja de pneus localizada exatamente no cruzamento entre a Cristovão e a Dom Pedro II. Segundo a proprietária Nilva Bellenzier, o terreno perderá 1,5 metro, para que seja possível a construção da alça que ligará as duas ruas. “Terei de cortar este espaço dentro da loja. Compreendo que é um obra importante, mas não foi me dada alternativa”, explica. Para amenizar o tamanho dos prejuízos, ela tentará atrair os clientes para a sua outra filial. “Terei que refazer a loja e, enquanto isso, vou transferir as atividades e tentar manter os funcionários durante as obras.” A previsão é de que a passagem subterrânea esteja concluída em julho de 2014, tendo custo estimado em R$ 12 milhões.

A poucas quadras de distância, a obra da passagem inferior na Anita Garibaldi pela Carlos Gomes não tem movimento de operários. A intervenção gerou manifestações acaloradas dos moradores da região que questionaram os benefícios da construção em relação ao grande impacto na região, como o corte de árvores, redução do espaço para circulação do pedestre e por avançar para dentro do terreno de alguns prédios. A questão mais emblemática é que a obra não parou em função da rejeição da população, mas por uma surpresa na execução do projeto. Segundo Corrêa, a explicação da prefeitura é que nas escavações foi encontrada uma rocha de grandes dimensões, o que obrigou a empresa a alterar o projeto. As obras físicas que começaram em janeiro não duraram muito tempo. É provável que o prazo de conclusão, inicialmente marcado para janeiro, não será atingido. O investimento estimado era de mais de R$ 10 milhões.

Enquanto isso, os moradores e comerciantes da região precisam arcar com as dificuldades trazidas com o empreendimento. O acesso aos prédios residenciais é complicado.

Projeto elimina X da Rodoviária

Os transtornos provocados pelo grande fluxo de veículos perto da rodoviária de Porto Alegre são conhecidos pelos motoristas que utilizam a região. Antes que esse problema seja amenizado vão precisar de grandes doses de paciência. Com os desvios da obra, o espaço para a circulação dos veículos foi reduzido. Agentes da EPTC orientam motoristas na região para amenizar os transtornos. Dentro do pacote de intervenções na mobilidade urbana, o complexo da rodoviária prevê a eliminação do X, que é o cruzamento das vias de acesso e saída do Centro de Porto Alegre. A ideia é que com a elevada, as avenidas Júlio de Castilhos e Castelo Branco estejam interligadas, evitando que o motorista precise ficar preso na sinaleira embaixo do atual viaduto, trazendo maior fluidez ao trânsito.

O empreendimento teve início em agosto. Após um ano é possível ver os avanços. Com custo de R$ 31,5 milhões, a conclusão está programada para novembro. No local é possível ver que os pilares estão erguidos, ao lado da rodoviária. Grupos de funcionários atuam em vários pontos.

Smov alega que houve imprevistos

O andamento de uma obra viária é normalmente medida pela quantidade e o ritmo de trabalho dos funcionários. Essa impressão nem sempre condiz com a realidade da execução de um empreendimento. A avaliação é do coordenador de obras de mobilidade da Secretaria de Obras e Viação de Porto Alegre (Smov), engenheiro José Carlos Keim. Explica que é normal obras precisarem parar momentaneamente em função de imprevistos. “Muitas vezes se pensa que a obra está parada porque não há funcionários, mas podem estar sendo feitas intervenções na rede subterrânea.”

Sobre a intervenção na Anita Garibaldi, destaca que foi identificada uma rocha bem maior do que inicialmente projetada. Como não se pode usar explosivos, terá de ser retirada aos poucos. Há previsão de que os serviços mais intensos sejam retomados em até 20 dias. Acredita que a obra será concluída entre março e abril de 2014. Sobre o complexo da rodoviária, Keim assegura que estará pronto até o final deste ano. Explica que houve imprevistos, como a retirada de um pilar da Trensurb, a mudança na rede do Dmae e um acesso subterrâneo.

Correio do Povo



Categorias:Obras da Copa 2014

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5 respostas

  1. Pura incompetência. E quero ver o tamanho da calçada que vão fazer… vão fazer uma alça ali e tirar apenas 1,5m daquela loja?

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  2. Bando de incompetentes, no mínimo.
    O conserto do conduto na Bordini se arrasta, é patético, tempos atrás documentei: http://projetosemprograma.blogspot.com.br/2013/05/o-real-custo-das-obras-em-porto-alegre.html
    Mil CCs …

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  3. Que ironia, um dono de loja de pneus reclamando que vai perder 1,5m da loja.

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  4. O “imprevisto” foi que a obra começou em 2013, a um ano da Copa, quando poderia ter começado em 2008.

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  5. Interessante, agora a rocha que a prefeitura e o empreiteiro que está construindo a trincheira da Anita, já sabiam da rocha, só que ela é muito maior do que pensavam!!!
    .
    🙂
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    Me parece que aplicaram o golpe do se colar, colou, como houve protestos só aumentaram o tamanho da rocha.
    .
    🙂 🙂 😉

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