O extremo sul vai (finalmente) para o espaço

Polo Espacial do Rio Grande do Sul consolida parcerias entre empresas e universidades e já tem projeto de microssatélite em andamento

Por Pedro Pereira

ael-350O Polo Espacial do Rio Grande do Sul começa se preparar para entrar em órbita. Não, não se trata de um espaço físico reservado àqueles que pretendem invadir o espaço, mas de um ambiente voltado à inovação que tem permitido parcerias entre empresas, universidades e órgãos públicos do Rio Grande do Sul com o objetivo de desenvolver novos produtos e tecnologias. Inicialmente, as descobertas devem ser dedicadas à defesa do país, mas uma posterior comercialização não está descartada.

ael-350Uma iniciativa em especial tem atraído a atenção no Polo: atendendo a um edital da Agência Brasileira de Inovação (FINEP) dedicado a diversas áreas do conhecimento, o grupo apresentou o projeto piloto de um microssatélite que, se fabricado, servirá de plataforma para levar ao espaço diferentes tipos de equipamento. A primeira de cinco etapas já foi superada e entre centenas de inscritos o polo gaúcho ficou no seleto grupo de 70 selecionados. O processo deve estar concluído em 23 de dezembro, quando serão conhecidos os vencedores – que terão seus projetos financiados por empresas patrocinadoras do edital.

Como o Polo Espacial ainda não está cadastrado junto à FINEP como um Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), a AEL Sistemas, uma das empresas que dão sustentação ao polo, se colocou como líder do projeto. Coube a ela reunir os envolvidos no planejamento, fazer levantamento de custos e montar a apresentação em seu nome. Mas verbas, caso conquistadas, serão alocadas para cada entidade participante. “Primeiramente temos que desenvolver os sistemas que vão manter a plataforma em órbita, desenvolver o apontamento delas”, explica Vitor Neves, vice-presidente de operações da AEL.

Mas a atuação do polo não se limita ao projeto do microssatélite. Paralelamente, estudos são realizados com o objetivo de criar produtos que se apliquem a diversos tipos de satélites. Neves destaca iniciativas como a da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), que está desenvolvendo sistemas de radiofrequência digital que permitirão a criação de radiocomunicadores miniaturizados e eficientes para satélites de pequeno porte. Outro exemplo é o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que trabalha na criação de componentes resistentes a radiações que existem no espaço e planeja também um computador de bordo miniaturizado que possa fazer o comando dos satélites.

“As nações mais adiantadas do mundo têm um segmento espacial extremamente desenvolvido. O nosso país acabou ficando pra trás nessa corrida”, lamenta Neves. Ele observa que quando o Brasil começou a desenvolver atividades espaciais, estava no mesmo nível de países como Índia e China, mas que hoje está muito distante dessas nações. “Os investimentos no setor foram pequenos”, avalia.

Mas os recentes investimentos do governo brasileiro no setor, inclusive com edital prevendo a compra de 16 satélites a um custo total de R$ 9 bilhões, deixam Neves otimista. “Aparentemente, e felizmente, nosso país acordou pra essa questão e, a exemplo de China e índia, onde o emprego militar capitaneou o desenvolvimento espacial, acreditamos que no Brasil também vai ser assim”, projeta.

Revista Amanhã



Categorias:Polo Espacial do Rio Grande do Sul

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8 respostas

  1. Me esqueci do polo naval de rio grande (!!) q tambem pode ser de grande ajuda pra economia do estado, mas acho q sozinho ele nao faz milagre pq a coisa parece estar muita feia (deem uma olhada na materia do link acima)… se os centros tecnologicos continuarem crescendo e esse polo espacial sair mesmo junto com o polo de rio grande ja vao ser um grande alento pra economia do RS… so vai faltar o estado diminuir suas despesas pra garantir o crescimento

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  2. Otima noticia!

    Tomara q os centros tecnologicos (tecnopuc, tecnosinos, etc.) e agora esse polo espacial sejam a salvaçao do estado pra atrair investimentos e nos salvar da divida… o RS vai ter q focar nisso mesmo pq pelo visto as grandes montadoras de veiculos se negam a vir pro estado e as proprias fabricas q nasceram aqui fogem pra outras regioes…

    http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/08/como-se-originou-a-divida-publica-do-rs-4229815.html

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  3. Faz sentido um polo espacial tão longe do equador e onde as condições climáticas não são das melhores?

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    • Não é para lançamento de foguetes Pablo. É para produção tecnológica de ponta, satélites… o que tem a ver isto com o Equador?

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      • Mesmo que seja para produção, manter-se próximo ao equador e em regiões de céu limpo tem grandes vantagens.

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      • Gilberto, tem sim. A base de lançamentos de foguetes em Alcântara está situada a 2°18’ ao sul, ou seja praticamente junto ao equador. Qual a vantagem disto?
        .
        Todos os satélites geoestacionários, satélites de comunicação, GPS e outros tem que ficar em órbita junto ao equador, aproximadamente 35780 km de altura.
        .
        Simplesmente porque eles tem que ficar girando exatamente sempre no mesmo lugar em relação a Terra (imagine ter uma antena de TV via satélite que tivesse que se movimentar com o movimento do satélite para dar sintonia).
        .
        Como a base de Alcântara é aproximadamente junto ao equador, depois que o satélite sobe e é colocado em órbita, poucos ajustem tem que ser feitos para que eles fiquem na posição exata). Estes poucos ajustes significam menos energia a ser dispendida durante a colocação inicial em órbita, e esta energia (combustível) economizado significa que o satélite pode ser mantido mais tempo em serviço.
        .
        Ao longo do tempo, todos os satélites geoestacionários vão perdendo altura, e esta perda de altura deve ser corrigida por pequenos jatos dos satélites, quando acaba o combustível desses foguetes terminou a vida útil do satélite.

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        • Mas que coisa, eu falei que aqui no RS não vai ter base de lançamentos nenhuma. Por isso falei que aqui não tinha desvantagem ou vantagem nenhuma por ser longe do Equador. Eu sei muito bem disso que falas aí, pois sou um aficionado por geografia, astronomia, espaço, astronáutica e afins.

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        • Gilberto.
          .
          Realmente estás com a razão, não li direito o primeiro post do Pablo e dei uma resposta inadequada. A resposta está certa, mas a crítica deveria ser ao Pablo.
          .
          É possível projetar e construir satélites na Patagônia, o lançamento é outra coisa!
          .
          Eu sempre imaginei que estás sempre com a cabeça no espaço 🙂 .

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