A Ford é coisa do passado?

Quinze anos depois da desistência da montadora norte-americana, Guaíba recebe fábrica de caminhões chineses. Os dois empreendimentos anunciados para a área, desde então, não vingaram

Por Laura D´Angelo

FOTON-350O clima pelos salões do Palácio Piratini, nesta terça-feira (13), era um misto de entusiasmo e desconfiança. Os minutos antecediam a assinatura do protocolo de intenções da empresa Foton Aumark do Brasil com o governo do Rio Grande do Sul para a construção de uma fábrica de caminhões em Guaíba, mas a lembrança de 1998, quando a montadora Ford desistiu de instalar uma unidade no mesmo terreno destinado agora à Foton, ainda estava presente.“É um passo importante para uma região que ficou estigmatizada”, admite o prefeito de Guaíba, Henrique Tavares.

FOTON-350O investimento total será de R$ 250 milhões e a montadora planeja começar as operações no segundo semestre de 2015. A Foton Aumark,é representante da chinesa Beiqi Foton Motor no Brasil, uma das maiores indústrias de caminhões do mundo. A empresa brasileira tem autorização para a fabricação de três tipos de caminhões para vender no Brasil e no Mercosul e será a responsável por todo investimento.

O Banrisul viabilizará a primeira etapa do projeto com um empréstimo de R$ 40 milhões. O restante do valor será financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente da Foton Aumark, a participação do Banrisul foi decisiva para que a empresa voltasse a tratar a vinda da montadora para o Rio Grande do Sul. Na primeira negociação, a falta de definição sobre quem assumiria os financiamentos, Badesul ou Banrisul, foi um dos motivos para que o grupo do setor automobilístico desistisse da operação. “O Badesul não tinha capital suficiente para prover a operação”, explica Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES.

A Foton, então, resolveu partir para o Rio de Janeiro. No início de julho, inclusive, o investimento no estado fluminense chegou a ser anunciado. Mas os terrenos oferecidos pelo governo do Rio não agradaram aos executivos pelo alto custo de manejo. Mendonça de Barros garante este tipo de problema não será obstáculo no município da Grande Porto Alegre: “Fizemos uma pesquisa de solo e o resultado foi excelente. Só estamos esperando a licença ambiental para começar a trabalhar no terreno”.

Em Guaíba, 500 mil metros quadrados do terreno serão destinados para os fornecedores. “A Foton não produz praticamente nenhuma peça e tem condições de montar um caminhão 100% brasileiro”, assegura Mendonça de Barros. Como participante do projeto Inovar Auto, do governo federal, a exigência é que, até 2017, o nível de nacionalização da produção chegue a 65%.

Para o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, mais importante do que o valor do investimento em si, são as oportunidades criadas pela chegada da montadora: “A vinda da Foton deve ser medida pelo impulso que ela vai dar às cadeias produtivas da região”. A previsão é de que sejam gerados 350 empregos diretos.

Revista Amanhã



Categorias:Economia Estadual

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17 respostas

  1. Os milhões e milhões perdidos pela não vinda da Ford nunca mais serão recuperados, podem trazer a pqp que acharem, deem uma passada em Camaçari e comprovem o mal que aquele bigodudo pinguço fez, http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/economia/noticia/2012/11/veiculos-dinamizam-cidade-baiana-3939277.html

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  2. “A vinda da Foton deve ser medida pelo impulso que ela vai dar às cadeias produtivas da região”. A previsão é de que sejam gerados 350 empregos diretos.

    Cadeia produtiva ? Efeito multiplicador ? Já ouvi isso em algum lugar…
    Mas logo o Tarso, que se declara Marxista-Leninista, com esse papo neo-liberal de cadeia produtiva e geração de empregos ? Só se é aquele emprego pro vendedor de cachorro quente da porta da fábrica.
    A cadeia produtiva da GM, com seus sistemistas está provando que é um sistema fechado e hermético, transferência de tecnologia zero. E enquanto o Brasil for o país que importa tecnologia e que não cria, não faz a sua própria, não sairemos da merda nunca. Seremos eternamente exportadores de matérias-primas. Pra sempre, os índios encantados com os espelhos trazidos pelo colonizadores. Em 2013, espelho= iPhone.

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    • Concordo contigo em termos gerais… mas cadeia produtiva não tem nada a ver com neo-liberalismo.

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  3. offtopic: Protesto da EPTC trancando o trânsito onde agentes da EPTC orientam os motoristas. Nunca vi coisa mais estranha!

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  4. Bem no fundo eu gostaria mesmo de uma grande indústria do modal ferroviário… Imaginem que interessante seria uma integração do polo naval com um polo ferroviário?

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  5. Sempre ele: o BNDES com sua “bolsa mega-empresário”.

    Pq o BNDES não empresta este dinheiro com juros subsidiados para mim também, mero mortal?

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    • Emprestou até para a Arena que não gera riqueza nenhuma!

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      • Concordo, e Beira Rio tbm.

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      • Só para acrescentar que a culpa não é da empresa. Se o benefício está disponível, é natural que todo mundo queira correr atrás, faz parte do jogo.

        O problema é a existência do BNDES que serve a interesses políticos às nossas custas. Aqui vale a máxima: se o negócio é bom, ele não precisa de crédito subsidiado pelo BNDES, muito menos se ele for ruim.

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    • Como micro empresário no ramo de inovação pode-se conseguir até a fundo perdido, basta ter um plano de negócios bom. Um amigo meu conseguiu… depois estava ele todo orgulhoso com um cartão do BNDES.

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    • Então fecha o BNDES, porque ele existe, só e somente, para isso.

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  6. Pequena diferença…

    Ford Fiesta com seus 13 mil carros vendidos no ultimo mês (apenas a versão hacth), contra uma marca de caminhões chinesa.

    Agora vamos aos detalhes…

    Os carros no Brasil tem os maiores impostos do MUNDO, se em um mês foram vendidos praticamente 13 mil carros, e praticamente metade do preço deles são impostos, são milhões em impostos arrecadados só com os carros, soma isso com outras peças e assessórios que geralmente chegam com as fabricas de carros, ja seriam mais e mais impostos e empregos.

    Agora pega a falta de noção do brasileiro com carros, que adora pagar caro por veiculos velhos e inseguros com motores beberrões, frex póuer e que tem medo de novidades, agora transforma isso para caminhões, onde é o basico ter ao menos uma vasta rede de concessionarias e mecanicos que tenham alguma noção de como trabalhar com esses veículos…. é claro que saimos perdendo.

    Não é ruim essa empresa vir para o estado, a empresa pode ter uma baita qualidade nos veículos, mas a Ford seria muito melhor….

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    • Enquanto a opção transporte público for extremamente cara, demorada e desconfortável, é ilusão achar que ao vender muito carro arrecada-se muito, pois ao mesmo tempo que arrecada-se demanda-se um investimento muito maior em infraestrutura.

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      • Como não investem nada, continua sendo vantagem a venda de carros.

        Assim como caminhões são mais pesados e fazem um estrago maior nas estradas, e também são muitos, ja que não existe outra opção nesse pais…

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        • É por isso que o pessoal está na rua protestando. Entretanto, muitos aqui ao invés de apoiar a pressão que causaria inclusive redução do preço dos automóveis fica com raiva. Deve ser politicagem mesmo.

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