BR 116 transforma vidas na dualidade entre transtorno e crescimento

Maior rodovia do país liga a Região Metropolitana e faz florescer comércio para atender fluxo de automóveis

Maior rodovia do país fez florescer comércio para atender motoristas e passageiros Crédito: Cristiano Estrela/CP Memória

Maior rodovia do país fez florescer comércio para atender motoristas e passageiros
Crédito: Cristiano Estrela/CP Memória

A BR 116, a maior rodovia do país, tem uma característica diferenciada ao passar pela região Metropolitana de Porto Alegre. A via atravessa municípios como uma faca afiada, promovendo um corte perfeito, que permite que o comércio floresça no seu entorno naturalmente, envolvendo diretamente a vida de milhares de pessoas. Como o prefeito de Canoas, Jairo Jorge, resume, a rodovia criou duas realidades diferenciadas no mesmo município. Mais do que isso, fez com que se formasse um comércio específico para atender às necessidades de seus usuários.

Quem utiliza diariamente a via está acostumado com os congestionamentos quilométricos, em especial nos horários de pico, das 7h às 8h30min e das 17h30min às 20h. Em função de obras em vários trechos, acontecem também em outros períodos do dia. Os engarrafamentos impactam na vida de estudantes, trabalhadores e da população em geral. A única maneira que sobressai aos olhos para fugir disso é o Trensurb. Enquanto no trem a viagem é rápida, do lado de fora, os veículos praticamente não saem do lugar.

Os prejuízos são no âmbito financeiro e emocional dos transportadores de carga, como explica o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado, Sérgio Neto. “O para e arranca gera irritação a todos os motoristas. Agora imagina no caminhoneiro que está horas na estrada.”

A média é de sete colisões traseiras por dia. “É uma consequência do acelera e reduz”, diz o coordenador da Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal, Alessandro Castro. Ele lembra que esses acidentes, mesmo sem gravidade, complicam ainda mais o trânsito. A média diária de veículos que circulam pela rodovia é de 130 mil.

Comércio diferenciado

Uma das características da BR 116 é o comércio existente às suas margens. Ao longo do trecho da rodovia na Região Metropolitana o que se vê são dezenas de estabelecimentos para veículos, que variam desde mecânicas, materiais e equipamentos, venda e aluguel. De acordo com o operador administrativo de um dos estabelecimentos de Canoas, Sandro Duarte, a localização é fundamental para o sucesso do empreendimento. “A movimentação é muito grande na rodovia, o que facilita o acesso de quem precisa do serviço”, explica.

No estabelecimento, são realizados serviços como geometria, balanceamento e troca de pneus. Os caminhoneiros são os principais clientes. Mesmo assim, com a demanda, neste ano também passaram a atender aos automóveis. “O caminhão é o carro-chefe. Normalmente, as empresas programam os serviços e como a estrada corta muitos municípios que têm fábricas, estar na BR 116 é um facilitador”, resume.

Nesse meio considerado mais masculino, chamam a atenção alguns estabelecimentos com perfis diferenciados. Um exemplo é uma loja de produtos de vestuário para a família. A filial foi inaugurada no início deste ano. Segundo a gerente Sílvia Dehne, o grande diferencial é o perfil do público. “Como a loja fica na beira da rodovia, o cliente que vem é o que quer mesmo comprar. Para muitos, estamos no caminho diário para trabalho ou universidade, o que facilita.” Um dos fatores que preocupa é a segurança. A BR 116 abriga, ainda, um grande número de hotéis e postos de gasolina.

Perto de tudo, mas com muito barulho

Morar na principal rodovia do país representa benefícios e prejuízos. O casal Luiz Ramon Keller e Ana representam essa dualidade na prática. Há mais de três décadas os dois residem no oitavo andar de um prédio que está às margens da rodovia, em Canoas. Enquanto Ramon discorre sobre os pontos considerados negativos, como barulho, poluição e fuligem, Ana aponta os benefícios, como a boa localização, que faz com que tudo esteja perto, a amplitude da vista e a história da família.

No apartamento cresceram os três filhos do casal, Luiz Gustavo e Luiz Fernando, que ainda residem com os pais, e Luciana, que se mudou após o casamento. Segundo Ana, o barulho não atrapalha. Os vidros foram trocados por outros mais grossos e que bloqueiam o som.

“Nem me incomoda mais a poeira. Em compensação, tenho sempre sol e uma ótima ventilação”, comenta. O marido brinca que em função do barulho dos veículos, não precisam mais de despertador. “Normalmente, às 6h eu acordo porque é quando o movimento começa a aumentar. E pensar que quando nos mudamos o fluxo era superbaixo.” A esposa concorda: “Conseguia atravessar no meio da rodovia e não tinha problema”. Porteiro há nove anos do edifício onde residem os Keller, Olegário Rosa Motta diz que o desafio diário é conversar ao telefone. “Às vezes, as pessoas acham que é brincadeira, mas não. É muito barulho.”

Correio do Povo



Categorias:BR-116, Meios de Transporte / Trânsito

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5 respostas

  1. Lamentável é ver apenas a 116 e o trensurb pra atender toda a demanda daquela área da região metropolitana.
    A 448 e a ERS-010 (se algum dia sair) têm bom traçado, mas vai ser só asfalto, sem opção pro coletivo, o que é triste.

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  2. Pena que optamos e insistimos em ver isso como produto normal do crescimento.

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  3. Trânsito como despertador? Tá louco…

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  4. espero que o tarso resolva até o fim de seu mandato

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