Projeto obriga instalação de fios subterrâneos na Capital

Em dez anos, a rede de fios e cabos deverá ser subterrânea em Porto Alegre. É o que estabelece um projeto de lei do Coletivo Marcelo Sgarbossa (PT) protocolado em 21 de agosto. A proposta obriga as empresas estatais, concessionárias e prestadoras de serviço, que operam com cabeamento, a enterrar a fiação existente na Capital no prazo de uma década, bem como realizar as novas instalações de modo subterrâneo. Nos locais onde os postes forem removidos, árvores deverão ser plantadas.

“A troca da fiação dos postes por sistema subterrâneo é benéfica em muitos aspectos. Além de minimizar a poluição visual e contribuir com a revitalização urbana, o enterramento de fios e cabos reduz o risco de rompimento da fiação e acidentes, assim como diminui a ocorrência de furtos e ligações clandestinas. Sem esquecer que promove a melhora na acessibilidade, pois a remoção de postes amplia e permite livre mobilidade de pedestres nas calçadas”, argumenta Marcelo.

O emaranhado de fios e cabos que prejudica a paisagem e causa transtornos foi tema de reportagem no jornal Zero Hora deste domingo (25/8). A reportagem de Taís Seibt destaca a mobilização da psiquiatra Maria Inês Lobato, que criou a página Fios Para Baixo, no Facebook, com apoio de familiares. O objetivo é sensibilizar a população e a classe política para a poluição visual provocada pelo emaranhado de fios e cabos nos postes da Capital.

Segundo o vereador Sgarbossa, legislação neste sentido foi aprovada na Câmara Municipal de São Paulo em 2005. “Onde a fiação foi enterrada, a paisagem ficou muito mais bela. Por exemplo, nos trechos das ruas Oscar Freire, Amauri, João Cachoeira e Vitório Fasano, onde todos os custos foram assumidos pela iniciativa privada. Já nas avenidas Paulista, Rebouças, Faria Lima e 9 de Julho e na rua Avanhandava, a prefeitura fez o serviço com a ajuda do setor privado.” Além de parcerias público-privadas para custear o enterramento de cabos e fios, o parlamentar sugere a captação de recursos de natureza pública, como do programa Monumenta, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Vinculado ao Ministério da Cultura, o programa conta com mais de R$ 205 milhões para revitalizar centros históricos no País, incluindo o enterramento de cabos elétricos. Especificamente, quanto ao enterramento de fiação, duas cidades já foram beneficiadas no Paraná em 2010: Morretes e Antonina. Em Goiás, das cinco cidades selecionadas, o Monumenta já contemplou três: Goiânia, Pilar de Goiás e Corumbá de Goiás. “Como verificamos em várias cidades do Brasil, existem alternativas para que possamos custear esse serviço. Acreditamos que o investimento trará ótimos resultados, pois além de transformar Porto Alegre em uma cidade muito mais bonita e arborizada, vai reduzir acidentes e problemas como a falta de energia”, afirma Marcelo.

Fonte: Coletivo Marcelo Sgarbossa

Sem dúvida uma proposta interessante para Porto Alegre. Infelizmente, todos sabemos que não vai ser uma empreitada simples.



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Energia, Infraestrutura

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62 respostas

  1. O projeto é show…mas convenhamos..

    Não conseguem sequer duplicar uma via nessa cidade (vide a Av. Edgar Pires de Castro aqui na zona sul).

    Alguém acha mesmo que isto vai se concretizar? Vivemos no país dos prazos intermináveis e das promessas nunca cumpridas..

    No papel, tudo muito lindo. Na prática, ninguém faz nada, vide o próprio BRT, por exemplo.

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  2. Um meio termo que poderia ser adotado em Porto Alegre é a obrigação de substituir todas as redes aéreas convencionais por “redes ecológicas”.
    .
    Que são estas redes?
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    São redes em que os condutores de alta tensão são parcialmente isolados, de tal forma que se um galho de árvore tocar na rede, eventualmente, não causa problemas.
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    O prefeito João Verle, pela lei nº 8.971, de 30 de julho de 2002, instituiu a obrigatoriedade da instalação destas redes em pontos denominados “ponto críticos” e pelo que parece nunca foi cumprida.
    .
    Se obrigassem as empresas de telefonia, TV a cabo e outras de transmissão de sinais, enterrar suas redes ficando somente as redes elétricas de alta tensão (circuitos primários) nos postes, enterrando-se os circuitos de baixa tensão (circuitos secundários) o impacto visual diminuiria em 90% assim como a necessidade das “podas”. Isto sairia caro, mas não muito caro.
    .
    A proposta de lei poderia ser modificada ampliando a utilização das “redes ecológicas” e estabelecendo um cronograma claro de implantação. Não adianta dizer que em dez anos toda a rede deverá ser implantada pois o que ocorrerá que ao fim de 9 anos não estará implantado nada ou pequena parcela e as concessionárias pedirão mais prazo (e vão conseguir mais dez anos).
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    • Eu fico me perguntando se existiria algum modelo viável onde as galerias/dutos pertenceriam a empresas dedicadas a isso, que têm o direito de exploração ganho por uma concessão, que venderiam o espaço aos interessados (telefônicas, etc), ficando responsáveis pela gerência e manutenção da coisa toda.

      Sabes se isso existe em algum lugar? Eu sei que na Europa é comum ter empresas responsáveis pela distribuição de, por exemplo, gás, operando separadamente das empresas que geram/extraem o gás, cabendo a escolha ao cliente. Ou seja, o cliente diz “distribuidora, eu quero comprar o meu gás da empresa A”, e a distribuidora faz essa compra “por baixo dos panos”, usando a sua rede para fazer a entrega. Tenho impressão que o modelo de gás daqui é bem diferente disso, mas e as outras utilities, como funcionam?

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      • Mobus, não esqueça que na Europa gás encanado tem mais de 100 anos, eles simplesmente não retiraram as linhas antigas, num período longo assim é possível ter várias concessionárias.
        .
        O que posso te dizer é que em Paris, cada avenida tem uma grande galeria de esgoto pluvial que permite a baixo custo de instalação colocar qualquer coisa dentro dela, inclusive em cada trecho tem identificado o nome da rua e os números das casas, fica uma barbada.
        .
        Provavelmente outras cidades tem o mesmo sistema, mas estou especulando quanto a isto.

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  3. Há tempos eu não via uma postagem com isso aqui:

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  4. Excelente projeto. So espero que facam direito e nao explodam bueiros.

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  5. Boa iniciativa. 10 anos é pouco tempo até pra uma mudança desse porte.
    Pelo menos é um início da discussão. Foda foi não terem tido essa mentalidade antes, pois a terceira perimetral tinha tubulação subterrânea no projeto original e a prefeitura que a implementou simplesmente cortou fora essa parte… agora querem entrerrar tudo, mas quando estavam no poder fizeram o contrário.
    Mas igual, idependente disso, espero q saia do papel e que tenhamos uam cidade livre de fios.

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  6. A mídia tem que cair em cima deste assunto, se deixar morrer, nao sai nada

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  7. Eu pagaria com orgulho uns 10 pila por mês a mais para essa fiação toda ser aterrada.

    hahaha

    Mas postes baixos para a iluminação dariam problemas, roubo de lampadas, depredação e biriri…

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  8. Uma proposta utópica e portanto sem sentido. Ao custo de 4,5 bilhões (por baixo), é totalmente inviável. Ao custo de 24 mil por terreno, nem em loteamento classe A é viável pois custaria 10% do preço do terreno.

    O Sgarbossa parece ser bastante experto para aparecer na mídia, divulgando isso logo depois da reportagem da ZH, se é que não foi combinado. Mas parece pouco esperto para compreender que isso não foi feito ainda pois custa o mesmo que um metrô, e também que lei não gera renda, apenas move ela de um lugar para outro. Logo, se investirem numa coisa, falta em outras.

    Dito isso, eu também queria que a fiação fosse enterrada, mas se é inviável não faz sentido legislar a respeito. Quem propõe leis tem no mínimo o dever de analisar antes se é viável. De leis inviáveis já estamos cheios.

    É claro que os leitores assiduos do blog adoram o Sgarbossa e vão negativar, mas isso é totalmente irrelevante. As propostas do Sgarbossa são inviáveis e isso fala por si só.

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    • Continua desconhecendo o conceito de debater uma proposta até chegar em um projeto final. Quando foi que falamos disso? Acho que no caso de temporização das sinaleiras de pedestres.

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  9. Espero que saia do papel, nao entendo como por estas coisas uteis ninguem va as ruas e pra aquele absurdo do passe livre tanta gente va protestar. Tinha que ir as ruas pedir as reformas realmente importantes na cidade, isso sim!

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  10. provavelmente lá pelo ano de 2985 comece a ser implementado.

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Trackbacks

  1. » Vendendo Postes de Energia

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